Nada é Impossível
1 Nada é impossível. - Capitulo único.
Notas iniciais
Faltavam poucos dias para o término das aulas. Graças a Deus, os professores não estavam passando matéria, ou seja, aulas vagas.
Minhas amigas conversavam sobre algum assunto, não estava muito interessada. Peguei meu livro A Culpa é das Estrelas, já leram? É demais, um romance tão lindo entre Hazel e Gus. Estou na parte em que os dois encontram o autor favorito de Hazel.
- Lia? — Tiro os olhos do livro para procurar quem me chama. Não encontro. Levanto-me da cadeira e guardo meu livro, para sair da sala de aula.
Chego lá fora, não encontro ninguém, continuo andando para o corredor. Nada. Subo as escadas, e vejo um garoto de costas. Fico ao seu lado.
Jason. Um garoto do 1° ano do Ensino Médio, um ano a mais que eu. Nunca conversei com ele, mas já o vi perto da minha sala, quando estava namorando uma garota, da minha série. Sempre usava um boné verde e amarelo, a camiseta branca do uniforme e uma calça jeans escura, tinha a minha altura, talvez um pouco mais alto.
- Ahn... Oi — Cumprimentei meio sem jeito. — Viu se passou mais alguém por aqui?
- Não, fui só eu. — Respondeu ele, com um sorrisinho no canto da boca.
Comecei a dar passos para trás, iria voltar para a sala, se alguém quisesse falar comigo, me procurava de novo.
Senti uma mão segurando meu pulso, me puxando.
- Aonde vai? — Perguntou Jason. Como me puxou, nossos corpos estavam colados, estava com as mãos em seu peito. — Eu te chamei aqui.
- Por quê? — Como disse, nunca havíamos conversado, não vejo motivos para querer conversar comigo.
- Quer ir assistir um filme lá em casa comigo? — Ok, isso já está estranho.
- Tá. — Respondi olhando em seus olhos castanho escuro. Um sorriso apareceu em seus lábios, formando pequenas covinhas em suas bochechas.
- Acabando a "aula", vamos direto ok? — Disse Jason, me soltando, e dando um beijo no canto da minha boca.
(...)
Acabou a aula e me encontrei com ele na porta da escola. Não contei para minhas amigas sobre isso, simplesmente, por que... Não sei.
O caminho todo estávamos em silêncio. Quando chegamos a sua casa, percebi não ter ninguém, pelo fato das janelas estarem fechadas.
Abriu a porta e estávamos na sala, era simples, mas muito bonita.
A televisão em cima de um cômodo preto e branco, no centro tinha uma mesa de vidro, e um sofá vermelho, cheio de almofadas.
- Sente-se — Disse Jason apontando para o sofá. — Que filme quer ver?
- Qual quer um que você tiver. — Respondi me sentando e colocando uma almofada em meu colo.
Ligou a TV e colocou algum filme e sentou ao meu lado. A curiosidade estava me "matando", por que, de uma hora para outra ele me chamou?
- Estou confusa. — Disse.
- Quer beber alguna coisa? — Perguntou, mudando de assunto.
- Um suco.
- Vem comigo, vou pegar.
Ele se levantou, e foi andando, demorei um pouco para raciocinar. O segui, no corredor tinham três portas, dei uma de intrometida e olhava dentro de cada uma delas.
Senti meu corpo sendo empurrado na direção da segunda porta.
- O que está fazendo? — Perguntei.
- O que sempre quis fazer. — Encostou-me na parede, e olhou em meus olhos. Não sabia o que fazer. Eu sempre o achei... Bonito, mas nunca parei, realmente para prestar atenção. Afinal, quando o vi mais de perto, ele estava com a tal menina da minha classe. Aproximou-se mais, e me beijou. No começo, foi só um escostar de lábios. Mas foi se intensificando. Jason pediu passagem com a língua, e eu deixei. Levei minhas mãos aos seus cabelos, enquanto ele apertava minha cintura.
Ficamos um tempo assim, mas o maldito fôlego tinha que acabar, então nos separamos. Continuei com os olhos fechados, e com os braços em volta do seu pescoço. Suas mãos ainda se encontravam em minha cintura. Senti seus lábios nos meus novamente. Dessa vez foi diferente, um beijo mais calmo.
Mudei as posições, o apoiando na parede.
Fomos interrompidos por meu celular tocando.
- Deixa tocar. — Disse ele, me dando selinhos.
- Deixo. — Um minuto depois parou, e nos aprofundamos no beijo novamente, meus dedos estavam em seu cabelo e sua mão em meu pescoço.
O celular voltou a tocar.
- Melhor eu atender. — Disse triste, soltando-me dele.
Peguei meu celular e no visor estava o nome de uma de minhas amigas. Atendi.
- Alô.
- Lia? Onde está? — Pensei no que responderia.
- Na casa de um amigo.
- Amigo? – Perguntou, pelo seu tom de voz percebi seu tom de malícia.
- Ei, só tenho 14 anos, não vou fazer isso que você pensou. — Desliguei assim que ouvi sua risada.
O cômodo no qual Jason havia me empurrado era seu quarto. Corei. Não tinha percebido.
- Tenho que ir para casa. — Disse, estava tarde. Meu Deus, era tarde, como não percebi isso?
- Tá... — Disse ele triste. Acompanhou-me até a saída. — Nos vemos amanhã na escola.
Deu-me um selinho, e com um sorriso no rosto fui embora. Olhei para trás uma vez, Jason parecia feliz.
(...)
Acordei no outro dia.
- Que sonho estranho. — Murmurei, me levantando para trocar de roupa.
Fiquei pensando no caminho para a escola, aquilo me pareceu tão real.
No portão, estava Jason parado. Como se estivesse esperando alguém. Ótimo o rapaz do meu sonho, é o primeiro que vejo na escola.
Passei do seu lado e ele me parou com a mão.
- Não quer falar comigo? — Perguntou ele apreensivo. Espera, então não era sonho? Yeeeees. Obrigada.
- Lógico que quero. — Me aproximei, mas o sinal de início da aula tocou, me impedindo de beija-lo.
- Nos vemos no intervalo. — Disse para ele, sorrindo.
(...)
Sai da sala sem esperar minhas amigas. Explicava para elas depois.
- Lia. — Disse o dono da voz que eu tanto queria ouvir. Estava encostado na parede ao lado da porta. Senti sua mão segurando a minha. Nossos dedos ficaram entrelaçados. Puxou-me para ele, assim como fez ontem. E me beijou. Sentia as pessoas a nossa volta. Ouvi risadas das minhas amigas. E sinceramente? Não estava nem ai.
Separamos-nos. Ficamos nos olhando por um tempo até que ele se ajoelhou na munha frente.
- Lia, você deve estar se perguntando, o porque. Nunca conversamos e do nada apareci, assim desse jeito. Mas, — Um grande sorriso estava em seu rosto. E lágrimas se encontravam em meus olhos. — eu sempre te observei. Sempre, estive perto. Nunca tive coragem de falar com você. Até ontem.
A essa altura já estava chorando de felicidade.
- Me daria a honra de namorar comigo?
Uma voz no fundo chamava meu mundo.
- Lia — disse a voz. — Lia, acorda. Lia, acorda. ACORDA MULHER.
Jane, minha amiga, balançava meu ombro. Estava de volta à sala de aula, segurando meu livro A Culpa é das Estrelas.
- Oi? — Perguntei, olhando para os lados procurando Jason.
- Intervalo é agora. Você dormiu. — Não, não foi sonho impossível.
Lia assuma os fatos vocês nunca conversaram isso nunca poderia acontecer. Nunca pensei em Jason, por que tive esse sonho, tipo, do nada?
- Calma, acordei. — Infelizmente, pensei. Nanda e Jaque estavam rindo olhando para mim. — O que foi? Estão rindo de que?
- Eu acho que você fala enquanto dorme. — Disse Nanda em meio de risadas. Meu coração parou de bater um segundo.
- C-como assim? O que eu disse? — Perguntei com medo, olhando para Jane.
- Muita coisa. — Disse Jaque, respirando em uma tentativa falha de parar de rir.
- Anda vamos logo, temos pouco tempo de intervalo. — Falou Jane.
Minha cabeça está uma confusão. Até ontem não parava de pensar no Will, um ex-namorado virtual/real. (Virtual, pois nos conhecemos na internet, e real por que... Bem foi real depois de um tempo). Agora hoje tenho esse sonho do nada, nunca pensei em Jason, como algo do sonho.
No caminho ao pátio estava contando para as três sobre o sonho, e não preciso dizer que no final elas riram. Meu Deus como elas riem de tudo.
- A gente já sabia, eu disse que você fala dormindo. — Falou Jaque.
Depois disso, resolvi ficar quieta. Andei em direção à cantina, para pegar meu lanche, enquanto as meninas procuravam um lugar no sol para nos sentarmos.
Peguei meu lanche, e fui em direção onde elas estavam. Foi um intervalo normal, nós rimos, conversamos, andamos pelo colégio. Coisas normais, até que as três viram Jason com alguns amigos, e resolveram fazer aquela brincadeira de empurrar a pessoa pra cima da pessoa que está afim. E, vamos dizer, não deu muito certo, por um motivo: Eu cai em cima dele.
Jason me olhava confuso, eu provavelmente estava vermelha. Queria enterrar meu pescoço de baixo da terra.
- Desculpe. — Disse me levantando rapidamente. — As minhas... Amigas, que depois disso não vão estar vivas, me empurraram.
- Ahn... Tudo bem. — Jason não tirava os olhos de mim. Isso era uma coisa boa, certo? Não significava que me achava maluca, criança ou alguma dessas coisas, certo? — Você está com um machucado no cotovelo, venha eu te ajudo.
Olhei para Nanda, que me fez um sinal positivo com a mão, para eu seguir em frente.
Acompanhou-me até o banheiro e me ajudou a lavar o pequeno ferimento.
- Você está bem mesmo? — Perguntou ele.
- Sim, estou obrigada. — Respondi, evitando olhar em seus olhos.
- Seu nome é Lia, né? — Assenti. — Quer dar uma volta no parque depois da escola?
Opa conheço, mais ou menos essa história.
- Iria adorar. — Disse dando o melhor sorriso que conseguia.
- Te vejo daqui uma hora então. — Se aproximou de mim e me deu um beijo demorado na bochecha. Voltamos juntos para o andar das nossas classes.
Entrei na sala com um sorriso no rosto, pensando: Acho que sonhos podem se tornar realidade, pois nada é impossível.
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