Um chá preto, muito forte. Algo que corroe, que mata. Que suga a garganta.Quero algo que me traga dor. Na verdade, desconheço. Desconheço cada centímetro. Cada gemido. Não existe dor. Não existe dor que faça curar. Não existe som, não existe dia. Não existe não. Sair correndo, correndo ao contrário. Voltando pra onde? Não sei, não existe. Trancada em algum lugar que não existe. Atrás de uma dor que não existe. Uma dor que te alimenta, que pede por socorro. Eu não entendo. Não entendo como. Não sei onde. Porta aberta a cada esquina. Cada uma com sua cor, com sua essência. A essência que não existe. São tantas decepções com o vazio. Vejo vultos, vultos coloridos. Um passo em cheio. Escorrego, pontapés, risadas, lágrimas, e vento. Muito vento. Uma bolha, duas bolhas, três bolhas de sabão. Explodiam, dançavam, gritavam. Não existe saída. Não existe silêncio, não existe noite. Não existe não. Não existe nada. Nada? O que é isso?

Notas finais
Talvez um sonho, não sei.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!