Nada precisa ser tão difícil

4 Tarde com a ministra, noite de confronto


Notas iniciais
Divirtam-se e leiam as notas finais!

Quando Harry chegou ao Átrio do Ministério no colo de sua mãe e na companhia de seu pai, poderia ter chamado a atenção por inúmeros motivos comuns. Poderia ter sido o centro das atenções porque não é todo dia que um bebê aparece no Ministério. As pessoas que olhavam para ele e cochichavam poderiam estar tecendo comentários a respeito de sua fofura, de sua beleza ou de seus lindos olhos.

Pobre Harry! Sua inocência de criança (ou menos que uma criança!), o fazia sorrir para todos, ou simplesmente olhá-los com dócil curiosidade. Tão pequeno, jamais imaginaria que aqueles olhares nada tinham a ver com a ternura que ele transmitia, mas com a permanente marca que ele carregava em sua testa e com o símbolo no qual ele havia se transformado, da noite para o dia.

Os pais do menino não se sentiam confortáveis com aquela situação. Era difícil saber que o seu pequeno filho já estava carregando uma carga tão grande sobre os ombros. Tentando ao máximo não se importar com os curiosos, a pequena família encaminhou-se ao fundo do Átrio, onde um rapaz franzino, de cabelos loiros e cacheados se encontrava. Seu nome era Érico Munch e ele era o funcionário de Segurança do Ministério.

— Boa tarde. Nós temos uma hora marcada com a ministra. – disse Tiago.

Érico retirou um grande livro com aspecto envelhecido, que estava sobre uma mesa retangular.

— Seus nomes, por favor?

— Tiago e Lílian Potter.

O rapaz examinou o livro atentamente, até que encontrou, na última folha utilizada, os nomes do casal.

— Certo. As varinhas, por favor?

Tiago e Lílian retiraram suas varinhas dos bolsos de suas respectivas vestes. O funcionário pegou a própria varinha, batendo sua ponta nas varinhas dos visitantes. Nada suspeito foi revelado e Érico voltou a sua atenção para eles.

— Muito bem. As varinhas ficam retidas até o final da visita. Vocês podem se dirigir a sala da ministra. Ela já os aguarda.

O casal assentiu e retiraram-se, sentindo-se gratos por Érico ter sido discreto e profissional e não ter lhes lançado olhares investigadores. Talvez os jovens mudassem de ideia se percebessem que, quando viraram-se, o rapaz ficou olhando-os até que eles não estivessem mais em seu campo de visão.

Os Potter pararam em frente à porta do escritório da ministra. Tiago bateu três vezes. Eles ouviram uma voz feminina dentro da sala pedir:

— Entre!

Eles se entreolharam um tanto nervosos e o marido girou a maçaneta. Na sala, sentada atrás de uma mesa, estava uma senhora de rosto austero, nariz e olhos pequenos e cabelos marrom-acobreados, na altura do queixo. Ao ver a família, ela deu um sorriso comedido.

— Senhores Potter! É uma honra recebê-los em minha sala. Por favor, sentem-se! – pediu ela, indicando duas cadeiras em frente à sua mesa.

Tiago e Lílian apertaram a mão da ministra.

— O prazer é nosso, Vossa Excelência. – disse ele.

— Espero que estejam recuperados do susto que levaram na noite passada.

— Estamos tentando nos reestruturar, ministra. – respondeu Lílian.

— Entendo. – falou Emília, pensativa, enquanto, de lábios crispados, olhava para a quina inferior da parede ao seu lado. Então, de repente, ela olhou para frente novamente, seus olhos brilharam e sua face se iluminou em um grande sorriso – Este é o Harry? – perguntou ela, e Lílian assentiu – Oh, que gracinha!

Bagnold estendeu os braços e a mãe do garotinho o entregou a ela. A mulher brincou com Harry por alguns momentos, antes de devolvê-lo à mãe novamente.

— Então esta é a cicatriz...

— Sim, esta é a cicatriz. – falou Tiago, pesaroso.

Havia duas xícaras de chá sobre a mesa, que Emília ofereceu aos jovens. Eles bebericaram a bebida, enquanto escutavam a mulher falar.

— Imagino que, até agora, vocês estejam vivendo momentos de muita tensão. Todavia, a comunidade bruxa está em festa e o nome da família de vocês está sendo mais do que celebrado. – ela fez uma pequena pausa e, com um sorriso reconfortante, incentivou – Vamos, contem-me tudo o que aconteceu às onze horas da noite de ontem.

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Observar as ruínas da casa de seu melhor amigo dava calafrios em Sirius, mesmo sabendo que ele e sua família estavam em segurança. Equilibrando-se sobre restos de paredes e janelas, o rapaz refletia sobre o que havia acontecido. Sentou-se sobre as pedras empoeiradas, sem deixar de olhar para aquele mar de destruição. A alguns metros dele, o corpo de um gato angorá jazia inerte. O bruxo sorriu amargurado. Lílian havia falado dele em uma carta que havia lhe enviado quando ainda se escondia do séquito de Voldemort. Um calafrio ainda mais forte o atingiu ao lembrar que, a família que outrora habitava aquela casa, poderia ter sido encontrada por ele do mesmo jeito em que se encontrava o gato.

Fora por pouco. Fora por muito pouco. Quase entregara os Potter à morte e pensar nisso o deixava mal.

Não que alguma vez tivesse intenção de fazer isso. O plano de fazer de Pedro Pettigrew o fiel do segredo parecia perfeito. Os comensais demorariam muito até concluir que ele, Sirius Black, o grande companheiro de Tiago Potter, não podia lhes revelar o esconderijo em Godric’s Hollow. E, com isso, talvez jamais chegassem ao outro maroto. O outro maroto que, sem que eles soubessem, passava informações para o Lord das Trevas.

Ele esbofeteou o próprio rosto. Este tempo todo havia desconfiado que outro grande amigo, Remo Lupin, estava traindo a Ordem da Fênix, quando o verdadeiro traidor agia da maneira mais secreta e suja que alguém poderia agir. Era terrível demais e Sirius não queria acreditar, apesar de ele mesmo ter convencido Lílian de que ela, seu esposo e seu filho haviam sido vítimas da deslealdade de Pedro.

Ele pode ter sido vítima do Imperius.

As palavras da senhora Potter se repetiam com tanta intensidade em sua mente que ele conseguia ouvir a voz da mulher. Todos os fatos apontavam para o lado oposto. Mas seria possível? Será que ele estava fazendo um péssimo juízo de Pedro? Será que neste momento o ratinho dos Marotos estava em posse de algum comensal, em um cativeiro úmido e escuro, assustado, mas principalmente desapontado consigo mesmo por ter confessado o segredo da família de um de seus melhores amigos, após uma longa e dolorosa seção de tortura?

Como queria encontrar Pedro e obter as confirmações de suas respostas! E Sirius tiraria suas dúvidas. Mas não naquele momento. Esperaria a noite, quando tudo estivesse mais tranquilo, quando seu afilhado e seus compadres estivessem dormindo e não notariam a sua ausência, como notariam agora, quando voltassem ao seu apartamento e percebessem que este estava vazio.

Com um suspiro, passou a mão pelo rosto, levantou-se, passando a mão na calça para tirar o excesso de poeira e dirigiu-se até a sua BSA Lightining 650.

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— Os aurores encontrarão Pedro Pettigrew, senhores Potter. – assegurou Emilia, com um olhar penetrante – Ele passará por um interrogatório, para tirarmos esta história a limpo. Acho que isso é tudo o que tínhamos para conversar.

Tiago e Lílian haviam contado tudo o que acontecera na noite anterior para Emilia, incluindo os detalhes do Feitiço Fidelius. A bruxa ouvira tudo com atenção, pedindo para que o casal repetisse sua narrativa quando não entendia alguma parte da história.

— Eu soube que alguns comensais começaram a agir de maneira esquisita... – falou Tiago.

— Sim, é verdade. Os aurores já estão cuidando deles. Desde ontem cumpriram vários mandatos de prisão preventiva. Muitos suspeito estão sendo interrogados a esta hora, como Lucio Malfoy.

Lílian suspirou. A ministra sorriu amigavelmente.

— Bem, creio que não é hora para se preocupar com muitas coisas, agora. Voldemort foi embora e uma guerra sombria finalmente chegou ao fim. – anunciou ela, abrindo os braços. – Vou dispensá-los agora para co-me-mo-rar! – concluiu, deliciando-se ao soletrar lentamente cada sílaba da palavra.

Lílian sorriu, mas sua testa estava franzida.

— Comemorar?

— Sim, querida! Se você leu o Profeta Diário de hoje, deve saber que, em todos os bares do mundo bruxo, as pessoas brindam a saúde do seu filho. – a ministra olhou para Harry que estava muito compenetrado da tarefa de puxar os cabelos da mãe – Mas não é só isso: o nosso povo está saindo às ruas, sejam elas bruxas ou trouxas, celebrando a paz do mundo da magia.

— Sem a menor discrição? – quis saber Tiago, surpreso.

Emilia soltou um muxoxo.

— Ora, senhor Potter! Para que se importar com discrição quando se tem uma vitória tão importante para comemorar!

Lílian e Tiago voltaram risonhos para a casa de Sirius, comentando sobre Emilia ser um pouco maluca. O padrinho de Harry observou os dois, surpreso, quando entraram pela porta tagarelando animadamente. Porém, sorriu. Depois das horas de terror, era muito bom vê-los assim.

— Chegamos! – anunciou o casal.

— Eu nem percebi. – falou Sirius em um irônico tom, enquanto tomava Harry dos braços de Tiago – Digam-me... Como foi a conversa?

— Tranquila. – respondeu Tiago. – O Ministério vai começar a trabalhar duro para prender os comensais, nos dias que seguirão.

— E você? O que andou fazendo a tarde toda? – quis saber Lílian, jogando a sacolinha de bebê que carregava no sofá.

— Estive na casa de vocês. Ou no que restou dela. – respondeu Sirius, com um toque de humor negro na voz. De repente, ele assumiu um tom sombrio e ao lembrar-se do felino que vira dentre os destroços. – Encontrei o gato de estimação de vocês.

Lílian baixou os olhos e sacudiu a cabeça afirmativamente. O amigo não precisava dizer o que acontecera a Rori. Ela sentia.

Sirius suspirou, coçando a cabeça, desconcertado. Depois, sorriu e disse:

— Bom... Vamos esfriar um pouco a cabeça e beber alguma coisa? Quando estava vindo para cá, vi até uns bruxos soltando fogos de artifício! Por que vocês não podem comemorar um pouco? Afinal, nasceram de novo!

Tiago e Lílian assentiram. Sirius apareceu na sala com duas garrafas de vodka. A moça acomodou Harry no tapete e o cercou de brinquedinhos.

— Não podemos exagerar, galera! – advertiu ela – Temos uma criança entre nós!

— Falou e disse, Broto! – concordou Tiago, sentando-se largado em um sofá – Se eu ficar bêbado, não vou conseguir levar meu filho para o quarto.

— Não tem problema! – tranquilizou Sirius – Se vocês ficarem chapados, eu cuido do guri!

Lílian quase cuspiu a bebida.

— Não confio meu filho a você quando está totalmente sóbrio, imagine com umas gotas de álcool no sangue!

Sirius fez beicinho.

— Puxa, Lily!

A jovem riu. Harry olhou para a mãe e riu também.

— Você, por acaso, sabe do que estamos falando, coração? – perguntou Lílian ao filho.

Tiago afrouxou o cordão de sua veste.

— Será que Remo já sabe?

— A esta hora? Com certeza, já deve estar sabendo. Logo, logo ele estará aqui desesperado, vocês vão ver. – disse Sirius.

Lílian jogou os cabelos para trás.

— Esquecemos de brindar, rapazes!

— Hum! É verdade, Lily. – disse Tiago. E, afastando o copo de seus lábios, ergue-o no ar, bradando: — A paz do mundo bruxo!

— A paz do mundo bruxo! – repetiram Sirius e Lílian, chocando suas taças com a de Tiago.

— A vitória sobre Voldemort! – berrou Sirius.

— A vitória sobre Voldemort! – repetiram os outros dois.

Tiago olhou cheio de ternura para o filho, que observava os adultos com uma interrogação no olhar.

— E a saúde de Harry Tiago Potter, o menino que sobreviveu!

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Eram dez horas da noite quando Tiago foi se recolher em seu quarto. Ao ver Lílian sentada na cama, trajando um pijama de algodão, os cabelos preso em um coque, recostou-se na porta e ficou contemplando-a por alguns minutos. Ela estava cabisbaixa e não percebeu a presença do marido.

Tiago entrou no cômodo, fechando a porta atrás de si. Subiu na cama e foi até Lílian de joelhos. Ao aproximar-se da esposa, puxou-a para si e a abraçou, apertando-a contra o seu peito.

— Está tudo bem. – confortou ele. – Já passou.

Ela não respondeu nada. Apenas fechou os olhos, sentindo os braços de Tiago em volta dela, o corpo dele contra o seu. Ele era magro, mas seu corpo era definido, algo que ele com certeza havia conquistado com os treinos de quadribol. Tiago também mantinha os olhos fechados. Lílian sempre fora magra, frágil. Havia engordado um pouco devido a gravidez, era verdade, mas a ansiedade trazida pelos problemas que eles estavam vivendo até então a fizeram perder peso novamente, e ela já estava quase com o peso que tinha antes da chegada de Harry.

A sensação provocada por aquele abraço era maravilhosa, para ambos. E Lílian, agora, sentia-se ainda melhor com aquilo. Tiago, de fato, a amava. Depois da noite passada, nada mais a faria duvidar disso. Que outro sentimento o faria tentar proteger a ela e a seu filho com o próprio corpo, mesmo ciente de que poderia perder a vida?

O casal abriu os olhos e olhou para o lado, onde Harry dormia em seu bercinho improvisado. Eles se entreolharam e sorriram. Após um longo tempo de silêncio, Lílian perguntou:

— Onde está Sirius?

— Foi dormir. E eu sugiro que façamos o mesmo. Não pregamos o olho desde ontem.

Lílian assentiu. Após checarem se estava tudo bem com o menininho, Ela e Tiago apagaram as luzes e deitaram-se. Não demorou muito para que o rapaz escutasse a respiração da esposa, que denunciava que ela já estava dormindo. Ele, porém, não demonstrava qualquer sinal de que queria adormecer. Mantinha uma mão atrás da cabeça e encarava o teto, atento a qualquer barulho que pudesse denunciar os movimentos de Sirius. Conhecia o amigo muito bem para ter certeza de que ele não estava dormindo coisa nenhuma.

No outro quarto, Sirius preparava-se para agir. Vestiu sua jaqueta de couro e pegou sua varinha. Entreabriu a porta do quarto e não enxergou nada no corredor além do escuro. Lílian e Tiago já dormiam. Saiu do quarto, atravessou a sala de estar, e já ia abrindo a porta, quando viu a luz acender-se. Ele virou-se e viu Tiago o encarando de braços cruzados.

— Volta para a cama, Pontas. – ordenou ele.

Tiago ignorou o pedido.

— Só quem não te conhece vai acreditar que você vai dormir a esta hora, Sirius.

Sirius arfou.

— Só vou sair um pouco. Beber, namorar umas mulheres...

— E desde quando você me dá esse tipo de explicações?

Sirius arfou novamente.

— Eu sei o que você vai fazer. Você não vai confrontar Rabicho sozinho, Almofadas.

— Pontas, por favor. Volta para a cama. – insistiu Sirius Black – Você quase morreu ontem. E além disso, você tem uma mulher e um filho para cuidar. Deixe esse tipo de aventura para mim, que não tem ninguém que dependa de mim.

Tiago ergueu uma sobrancelha.

— Desde quando você é prudente?

— Não é questão de prudência.

Tiago passou a mão nos cabelos, deixando-os mais bagunçados do que já eram.

— Sirius, eu sempre corri riscos. Todos corri ao seu lado.

— Agora é diferente...

— Não, não é. Por causa dele, quase perdi minha família. Quase perdi a minha vida. Nada mais justo que eu esteja lá também.

— Tiago...

— Assunto encerrado, Sirius Black.

Sirius desmoronou. Sabia que não conseguiria convencer Tiago ao contrário. Suspirando, disse:

— Tudo bem. Venha comigo. Mas nada de fazer nada absurdo, ouviu, Potter?

— Você está parecendo a velha coroca do Remo! – criticou Tiago, brincalhão.

Ele empurrou o amigo com o ombro. Sirius gargalhava baixinho, para não acordar Lílian e Harry.

— Vamos! – ele disse, finalmente abrindo a porta do apartamento. – Vamos pegar aquele safado!

Eles desceram até o estacionamento do prédio, onde a moto de Sirius estava estacionada. Montaram nela e foram até uma rua deserta, onde levantaram voo.

Tiago sentia saudades daquilo. Lembrava que, ao terminarem Hogwarts, cansava de pegar uma carona naquela moto até um barzinho, onde ele e o amigo bebiam até não poder mais. Remo e Pedro também costumavam acompanhá-los. Pedro...

— Tem ideia de onde ele possa estar?

— Não. Por onde você acha que devemos começar?

— Creio que nas ruas do mundo bruxo ele não está... Não sabendo que eu sobrevivi e que sou a prova viva de que você não é o meu traidor.

— Então, vamos a alguma rua trouxa... Mas qual?

Tiago pensou um pouco.

— Espere, Sirius. Se Pettigrew está mesmo metido nisso, ele com certeza vai tentar se safar uma última vez. Pode ser que ele ainda tente te culpar. Aposto que, se tivéssemos morrido, a esta hora você seria conhecido como o traidor dos Potter, Talvez ele esteja querendo ser encontrado por você para colocar algum plano em prática. E o fato de eu estar aqui pode espantá-lo. Faça o seguinte: comece procurando em Hollow. Eu vou me esconder de baixo da capa da invisibilidade.

Tiago puxou a capa do bolso e enrolou-se nela, tendo o cuidado de enrolar até a sola dos pés.

Sirius chegou a Godric’s Hollow e começou a sobrevoar os mesmos destroços que havia sobrevoado na tarde daquele mesmo dia. Mesmo embrulhado na capa, Tiago mantinha os olhos bem aberto, vasculhando o que um dia fora sua casa. Foi quando, de repente, ele viu algo pequeno e acinzentado mexendo-se nos escombros...

— Eu vi alguma coisa, Almofadinhas! – sussurrou ele.

— Onde?

— Bem ali, onde está aquele pedaço de telhado.

Sirius não precisou procurar muito: havia um rato se locomovendo agitado no terreno. Ao ver que a moto estava pousando, porém, o roedor saiu correndo. Irritado, o rapaz acelerou atrás do animal, que corria pela rua.

— Abandone a moto, Sirius! – pediu Tiago. – Se continuarmos a persegui-lo com ela, corremos o risco de esmagá-lo, e eu quero esse desgraçado vivo!

Almofadinhas fez o que o amigo pediu e largou a moto encostada no meio fio, começando a correr. Pontas o seguiu, sempre encoberto pela capa da invisibilidade.

A rua em que ambos haviam ido parar estava um pouco movimentada. Nela, havia um beco escuro e sem saída, onde o suposto rato Rabicho se enfiou. Sirius foi atrás dele, mas sentiu a mão invisível de Tiago impedi-lo.

Os dois rapazes esperaram. E não demorou muito para que saísse da escuridão do beco, outro rapaz, baixinho e gordo.

Ao ver o companheiro de tanto tempo, Sirius e Tiago suspiraram em um misto de tensão e confusão. Poderia haver algum engano. Tinha que ser um engano. E foi com esta esperança que Sirius dirigiu-se a Pedro Pettigrew.

— Rabicho! Eles te torturaram para passar a informação, não foi? O que aconte...

Mas nos olhos de Rabicho não havia nenhuma emoção positiva. Ele olhou cínico para Sirius e gritou:

— EU NÃO ACREDITO, BLACK! VOCÊ TRAIU OS POTTER!

Era demais para Tiago. Sem se importar com o que os trouxas iam pensar, ele retirou a capa da invisibilidade.

— Ah! Foi ele quem traiu a minha família, seu cretino? – perguntou ele, aproximando-se perigosamente de Pedro.

Pedro fez uma cara de falsa inocência.

— Tiago... Você está vivo!

— É CLARO QUE ESTOU! – bradou Tiago – UMA PENA PARA VOCÊ, NÃO É?

Não houve resposta. Ao invés disso, um barulho ensurdecedor se fez ouvir. Tiago e Sirius se abaixaram e uma nuvem escura inundou a rua. Gritos foram ouvidos.

Quando tudo pareceu ter terminado, a dupla de amigos levantou-se novamente, abrindo os olhos. A cena que viram foi aterrorizante: Várias pessoas estavam caídas, encobertas de sangue, as bocas abertas em um sinal de horror e os olhos sem vida. Sirius e Tiago olharam ao redor, procurando algum sinal de Pedro. A única coisa que encontraram, porém, foi um único dedo gordo.

Não demorou muito para que sons de aparatação fossem ouvidos próximos dali. Os aurores do Ministério estavam chegando.

Notas finais
Tiago chamou Lílian de Broto, que significa mulher bonita, jovem atraente. É o nosso "gatinha".Vocês vão encontrar muitas gírias antigas nesta fic... Afinal, são anos 70, não é? Acho que o Sirius era mais ou menos assim quando jovem: http://www.dlzdenim.com.br/blog/wp-content/uploads/2014/09/blog4TEMPLATES_DLZ.png A moto dele: http://www.britcycle.com/Bikes/forsale/MThompson_69_BSA_Light_650_003.jpg Acho que este capítulo ficou bem longo... Falem-me nos comentários se vocês preferem desse jeito ou menor. Comentem! u.u