Já passava das sete da noite e eu estava jogado no chão do meu quarto. Meus pais não estavam em casa e eu não sabia o motivo. Era como se eu não lembrasse nada da minha vida antes de hoje, apenas de Kallen e do... Kairo.

Me levantei e senti uma dor latejante em meu abdômen. Eu sabia que era devido aos golpes da briga logo pela manhã. Enfaixei meu próprio corpo com um pouco de dificuldade e me dirigi até a cozinha buscando uma bolsa de gelo para por sobre meu olho com um hematoma que assumia a cor violeta. Voltei para meu quarto dessa vez me deitando na cama. Coloquei os fones de ouvido, Paranoid – Black Sabbath tocava no volume 7 e depositei a bolsa de gelo sobre meu olho esquerdo. Eu não sabia se aquilo era uma forma de relaxar ou de me sentir mais intenso para a “luta” que teria hoje a noite.

Despertei de um devaneio em que minha mente voara para longe, para perto de... Kairo? NÃO!

Depositei a bolsa de gelo junto com os fones de ouvido na cômoda ao lado da cama e por fim me levantei. Vesti uma camisa de mangas longas erguendo-as até a altura do cotovelo. Coloquei meu boné de baseball azul-marinho. Peguei o primeiro calçado que vi pela frente, um coturno Doc Martens, e o calcei colocando por cima da calça. Por fim, coloquei meu Kimono dentro de uma mochila e sai pegando o celular e as chaves do Fiat Uno que ganhara de presente no meu último aniversário.

***

A escola estava escura e tive que pular o muro para que pudesse entrar. Não era a primeira vez que fazia aquilo, mas isso não significava que eu saia pulando muros por aí em noites mal iluminadas.

A sala de Kendo era na parte externa da escola, me sentia aliviado por não precisar arrombar nada, já que como líder possuía as chaves. Abri a sala, acendi as luzes e tranquei a porta atrás de mim. Antes que eu pudesse me trocar, ouvi três batidas e abri com cuidado, enquanto via Kairo adentrar e se colocar de frente para mim. Ele estava todo de preto e seu cabelo também preto bagunçado propositalmente, constrastava com sua pele clara.

Fuzilei-o com o olhar numa ação desafiadora. Ele soltou um sorriso debochado. Sem proferir nenhuma palavra me dirigi aos armários na parte sul da sala pegando um Kimono e jogando para ele que ao pegar o tecido em suas mão soltou uma gargalhada descontraída.

– Não vamos precisar dissodisse jogando o Kimono no chão e caminhando em minha direção.

Antes que eu tivesse tempo ao menos de retrucar ele já estava bem em minha frente e notei que o canto direito de seus lábios se erguia em um sorriso que não pude distinguir do que era. Tentei contorná-lo pelo seu lado direito mas ele me puxara pelo braço e me empurrara contra a parede. Seu corpo já estava colado no meu.

– O que teremos aqui hoje vai além de disputas, brigas e violência falou aproximando os lábios da minha orelha.

– O que? Você está louco! falei assustado enquanto tentava escapar de seus toques.

Ele me imobilizara. Agora não tinha mais jeito, eu sabia a diferença de nossas forças físicas e eu seria obrigado a ficar ali, a mercê de suas vontades.

– Me solta... Agora! exigi em um tom irritado.

Ele soltou um suspiro seguido de uma breve gargalhada e novamente aproximando os lábios de minha orelha e sussurrou – Por que você não tenta se soltar sozinho?

A verdade é que eu não queria me soltar, de alguma forma, ali, em seus braços eu me sentia aconchegado, seu corpo unido ao meu como se fossemos um só me passava uma sensação de poder e força. Lutei contra esses pensamentos. Eu estava fora de mim. Como poderia permitir que algo assim acontecesse?! Usei toda a minha força para me soltar e empurrar Kairo que cambaleou dando um passo para trás. Tempo suficiente para que eu escapasse. Dei alguns passos em direção ao centro da sala na intenção de manter a distancia entre nós.

– Vamos ao que realmente viemos fazer – Abaixei para pegar o Kimono que ele deixara no chão minutos mais cedo, e antes que eu tivesse tempo de me levantar ele já estava sobre mim novamente me imobilizando.

***

Eu estava deitado de costas no chão frio da sala de Kendo. Kairo estava sentado sobre meu quadril. Suas mãos apertavam meu ombro contra o piso usando a força suficiente para que eu não me soltasse. Lutei para escapar, mas sabia que tudo aquilo era em vão.

O que estava acontecendo ali? Eu não tinha uma explicação lógica pra nada o que acontecera desde que eu acordara pela manhã.

Percebendo que eu não resistiria mais, tirou suas mãos de meu ombro, devagar, atento a cada movimento meu. Ainda sentado em meu quadril, ele soltou um sorriso largo enquanto me fitava, pressionou dois dedos no meu peito esquerdo que subia e descia violentamente devido a minha respiração ofegante Touché disseacho que venci.

Eu queria rir e falar pra ele que não se usava "touché" no Kendo, mas ele se debruçou sobre mim segurando meu queixo de forma carinhosa e então colou seus lábios nos meus.

Notas finais
E novamente capítulo pequeno, porém dessa vez não muito (WHAT). Acho que deu pra matar um pouco a sede de uma ceninha yaoi. Deixem comentários ^^