Nada precisa ser tão difícil

6 Depois do caos, a carta de Dumbledore


Notas iniciais
Boa leitura!

MINISTRA RESPONDE À CONFEDERAÇÃO INTERNACIONAL POR VIOLAÇÕES AO ESTATUTO INTERNACIONAL DE SIGILO

— Eu sabia que Bagnold estava se arriscando demais fazendo toda aquela festa. – disse Tiago, segurando a sua caneca de café, enquanto analisava a manchete do Profeta Diário.

Para falar a verdade, mal havia espaço para a refeição matinal na mesa da cozinha de Sirius Black.

Para onde olhassem, havia papéis em cima do móvel. Folhas do jornal do dia separadas; inúmeras cartas carinhosas de amigos e companheiros de Ordem direcionadas ao casal Potter.

— Vamos tirando essa papelada toda ou vamos acabar comendo papel ao invés de torradas! – sugeriu Sirius, brincalhão.

— Acho que ainda não, Sirius. – disse Remo, olhando na direção da sala de estar. – Olhe!

O rapaz olhou na direção que o amigo apontava e viu uma coruja-cinzenta voando em direção à janela aberta. A ave entrou na sala do apartamento e foi direto à cozinha, onde os humanos se encontravam. Despejou, então, mais uma carta sobre o móvel já lotado.

— Ora essa... De quem será? – perguntou Tiago.

Sem nada dizer, Lílian pegou a carta e olhou o espaço do remetente. A jovem arregalou os olhos ao ver o nome da pessoa que os havia escrito.

— É de Dumbledore!

Todos se entreolharam numa mistura de alegria, alívio e curiosidade. Em meio aquele caos que se findava, receber uma carta de Dumbledore era o mesmo que encontrar uma trilha depois de dias e dias perdidos.

— Abre logo, Lily! – pediu Sirius, mal contendo a ansiedade.

Lily rasgou o envelope com dificuldade, visto que Harry, que estava em seu colo, havia se interessado bastante também e tentava a todo custo pegar a carta. Percebendo a insistência do filho, Tiago o tomou dos braços da esposa, facilitando a tarefa para ela.

Finalmente, o envelope foi rasgado e Lílian tirou de dentro dele um pergaminho. Desdobrou-o mais do que depressa e deu uma rápida olhada na caligrafia do diretor de Hogwarts. Em seguida, olhou cheia de emoção para os rapazes, e, voltando novamente a sua atenção para a folha, começou a ler:

— “Caríssimos membros da Ordem da Fênix,

É com colossal contentamento que observamos a queda de um grande império. Grande, este reinado só era em suas proporções, porque não podemos atribuir uma única boa qualidade sequer para o poder de Voldemort.

Apesar de estarmos extremamente aliviados com o final desta guerra, não podemos deixar de mencionar as feridas que ela causou em nossos corações, pois perdemos grandes companheiros como, por exemplo, a família McKinnon, Caradoc Dearborn, os Bones e Fabian e Gideon Prewett.”

Lily fez uma pausa, tentando conter, com sucesso, as lágrimas que insistiam em molhar-lhe os olhos. Sirius mordia o lábio inferior, cabisbaixo, sacudindo a cabeça lentamente. Tiago estava com a cabeça muito erguida, temendo baixá-la e deixar as lágrimas escaparem, uma mão enfiada no bolso, enquanto a outra acariciava a base das costas de Harry, que olhava confuso para o pai. Remo apertava os lábios, tão cabisbaixo quanto Sirius.

A moça fungou e deu continuidade a leitura.

— “ Mas, para trazer a alegria de volta ao mundo da magia e para honrar a memória dos que se foram, é preciso que sejamos fortes e sigamos em frente. E, para iniciarmos esta nova fase, convoco-os para uma reunião no bar Três Vassouras, que ocorrerá no domingo, às 14:00. Conto com a presença de todos vocês.

Afetuosamente,

Alvo Dumbledore.”

— Uma reunião da Ordem! – exclamou Tiago, empolgado.

— Finalmente! – suspirou Lílian, sentando-se na cadeira de forma bastante displicente e relaxada.

— Maravilha! – completou Sirius.

— Perfeito, perfeito! – comemorou Remo. – Temos que começar a ajeitar os detalhes da viagem, não? Afinal de contas, é para Hogsmeade que estamos indo! Eu vou arrumar minha mala!

Sirius rolou os olhos.

— Para que arrumar a mala, Aluado? Nós vamos para uma reunião, não vamos para uma viagem de férias! Aparatamos em Hogsmeade e desaparatamos de volta no mesmo dia!

Lílian deu de ombros.

— Vocês vão aparatar.

Sirius olhou de Lílian para Tiago. Remo também estava confuso.

— E vocês, não? – quis saber Almofadinhas.

— Não mesmo, Almofas. – respondeu Tiago.

— Por quê? – perguntou Remo.

Lílian levantou-se de nariz empinado e postou-se ao lado do esposo. O jovem estufou o peito e mostrou Harry com um gesto discreto.

— Esqueceram que temos um filho de um ano de idade, Marotos? – falou ele – Eu não vou submeter o meu bebê a uma tortura daquelas!

Remo e Sirius se entreolharam. De fato, seria uma verdadeira loucura aparatar com uma criança da idade de Harry.

— Então é bom que vocês viagem o mais breve possível, ou vai acabar se tornando algo muito cansativo. – aconselhou Remo, enquanto, com um aceno de varinha, removia toda a papelada de cima da mesa do café e as fazia repousar sobre o sofá da sala.

— Realmente, Aluado. – concordou Lílian, enquanto mexia o seu leite, com a ajuda de uma colher.

— Porque não viajamos amanhã cedo, Lily? – sugeriu Tiago. – Assim, chegamos a Hogsmeade no início da noite, nos hospedamos no Três Vassouras, descansamos no sábado e, no domingo, estaremos inteiros para a reunião.

— É uma boa ideia, Ti! – aprovou ela. – Está tudo em dias com a vassoura?

Com esta pergunta, Tiago quase cuspiu o café que bebia.

— Lily, minha amada! Vamos ter que comprar uma vassoura nova!

— Como assim? E a vassoura que usamos para ir ao hospital?

Tiago sacudiu a cabeça negativamente.

— Não vai dar para ser usada com este objetivo. – explicou – Uma coisa é usar uma vassoura esportiva para ir a uma curta distância. Outra coisa é usá-la para fazer uma viagem em família.

— Que coisa! – disse Lílian, coçando a cabeça.

— Para o Beco Diagonal depois do café da manhã!

— Hum... Eu não vou. Leve os meninos com você, e isso inclui Harry. Eu vou aproveitar e fazer um belo almoço.

Tiago deu de ombros e começou a comer suas torradas.

Após a refeição, Lílian tirou a mesa e enfeitiçou os pratos para que se lavassem sozinhos. Remo e Sirius foram se vestir no quarto do dono do apartamento e Tiago foi para o seu, com Harry nos braços. O maroto depositou o garotinho na cama e começou a escolher roupinhas para ele.

— Vamos lá, garotão? Você vai passear com papai! – Tiago brincava com Harry, enquanto colocava um gorro na cabeça do pequeno, que já se encontrava enrolado num cachecol – Tem que estar protegido para encarar o Outono!

O Maroto terminou de vestir o filho e se afastou um pouco para admirar o próprio trabalho. Harry parecia adorável. Seu cachecol era verde claro e o gorro, da mesma cor. A camisa branca, a calça e os minúsculos sapatinhos completavam o look. Mas, para o jovem pai, faltava alguma coisa. Pensou, pensou, até que, finalmente, ele sorriu de canto de boca.

— Já sei!

Pegou sua varinha e apontou para a barra do gorrinho da criança, que mantinha os olhos fixos no pai, tentando entender o que ele fazia com aquele graveto encostado à sua testinha.

O pequeno não podia ver, mas o fato é que, lenta e magicamente, as palavras “Mini Maroto”, estavam sendo bordadas na barra de seu gorro em um tom de verde mais escuro. Ao terminar o encantamento, Tiago admirou novamente o filho.

— É isso aí! Vamos lá, camaradinha? – chamou estendendo os braços. Ficando em pé no colchão, Harry deu alguns passinhos desengonçados em direção ao adulto e teria caído de barriga para baixo, se não fosse rapidamente amparado pelos fortes braços do pai.

Ele jogou a sacolinha de bebê no ombro, apanhou a jaqueta de couro emprestada por Sirius e foi para a sala.

Uma das cenas mais belas de se ver, na opinião de Lily, era ver o seu marido com o seu filho no colo. A maneira com a qual Tiago carregava Harry, com os seus braços definidos, era tão protetora, tão paterna... E a semelhança entre os dois tornava este ato mais bonito ainda. Os cabelos absurdamente negros e espetados fazia-os parecerem que eram as versões adulta e infantil um do outro.

A mãe foi ao encontro dos dois com um sorriso encantado na face. Porém, o encantamento deu lugar ao divertimento quando ela viu o que estava escrito no gorro do menino.

— Isso não estava aí! – observou ela.

Tiago deu o seu melhor sorriso galante e despenteou os cabelos com a mão livre de maneira exibida e arrogante, remetendo Lílian aos tempos de Hogwarts.

— É claro que não, minha corça dourada! Isso não estaria aí se não fosse um empurrãozinho do papai maroto aqui!

Ela beijou a palma da mão de Harry.

— Seu pai é um bobo mesmo, não é?

Tiago derramou a profundidade de seus olhos castanhos na imensidão verde dos olhos da esposa e sussurrou:

— O bobo que você ama...

Eles fora aproximando seus lábios lentamente, lentamente...

— Vamos parar com este namoro no meio da minha sala de estar! – ordenou a voz alta de Sirius Black.

O casal se afastou. Sirius e Remo chegavam, estragando o clima romântico. Tiago não estava nada satisfeito.

— Estou falando sério. – resmungo Potter – Daqui para o fim do ano eu arrumo um casamento para vocês.

Sirius jogou-se displicente no sofá.

— Ah, se está achando ruim é um direito seu, mas você está na minha casa, que, aliás, é uma casa de respeito.

Lílian teve, repentinamente, uma crise de tosse.

— Só se for respeito aos seus instintos.

Remo e Tiago riram.

— Ah, qual é, Lílian? – reclamou Sirius – Acha mesmo que eu trago mulheres para meu apartamento? – diante do olhar acusador da amiga, ele meneou a cabeça. – Certo, nem todas as mulheres. Mas não sou esse cachorro todo que você pensa.

— Tecnicamente, Almofas, você é sim um cachorro. – replicou ela.

— Você entendeu o que eu quis dizer, sua chata. Mas por mim, pode ficar aí pensando mal de mim. Eu não ligo. – falou ele, dramático.

— O que pensar do cara que tentou atacar a médica do meu filho há poucos dias atrás, hen?

Remo olhou de Lílian para Sirius.

— Que história é essa?

Lily passou a língua nos lábios, olhando cúmplice para Tiago e soltando uma piscadela para o mesmo.

— Ti te conta no caminho.

— Isso mesmo, chega de conversa fiada! – exclamou Tiago – Vamos logo!

E, dizendo isso, puxou Sirius do sofá, empurrando ele e Remo para fora.

O vento frio do outono cortava o rosto dos feiticeiros enquanto eles caminhavam na rua. Os olhos semicerrados eram sinal da ventania que enfrentavam.

Não trocaram muitas palavras durante o percurso. Talvez isso se devesse ao tempo em que levaram para chegar onde queriam. O prédio de Sirius não ficava longe da rua que dava acesso ao Beco Diagonal. Bastava dobrar a esquina.

Eles chegaram ao pub, deram a volta e pararam em frente a parede que ficava ao fundo do estabelecimento. Remo empunhou a sua varinha e, com ela, tocou alguns tijolos.

— Três para cima, dois para baixo...

Eles se afastaram, e ficaram a observar a parede abrir um buraco que emitia uma luz que ofuscava seus olhos. O buraco foi se abrindo, revelando, assim, o Beco Diagonal.

Os Marotos deram um passo à frente, deixando o mundo trouxa para trás e penetrando naquele mundo de magia, onde bruxos e bruxas passeavam com suas longas capas de cores que iam do sóbrio ao vibrante e seus enormes chapéus pontudos.

— As capas estão na bolsa, rapazes! – falou Tiago aos amigos, apontando a sacola do bebê com um gesto de cabeça.

Sirius a abriu e encontrou quatro capas de veludo. A preta pertencia a ele mesmo, a verde-escura era de Tiago e Remo era o dono da cinza. A roxa, tão pequenina, era de Harry.

Onde quer que passavam, percebiam olhos curiosos sobre o bebê que olhava para todo aquele espaço mágico com um brilho alegre nos olhos, ao mesmo tempo que se entretinha em chupar os próprios dedos. Não demorou muito para que os quatro, mais precisamente pai e filho, fossem surpreendidos por uma pequena multidão que se amontoava ao redor deles.

— Ei! Este é Harry Potter? – quis saber uma atraente jovem que vestia um corpete preto e saia um pouco acima do joelho e ostentava uma mecha rosa na parte da frente do cabelo, aproximando-se de Harry e Tiago, olhando fixamente para a testa do garotinho.

— Olá! Você deve ser Tiago Potter, não é mesmo? – perguntou um senhor baixinho e magrelo que usava uma túnica de um tecido muito fino, coberto por estrelinhas brancas de cinco pontas. – E a criança no seu braço é o Menino-Que-Sobreviveu, não é? Grande família, a sua! Foram atacados por Você-Sabe-Quem em carne e osso e saíram vivos!

Todos falavam ao mesmo tempo, chegando mais perto o possível dos Potter, apertando as bochechas de Harry e tocando em sua cicatriz, um tumulto que deixaria qualquer um sufocado. Sirius e Remo se olharam confusos, sem saber o que fazer. Tiago, por sua vez, que nunca tivera dificuldades ou se importara com excesso de atenção, parecia um tanto quanto incomodado com tudo o que estava acontecendo. E este desconforto só aumentou ao olhar para Harry e ver que o seus olhinhos estavam assustados e seu rostinho vermelho, como se fosse começar a chorar.

E isso não demorou a acontecer. Harry abriu a boquinha, soltando um gritinho desesperado, enquanto as lágrimas escorriam pela face. Ele virou-se de costas, enterrando o rosto na curva do pescoço de Tiago, enquanto resmungava:

— Papa! Papa! Papa!

Com o choro da criança, os curiosos se afastaram um pouco, soltando murmúrios penalizados. Remo e Sirius aproveitaram a deixa e se infiltraram no meio deles, conseguindo, por fim, ficar ao lado dos outros dois.

— Muito bem, galera! – disse Sirius, fazendo sinal para todos se calarem – Sei que o que aconteceu instiga a curiosidade de muitos aqui, senão todos. Mas lembrem-se que este menino tem apenas um ano e nem entende o que está acontecendo.

— Isso mesmo! – completo Remo – E a família Potter ainda está se recuperando de um grande choque. Portanto, respeitem a privacidade deles quando os virem andando por aí. Deixem-os viver uma vida normal, ok?

Um tanto desconcertados, as pessoas deram meia-volta e retomaram seu caminho. Remo bateu no ombro de Tiago.

— É, meu chapa! Melhor ir se acostumando! Você agora é pai do Menino-Que-Sobreviveu e sua família está famosa!

Sirius riu.

— E desde quando Tiago precisa se acostumar com holofotes?

Tiago exibiu um grande sorriso para o amigo, mas, logo em seguida, encarou-o com ar sério:

— Desde que isso envolva o meu filho, que ainda é tão pequeno, sendo assediado por uma turma de lunáticos.

Sirius ergueu as sobrancelhas, um pouco surpreso. Realmente, ser uma atração devido a uma quase tragédia que aconteceu com sua família era bem diferente do que ser uma atração por ser um bom jogador de quadribol, ser rico ou engraçado. E perceber que Harry teria que lidar desde cedo com tudo isso era bastante preocupante.

— Bem, vamos somente comprar a vassoura? – quis saber Remo.

— Não. – respondeu Tiago – Primeiro vamos à Madame Malkin. Eu estou usando as vestes emprestadas de Sirius e Lily e Harry estão sem vestes bruxas.

— Não deu para recuperar nada?

— Quando estive nos escombros da casa dele, vi roupas, sim. Mas estavam todas bem destruídas. – explicou Sirius.

Remo assentiu e os quatro rumaram para o Banco Gringotes. Lá chegando, Tiago entrou e Remo e Sirius resolveram ficar do lado de fora do estabelecimento, Harry nos braços do padrinho.

— Jogue a franja dele sobre a cicatriz, Almofadinhas. – aconselhou Remo – Assim, as pessoas não vão conseguir vê-la e poderemos garantir que ele não vai ser incomodado.

Sirius alisou a franja do menino sobre a testa, escondendo, assim, a cicatriz.

— Cara... Estou a fim de fumar. Só não vou fazer isso porque Harry está aqui.

O animago estava para fazer uma piada em relação ao comentário do lobisomem, mas seus olhos focalizaram algo mais instigante do que as palavras que iam sair de sua boca. Ele viu, indo em direção à Travessa do Tranco, uma figura alta, pálida, de cabelos pretos na altura dos ombros, muito escorridos e oleosos e nariz de gancho. Movia-se, em suas vestes negras, como um predador. O Maroto acompanhou o jovem homem com o olhar, enquanto cutucava o amigo.

— Ei, Remo! Olha só quem está tomando o caminho da Travessa do Tranco...

Remo olhou na direção em que Sirius apontava com um aceno de cabeça.

— Severo Snape... Indo a um dos lugares mais repugnantes da Inglaterra. Não é uma grande novidade, vindo de alguém como ele.

— Poderíamos aguardar a volta do Ranhoso e lhe dar uma bela lição! – sugeriu Sirius, com um sorriso maldoso nos lábios.

— Está maluco? Acha que o escândalo com Pettigrew foi pouco?

– Não estou nem aí. A essa hora meu compadre e meu afilhado poderiam estar mortos, e tudo porque este morcego do nariz de tucano quer porque quer ficar com Lílian.

Remo sacudiu a cabeça negativamente.

— Você só está esquecendo que esta é uma teoria de Pontas. Não temos nada comprovado, ainda.

— E você duvida? – perguntou o outro, debochado.

— Não duvido. Mas também não podemos fazer nada precipitado. Vamos lá, Almofadinhas! Os Potter estão bem. E depois, você não vai querer colocar ideias na cabeça de Tiago que possam induzi-lo a fazer uma besteira na frente do seu afilhado, não é?

Remo havia atingido um ponto fraco do rapaz. Sirius amava Harry e jamais colocaria o menino em uma situação desconfortável.

— Tudo bem. – cedeu ele, sorrindo relaxado. E aparição de uma bela e jovem bruxa que acabava de sair do banco fez o animago esquecer totalmente o assunto. Ele examinou a moça, procurando qualquer coisa que pudesse dar início a uma conversa. Percebeu, então, que a pequena bolsa que ela levava a tiracolo estava aberta.

— Ei! Sua bolsa está aberta! – advertiu ele.

A jovem interrompeu a caminhada para fechar a bolsa.

— Obrigada!

— Eu que agradeço! É um privilégio ajudar uma bela moça! – falou Sirius, em tom simpático.

A bruxa sorriu, corando.

— Muito obrigada, novamente.

— Ora, não precisa agradecer um elogio tão óbvio! Harry concorda comigo, não é, Harry?

— É seu filho? – quis saber ela, aproximando-se e tomando a mão de Harry na sua – Que gracinha!

Sirius ficou ainda mais entusiasmado ao perceber, pelo sotaque da moça, que ela era norte-americana.

— Na verdade, é meu afilhado.

Foi a vez de ela galantear:

— Um cara bonitão e amável com crianças? Há décadas não falo com um destes!

Sirius sorriu de canto de boca. Remo rolou os olhos. Ele estava usando Harry para se aproximar das mulheres?

— Pois agora você encontrou um! Que tal nos encontrarmos para descobrir mais afinidades entre nós dois?

A jovem sorriu maliciosa.

— Para mim seria um imenso prazer.

— Ótimo! Conhece o restaurante The Ledbury?

— O lugar perfeito!

— Combinado, então! Vejo você lá na quarta-feira, às 19:00, tudo bem?

— Tudo bem!

Sirius deu um tapa na própria testa.

— Que grosseria a minha! Esqueci de me apresentar! – ele depositou um beijo nas costas da mão dela — Meu nome é Sirius Black, ao seu dispor!

— É um prazer, senhor Black! Eu me chamo Katharine Smith. Vejo você na quarta-feira, então. – ela fez um último carinho em Harry e despediu-se de Sirius e de Remo.

Quando a garota já estava longe, o animago quase dava pulinhos, tamanha era sua animação.

— Cara, você viu isso? Linda, educada e estrangeira! Na quarta-feira terei a noite que há muito tempo não tinha!

Remo parecia desanimado. Na verdade, sentia um pouco de inveja de Sirius. O amigo era bonito, rico, confiante e um verdadeiro conquistador. Acima de tudo, ele não tinha um certo problema que o fazia ter o máximo de cuidado ao se relacionar com alguém...

— Perdi alguma coisa?

Ambos viraram para trás e viram Tiago com um saquinho de dinheiro na mão.

— Perdeu sim. Nosso cachorro aqui acaba de conseguir um encontro.

Tiago deu um muxoxo.

— Sinceramente, eu não devo deixar o meu filho perto de você.

— Pois se eu fosse você, deixava! Assim, quem sabe o garoto não leva mais de dois anos para sair com a menina que quer, quando for um adolescente? – alfinetou Sirius.

— E quem vai ensinar o segredo do sucesso para ele? As suas cantadas que não pegam nem diabretes da Cornualha? Pelo menos eu me casei e não continuo virando latas por aí... – rebateu Tiago.

— As mocinhas querem parar de brigar, por favor? – pediu Remo, bem-humorado. – Vamos logo comprar o que queremos e, depois, dar um pulo na sorveteria. Estou louco para tomar um sorvete.

— Em outra época, você chamaria isso de tentativa de controlar a vontade de fumar. – deduziu Tiago.

— Usar o Silencio em si mesmo é algo que muito deveriam, mas ninguém quer fazer. – retrucou Remo.

Os jovens compraram peças de roupas para Harry e Lílian em Madame Malkin, e depois foram à loja de vassouras, de onde saíram com uma bela vassoura apropriada para viagens de família. Então, foram até a sorveteria de Florean Fortescue e sentaram-se à uma mesa do lado de fora do estabelecimento. Ao perceber a chegada do grupo, o senhor Fortescue apressou-se para cumprimentá-lo.

— Ah! Os jovens Lupin, Black e Potter! – exclamou ele, apertando as mãos dos rapazes. – Até parece que foi ontem que vocês se reuniam para tomar sorvete aqui antes de embarcar novamente para Hogwarts! Hoje estão crescidos e até temos um pai de família, não é mesmo, senhor Potter?

Tiago sorriu orgulhoso, olhando Harry que não parava quieto em seu colo.

— Grandiosa a sua família, senhor Potter, muito grandiosa. – comentou Florestan em tom de admiração. – Até hoje não se tem notícias de alguém que tenha sobrevivido a um encontro com Aquele-Que-Não-Deve-Ser-Mencionado, principalmente quando este tinha a clara intenção de matar. E o mais curioso: quem levou a maldição imperdoável diretamente foi o pequeno Harry Potter! Que criancinha mais adorável, aliás! – ele fez uma pausa para brincar com o bebê antes de continuar: — Bem, fiquem à vontade. Quais são os pedidos?

— Três sorvetes de... Chocolate, pode ser, rapazes?

Sirius e Remo acenaram em concordância. Florean retirou-se.

Enquanto aguardavam, Remo, Sirius e Tiago conversavam de assuntos banais. Porém, não foram raras as vezes que algum ex-colega de Hogwarts ou alguém que os conhecia interrompia o diálogo do trio para cumprimentar Tiago e conhecer Harry.

— Famoso antes mesmo de saber falar o próprio nome! – riu Remo – Só poderia ser filho de Tiago mesmo!

— E aposto que será tão arrogante e presunçoso como o pai.

Os amigos ergueram os olhos para outro jovem que estava de pé, ao lado da cadeira ocupada pelos Potter. Severo Snape observava o menino com desprezo. Harry olhava o homem do jeitinho que uma criancinha de sua idade olha para um estranho. Seu pai, porém, não estava muito interassado em apenas trocar olhares. Furioso com os adjetivos que o recém-chegado havia atribuído ao seu pequeno, Tiago falou, entre dentes:

— Está sentindo falta da época em que fazíamos você passar vergonha na frente de todo mundo, Ranhoso? Podemos resolver isso, se quiser!

Sirius soltou um muxoxo, sorrindo cinicamente:

— Deixe ele, Tiago! Ele só está nervoso porque seu filho deu um jeitinho no mestre dele!

A voz de Severo saiu como um silvo.

— Talvez você devesse parar de se preocupar com futilidades, Black, e começar a se preocupar em provar as injúrias que diz...

Sirius não tirava o sorriso do rosto. Mas agora, sua expressão, de cínica, passou a triunfante.

— Não seja por isso! Levante as mangas de sua túnica, então!

Severo tentou parecer tranquilo, mas os Marotos perceberam que havia um certo desconforto por parte de seu inimigo. Entreolharam-se, os olhos brilhando em euforia e cinismo.

— Está vendo? – continuou Sirius – Não levanta as mangas porque sabe que aí está a completa prova de que você é um monstro!

Foi a vez de Severo exibir seu sorriso cínico.

— Eu? Um monstro? Acho que há um pequeno engano, já que o verdadeiro monstro está aí, sentado a esta mesa...

Os amigos sabiam para quem havia sido a indireta. Remo, o atingido, tentava não demonstrar o quanto aquilo doía. Seus companheiros, porém, sabiam como aquele assunto mexia com o lobisomem e não estavam dispostos a deixar Snape humilhá-lo.

— Não há monstro algum aqui, Snape. – respondeu Tiago – O que temos aqui é uma pessoa que passou os últimos anos lutando contra a maldade e a injustiça e que, durante um determinado período do mês, esconde-se para não machucar ninguém, visto que ele se transforma involuntariamente em algo que não é ele. Bastante diferente de você, que machucou, assassinou, torturou, porque se acha superior a alguns.

— E quem é você para falar de se achar superior, Potter? Pelo que sei, foi essa a atitude que lhe levou a ser o completo porco desprezível em Hogwarts...

— Ao menos ele não chamou ninguém de... Daquele nome desprezível que você chamou Lílian. – retrucou Sirius, vitorioso.

A simples menção daquele ocorrido pareceu fazer Snape se desestruturar por dentro.

— Eu jamais tive a intenção de ofender Lily. Vocês foram os culpados.

— Para você é senhora Potter, tá legal? – rosnou Tiago.

— Tiago! Isso já está indo longe demais. – advertiu Remo, ao perceber que as atenções dos frequentadores da sorveteria já estavam quase todas voltadas para eles.

Tiago resolveu finalizar a conversa. Olhou nos olhos de Severo e sibilou:

— Dê o fora daqui. E nunca mais use esta sua boca suja para falar do meu filho, está ouvindo?

Severo sorriu assustadoramente.

— Pode ficar tranquilo. Vermes não é meu assunto preferido...

Se Remo não fosse rápido o suficiente para deter Tiago, Severo teria sido azarado.

— Tente não esquentar. – aconselhou Lupin, enquanto observava o homem ir embora – Ele só age assim porque sabe que Harry é fruto do seu amor com Lílian.

— Eu tenho que concordar com Aluado. Ele quer te tirar do sério porque ainda não superou o fato de Lílian nunca ter o notado e, ainda por cima, ter se casado contigo...

Tiago assentiu, mas ainda estava nervoso. Não havia arriscado a própria vida por seu filho para que um seboso como Snape aparecesse e o insultasse.

Notas finais
Nada de leitores fantasmas, hen? Rum! u.u Pessoal, estou numa fase de muito estudo: faculdade, concurso público, isso sem falar nas demais obrigações, rs. Farei o possível para postar logo!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.