Nada é por acaso
1 Capítulo 1
Era 5 de maio, aniversário do meu patrão, que além de ser dono de dois restaurantes da cidade, também era responsável por gerenciar um escritório de advocacia. O senhor Richard Stenford, não era muito chegado em surpresas, mas quem disse que ele não iria ganhar uma? Eu sou muito grato por esse cara, ele sempre me ajuda em tudo que preciso, considero ele como um pai, já que meus pais biológicos me abandonaram quando eu era criança. Acredito que uma pequena surpresa não seria o suficiente.
Fui até o mercado, que ficava na esquina da minha casa. Comprei um bolo de chocolate e uma pequena vela, pois tinha gasto uma boa parte do meu salário com a camisa que comprei para ele. Depois disso, fui até o restaurante, organizei as mesas e coloquei o bolo em um prato para que logo que ele chegasse pudesse comer. Quando meu patrão entrou no restaurante, abriu um sorriso e logo veio me abraçar com a clássica fala ´´Não precisava se incomodar rapaz!´´, apagou a vela e logo depois que lhe entreguei o presente, nos sentamos na frente do restaurante para comer o bolo.
No dia seguinte, tive que ir trabalhar mais cedo, pois era meu dia de abrir o restaurante. Nós somos divididos em quatro garçons e cada um tem seu dia de ser responsável por abrir e fechar as portas. No fim do meu expediente, passei no mercado e comprei uma cerveja. Não sou muito de beber, mas pelo menos uma vez ao mês eu me dou este direito. Fui para casa, cansado, pois foi um dia muito movimentado no restaurante, mas nada melhor do que ser recebido pelo meu melhor amigo Bob, esse cão é demais! Mora comigo há 6 anos, eu amo muito ele e nunca deixo de lhe trazer um agrado. Assisti um pouco do meu programa de televisão favorito e acabei pegando no sono. No dia seguinte, acordei assustado porque achei que estava atrasado para o trabalho, mas lembrei que era meu dia de folga e então fui até a praia, assistir o treino do time de vôlei das meninas. Chegando lá, logo encontrei dois bancos vazios perto da quadra, então sentei e fiquei assistindo até o final do jogo. Confesso que as meninas são muito bonitas, principalmente a Jade, que é a melhor jogadora do time, mas é claro que tenho maior respeito e admiração por elas, pois acompanhei toda a história do time.
No final do treino, vi que a Jade não estava conseguindo carregar suas sacolas, então fui correndo ajuda-la, levei as sacolas para ela até o carro e ela me agradeceu com um lindo sorriso e logo ressaltou que eu estava mais concentrado no jogo do que o normal. Não sabia o que responder, estava com muita vergonha, afinal, não consegui disfarçar o meu interesse por ela. Então respondi que sim, que estava muito interessado no jogo e que ela jogou muito bem, como sempre. Jade me convidou para assistir os últimos dois treinos do time antes do campeonato, mas logo lembrei que tinha que trabalhar e falei que não poderia ir, mas que com certeza iria torcer por elas. Ela lamentou por eu não poder ir e me agradeceu por sempre estar a disposição para ajuda-las, além de ter me convidado para jantar antes que elas viajassem para disputar o campeonato, eu logo aceitei! Afinal, não é todo dia que você recebe o convite para jantar com a garota mais bonita do time de vôlei da cidade.
Haviam se passado duas semanas que meu patrão não aparecia no trabalho, eu estava bem preocupado, pois ele nunca falta, somente por razões médicas e sempre que ele precisa faltar ele me avisa com antecedência. Resolvi ligar para os outros dois lugares onde ele trabalha e ninguém sabia o motivo, até que em um sábado pela manhã, depois de três semanas sem ver Richard, havia chegado um recado na minha caixa postal um pedido para que eu comparecesse ao hospital que ficava na cidade do lado, já que a minha cidade não oferecia recursos médicos. Neste mesmo momento, Jade me ligou cancelando o jantar, disse que era assunto familiar e logo me veio a impressão de que ela tinha perdido o interesse por mim ou que talvez fosse chato sair com um cara igual a eu. Fui até o hospital e la, apresentei a carta que haviam me mandado; o Dr. Jackson me olhou fixamente nos olhos com um tom desesperador, e logo me deu um abraço. Fiquei um pouco nervoso, pois não sabia do que se tratava e eu nunca tinha passado por isso em toda minha vida. Dr. Jackson me levou até uma pequena salinha no fim do corredor, e sentou-se na minha frente; logo em seguida sua mão encostou meu ombro, e então ele perguntou se eu estava bem, respondi que sim, mas que ele estava fazendo com que eu ficasse nervoso. Minhas mãos suavam e junto, uma sensação de que tudo estava se desmoronando. Em 5 minutos havia chorado ´´uma tonelada´´, isso nunca tinha acontecido comigo antes. Abracei o Dr. E o agradeci por ter sido tão generoso comigo, mesmo que a noticia tenha sido a pior de todas.
Richard foi um pai pra mim e eu o amei imensamente. Um cara de grande coração, prestes a ajudar a todos, além de ter sido um grande professor, acredito que pra muita gente. O Dr. Disse que Richard o procurou por que estava sentindo muitas dores no peito e que não era para entrar em contato conosco até que ele ficasse bem. Ele ficou duas semanas no hospital, sem ao menos ter me ligado ou ter deixado alguma noticia, eu estava preocupado.
No dia seguinte recebi uma carta avisando onde seria o enterro e o horário. Fui tomar um banho, coloquei a camisa que ele me deu no meu aniversario e uma calça preta, calcei o primeiro sapato que encontrei e então fui até lá. Eu não posso acreditar, ele era uma pessoa tão boa, eu não entendo, Richard nunca havia se queixado de dores no peito por que diabos ele teria isso agora? Um turbilhão de perguntas e respostas vinham na minha mente, se acumulando cada vez mais, fazendo com que eu ficasse com raiva de mim mesmo.
Quando cheguei, logo vi meus colegas de trabalho e dezenas de homens com terno e gravata, provavelmente estes são os amigos empresários dele. Do outro lado, mergulhada em lagrimas vi uma mulher que aparentava ter uns 50 anos, pode ser que seja a irmã de Richard. Eu não conheço a família dele. Vi o Dr. Jackson sentado ao lado de sua esposa nos bancos, logo a frente vi Maria, a cliente preferida de Richard e lá no fundo tinha uma garota, com a cabeça apoiada em uma pequena mesa, ela me parecia familiar, conhecia aqueles cabelos loiros, parecia muito com a Jade. Fui ate ela e pedi se estava tudo bem, em seguida ela levantou e logo deu um sorriso que se misturava com as lagrimas do seu rosto, era a Jade. Eu a abracei muito forte e ela com a voz baixinha me perguntou o que eu estava fazendo ali. Eu logo disse a ela que Richard era meu chefe. Ela não acreditou. E quando fiz a mesma pergunta para ela, me surpreendi. Ela era filha de Richard e este tempo todo eu não sabia disso.
Quando todo mundo foi embora, perguntei a Jade se ela não queria que eu a levasse até em casa, ela disse que sim, mas que antes queria ir até o restaurante. Chegando lá, nos sentamos nas mesas e ela me contou a história de como tudo começou. Depois disso ela sentou-se do meu lado e deitou a cabeça no meu ombro com um ar de tristeza e saudade. Falou sobre seu pai e o quanto o admirava por ter sido um homem tão gentil, comecei a chorar junto com ela, mesmo eu sabendo que isso não iria ajuda-la, não conseguia conter. Limpei meu rosto e me levantei ao mesmo tempo em que segurava o braço dela puxando-a para que levanta-se também. Liguei meu velho celular e coloquei minha musica preferida, puxei-a para perto de mim e convidei ela para dançar, ela aceitou; dançamos por algum tempo até que ela parou e começou a me olhar fixamente nos olhos e me agradeceu pelo que eu estava fazendo por ela. Nos beijamos.
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