Nada além do amor
14 Finn esqueceu de mim?
Notas iniciais
Corria desesperada pelos corredores daquele hospital, não havia quem conseguisse tirar da minha cabeça que tudo havia acontecido por minha causa, se eu disse a ele por telefone agora poderíamos estar brigando ou de repente num clima de paz, mas não agora ele está ali, em uma cama de hospital, inconsciente e eu aqui sem notícias.
– Rachel pelo amor de Deus se acalma.
– Não, não tem como.
Minhas lágrimas caiam sem dó pela minha face. Eu estava desesperada, não poderia perder-lo assim.
– A culpa é minha.
– Não é, você só fez o que achava certo.
– Não, se eu dissesse no dia das nacionais ou nas regionais, ele talvez teria surtado, talvez a gente poderia ficar junto de vez, talvez a gente brigasse, mas ainda sim ele estaria aqui.
– Mas ele está. E chega desse talvez.
Já havia se passado alguns dias desde o acidente, minha vida era escola e hospital, hospital e escola, eu não sabia o que era dormir, comer, eu só chorava. Ele não apresentava melhoras, passou por algumas cirurgias e transfusões de sangue, e é claro que eu fui a doadora todas as vezes, a mãe dele não se conformava, mas não me culpava, pelo contrário ela me fez entender que foi um acidente provocado por um outro motorista imprudente, o Kurt sempre ia ao hospital e me dava uma força. Quinn nunca apareceu um dia da vida naquele quarto branco, eu ainda aí ao coral, o Sr. Schu foi muito bacana e me deu total apoio.
Era uma quinta feira gelada, assim como meu coração, não entendia como a situação podia piorar, pois é ela piora. Acordei pela manhã, me espreguicei e comecei a pensar em como seria meu dia em meio às provas e o coral, logo depois o hospital novamente, essa era a minha rotina ultimamente. Assim que me coloquei de pé fui ao banheiro fiz minha higiene e tomei meu banho, me troquei e fui até a cama de Finn, me inclinei e beijei seu rosto como todas as manhãs, assim me voltei a minha posição, Kurt entra no quarto.
– Preparada?
– Pra que?
– Teste do coral, esqueceu ?
– Mas já passaram as competições.
– Rachel, nosso coral vão pra TV lembra?
– A sim, não vou fazer o teste.
– Por que?
– Não quero mais problemas pra minha vida.
– Sabe que isso te faria bem.
Kurt é um amigo excelente, e o único que eu tenho, sem ele eu basicamente não seria nada.
– Vou pensar.
– Eu fico.
– Que?
– Tem medo de deixar-lo sozinho, eu fico não se preocupe, sei que vai passar no teste, sempre passa.
E depois de quase um mês, meu sorriso surge no meu rosto, eu fui até Kurt e o abracei. Quando estava quase na hora de ir pra escola, fui até Finn e repeti o gesto de mas cedo.
– Bom dia.
E me virei pra sair. Assim que cheguei a porta, Carole adentra o quarto e sorri pra mim.
– Quinn?
Me viro e vejo que Finn estava de olhos abertos, mas chamava por Quinn.
– Finn, meu amor é a Rachel — Diz Carole.
– Rachel?
– Sim, não lembra dela?
– Não me lembro dela não mãe.
Tá agora eu não tinha mas chão, meu mundo desabou, senti que minhas lágrimas inundaram o meu rosto de imediato.
– Se acalme Rachel, ele vai lembrar.
Eu apenas assenti e sai da sala me encostei na parede e deslizei até o chão e chorei, vi que médicos e enfermeiros adentraram o quarto, eu sentia uma dor aguda no meu coração. Quando de repente eu sinto uma mão no meu ombro.
– Ela vai lembra.
– Eu acho que não Carole.
– De um tempo pra ele.
Eu assenti e o médico dele saiu do quarto.
– Eu avisei que poderia ficar alguma sequela do acidente — Nos duas assentimos — Ele perdeu parte da memória, suponho que ele só lembre até dois anos atrás.
– Mas doutor...
– Sinto mundo Sra° Berry, mas foi como se a memória dele fosse apagada.
Olhei pra Carole que me lançou um olhar de pena, e então encontro o olhar de Kurt que também parecia triste, e foi tudo que eu me lembro ter visto.
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