Notas iniciais
Bubu, chegou ao fim, nem estou acreditando. Foi tão pequena D: mas eu adorei escrever e espero que vocês também tenham gostado de ler.

Acordei assustado tateando o chão em busca do celular. Quando a luz do cristal acendeu, o relógio digital indicou 4:12 a.m. Permaneci sentado tentando assimilar o ambiente. Podia sentir o chão frio tocando minhas nádegas. Toquei meu próprio corpo e uma onde de confusão me invadiu. Meu corpo estava nu, a não ser pelo único pedaço de pano que me cobria, uma cueca box. Me senti tonto e tive a impressão que o ambiente escuro começou a girar, como naqueles brinquedos de parques de diversão. De repente tudo ficou claro em minha mente e senti como se a realidade esmagasse meu crânio com suas mãos. Meu coração disparara. Não pode ser!

Tateei o chão ao meu redor e senti um corpo deitado ao meu lado, seu peito estava nu e urente.

Isso não podia estar acontecendo. Eu devia estar sonhando, sim era isso, um sonho. Mas por que eu não conseguia acordar?

Levantei assustado chutando algo no chão. Abaixei-me para pegar. Minhas roupas. Ainda bem, pensei. Vesti a calça jeans com dificuldade...

"– Eu... eu te amo, sempre te amei – a voz de Kairo soou próxima a mim em um tom que expressava profundos sentimentos. Ele parecia estar sendo sincero. Uma lagrima escorreu de seu olho direito e eu a limpei com o polegar. Eu permanecia em silencio, fitando-o. Ele abaixou a cabeça e em seguida me abraçou forte. Tão forte que podia sentir seu coração batendo dentro de mim. Retribui o gesto acariciando suas costas com as pontas dos dedos, e descendo até a barra de sua camiseta comecei a erguê-la devagar."

Fui puxado para a realidade de uma forma dura. Um flesh daquela noite acabara de me assombrar, mas por mais que eu tentasse não conseguia me lembrar do que acontecera em seguida.

Saí tateando a escuridão até encontrar uma parede a minha esquerda. Segui-a lateralmente escorregando meus dedos por ela.

Eu havia caminhado cerca de dois metros quando senti meus dedos dos pés tocarem em algo sólido a minha frente. Levei a mão na direção e percebi que ali havia outra parede, perpendicular àquela que me guiava, e notei também, que meu rosto estava a menos de cinco centímetros dela. Agradeci por não ter dado de cara. Minha dor psicológica já era grande demais e tudo o que eu menos queria era uma dor física para completar minha desgraça. Logo em seguida senti um pontada em meu abdômen. Ótimo. Me esforcei para ignorar aquele incômodo.

Senti a parede mudar. Antes lisa agora cheia de imperfeições e com uma textura diferente, parecia madeira. A porta. Escorreguei minha mão até encontrar a maçaneta e puxei, mas ela não se moveu. Ótimo estava trancada. Ouvi o barulho do corpo que eu havia deixado para trás se mover. Kairo acordara. Droga, eu precisava sair dali. Tateei minha calça e senti algo dentro do bolso direito da frente. Busquei pelo objeto e senti o metal gelado tocar minha pele, era a chave.

Tive dificuldade em colocá-la na fechadura devido a escuridão cegante. Ouvia os passos de Kairo cada vez mais próximos. Eu estava entrando em desespero.

Consegui.

Girei a chave na fechadura e puxei a porta. Uma lufada de ar frio se chocou contra meu peito nu.

– Onde está indo? – a voz familiar soou bem atrás de mim.

Em um impulso de desespero corri me perdendo na escuridão.

"Sua boca percorria meu pescoço carinhosamente. Beijos, lambidas, mordidas. Minha pele arrepiava. Nossos lábios se encontraram e eu senti sua língua quente tocando a minha. Seus lábios eram macios e sua saliva tinha um sabor bom.

"Suas mãos escorregaram pelo meu peito e tiraram minha camisa. Sua boca que antes estava na minha agora descia pelo meu corpo e eu já não conseguia mais manter minha respiração compassada. Como se eu já tivesse conseguido em alguma outra ocasião. Senti seus dedos descendo pelo meu abdômen e encontrar o botão da minha calça. Desabotoara. Mordi o lábio inferior e puxei-o para cima de mim.

"Eu o beijava da forma mais intensa e prazerosa que já havia feito. O contorno de sua boca encaixava-se perfeitamente ao contorno da minha, e seu corpo me aquecia de uma forma que sentia todas as minhas moléculas fora de controle.

"Fomos obrigados a nos separar pois já não conseguíamos mais respirar. Ele sorria. Nossa respiração ofegante pulsava em um único ritmo, e nossos corações, bom, eu poderia dizer que eu já não conseguia distingui-los. Ele mordeu meu lábio de uma forma sexy. Sua mão descia pelo meu peito até invadir minha calça. Sussurrei seu nome e então fechei os olhos me entregando inteiramente àquele momento e deixando a sensação de prazer invadir cada parte de mim."

Eu estava correndo na noite. Não sabia como havia pulado o muro da escola muito menos por quanto tempo aquela lembrança roubara meus sentidos.

Parei.

O carro. Onde eu o deixara? Olhei para trás e vi que Kairo corria em minha direção, gritando algo que eu não conseguia identificar o que era. Eu não queria me encontrar com ele. Eu só queria fugir... pra sempre.

Eu já não tinha mais nenhum senso de direção ou espaço, e ao ouvir a voz de Kairo próxima a mim corri... mais uma vez.

Subitamente uma luz aparecera em minha frente e um choque muito forte me fizera voar. Milésimos de segundos depois senti um segundo choque, e dessa vez eu já estava no asfalto. Minha visão ficou turva. Vi de relance um carro vermelho parado em minha frente. Uma dor insuportável invadiu meu corpo e uma escuridão começou a me sugar. A última coisa que ouvi foi a voz familiar e nada confortante de Kairo.

***

Acordei num pulo me sentando involuntariamente na cama. Eu não conseguia respirar e sentia uma dormência em meu corpo como se meu coração tivesse parado de funcionar. Me levantei ainda tonto apoiando-me na parede. Peguei o celular em cima da cômoda. Olhei a hora. Ainda tinha de sobra quarenta e cinco minutos antes de a aula começar.

Fui para o banho cambaleando. Aquele fora o sonho mais sinistro e real que eu já tivera.

Depois de me vestir e pegar minha mochila, ouvi a porta do quarto dos meus pais se abrirem. Mamãe saiu ainda de camisola e veio ao meu encontro.

– Bom dia Toshi.

– Bom dia, mãe e lhe beijei na testa.

Peguei as chaves do carro no armário da cozinha e caminhei em direção a porta.

Não vai tomar café? mamãe perguntou.

Não quero chegar atrasado no primeiro dia de aula. Não conheço a escola nova.

Ela sorriu e jogou uma maçã para mim. Peguei e retribui o sorriso. Abri a porta do Fiat e entrei. Aquele sonho insistia em voltar e me consumir a cada segundo. Encostei a cabeça no volante tentando me concentrar. Hoje seria meu primeiro dia na escola nova e eu não queria parecer uma criança autista. Olhei no espelho retrovisor em minha frente arrumando alguns fios de cabelo. Eles pareciam mais claros do que eu me lembrava. Então dei partida e saí.

***

Não tive dificuldade em encontrar minha sala. Entrei e me dirigi às últimas carteiras da fileira da janela. Sentei tirando meu material e colocando sobre a mesa. Guardei os fones de ouvido no estojo.

Um menino adentrou a sala e se sentou na cadeira frente a minha. Ele estava todo de preto, óculos escuros e cabelo bagunçado. Percebendo minha presença virou-se para mim e sorriu. Aquele sorriso me deu um arrepio na espinha e um déjà vu rápido porém intenso me invadiu. Ele tirou o óculos, estendeu a mão direita em minha direção e falou finalmente – Prazer, me chamo Kairo. Qual é o seu nome?

Notas finais
Eai gostaram? Quero que me digam o que acharam da história. Críticas e elogios são bem-vindos. Eu amei escrever isso. Minha imaginação voou, principalmente nesse ultimo capítulo. Eu estava louca pra escrever a parte que ele acordava e percebia que tudo era um sonho e mais ansiosa ainda para escrever esse último parágrafo. Deixem um comentário, certo? E se quiserem conferir tenho duas outras fics oneshots yuri/orange e yaoi/lemon +18 ^-^ Até a próxima e obrigada por lerem.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!