Nakayoshi
2 roken
Notas iniciais
Hitsugi foi direto para o banheiro já bem conhecido, não demorando muito na ducha — não estava com cabeça nem pra isso. Enrolou-se na toalha, indo até o quarto do outro guitarrista, onde Sakito havia separado alguma roupa para Hitsugi vestir. Vestiu-se sem pressa e desceu as escadas, encontrando Sakito na sala sentado no sofá branco que ficava de frente para a televisão, ligada em um canal qualquer. Sakito levantou o olhar assim que percebeu Hitsugi descendo as escadas, fazendo sinal para que sentasse do seu lado no sofá.
— Melhor, Tsugi?
— É, um pouco. — Hitsugi sorriu, acomodando-se no lugar vago ao lado do mais alto.
— Pedi uma pizza. Metade calabresa, metade quatro queijos.
Hitsugi sorriu novamente, não fazendo mais que acenar a cabeça algumas vezes. Sakito o analisou, constatando que não era só a noite mal-dormida que o incomodava.
— Qual o problema, Tsugi? Duvido que um sono ruim tenha te deixado... desse jeito.
Hitsugi devolveu o olhar, ignorando por completo a sensação das bochechas corando. Sakito estava fazendo de novo, lendo sua mente. Não literalmente, mas quando Sakito o olhava daquele jeito saberia se mentisse. Hitsugi suspirou, tentando contornar o que realmente o incomodava sem ter que tocar no assunto.
— Só ando meio cansado demais, Satty... Sem tempo pra um monte de coisa. — o mais baixo suspirou mais uma vez, agora aliviado por Sakito parecer ter acreditado totalmente. Sentiu pena de o ‘enganar\\\' assim, mas o que podia fazer? E de qualquer jeito, não fazia idéia de como contar — Não se preocupe com isso, sim? — cobriu a mão do mais alto com a sua, afagando-a timidamente.
Sakito aceitou o gesto, tomando a mão de Hitsugi entre as suas.
— As gravações vão terminar logo... e você vai ter mais tempo pra descansar e fazer o que quiser.
O olhar de solidariedade de Sakito fez Hitsugi sentir-se culpado novamente. Deitou a cabeça no ombro do mais alto, fechando os olhos ao sentir uma das mãos de Sakito afagando o cabelo ainda úmido.
— Hai, Satty. — as palavras não foram mais que sussurros, estava realmente cansado.
A campainha soou uma vez, fazendo Hitsugi levantar a cabeça. Sakito ficou de pé.
— A pizza. — sorriu, dirigindo-se até a porta para aceitar a encomenda e pagar o entregador.
Sakito levou a pizza até a mesinha de frente para o sofá após fechar a porta, servindo dois pedaços. Hitsugi não comeu muito, o que deixou Sakito mais curioso sobre o real motivo para o desânimo do outro — sabia que tinha algo mais, mas não pressionaria Tsugi. Assistiram ao final de um programa de entrevistas após comerem, ambos cansados. Sakito observou a aparência sonolenta de Hitsugi enquanto os créditos passavam.
— Sono, Tsugi?
Hitsugi o olhou, respondendo à pergunta com os olhos baixos. Balançou a cabeça positivamente, encolhendo os ombros contra o sofá.
— Podemos deitar?
Sakito repetiu o gesto anterior de Hitsugi, balançando a cabeça positivamente e ficando de pé, espreguiçando-se. O mais baixo demorou mais para levantar, apenas fazendo-o quando Sakito estendeu uma das mãos, incentivando-o a ficar de pé também.
Hitsugi suspirou, olhando o teto do quarto de Sakito. O outro já ressonava na cama há pelo menos vinte minutos. Ficou sentado, abraçando os joelhos — desistira de dormir, mesmo que estivesse extremamente cansado.
— Satty...? — esperou uma resposta que não veio. Sakito dormia. Hitsugi suspirou mais uma vez, observando o sono do outro, o modo como parecia calmo.
O mais baixo não sabia exatamente quando havia começado, — uma semana atrás, talvez — mas agora tinha certeza. E não podia contar, essa era a pior parte. Sempre contara tudo para Sakito, desde que se lembrava. Mas o que diria agora? "Hey, Satty, eu amo você, sabia? E não é tipo, amor fraterno não. É aquele tipo de amor em que você sente vontade de..." Não. De jeito nenhum podia falar alguma coisa. Temia assustar Sakito e não podia correr o risco de perder a amizade que era, sem dúvida,a mais importante que sempre tivera.
— Itoshii... — mais uma vez não houve resposta, mas Hitsugi não se importou. Sentia-se mais à vontade ao falar sabendo que Sakito não ouviria. Tocou com as costas da mão o rosto do amigo adormecido, acariciando-o com os nós dos dedos. Sakito mexeu-se na cama, sem acordar. Hitsugi recolheu a mão, voltando a deitar-se, demorando mais uma boa hora pra pegar no sono de verdade. Tinha de qualquer jeito parar de sentir o que sentia.
O mais baixo acordou na manhã seguinte com o peso de Sakito caindo sobre si. Hitsugi teve um momento de sobressalto, mas logo reconheceu o típico "montinho de bom dia" do amigo. Sakito costumava fazer isso quando Hitsugi dormia demais.
— Eu tentei te chamar, mas você continuou dormindo. — o mais alto riu ao perceber o susto inicial de Hitsugi, bagunçando o já-não-muito-arrumado cabelo do outro. Continuava deitado parcialmente sobre o amigo.
Hitsugi o observou mais atentamente: Sakito não estava mais de pijama, agora vestia um jeans velho e um moletom consideravelmente largo. Também não parecia sonolento, devia mesmo ser tarde.
— Que horas são? — o mais baixo esfregou um dos olhos com a mão que não estava sob o peso de Sakito, reprimindo um bocejo.
Sakito pareceu perceber que ainda estava sobre o outro, rolando para o lado de Hitsugi no colchão, um sorriso quase infantil nos lábios. Hitsugi mordeu o lábio inferior, sugando um dos piercings. Desde quando cada toque de Sakito o fazia sentir assim?
— Onze e meia. — Sakito manteve o sorriso, levantando-se e abrindo as cortinas, iluminando o quarto por completo. O mais baixo cobriu os olhos, a nova luminosidade ainda incomodando a visão — Vamos logo, Tsugi, quero te mostrar uma coisa. — E com isso Sakito deixou o cômodo, deixando a porta aberta.
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