Nada a dizer

4 Capítulo 4


Notas iniciais
Este capítulo é um pouquinho mais longo que os outros, yay. Culpem o meu pseudo-fantasma cibernético favorito.

Com a chegada de Jeff, a velha e sinistra mansão do grande Slenderman tinha começado a ficar muito mais... moderna, se assim se pode dizer.

Após mais uns quantos assassinatos, Jeff chegara por fim à conclusão de que, muito provavelmente, as suas vítimas não iriam mais precisar de computadores. Ou telemóveis. Ou quaisquer outros dispositivos eletrónicos. Já ele poderia precisar, nunca se sabe, pelo que resolveu levar alguns com ele. E, como seria de esperar num lugar estranho como aquele, a conexão à Internet funcionava na perfeição.

Jeff tinha, portanto, encontrado uma nova forma de entretenimento. Mas o seu companheiro não estava propriamente satisfeito.

– Hey, Slendy, podes afastar-te só um bocadinho? O computador fica maluco quando estás por perto. – e eram estas as palavras que o começavam a incomodar – Bolas, o YouTube voltou a bloquear o meu vídeo... Desta vez nem era nada de perturbador, ora.

Slendy não entendia muito bem a que é que Jeff se referia, mas definitivamente não gostava de o ver naquela situação. A única coisa que o jovem tinha feito durante toda a tarde fora olhar fixamente para o ecrã de um computador portátil. Ainda nem tinha brincado com o cão. E bem, falando no cão...

– Oh, Smile! Onde é que andaste rapaz? Chega aqui, vamos tirar-te uma foto! – exclamou Jeff, assim que viu o dito cujo aproximar-se dele com um braço humano entre os dentes e a cauda agitada – Mas... pousa isso primeiro.

O animal assim o fez, largando o membro a um canto, e o jovem prosseguiu para lhe tirar uma fotografia com o seu novo telemóvel. No entanto, o resultado não foi exatamente o que Jeff esperava. Na fotografia, claramente menos iluminada, estava um... husky. Um dos normais, com pelo e tudo isso. Mas com o mesmo sorriso demoníaco que Smile sempre levava.

– Oh, bem... tu não és muito fotogénico, pois não? – Jeff suspirou – Mas nada que um pouco de Photoshop não resolva...

Slendy, que tinha estado a observar a cena do canto da sala, cruzou os braços e preparou-se para abandonar a casa por um bocado. Não sem antes se dirigir a um certo cão que tinha voltado a brincar com o braço que trouxera.

– Smile! – o animal parou quieto assim que ouviu a voz do seu mestre – Vai comer isso lá para fora, vais encher o chão de sangue. – assim que este lhe obedeceu, Slendy dirigiu o olhar (se é que assim se pode chamar) ao rapaz – Jeff, vou sair por um bocado, não faças nada de estúpido.

– Eu nunca faço nada de estúpido.

E então o homem alto saiu, e Jeff ficou sozinho dentro de casa. Por momentos, teve uma sensação estranha, como se houvesse algo de errado ali. Mas simplesmente continuou o que estava a fazer, durante cerca de três minutos. Porque, após esse tempo, algo de inesperado levou o jovem assassino a estremecer e lançar-se impensavelmente para trás.

Alguma coisa tinha passado através do ecrã do computador.

Ou alguém, para ser mais específico.

Jeff olhou estupefacto para a figura à sua frente: Um rapaz, aparentemente bem jovem, com cabelos loiros, orelhas pontiagudas e um barrete verde, metade do seu corpo ainda dentro do ecrã. A sua pele tinha uma tonalidade cadavérica e os seus olhos eram completamente negros, apenas se distinguindo, no meio do vazio aparente de cada um, uma espécie de íris vermelha. Abaixo das pálpebras inferiores havia claros vestígios de sangue. No entanto, aquela criatura não parecia real. Jeff podia jurar que o tinha visto em algum videojogo. Mas estava demasiado confuso para se lembrar naquele momento.

– Olá! – o loiro falou por fim, num tom de voz rápido e determinado – O meu nome é BEN. Sabes, B-E-N, tudo em maiúsculas, lá no jogo não havia uma tecla de Caps Lock. Pelo menos eu acho que não. Ah, enfim, não importa. E tu quem és, bonitão?

A última palavra acordou Jeff do seu aparente estado de transe.

– ...Tu estás a atirar-te a mim?

BEN soltou uma pequena risada e fitou Jeff com um sorriso suspeito e os olhos entreabertos.

– Eu? Mas quem é que se ia atirar a um tipo com uma cara dessas?

Wow, aquilo tinha sido ofensivo. Jeff ergueu-se, cruzou os braços e olhou-o indignado.

– Podia jurar que tinhas dito que eu era bonito, ou estou enganado?

– Ah, estava a ser simpático. Mas já ouviste falar em sarcasmo? Posso pesquisar no Google por ti! – e nisto o rapaz estranho mergulhou novamente pelo ecrã, deixando aberta uma página com resultados de pesquisa.

– Eu sei fazer isso, obrigado! Agora volta aqui! – Jeff gritou indignado, mas não obteve resposta. Aproximou-se um pouco mais do ecrã, e quando menos esperava tinha a cara de BEN colada à sua. Ou quase. Se Jeff tivesse um nariz, estariam a tocar-se.

– A esta distância – o outro falou, o vermelho dos seus olhos semelhante à luz de um laser – podia beijar-te. Mas és demasiado feio.

Jeff já estava pelos cabelos com aquele miúdo. Estendeu os braços para o agarrar, mas o seu corpo simplesmente se evaporou.

– Não devias ter feito isso... – uma voz atrás de si falou – Sou muito difícil de apanhar, – começou BEN, desaparecendo subitamente de novo – mas posso apanhar-te muito facilmente.

As últimas palavras foram murmuradas aos ouvidos de Jeff, que sentia agora as mãos frias do outro no seu rosto. O mais baixo soltou-o e deu de novo uma risada, ficando de pé em frente a ele. Mas ele não estava a achar piada nenhuma.

– Fica sabendo que não és nenhuma beldade! – disse, novamente indignado – Quando te puser as mãos em cima, vais desejar nunca ter nascido!

– Isso não te vai adiantar de muito – respondeu BEN – Afinal, eu já estou morto de todas as maneiras. Mas tu não estás, pois não?...

Jeff sentiu-se subitamente perturbado com aquelas palavras. BEN olhava-o sorridente, mas ele podia jurar que havia agora muito mais sangue a escorrer sob os seus olhos. Levantou-se um silêncio estranho que só se quebrou com o ruído de passos perto da porta de entrada.

– Eu volto amanhã – BEN falou, voltando de súbito ao seu estado animado de antes – para brincar contigo!

Com isto, desapareceu novamente pelo ecrã adentro. Jeff viu Slendy entrar em casa, e decidiu que chegava de Internet por aquele dia. Fechou o portátil e correu a abraçar e beijar o outro, prestando-lhe por fim a atenção que este ansiara.

Slendy estranhou um pouco o seu comportamento, mas não valia a pena questionar.

Afinal de contas, não havia mais nada a dizer.

Notas finais
O BEN será sempre uma criança estranha e adorável. Nhé. É provável que haja algum erro aqui, qualquer coisa avisem. Quero reviews, vá lá~