Na terra e no mar
1 Casebre de madeira
Notas iniciais
As velas se apagam com o vento forte e eu sei que é hora de voltar para o mar, ele está violento hoje, mas sei que quando eu entrar em sua água gelada e salgada tudo ficara bem. Fecho meus olhos, já que não posso ver mais nada dentro do casebre feito de madeira, permaneço sentada a uma velha cadeira feita de madeira, ainda espero por ele. Os sábados a noite é o nosso encontro, nosso momento único a sós, mas ele está atrasado. Começo a ficar ansiosa e bato o meu pé descalço freneticamente na madeira, meu tempo está se esgotando por hoje. Meu cabelo antes molhado pela água salgada está secando e enrolando ressecadamente.
—Kai! — Ouço Felipe gritar de longe, corro para abrir a porta do casebre e o vejo correndo com uma camisa branca, calça jeans dobrada até a metade da panturrilha e os tênis na mão, apenas fico parada esperando ele chegar até mim, sei que estou sorrindo, abro meus braços e me preparo para sentir seu peso e seu forte abraço. — Desculpe pelo atraso Kai!
Ainda estamos abraçados fortemente, é o melhor abraço que já recebi em toda minha vida, nos afastamos um pouco só para poder nos beijar, é calmo e aconchegante beija-lo, é como ficar no mar quando a água está morna.
—Tenho que ir, o meu tempo. — Sussurro entre o nosso beijo calmo, e sei que seus olhos estão marejados por culpa e por passar pouco tempo comigo, olho em seus olhos azuis cheio de lágrimas e passo o dedo em sua bochecha rosada. — Vem.
De mãos dadas vamos juntos até a beira do mar, nos abraçamos pela última vez aquele dia.
—Eu te amo!
—Eu te amo! — E damos nosso último beijo do dia. Tiro meu vestido e entrego para ele, ficando completamente nua para voltar ao mar.
Entro no mar já sentindo minha pele pinicar, as escamas já estão saindo, olho para trás pela última vez e aceno para ele e sou retribuída de volta, corro para a parte funda e mergulho, minhas pernas pinicam e já posso sentir as escamas saindo de dentro da minha pele, continuo nadando devagar até minha cauda sair completamente.
Depois de tempos nadando consigo chegar ao encontro de Aiana, mas ela não está aqui.
"Aiana" – À chamo telepaticamente e sinto uma força me empurrando para frente, ouço sua risada em minha mente e finalmente encontro a minha melhor amiga.- "Vamos embora logo, antes deem por minha falta".
"Eles já deram por sua falta a muito tempo, por acaso não sentiu o vento".
"Você subiu na superfície?"
"Coloquei a cabeça um pouco para fora, não foi nada demais, agora me conte, como foi?"
"Ele atrasou então não deu para fazer muita coisa, nem conversamos." – Tentei disfarçar minha dor, a dor de não ter o convencido a voltar.
"Talvez ele tenha atrasado de proposito para você não pedir aquela coisa a ele."
"Ele não faria isso, eu sei que não!"
"Aquele idiota! Ele realmente não faria isso com você... Mas Kai." – Aiana nadou até ficar de frente para mim, colocou suas mãos em meus ombros azulados e eu fiquei olhando seu cabelo castanho flutuar acima de sua cabeça, eu não tinha coragem de olhar em seus olhos no momento, pois eu sabia o que ela iria dizer.
"Ele tem que parar e você também tem que parar, você sabe disso, as coisas podem começar dar errado." – Eu não olhei para seu rosto, mas pude sentir o quão preocupada ela estava.
"Eu sei." – Transmite esse pensamento numa intensidade fraca, mas ela entendeu.
"É só que, nós nos amamos a muito tempo e eu não consigo suportar ficar longe dele!"
"Desde quando nos conhecemos você ama ele, até antes de nos conhecermos."
"É." – Eu queria chorar, mas no oceano é impossível, então eu fiz a unica coisa que deveria fazer agora. – "Aiana vamos voltar para casa"
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