Namoradas
1 Namoradas
Jiro se certificou de que seu hálito era agradável, enquanto corria pela calçada, descendo as escadarias do metrô. Enquanto isso, Yaoyorozu retocava o batom, sentada no banco confortável do carro, enquanto o motorista dirigia.
Jiro conseguiu entrar no vagão, antes da porta se fechar, comemorando internamente que daria tempo chegar ao cinema no horário marcado. Não gostava de se atrasar, mas acabou se enrolando com a escolha da roupa, optando por ser ela mesma e tirando o vestido que a mãe havia emprestado, para voltar a pôr as calças jeans.
Por outro lado, Momo sequer havia cogitado a ideia de mudar seu estilo, apenas ficou em dúvida entre o vestido lavanda e o verde, ambos perfeito para a primavera. Ela vestiu o lavanda, pois combinava também com os brincos que havia ganhado de presente de sua avó que retornou naquela semana da Itália.
Kyoka Jiro se distraia dentro do metrô, ouvindo sua banda favorita. Ela batia as mãos de leve na coxa, enquanto imaginava as notas da guitarra. Com os olhos fechados, a jovem garota sorria, imaginando estar em um palco iluminado e tocando para centenas. A imaginação melhorava cem porcento porque a primeira da fileira era Momo Yaoyorozu.
Acostumada a visitar todo o tipo de concertos e óperas, Momo era eclética quanto ao gosto musical. Aprendeu a tocar piano ainda pequena, embora não praticasse tanto quanto antigamente. Afinal, a vida de estudante de uma escola renomada como a U. A. High, tomava todo o seu tempo.
Quando deixou o vagão, Jiro viu que ainda tinha dez minutos para chegar no lugar combinado. Ela aproveitou para caminhar com calma, e não aparecer descabelada na frente de Momo.
Yaoyzoru estava ansiosa, era oficialmente o primeiro encontro desde que aceitou namorar com Jiro. Não havia contado aos pais ainda, mas faria isso em breve. Contudo, estava ansiosa para rever Jiro, pois elas andavam se esforçando ao máximo na rotina como estagiárias e alunas, que sobrava pouco tempo para ficarem juntas. Por isso, a ideia de irem ao cinema parecia ser uma ótima oportunidade para desfrutar da companhia uma da outra.
Jiro chegou ao cinema e não levou mais do que alguns minutos para o carro estacionar em frente ao local. Momo desceu e acenou para o motorista, que foi dispensado no resto da tarde.
Desconcertadas, elas apenas se cumprimentaram com um beijo no rosto e foram para a bilheteria comprar os ingressos.
Momo insistiu em pagar sua entrada, mas Jiro não deixou, dizendo que ela a convidou, então ela iria pagar. A princípio, a jovem ficou constrangida, mas pensando melhor, até que era gentileza de Jiro o que ela estava fazendo.
— Você quer pipoca? — Kyoka perguntou, apontando para a bomboniere. — Também tem alguns doces.
— Não, obrigada, eu não estou com vontade. — Momo estava fazendo uma dieta bastante rigorosa para seu condicionamento físico, o que acabou parecendo ser grosseria da parte dela ter negado. Explicou melhor para Jiro o motivo de não querer comer, e a namorada simplesmente virou-se para ela e sorriu.
— Eu acho que você está linda. — Depois do elogio, Jiro inclinou a cabeça para a frente e erguendo a ponta dos pés para alcançar seus lábios e beijá-la.
Momo fechou os olhos e aproveitou o roçar dos lábios, até que recobrou a consciência. Estavam em público e as pessoas olhavam para elas.
Jiro riu baixinho e segurou sua mão, entrelaçando os dedos. O filme logo começaria e elas poderiam aproveitar melhor o escurinho do cinema, onde ninguém iria ficar olhando.
— Jiro... — O tom de advertência foi substituído em seguida por uma risadinha baixa. Momo estava se divertindo bastante e o restante da tarde não foi diferente. Elas prestaram pouca atenção no filme. Era um documentário estrangeiro sobre super heroínas de trinta anos atrás, a sala continha poucos telespectadores. Enquanto as duas estavam sentadas no fundo do cinema, com as mãos ainda unidas. Se beijaram por longos minutos. Momo sentia que não conseguia manter a boca longe de Jiro, o beijo era quente e cheio de energia, havia acendido algo dentro de seu corpo e ela estava com calor. A mão de Jiro as vezes passeava pelo seu braço e acabava chegando até a sua coxa, onde ela alisava a ponta dos dedos sobre a barra da saia. E a única reação de Yaoyorozu era suspirar e sentir um tremor correr sua espinha.
Quando o filme acabou, as luzes acenderam e elas se olharam constrangidas. Ambas com os rostos corados. Deixaram o cinema e foram comer algo, dessa vez foi Momo quem convidou Jiro e isso a fez querer pagar toda a refeição.
Caminharam depois por uma rua com muitas lojinhas com itens variados de mangas e Jiro fez algumas recomendações para Momo que acabou comprando diversos exemplares em duas sacolas.
Já era noite quando o celular de Momo vibrou em sua bolsa, era a mãe estabelecendo o horário para retornar para casa, onde elas iriam aproveitar o restante do final de semana.
— Então, eu acho que vou indo. — Momo disse. — Vou pegar um táxi, você também vai de táxi?
— Vou pegar o metrô.
— Ah! Eu a acompanharia, mas não tem estação de metrô onde moro. — Ela disse, um pouco constrangida. — Eu gostei muito do nosso encontro.
Jiro sorriu e a beijou rapidamente nos lábios.
— Eu também gostei muito. Até segunda-feira, na escola.
— Até.
Momo se virou e entrou no táxi, enquanto via Jiro acenar para ela até que o carro foi embora. Seu coração acelerado a fez recostar no banco de trás do táxi, com um sorriso mais do que contagiante.
Jiro desceu as escadas do metrô saltitante, nunca tinha se sentido daquela forma. Eufórica, louca para que segunda-feira chegasse logo. Ela sorriu, voltando a pensar em Momo. Não acreditava ainda que aquela pessoa tão especial e amorosa havia aceitado ser a sua namorada. Em casa, beijou a mãe na testa e abraçou o pai, indo para o quarto.
Deitada na cama, pegou o celular e estava lá uma mensagem de Momo, dizendo que estava em casa e pensando nela.
Ela girou na cama, dando um gritinho no travesseiro. Elas eram tão diferentes, mas, não importava porque elas estavam juntas agora. Elas eram namoradas.
Notas finais
Beijos
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