Nada pode nos parar

3 Tá em Casa ♫ - parte III


( Diego narrando)

Eu estava no meu novo quarto, dedilhando qualquer coisa que fosse possível no meu violão. Mas, a verdade é que eu não conseguia tirar aqueles olhos lindos da minha cabeça. Ela era realmente linda, uma “ estranha” muito linda por sinal. E que havia sido engraçado provocar ela daquele jeito na padaria, a isso com certeza tinha sido.

– Hey , cabeça! – ouvi Pedro me chamar, e dei um suspiro de tédio. – O que ta pegando?

– Nada ué, eu tava aqui apenas tocando – respondi naturalmente.

– Aham, sei ... e tá com essa cara porque? – Pedro perguntou desconfiado.

– Porque é a única que eu tenho – respondi colocando o violão de pé ao lado da minha cama.

– Ta marrento em?

– Pedro desenrola logo vamos, sem rodeios — falei me deitando em minha cama novamente.

– Ok bebezinho eu falo – ele respondeu debochado – Seguinte.. se arruma e arruma o seu topetinho que nós vamos lá no apartamento das meninas.

– Eu não vou não, não vou segurar vela pra vocês dois. – falei cruzando os braços.

– Que vela o que, deixa de ser mané. Tem mais uma amiga que mora com elas e outra não somos “ casais” .

– Quem que é casal aqui meu filho? – Tomás perguntou entrando no quarto.

– Vem cá, vocês podem parar com essa animação toda de vocês? Viram o passarinho verde? – eu perguntei esticando minhas pernas na cama.

– Verde eu não sei, azul talvez . – Tomás respondeu rindo.

– Nossa, engraçadinho você né? – respondi irônico.

– Eu sei, é o que todos dizem. – Tomás continuou com a piadinha, ah esse era meu amigo piadista até nas piores horas. – Ok, eu paro. Mas, qual é o motivo mesmo dessa discussão toda?

– É que o nosso bebê aqui não quer ir para o apartamento das meninas, porque ele acha que vai segurar vela.

– Ah tadinho do nosso menino, cut cut – Tomás ficou falando enquanto Pedro apertava minhas bochechas.

– Da pra parar por favor? – falei me irritando.

– Ok, foi mal. – Tomás falou tentando parar com a brincadeira. – Mas olha só deixa de ser um mala sem alça, que ninguém aqui vai segurar vela pra ninguém aqui, até porque que eu saiba não tem casal nenhum lá.

– Eu já disse que tem mais uma amiga delas que também mora lá. – Pedro falou pela enésima vez.

– Ah tá, você só esqueceu de falar a parte que ela é meio selvagem né meu filho. Mas, fora isso tudo normal – Tomás falou segurando o riso.

– Como assim, meio selvagem Tomás? – perguntei sem entender.

– Vocês vão ver... ela é gata, mas, é totalmente fora da casinha.

– Ah que ótimo, era só o que faltava uma louca. Olha só, agora é que eu não vou mesmo ta? — falei em protesto.

– Diego, vamos fazer assim, você vai e fica meia hora, só isso. Se você não gostar você pode ir embora depois e não tocamos mais no assunto pode ser? – Pedro falou tentando encerrar a discussão “ selvagem “ no momento.

– Tudo bem, mas só 30 minutos e contados no relógio ainda por cima. – falei batendo o dedo no meu relógio.

– Ok, ok , perfeito! Agora as moças podem andar logo? – Tomás falou indo em direção a porta.

– Olha lá Diego, o nosso bebê ta apressado – Pedro falou zombando Tomás.

– É que ele quer ver logo a Carlinha – falei rindo mais.

– Vem cá, vocês dois são sempre assim? – Tomás perguntou como se não nos conhecesse a anos. Eu e Pedro nos olhamos rindo e respondemos juntos.

– Somos.

– Ok, eu vou esperar vocês lá fora, 5 minutos pras donzelas se arrumarem ok? 5! – Tomás saiu batendo a porta nos fazendo rir mais ainda.

– Moleque ta ficando folgado em? – Pedro me perguntou e eu sacudi a cabeça ainda rindo.

(Roberta narrando)

– Meninas, eu to indo. – falei descendo as escadas rapidamente indo em direção a porta.

– Ei ! Nem pensar, você não vai ficar com a gente? – Alice me perguntou me impedindo de sair. Droga! Culpada!

– Ah gente, sabe o que é.. – comecei a falar mais fui interrompida.

– Sabe o que é não. Você me prometeu, aliás, nos prometeu Roberta. – Carla falou completando a cena.

– Ah ta bom! – falei bufando – É que eu não to com a mínima vontade de ficar segurando vela. – cruzei meus braços encarando as duas.

– E quem disse que você vai segurar vela Roberta? – Alice me perguntou colocando as mãos na cintura.

– Vocês duas! Vocês estão super empolgadas, só falam nisso o tempo todo, é meninos pra lá, meninos pra cá.. e eu não to com saco pra aguentar essa melação toda. – falei revirando meus olhos.

– Roberta, mas, tem o Diego! Ele é super legal também. – Alice falou choramingando.

– Ah jura? Então porque você não pega ele para você? – sorri sarcasticamente. Aquilo estava começando a me dar nos nervos.

– Porque ele não faz o meu número tá Roberta? – Alice respondeu zangada e eu claro estava amando aquilo, eu adorava provocar ela.

– Ah é o Pedro faz.. – respondi provocando e notei ela ficar vermelha de raiva, ponto eu tinha conseguido!

– Olha aqui garota..

– Ei meninas, CHEGA! Parem com isso, AGORA! – Carla gritou brava chamando a nossa atenção.

– Ops.. – eu falei segurando a risada. Alice estava da mesma forma, mas, para o nosso bem era melhor não rir naquele momento, pelo menos pelos próximos dez segundos.

– Você tá bem Carla? – Alice perguntou deixando um risinho de canto escapar por entre os lábios.

– Eu estou ótima! Só quero que vocês em primeiro lugar parem com essa discussão toda, em segundo lugar, nós vamos sim ficar aqui e nos divertir com os meninos.. – eu a interrompi no mesmo instante.

– Mas, Carla..

– Mas nada. Você vai ficar 30 minutos Roberta, se depois disso você não quiser mais, você vai poder ir pra onde quiser ok? – Carla estava realmente disposta e determinada a não me deixar sair dali sem conhecer o tal .. como era o nome mesmo? Ah sim claro, Diego.

– Ok né, se não tem outro jeito. Mas, olha só, apenas 30 minutos e depois disso eu vou embora. – falei pondo fim a discussão.

(...)

(Roberta narrando)

Nós havíamos arrumado todo o apartamento, estava tudo em ordem como uma ótima casa tem que ser.

Eu estava sentada no sofá esperando que a Alice terminasse de arrumar o arquinho dela em frente ao espelho.

– Cinderela.. tem dois fiozinhos soltos ainda – falei debochada enquanto ela olhava pela enésima vez em frente ao espelho.

– Nossa, muito engraçado Roberta.. – Alice me mostrou a língua me fazendo rir.

Ouvi a campainha tocar no instante seguinte e Carla saiu quase pulando as escadas do apartamento.

– Gente isso tudo é ansiedade? – perguntei rindo.

– Fica quieta Roberta! – Carla falou e parou em frente a porta terminando de se ajeitar.

(Carla narrando)

Eu estava realmente ansiosa, afinal eu estava feliz de ter o Tomás por perto. Não que eu estivesse apaixonada por ele, mas, eu gostava de ter o meu amigo de volta. E era apenas isso, pelo menos eu acho que era apenas isso.

– Tomás ! – falei animada dando um abraço apertado no meu amigo.

– Carlinha! – Tomás retribuiu o abraço animado.

– Oi meninas! – ele cumprimentou as duas em seguida.

– Olá – elas responderam juntas.

– Pedro, Diego! – cumprimentei os outros dois animadamente. Bem tudo poderia estar bem, terminar bem como manda o figurino mas, assim que eu fechei a porta eu escutei algo bem estranho.

– Você.. – Diego e Roberta falaram ao mesmo tempo. Ok, aquilo era bem estranho, ainda mais vindo do Diego e da Roberta, oi? Não estava entendendo absolutamente mais nada. Para o mundo que eu quero descer por favor.

(...)