Nada pra mim

2 Capítulo 1


Notas iniciais
Todos os direitos (personagens e universo HP) pertencem à Tia JK.

7 meses antes...

Rose

Nem sabia há quanto tempo estava deitada naquela poltrona encarando a fogueira da Sala Comum da Casa dos Monitores.

Comecei a lembrar sobre a conversa de ontem. Decidi avisar diretamente, via Flu, para Vovó Molly que não iria embarcar no Expresso de Hogwarts para o Natal hoje de manhã com os outros alunos.

Podia mandar um recado por meu irmão ou algum de meus primos. Ou poderia escrever para a Tia Ginny e Tio Harry, pedindo para que dessem a notícia e tentassem acalmar Vovó. Mas eu conhecia Molly Weasley o suficiente para saber que ela iria gritar comigo de qualquer forma.

Decidi enfrentar Vovó quase pessoalmente pela rede do Flu em vez de receber um berrador no café da manhã.

Primeiro, Vovó esbravejou comigo, como eu sabia que iria. Repetiu algumas vezes "como se você não tivesse família!". Depois, se debulhou em lágrimas. Disse que entendia eu querer passar esse tempo sozinha, mas ela estaria lá para me ouvir. Agradeci e terminamos a conversa.

Vovó ainda não sabia de toda a verdade. Porém, era questão de tempo. Nunca se guardaram segredos muito bem naquela família.

"Naquela" família... Na minha família.

Em uma família grande e próxima como a minha, todos estavam abalados com os últimos acontecimentos, cada um à sua maneira. Eu simplesmente não queria lidar com a histeria coletiva naquele momento.

Comecei a rir sozinha: seria uma situação no mínimo engraçada, se eu não estivesse no meio dela. Mesmo assim, engraçada.

Uma voz conhecida no fundo da sala me assustou e interrompeu meu curso de pensamento:

— O que é tão engraçado, Weasley?

— O que você tá fazendo aqui, Malfoy? Por que não pegou o trem?

— Eu perguntei primeiro.

— Estou imaginando quão confusa deve estar a reunião da minha família nesse fim de ano... — Comecei a rir novamente. Trágico e cômico.

— Sua família parece ser sempre confusa... — ele disse, com uma leve ironia — pelo que vejo dos seus primos por aqui.

— Acredite, o que você vê aqui em Hogwarts... Nada nem perto do que vai acontecer esse ano.

— Algum motivo especial?

Fiquei calada, olhando para o outro lado da sala. Como se a última pergunta simplesmente não tivesse sido feita. A verdade é que eu não queria respondê-la.

— Algum motivo especial, Weasley? — Ele repetiu, se sentando na poltrona em frente à minha. Parecia um entrevistador daqueles talk shows trouxas.

— Não enche, Malfoy! — Falei com uma voz seca.

— Me desculpe, só queria manter uma conversa civilizada. Não precisa me responder assim. — Ele falou numa voz calma. Sincera, quase triste.

— Quem é você e o que você fez com Scorpius Malfoy?! — Devia ter ficado calada. Estava com uma sensação de que aquela conversa não iria acabar bem.

Estávamos sozinhos na Casa dos Monitores. Na verdade, nem eu mesma sabia que ele também não havia viajado naquela manhã. Eu tinha vindo pra cá exatamente por isso. Porque queria ficar sozinha.

Se soubesse que Malfoy estaria na Casa dos Monitores, eu ficaria na Torre da Grifinória. Alguns alunos ficaram na escola e estariam por lá, mas nenhum iria me importunar.

Hogwarts estava quase deserta no feriado. Eu nem sabia se algum dos professores ou funcionários estava ciente que estávamos os dois ali.

Não que eu tivesse medo do Malfoy. Sabia me defender (na verdade duelava muito bem). Mas não estava nem um pouco a fim de brigar. Se isso acontecesse, sem ninguém ali pra apartar algum desentendimento, iríamos acabar bem machucados.

Ele parecia pensativo.

— Weasley, é fim de ano. Nós dois vamos ficar aqui sem nossa família. Podemos dar uma trégua? — Disse, com uma voz suave e pausada. Só podia ser Polissuco.

— Antes de começarmos o quinto ano, você me encontrou no Beco Diagonal. Onde eu estava e o que estava fazendo?

— Fala sério! Você realmente acha que não sou eu?

— Velhos hábitos de família. Agora responde. — Minha varinha apontada para ele.

— Você estava na loja de Antiguidades. Com uma pilha de livros velhos, raros, pagando galeões por aquelas velharias. — Definitivamente, era o Malfoy.

— Okay. — Eu disse, abaixando a varinha. — Trégua aceita.

Tinha a sensação de que iria me arrepender disso. Sabia que iria.

Notas finais
O que acharam? (**autora insegura mode on**) Sei que é um início bem morninho... Mas tenho planejado coisas mais emocionantes lá pra frente. Bjos