Na estrada com Sunny
3 Restaurante, brigas e mais viajantes
Sunny continuava seguindo para Loguetown, mas dessa vez os passageiros estavam a procura de algum restaurante de estrada ou outro posto de abastecimento. Os três sentiam muita fome e até dava para ouvir o ronco de suas barrigas. Robin estava constrangida com os ruídos que saiam dela também.
— Olha, pessoal! — Exclamou Franky no volante. — Um restaurante!!!
— Viva!! — Comemorou Brook. — Eu pensei que iria morrer de fome, mas ainda bem que estou vivo para degustar mais uma vez um prato delicioso.
Robin deu um suspiro seguido por um sorriso, estava igualmente aliviada.
Franky saiu do carro estacionado e levantou seus óculos de sol para observar a fachada do restaurante. Ele achou estranho o imenso peixe esculpido em cima do estabelecimento chamado Baratie.
— Será que só tem comidas voltadas aos frutos do mar? — Brook comentou assim que ficou ao lado do azulado.
— Desde que tenha cola, pra mim tudo bem.
— Eu gostaria de um café. — Robin também parou próxima dos outros dois até resolverem entrar logo naquele restaurante esquisito.
Assim que entraram, sentiram cheiro de churrasco e tiraram suas dúvidas do que aquele restaurante poderia servir. Sentaram-se numa mesa de madeira com dois bancos retangulares e perto da vitrine. Robin ficou sozinha em um, Franky na sua frente e Brook ao lado dele. O restaurante estava relativamente cheio, a maioria dos fregueses eram caminhoneiros com aquelas camisas vermelhas em xadrez que o azulado achava de muito mau gosto. Mal sabia ele que a estampa havaiana também não era lá muito bonita de se ver. Franky pegou o cardápio e viu escrito na capa:
"Esse restaurante tem como objetivo alimentar com muito esmero os viajantes de todo o East Blue."
— Bom, parece que a comida aqui é boa. — Brook disse enquanto fungava o nariz. — Ainda bem que tenho nariz para sentir esse cheiro maravilhoso!
— É verdade, o cheiro é muito bom. — Concordou Robin.
Depois de combinarem o que iriam consumir, Franky chamou por um garçom. Um rapaz loiro e com uma sobrancelha estranha foi logo atendê-los. Porém, ele se inclinou para o lado de Robin e beijou bem na sua mão.
— Oh! Como posso servir minha Lady? Talvez queira algo mais sofisticado que essa comida calórica feita para esses brutamontes usando a mesma estampa de camisa? Algo sofisticado e acompanhado por um vinho? — Beijou a mão da morena mais uma vez.
A garota piscou os olhos confusa e de alguma forma o azulado sentiu ciúme.
— Ei! — Franky chamou a atenção do garçom que se revelou ser tarado. — Fui eu que te chamei, então é comigo que tem que se dirigir!
O rapaz encarou Franky com os olhos cansados e tirou uma caneta e um bloquinho do bolso da calça. — Ok. O que vai querer, seu merda?
Brook trincou os dentes em desespero, definitivamente iria começar mais uma briga envolvendo seu amigo. Por isso o segurou, mas não conseguiu. Franky já havia dado um murro naquele garçom que respondeu com um chute muito forte. A briga foi feia, era primeira vez que o topetudo lutava com alguém tão forte e por isso acabou numa cama com ataduras no corpo todo. Brook e Robin estavam ao lado da cama observando o azulado.
— Agora teremos que esperar você sarar para voltarmos pra estrada. — Lamentou o mais magro.
— Desculpa, pessoal. — Franky começou a chorar. — Não sabia que ele seria tão forte! E mesmo eu ter-lhe atacado primeiro, o sobrancelhudo me deu comida e agora deito na sua cama!!! Que rapaz super bondoso!!! Que super emoção!!!
Robin olhou para Brook que entendeu o que ela queria dizer. Concordou num aceno e abraçou o azulado mais uma vez. — Vai ficar tudo bem, Franky.
— Não é porque sou bondoso. — O garçom entrou no quarto com uma bandeja. — É só ordens do meu superior tratar bem a clientela. Ele já foi um viajante e sabe muito bem como é difícil. Trouxe lanches pra vocês. — Pousou a bandeja numa mesa redonda e rústica. Ainda usava o terno, mas agora acompanhado de um cigarro aceso na boca. Suas mãos livres foram para dentro dos bolsos da calça. — Meu nome é Sanji.
— Brook.
— Robin.
— Franky... — Disse enxugando algumas lágrimas que ainda restavam do choro.
O garçom foi até a janela e ficou sobre o parapeito. Expirou a fumaça do tabaco e olhava para a estrada que fazia parte da vista de seu quarto. O segundo andar do restaurante parecia ser uma casa em que ele tinha um quarto. — Será que vocês poderiam me dar uma carona até a próxima cidade?
— Em All Blue? — Robin perguntou.
— Sim.
Brook e Robin olharam para Franky a fim de saberem o que responder.
— Claro, mas o que quer fazer lá?
— Preciso trazer o velhote de merda de volta.
— "Velhote de merda"?
— O chef desse restaurante e dono desse estabelecimento. — Explicou melhor o rapaz. — Está no hospital por conta de um problema no joelho.
Franky deu um sorriso. — Okay, ainda cabe mais um no Sunny e All Blue é logo ali. — Fez uma pausa para refletir. — Me perdoe por mais cedo... — Dizia com culpa, até ver o pirralho chavecando Robin novamente — Ei! Você está me ouvindo?! Tsc, acho que preciso ainda dar mais algumas porradas nele.
Brook ouviu o último comentário do azulado e riu.
No outro dia Franky já estava disposto e Robin ficou chocada com sua recuperação rápida. Tudo graças a caixa de cola que bebeu. Portanto, os quatros já estavam indo pro Sunny quando viram um rapaz de cabelos esverdeados dormindo recostado bem num dos pneus traseiros do kadett.
— Quem será ele? — Brook perguntou confuso.
Franky ouviu o amigo e se aproximou mais perto daquele rapaz que dormia profundamente. Levou suas mãos aos ombros dele e chacoalhou até ele abrir seus olhos. O azulado sorriu. — Bom dia!!!
O garoto parecia estar confuso, não reconheceu de imediato onde estava. Mas depois de alguns segundos, lembrou que um caminhoneiro o levara até aquele restaurante e que dali ele procuraria outra pessoa para levá-lo a All Blue. Levantou-se e coçou o rosto.
— Tudo bem? — Franky perguntou.
— Vocês estão indo para All Blue? Será que posso pegar carona? — O esverdeado ainda coçava os olhos.
Franky coçou a nuca e depois cruzou os braços, observou o rapaz com mais atenção. — Você é muito jovem pra andar por aí. Sabe, existem pessoas super perigosas pelo mundo.
O rapaz revirou os olhos. — E você é muito jovem pra falar que nem um tiozão.
Mais uma vez Brook segurou seu amigo briguento, mas Franky não reagiu.
— Okay, pode vir conosco. Já tô levando duas crianças mesmo. — Apontou para Robin e Sanji que os observavam em silêncio.
Cada um entrou no carro. Franky estaria no carona pois ainda estava se recuperando da briga que tivera com Sanji. Brook tinha o volante em mãos e ligou a ignição. No banco do passageiro, Robin se sentava ao lado da janela direita enquanto o esverdeado na esquerda. Sanji se sentava no meio.
Brook estava manobrando Sunny quando Franky se virou para trás. — Olha aqui! Não vai mexer na Robin, senão te mato! — Avisou para Sanji.
— Ei, por que está falando isso só para mim?! E quanto a esse marimo?
De repente o esverdeado, que estava quase dormindo novamente, piscou os olhos enfurecido com o apelido que havia acabado de ganhar. — Meu nome é Zoro!
— Não tenho culpa se você não se apresentou antes para te chamar pelo nome! — O garçom retrucou no mesmo tom bravo.
— E daí?! Você também não me disse seu nome, sobrancelha enrolada!!
— Quê?!
Os dois começaram a discutir e Franky tinha uma gota de suor numa têmpora enquanto rangia os dentes.
— Brook, me lembre de não deixar mais ninguém entrar nesse carro.
— Yohohoho! Se precisar relaxar, posso te servir o meu super chá na minha garrafa térmica.
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