Nami In Wonderland
5 Prometido
Notas iniciais
Nami gostava de bibliotecas, as pessoas ficavam em silêncio e o lugar transmitia tranquilidade. Pegou o livro que contava a história dos reis e rainhas de Wonderland. Queria saber que tipo de governantes esse lugar já teve.
Wonderland tinha um início datado cem mil anos atrás (dez mil anos terrestres). Pessoas de sangue real viviam até dois mil e quinhentos anos ou duzentos e cinquenta anos terrestres. Consortes também viviam até os dois mil e quinhentos anos através de um ritual no dia do casamento. O de sangue real compartilhava sua energia vital com seu amado e assim viviam até o outro morrer. E os noivos deveriam no mínimo sentir um grande apreço pelo outro para o ritual funcionar, ou seja, deveriam casar-se por amor.
Nami adorou essa tradição.
Houve apenas um casamento registrado na história feito por razões completamente políticas. A trisavó de sua mãe casou-se com o herdeiro do reino vizinho pra acabar com a guerra. O ritual não funcionou e ambos só viveram mais cento e sessenta anos ou dezesseis anos terrestres. Nami lamentou por ela.
Nami também viu que casamentos entre seres do mesmo sexo era absolutamente normal. O herdeiro do trono tinha direito a se casar duas vezes, ao menos uma delas com o sexo oposto. Assim os herdeiros eram garantidos. Muitos reis e rainhas casaram mais de uma vez. A ruiva, vinda de uma cultura totalmente monogâmica e restrita não conseguia entender bem esse costume, mas era interessante de qualquer modo.
Ela olhou pra frente da mesa onde estava sentada, Luffy dormia tranquilamente no enorme sofá que havia na sala, sua cartola cobrindo os olhos. Sorriu, tê-lo por perto lhe trazia uma calma que nunca havia sentido antes. Será porque o conhecia desde pequena? Quão íntimos foram? Luffy disse que dormiam juntos em noites de tempestade, mas o que mais?
Levantou da mesa e foi até ele, ajoelhou perto do sofá e ficou a mirá-lo. Sem o sorriso costumeiro, Luffy parecia mais maduro, mais responsável e sério. Sua gravata de bolinhas foi afrouxada para poder relaxar durante o sono, expondo assim seu pescoço e clavícula, dando-lhe um ar sensual. Nami sacudiu a cabeça, afastando os pensamentos.
Luffy remexeu-se, a cartola caiu um pouco para o lado, revelando os olhos ainda fechados do Chapeleiro e o cabelo negro e rebelde sobre seu rosto. Nami levantou a mão para ajeitar a cartola, mas foi impedida por Luffy que agarrou seu braço no meio do caminho.
“L-Luffy!?” Levou um susto, ele estava acordado o tempo todo?
O chapeleiro parecia confuso sobre onde estava à princípio, mas ver a ruiva o acalmou e assustou-o logo depois. Luffy soltou seu braço como se este pegasse fogo.
“Nami” ele sentou no sofá de uma vez, tentando por um espaço entre eles. Nami percebeu isso e não gostou nem um pouco. Sentou no sofá também e o agarrou pelos braços com força, se ele quisesse ir teria que ser grosseiro e machucá-la.
“Luffy, olhe pra mim” ela exigiu “Por que não olha mais nos meus olhos nem fala comigo? Eu… fiz alguma coisa?” A última parte saiu cheia de mágoa e Luffy não aguentava vê-la assim. Ele relaxou no sofá e Nami fez o mesmo, mas sem soltá-lo.
“Você não fez nada” murmurou “Eu só achei que você não me queria por perto” se Nami não estivesse tão próxima a ele não teria ouvido a última parte.
“E por que eu não iria querer você perto de mim?” perguntou exasperada, deslizou a mão pelo braço alheio até alcançar a mãe dele. De onde ele tirou essa ideia de que ela não o queria por perto?
“Você tava com medo, Nami” ele disse “Lá na estrada, você tava com medo de mim”
Então Nami entendeu, Luffy assumiu naquele momento que Nami estava com medo dele e não que não estivesse, porém era algo mais complicado que isso, sentia medo por ele. Ela soltou uma de suas mãos e levantou o queixo do moreno que ainda não a mirava completamente.
“Eu não tenho medo de você, Luffy” disse com clareza pra que ele não duvidasse “Eu confio plenamente em você e sei que não vai me machucar” os olhos de Luffy brilharam “Então não me deixe mais sozinha, ok?” Nami corou com sua própria franqueza, não estava acostumada a ser tão aberta sobre seus sentimentos, mas com ele só era a coisa certa.
“Shishi ok, Nami” disse ele com um sorriso que faria o sol se esconder de vergonha. Nami riu por vê-lo de volta ao normal, era assim que o preferia. Percebeu que os dois ainda estavam de mãos dadas, sentiu seu rosto esquentar e soltou as mãos dele, lamentando a perda de contato.
“Eu vou… terminar meu livro” Nami voltou ao seu lugar. Suas mãos queimavam com a lembrança do toque dele. Por que com Luffy não conseguia agir normalmente?
“Tá lendo sobre sua mãe?” Luffy perguntou do sofá enquanto ajustava a cartola.
“Estou lendo sobre os casamentos de Wonderland, na verdade” respondeu Nami com um sorriso “É uma tradição linda que vocês tem. Eu não me importaria de me casar aqui e…” a frase morreu na sua garganta, Luffy a encarava com os olhos arregalados e o rosto todo vermelho. Nami achou a cena hilária e adorável ao mesmo tempo “Luffy o que foi?” Perguntou tentando manter o riso.
“O que?” Luffy parecia meio fora de órbita no momento. Por que ele ficou sem graça sobre os casamentos?
“Luffy…” ela fez menção de levantar, mas Luffy caiu do sofá, levantou e saiu correndo antes que Nami pudesse fazer alguma coisa.
O que acabou de acontecer?
OOO
Robin estava incomodada, a atitude de sua irmã sobre o Valete era muito estranha. Terminava de escrever a última carta do dia com as ordens para seus subordinados quando alguém passou pela porta sem bater. Só uma pessoa faria isso.
“Aconteceu alguma coisa, Luffy?” Ela nem levantou o olhar, sabia que era ele. O Chapeleiro apenas suspirou em resposta. Robin largou a pena, isso era sério “Luffy?” Branca percebeu que o moreno estava ofegante, como se tivesse corrido até ali.
“Nami… ela está lendo sobre os casamentos daqui” Robin respirou aliviada, ficou preocupada por um segundo ao ouvir o nome da sobrinha.
“E o que aconteceu?” Robin podia até imaginar, só queria ouvir da boca dele.
“Eu saí correndo!” Gritou exasperado. Robin só pôde rir.
“Luffy, por que você não conta a verdade pra ela de uma vez?” Ela quis soar divertida, mas Luffy foi de desesperado-divertido pra desesperado-angustiado.
“A Nami é livre, eu não quero forçar ela com um compromisso de cento e cinquenta anos atrás” Luffy afundou na cadeira.
“Mas Luffy, não é só um compromisso. Você cuidou dela durante todos esses anos.”
“Ela não sabe disso”
“Então diz pra ela” Luffy virou a cara, irritado, Robin suspirou “Você não costuma ser assim, Chapeleiro” comentou “Você é sempre tão teimoso com aquilo que quer”
“A Nami é… diferente” E ela era, pra ele, ela era.
Robin suspirou, odiava vê-lo assim. Uma parte sua sentia culpa por não quebrar o compromisso entre os dois logo após a partida de Nami. Frau garantiu que Arthur retornaria depois de setenta anos quando a ruiva fosse maior, mas setenta anos se passaram e nada.
Ela e todos os outros assumiram que Arthur não queria expor sua filha ao perigo, só que Robin não perdeu a esperança e decidiu tomar uma atitude: se eles não viriam então ela iria até eles e por isso mandou Chopper. O problema é que Chopper teve que cavar uma nova toca de rena desde o começo pois as outras foram seladas. O projeto levou oitenta anos pra ficar pronto.
Infelizmente todo esse tempo não passou sem efeitos colaterais. Hancock ficou mais poderosa e tirana. O movimento contra ela diminuiu e Luffy… bem, Luffy não ficou nada bem.
Viu o olhar dele sobre Nami. Ele estava abatido quando chegou, mas há anos não o via tão vivo. Ninguém falou com Nami no almoço e a ruiva assumiu que foram ordens da rainha, mas foi Luffy na verdade quem afastou com o olhar qualquer um que pensasse em chegar perto dela. Robin o entendia um pouco, ele estava com medo de exigir algo da ruiva e ela se afastar e isso ele não aguentaria.
“Então tudo bem se outra pessoa se casar com ela?” Um flash vermelho de puro ódio cruzou o olhar do moreno, mas logo sumiu. Robin decidiu ignorar. “Mudando de assunto, tem algo que precisa saber” o chapeleiro sentou reto na cadeira “Hancock está aumentando a guarda no castelo. Deve saber que vamos agir agora que Nami retornou” Luffy franziu o cenho, não gostava nada disso.
“Ela acabou de chegar, Robin” ele raramente a chamava assim, significava que estava muito sério.
“Não importa, quanto mais esperarmos mais tropas vão chegar. Temos que aproveitar a oportunidade.” Branca disse com firmeza “É minha decisão final”
Luffy cerrou os punhos, Nami acabou de voltar. Ela não precisava ainda se envolver nessa guerra. “Ok, mas então só eu vou com ela” Robin levantou exasperada da cadeira.
“Fora de questão, Chapeleiro, você sabe quão importante ela é?”
“É por isso mesmo que eu não quero ninguém atrapalhando” explicou “Nós entramos, pegamos o Lightning e saímos.” Branca suspirou, não adiantava argumentar com ele. Luffy podia ser muito teimoso às vezes.
“Muito bem, vocês irão amanhã a noite. Explicarei para ela depois do jantar.” Não seria uma conversa fácil.
OOO
Nami passou por todos os tipos de livros, animais, realeza e até a melhor maneira de se portar num chá com as lesmas. Correu os olhos pelos títulos quando encontrou um que chamou sua atenção.
Remédios para maldições
Nami conhecia algo de química graças ao seu pai e sabia que mercúrio não era nem de longe uma maldição, mas não sabia como as coisas funcionavam por aqui então decidiu tentar. Incrível, o livro realmente tinha a cura pra todo tipo de maldição, TODO TIPO MESMO, mas não da qual procurava. Estava prestes a desistir quando viu em letras garrafais: Maldição do Mercúrio.
Ah que alívio
Cura: Lightning
Que droga.
Lightning? Lightning era relâmpago em inglês, seria a cura literalmente um raio direto no corpo? Isso é loucura!
Nami guardou o livro quando ouviu a porta da biblioteca abrir. Era Nina, sua dama de companhia. A menina fez uma leve reverência e anunciou o jantar. A ruiva ficou surpresa por não ter visto o tempo passar. Nina levou Nami primeiro aos seus aposentos onde vestiu a princesa com um lindo vestido azul escuro de jantar. Ela também remodelou o penteado, alinhando os fios ruivo-alaranjados em uma trança lateral frouxa.
“Você está linda, alteza” Nami olhou-se no espelho e tinha de concordar com a Nina, estava realmente linda.
“Obrigada, Nina”
Enquanto seguia Nina até a sala de jantar, Nami ficou pensando sobre o suposto Lightning, será o nome de alguma planta medicinal? Ou um procedimento talvez. De qualquer modo, perguntaria depois pra Robin.
Chegando no salão, quase todos já estavam á mesa, Robin sentava na ponta e sorriu quando Nami chegou. A princesa percebeu que Luffy ainda não tinha chegado, ela perguntou pra Robin sobre, mas a rainha negou.
“Luffy!” Alguém gritou irritado “Saia já da minha cozinha!” barulhos de utensílios sendo jogados encheram o ambiente e Nami viu exasperada Luffy entrar na sala de jantar fugindo de uma enorme mulher com cabelos loiros e uma panela na mão.
“O que aconteceu, Terracota-san?” Perguntou Branca despreocupada.
“Sinto muito, majestade, mas o Chapeleiro estava devorando o jantar e tive que expulsá-lo” Luffy estava com um bico na cara e um pedaço enorme de carne na mão, como uma criança pega no flagra. Nami segurou o riso.
“Luffy” reprovou Robin “Deixe pelo menos um pouco de comida para nossa convidada” Luffy olhou pro lado e viu Nami. Ela o mirava de volta com um sorriso no rosto.
“Shishishi, desculpe, Branca” Luffy correu e sentou novamente no lado esquerdo da rainha, oposto á Nami.
O jantar foi sendo servido e a mesa estava animada com conversas para todos os lados. Nami percebeu que as pessoas (entre aspas, porque havia animais, objetos e até flores) em Wonderland sorriam verdadeiramente, sem nenhum cinismo ou intenções ocultas. Branca falava com todos na mesa sem nunca aumentar o tom de voz e tom gentil e amigável com todos, o que era um mistério. Luffy comia toneladas de comida e não era julgado por isso, os animais e flores subiam na mesa e conversavam sem serem repreendidos e todos eles sorriam e conversavam com alegria.
Nami sorriu, aqui, talvez, ela finalmente poderia ser ela mesma.
“Princesa Nami” o lindo cisne fêmea que estava ao seu lado chamou eufórica “Eu gostaria de dizer que estamos muito felizes em tê-la de volta” Nami observou que ela falava com sinceridade e sorriu de volta.
“Estou muito feliz em estar aqui também” respondeu “Mas ainda tenho muita coisa pra aprender”
“Isso não será nenhum problema pra você, alteza” afirmou o cisne “Tenho certeza de que sua majestade e o sr. Chapeleiro não terão problema em ajudá-la”
“Sim, eu sei que Branca estará sempre disponível aqui pra me ajudar, mas acho que Luffy não deve demorar a ir embora pra cumprir suas obrigações, ele deve ter outras prioridades” o pássaro ficou confuso com a afirmação.
“Prioridades? E quem ou o quê tem mais prioridade que você, alteza?” Nami franziu o cenho em confusão, podia ser a princesa, mas Luffy não tinha obrigação nenhuma com ela. Claro que o considerava muito e o queria próximo, mas não era dona dele.
“O que quer dizer?”
“Oras, Luffy é seu prometido, seu dever é protegê-la, alteza”
O que?!
Nami encarou o cisne espantada, Luffy era seu prometido aqui em Wonderland? Por que ele não disse isso a ela? Por que Branca não disse nada a ela também? Encarou os dois, Luffy gargalhava de algo que Ussop disse e Branca apenas observava os convidados. Tiraria satisfações com os dois logo após o jantar, agora não era o momento.
OOO
Luffy observava Nami enquanto seguiam para o escritório da rainha, ela não disse nada então ele resolveu ficar quieto, ela não parecia brava, mas sem dúvida estava incomodada com alguma coisa.
“Fechem a porta, por favor” disse Robin ao entrarem no escritório. Os dois sentaram nas poltronas em frente à escrivaninha.
“Nami, antes de dizer o que vieram fazer aqui eu tenho que lhe contar algumas coisas” Nami assentiu pra que continuasse “Para proteger Wonderland de qualquer ameaça externa, temos uma arma em nossa família, algo que pode acabar com a guerra com a Vermelha” Robin entregou a ela um pergaminho com o desenho de um cetro branco e dourado com um sol e a luz entrelaçados “Nós chamamos ele de Lightning”
“Então o Lightning que eu vi era esse cetro” concluiu a ruiva
“E o que ele faz?” questionou ela devolvendo o desenho.
“Tudo o que o seu verdadeiro dono desejar” a rainha guardou o desenho em sua gaveta. “Com exceção de trazer os mortos de volta a vida ele pode fazer qualquer coisa se souber controlar”
“Se ele é tão poderoso, por que você nunca usou para acabar com a guerra?”Robin mordeu o lábio e olhou Luffy de canto de olho e ele só olhou de volta.
“Ele foi roubado pela Vermelha há muitos anos atrás” respondeu Robin deprimida “Hancock queria o reino pra si, mas enquanto Frau tivesse o Lightning ela não poderia fazer nada então foi embora e sumiu por alguns anos. Quando voltou ela trazia uma arma quase tão poderosa quanto o Lightning chamada BloodySnake.” Robin fez uma pausa, não gostava de lembrar disso “Naquela época seus pais ainda moravam na Fortaleza Vermelha, Marmoreal não estava pronta, pois se estivesse a barreira os teria protegido. Hancock não foi capaz de superar Frau em uma luta justa então roubou o cetro de sua mãe e tentou matá-la”
“O que aconteceu depois?” insistiu Nami. Luffy levantou da cadeira e andou pela sala.
“Frau conseguiu escapar da Vermelha e levou você e Arthur com ela. Ela enviou vocês dois de volta ao mundo superior e bom…”
“Entendo” Nami sentiu as mãos de Luffy em seus ombros e agradeceu o contato.
“Eu chamei você aqui, Nami, porque finalmente temos a oportunidade de recuperá-lo” o rosto da ruiva encheu de curiosidade “O Lightning só pode ser segurado por aqueles de sangue real e seus consortes. Infelizmente por causa da proteção de Marmoreal eu não posso sair do castelo e por isso-”
“Eu tenho que ir pegá-lo, não é?” Nami interrompeu, sentiu Luffy apertar com mais força seu ombro, mas ignorou. O silêncio de Robin foi o suficiente.
“Como sua tia, eu não quero que você se arrisque, mas como rainha regente eu devo mandá-la até Fortaleza Vermelha”
“Rainha regente?”
“O trono é seu, Nami” respondeu Robin com um sorriso “Você é a filha de Frau, minha sobrinha e herdeira legítima.”
OOO
Sanji estava em seu quarto deitado na cama, alguma coisa o perturbava e não sabia bem o que era. Bom, na verdade sabia, mas não entendia o porquê. Desde que pôs os olhos naquela princesa ruiva sentia essa estranha sensação de que algo estava para acontecer, alguma coisa grande.
O loiro não conhecia Nami de agora. Sua relação com ela era muito mais antiga do que gostaria.
Sanji era o único filho do marquês Vinsmoke, uma das famílias mais antigas de Wonderland e ele tinha mais ou menos uns anos quando a princesa Nami nasceu. Seu pai dizia que ele era o mais apropriado para ser o marido da princesa e assim o novo rei. Acreditando nas palavras de seu pai ele começou seu treinamento com espada e luta corpo a corpo desde pequeno, ele queria ser forte para proteger a princesa e empenhou vinte anos de sua vida nisso.
No entanto as coisas não aconteceram como ele imaginou. Um dia foram tomar café no castelo à convite do rei e da rainha. O marquês não deixava de elogiar as habilidades de seu filho para Frau e Arthur na esperança de cair nas boas graças deles enquanto Sanji apenas observava quieto a conversa.
“Ouvi rumores sobre o Sanji, Marquês” disse Frau “Tenho certeza de que será um soldado excelente”
“E com o tempo mais que apenas um soldado, majestades” o brilho no olhar do marquês deu calafrios na rainha “Onde está a princesa Nami?”
“Bom, ela...” de repente a porta se abriu e uma nuvem de cabelos ruivo-alaranjados entrou correndo e rindo.
“Nami!” exclamou Arthur surpreso “Não corra, minha filha” a menina apenas gargalhou em resposta e se jogou nos braços do pai.
“Nami, cadê você?” um garoto um pouco mais novo que Sanji entrou na sala, devia ter seus cinquenta anos. Sanji o reconheceu, era o filho do chapeleiro.
“Ela está aqui, Luffy” disse Frau divertida. O menino correu até Nami que estava no colo do pai.
“Desculpa, tio Arthur, tia Frau” Luffy pegou a pequena Nami no colo “Ela fugiu brincando de esconde esconde”
“Não tem problema, Luffy” garantiu Arthur “Não deve ser fácil protegê-la o tempo todo”
“Shishi vem, Nami” Os dois saíram.
“E quem é aquele… Menino?” Indagou o marquês com desgosto.
“Ele é Luffy, o prometido e protetor de Nami” Sanji arregalou os olhos em surpresa.
“E-eu achei que a princesa ainda não tivesse um” falou o Vinsmoke tentando esconder a raiva.
“Ele ainda não foi oficialmente anunciado” respondeu Arthur completamente sério.
“Se não é oficial então outro ainda pode ser escolhido” disse o marquês esperançoso “Escolham o meu filho, ele está preparado-”
“Sabe muito bem que não é assim que as coisas funcionam, marquês” Interrompeu Frau “Luffy é um garoto excepcional não por sua capacidade de protegê-la, mas por fazê-la sorrir como nem nós conseguimos. Ela é feliz ao lado dele” o Vinsmoke levantou num rompante.
“Um moleque incapaz de proteger a sua rainha não merece ser seu prometido!” Arthur levantou da mesa, o olhar firme de um rei.
“É melhor o senhor partir, Vinsmoke. Não é mais bem vindo em Fortaleza Vermelha” ele virou-se para Sanji com a voz mais suave “Sanji você sempre será bem vindo aqui”
Depois daquilo os Vinsmoke nunca mais apareceram na corte com exceção de Sanji é claro. Cinco anos depois, no aniversário de vinte e cinco anos de Nami, Luffy foi anunciado como o prometido oficial da princesa e mais cinco anos depois o loiro se juntou a Hancock para tomar o trono. Ele não lamentava seu destino, amava Hancock mais do que tudo no mundo e morreria feliz por ela.
OOO
Depois de discutirem os detalhes sobre o dia seguinte, Luffy acompanhou Nami até os aposentos dela. Ele estava surpreso pela cooperação da ruiva, imaginou que seria bem mais difícil.
“Nami, você quer ir amanhã?” Eles estavam sozinhos no corredor, mas ainda sim Luffy falou baixinho, como que perguntando um segredo.
“Às vezes não é sobre querer, Luffy” ela respondeu no mesmo tom “Existem coisas que não podemos evitar.” ‘Além disso, tem uma coisa que o Lightning pode fazer por mim’ ela concluiu em pensamento.
“Hmm...No outro mundo mandam você fazer muitas coisas que não quer?”
Os dois pararam na frente da porta de Nami “Lá eu não posso escolher pra onde vou, o que faço e nem com quem posso casar” ela o mirou com olhos acusatórios “E pelo jeito nem aqui”
“Nami?”
“Por que não me contou que somos noivos?” Luffy congelou. Como ela sabia disso? Será que Branca contou pra ela?
“Quem te contou?” Foi tão baixo que Nami quase não o ouviu.
“Isso importa?” Respondeu seca “Quero saber por quê não me contou” O Chapeleiro não sabia o que dizer, o que poderia dizer? Recuou um passo sem pensar.
Nami olhou para os lados e viu ninguém no corredor, abriu então a porta do seu quarto e puxou o chapeleiro pra dentro junto com ela. Luffy levou um susto, mas se deixou levar. Ela fechou a porta com força e ficou entre ela e o moreno, deixando claro que ele não sairia dali sem lhe dar uma resposta antes.
“Eu ia te contar…” ele começou sem jeito “Eu só não-”
“Só não o que, Luffy? Não queria saber a minha opinião? Não queria me dar uma escolha nesse assunto?” indagou. Luffy tentou falar, mas ela o interrompeu “Eu li que o prometido ou prometida é decidido o mais cedo possível e que é a missão dele proteger o herdeiro” disse ainda irritada “É por isso que você me protegeu esse tempo todo, Luffy? Por causa de um compromisso que foi feito há anos atrás?”
“Não!” Ele respondeu na mesma hora exasperado.
“Tem certeza disso, Luffy?” Retorquiu tremendo “Se for isso... Se for só isso eu vou falar com a Robin amanhã e liberar você dessa obrigação”
Luffy sentiu o desespero atravessar seu corpo e sem pensar ele correu até ela e apoio ambas as mãos na porta de madeira branca, impedindo Nami de se afastar, ela levou um susto e corou com a proximidade dos dois naquele momento.
“Luffy?”
“Não faça isso” ele ordenou “Não cancele o compromisso” Nami encarou ele com os olhos arregalados “Eu não quero que você cancele”
“E por que não?” sua voz cheia com uma expectativa que não sabia que tinha. Sentiu seu coração quase sair do peito quando viu Luffy abaixar a cabeça e apoiá-la em seu ombro. Ele encostou o nariz no pescoço dela e aspirou profundamente, arrancando um suspiro baixo da ruiva.
“Me desculpa” ele falou “Eu não contei antes porque sabia que você ia ficar brava.”
“Eu não to brava” Luffy riu. Nami tentou afastá-lo, mas sem sucesso. Manteve as mãos segurando a camisa dele.
“Sim, você tá”
“Não muda de assunto” murmurou com um bico, tentando parecer mais brava agora do que realmente estava sem muito sucesso.
“Eu… Eu não queria forçar você” Luffy pressionou com mais força seu rosto no ombro dela “Eu não queria que você ficasse comigo por obrigação” Nami apertou o tecido em seus dedos. Essa linha de pensamento era típica dele, altruísta demais. Queria rir, gargalhar até. Indo contra todas as boas maneiras de sua terra, Nami puxou Luffy contra si e o abraçou com toda a força, inundando seus sentidos com ele.
“Luffy, você sabe que não precisa ser meu prometido pra me proteger e ficar do meu lado, não é?”
“Ainda quer quebrar nosso compromisso?” Ela ouviu uma nota de medo em sua voz e o abraçou com mais força.
“Não, ainda não.”
Era uma decisão egoísta, sabia disso. Nami não tinha certeza se ficaria nesse mundo, mas ela queria, só por enquanto, monopolizar o Chapeleiro.
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