Notas iniciais
Oooooii Gente, minha intenção era fazer o capítulo um pouco maior. Mas eu estava muito ansiosa para postar logo, detesto deixar as pessoas esperando. Saudações a minha leitora Ellie que deixou um comentário! Boa leitura, Bjitoss, Chatterbox.

Acordou às sete da manhã. A noite havia sido agradável. O friozinho lá fora, e uma manta quente lá dentro fizeram uma boa parceria. Aliás, toda a cabana tinha esse poder de ser extremamente confortável e acolhedora, como um abraço de avó.

Calçou suas sandálias acolchoadas e encontrou Golias na porta do quarto, quando a abriu. Estava ali provavelmente porque tinha fome e queria sua ração matutina. Angela caminhou até a cozinha e tirou a caixa de ração de um dos armários, colocando na sua tigela. Golias não perdeu tempo e foi correndo degustar seu café da manhã.

O café da manhã da humana da casa era que era o problema. A geladeira estava vazia e provavelmente aquele era o dia em que precisaria fazer as compras para a casa. Aquilo não vinha de brinde com o imóvel.

Foi até o chuveiro, tomou uma ducha quente e vestiu uma roupa qualquer. As roupas já estavam organizadas dentro das cômodas, tinha feito isso na noite anterior.

Pegou as chaves do carro e saiu da cabana, trancando Golias ali e anunciando:

— Volto já.

A manhã era bonita naquele lugar. O sol irradiava entre o topo dos pinheiros e sua luz vinha em feixes, barrada pelos galhos das árvores.

Angela pegou a estrada até a cidade e procurou um bom lugar onde servisse café da manhã. Achou que podia se dar o luxo de conhecer um lugar diferente da cidade enquanto estava por lá. Faria as compras quando terminasse.

Entrou num lugar chamado “Roasted Diner”. As poltronas substituíam as cadeiras nas mesas próximas às janelas. Haviam algumas famílias e pessoas sozinhas espalhadas pelas mesas do lugar.

Sentou-se em uma das mesas com poltronas, e deu uma breve olhada para a rua do outro lado da janela, enquanto esperava a vinda do cardápio. Uma moça jovem, cabelos tingidos de vermelho, uniforme de garçonete e mascando um chiclete veio até sua mesa.

— Bem vinda ao Roasted Diner.

Saudou, num tom caótico. Entregou-lhe o cardápio. Angela deu uma checada nos pratos, e tentou decidir o que queria para aquele café da manhã de sexta-feira.

— Ahm... Vou querer panquecas com calda de chocolate e um cappuccino.

Anunciou. A garçonete anotou tudo em seu bloquinho e deixou a mesa, indo até a cozinha.

Minutos depois, deixando o prato de panquecas e a xícara de cappuccino sobre a mesa, a garçonete comentou:

— Eu nunca te vi por aqui. Está de passagem?

Angela olhou um pouco tímida para ela e respondeu:

— Na verdade não. Aluguei uma casa aqui perto.

— Mesmo, onde?

A garçonete parecia muito confortável em fazer aquelas perguntas. Angela, que era uma capricorniana típica, nem tanto, de responde-las. Pigarreou por um instante, tentando continuar sendo educada e respondeu:

— Ao lado do lago Granger.

— A cabana do sr. Frankley?

A moça de cabelos vermelhos pontuou, interessada.

— Sim.

Angela pôs os óculos de volta ao topo do nariz e forçou um pequeno sorriso. Não era muito adepta a interações sociais. Especialmente interações tão inesperadas quanto aquela.

— Que incrível, aquela cabana é show. O que vai fazer lá?

Bebericando o cappuccino, na esperança de encerrar a conversa, ela respondeu, quando viu que não adiantaria:

— Estou procurando um lugar calmo para escrever meu livro.

Achou que ela entenderia melhor o recado.

— Jura? Mas cuidado para não enlouquecer, passar tanto tempo sozinha não é muito legal não, fofa. Se precisar de companhia só me procurar, ok? Meu nome é Kelly, a propósito. Vai me encontrar aqui sempre, sou escrava desse emprego.

Kelly riu, sendo sarcástica consigo mesma. Angela ainda estava forçando um sorriso, tentando não ser tão ruim em manter a simpatia. Não estava acostumada em contar tantas coisas sobre sua vida para uma garçonete que acabou de conhecer. Mas de todo jeito, Kelly, a garçonete falastrona não parecia ser uma má pessoa. Não devia ver muitas coisas acontecendo naquela cidadezinha do Arizona e uma forasteira calada devia ser a maior das emoções que conseguia achar naquele lugar.

— Tudo bem, obrigada.

— Não há de quê.

Finalizou a moça de cabelos vermelhos, e saiu, deixando a cliente sozinha, em fim.

Após terminado o café da manhã, Angela se dirigiu a mercearia da cidade. Precisava comprar mantimentos e mais ração de gato. Comprou spagetti, bifes congelados, salgadinhos, chocolate em pó, café, farinha de trigo, ovos e margarina para fazer bolos e algumas frutas.

De todo jeito precisaria de um lugar maior para fazer compras depois, um lugar que vendesse alguns utensílios de cozinha que estavam faltando na casa.

Levou sua cesta para o caixa e, depois de paga a conta, entrou na sua caminhonete de volta para a casa.

Chegando na cabana, olhou ao seu redor, pensando no que fazer. Golias estava estressado. Podia ver pela forma como ele andava de costas arqueadas para lá e para cá. Gatos não são adeptos a mudanças de ambiente. Se acostumam com os quatro cantos de uma casa como ninguém.

Sua dona sentia-se um tanto culpada por ter de trazê-lo, mas não teve outra escolha. Preferiu respeitar o seu espaço. No momento ele estava zangado com ela, e esquivava-se quando ela tentava acaricia-lo. Melhor não provocar, pensou.

Guardou os mantimentos na geladeira e nos armários e resolveu que iria se preocupar no seu principal objetivo naquele lugar, que era clarear as ideias, estimular a imaginação, alimentar a inspiração.

Saiu para colher galhos. Ia acender a lareira, estava frio. Uma caminhada nos arredores lhe faria bem. Afastou-se da clareira onde ficava sua cabana e seguiu no terreno arenoso até a floresta de pinheiros. Era um bom lugar para achar galhos para atiçar a lareira.

Distraiu-se com a luz opaca daquela manhã, e com os animais silvestres que rodeavam a mata. Esquilos, e eventuais guaxinins. Se viu silenciosa assobiando uma canção qualquer enquanto acumulava uma pilha de galhos nos braços quando uma movimentação próxima da entrada da casa a despertou.

Estava numa distância de aproximadamente dez metros da casa, e quando sentiu a movimentação, virou-se. Não conseguia ver quem estava lá, só tinha visão da lateral da casa, mas seu coração acelerou, pois tinha certeza de que tinha alguém lá.

Ouviu os passos silenciosos e a respiração distante. E tudo ficou quieto com um vulto.

Retomando a atitude, Angela caminhou na direção da casa:

— Hey! — alertou — quem está aí? O que quer na minha casa?

Ao chegar na porta, não viu ninguém. Esticou o pescoço para vigiar ao redor, ver se conseguia ver quem quer que fosse de longe, mas tudo que conseguiu ver foi um balançar de um arbusto no lado leste da floresta.

Poderia ser um animal, difícil dizer. Como sumiu tão rápido? Será que havia sido um esquilo?

Ainda com a pilha de gravetos embaixo do braço, voltou-se para a casa. Tentando convencer-se de que foi apenas uma impressão. Estava sozinha ali, não estava acostumada com a quietude e começava a imaginar coisas. É isso, pensou.

Num breve olhar para suas botas, foi que viu. Um envelope. Como de uma carta, não estava ali antes, sem dúvida. Era a prova de que alguém tinha estado ali. Não conhecia muito sobre animais silvestres, mas tinha quase plena certeza de que guaxinins não deixam cartas.

Teria sido apenas o carteiro? Não tinha consciência se a casa estava catalogada no correio ou não. Ficou um pouco tensa. Agachou-se e pegou o envelope, o coração palpitava fraquinho no peito, e examinou-o.

Virou o verso do envelope e leu, em caligrafia forte de caneta preta: “Para a moça da cabana”.

O que seria aquilo? Olhou de novo ao redor, com a estranha sensação de que poderia estar sendo observada. Ficou nervosa e entrou em casa, agitada, fechou a porta, ansiosa.

Jogou a pilha de galhos na lareira e sentou-se no sofá. Não sabia ao certo porque estava com tanto medo. Talvez porque até o momento não tivesse conseguido pensar numa explicação tão racional para aquilo.

Respirou fundo e começou a racionalizar o acontecido: “Deve ser uma brincadeira. Sim, alguém soube que estou aqui, talvez alguns moleques desocupados e resolveram me trollar”.

Baforou, agora tendo certeza de que era isso que tinha acontecido. Com um suspirar tedioso, abriu o envelope. Queria ver que espécie de baboseiras teriam lhe escrito.

Notas finais
Espero que tenham gostado. Pra quem não está acostumado com o gênero de suspense pode ser mais vagaroso. Comentários são bem vindos, obrigada por terem lido e até o próximo. Bjitos, Chatterbox.