Na Trilha Da Esperança
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Notas iniciais
Não me matem, me espanquem nem nada assim por eu ter demorado a postar, é que gente...
Ta bem, eu não tenho uma desculpa. Mas então, aqui vai a Aria linda pra vocês:
Acordo com a impressão de que o tempo de hoje está me provocando. Mas tempo não provoca, ou provoca. E se provoca o está fazendo isso corretíssimo, porque o sol brilhando lá fora me da um sorriso irônico e o céu azul me chama pra brincar. Só que estou negando a todas as ofertas, a não ser que elas tenham a ver com ficar na cama o dia inteiro e adormecer pra nunca mais acordar.
-Bom dia flor de chocolate – diz Olive, que está acabando de sair do banheiro. Ela percebe a minha cara de “confusa e sonolenta”. –, ok, não me julgue, por favor, me desculpe se te ofendi ou alguma coisa, mas não sou muito boa com apelidos...
Ela me olha como se estivesse esperando um julgamento.
Eu rio ainda sonolenta.
-Olive, você é a pessoa mais boba, engraçada, amorosa e fofa que eu já conheci.
Ela sorri.
-Tudo bem, agora a mãe da pessoa mais boba, engraçada, amorosa e fofa que você já conheceu está te convocando para tomar café.
-Diz pra ela que já vou.
E assim Olive caminha para fora do quarto, deixando-me sozinha com meus sentimentos, os sentimentos de ontem que também são de hoje. Sentimentos esses que me deixaram completamente confusa.
Veja bem, se uma pessoa te odiasse de primeira vista, nem te conhecesse e te julgasse, você ficaria chateado obviamente, possivelmente até com raiva... Mas, e se essa pessoa depois te admitisse que fosse ignorante e que estava errada. Essa pessoa se chama Christopher Hale, e está mexendo com os meus sentimentos mais do que um dia eu imaginaria.
***
Dou um grande gole no chocolate quente, deixando que ele me invada e esquente todo o meu corpo, por dentro e por fora, fazendo-me sentir bem e por apenas um momento esquecer-me de toda a confusão que está tomando minha mente, meu coração e talvez até meu estomago. Respiro fundo o cheiro do chocolate e olho atentamente os dois marshmallows boiando como duas boias em uma piscina.
Eis um fato sobre a minha pessoa: a maioria das pessoas não tem essa mania, mania de reparar nos mínimos detalhes, percebendo as mais finas linhas que a vida compõe e sempre deixando escapar alguma coisa. Afinal, a vida não espera pela gente e não sabemos o quanto ela irá durar, a morte pode bater a sua porta a qualquer instante, por isso devemos aproveitar cada segundo que nos resta.
Christopher chega à cozinha, sonolento, esfregando os olhos e bocejando, mas já vestido.
-Bom dia princesa – diz Olive em tom de gozação.
Ele lança um olhar mortal para ela.
-Há há há, palhaça.
Olive mostra a língua e faz fusquinha. Eu apenas fico concentrada no meu chocolate quente, sufocando uma pequena vontade de rir, até ele acabar.
Como dois pãezinhos de queijo e já estou satisfeita, o fato de meu estomago ser pequeno demais as vezes me deixa um pouco chateada – besteira, é claro – mas às vezes você vê tudo aquilo a sua frente, querendo comer um pouco mais, mas já está completamente cheia e com mais alguma coisa você explodiria.
-Aria, estava dizendo agora para Olive, vocês duas deveriam ir ao shopping hoje, você precisa hã renovar seu guarda-roupa – diz Maya que estava em silencio. Sei que a palavra que ela realmente deveria e talvez queria usar não era renovar, mas sim fazer, porque meu guarda-roupa contem nada mais do que uma peça de roupa que nem está lá no momento, mas sim deve estar sendo lavada.
Estou usando uma roupa de Olive, por falta de roupas que sejam minhas: uma camiseta branca com os dizeres “I love cats”; um colete preto, calça jeans azul e uma sapatilha preta. Meu cabelo está trançado de lado e com um laço de flor rosa na ponta.
-Só uma peça de roupa e eu poderia me virar com duas... – digo humildemente. – não precisa gastar dinheiro comigo Ma... Quer dizer, Sra. Hale.
-Não, não, não senhorita – diz. – você vai encher aquele guarda-roupa com as roupas que você mais gostar da loja, isso ou eu não me chamo Maya Hale. E que história é essa de Sra. Hale mocinha?
Olive, que está sentada ao meu lado, se vira para me olhar.
-Acho melhor não a contradizer. É sério, a Sra. Hale pode ser bem chata quando quer – Olive pisca para mim.
Rimos. E tudo a minha volta parece congelar, e talvez eu pudesse ficar ali naquele momento para sempre, só rindo. Mas é claro que nem tudo o que é bom dura pouco, por isso a voz de Christopher interrompe nosso riso.
-Bem, só não estore o cartão de crédito da mamãe, eu ainda tenho que comprar muitas coisas antes que isso aconteça – ele dá um gole no seu chocolate quente. E o que ele diz pela primeira vez me faz continuar rindo, não me deixa triste, chateada, só mais risonha.
Maya dá um tapinha de brincadeira no braço de Christopher e depois coloca a mão na cintura, como se estivesse decepcionada, mas dá para ver que é tudo fingimento quando depois ela cai na risada junto a nós.
***
Calças, blazers, coletes, blusas, camisetas, shorts, botas, sapatos, jaquetas. São tantas as coisas que se encontram nas varias sacolas em minha mão que é impossível de se acreditar que tudo isso é meu.
Olive pega uma calcinha pink da Victoria Secrets de dentro da sacola na mão e a roda entre os dedos, em meio ao shopping, com tanta gente andando de um lado para o outro.
-Não é maravilhoso? – indaga jogando os braços para cima e tem uma tentativa que não dá muito certo de fazer o mesmo com as pernas, o que faz ela quase cair do banco em que estamos sentadas.
-Não precisava de tantas coisas assim Olive, a sua mãe...
-Ela nem vai ligar, não se preocupe, estamos salvas – diz ela se levantando e pegando algumas das sacolas nas mãos. – agora vamos, tenho uma surpresa para você.
-O que...?
Estou tentando descobrir o que foi que ela falou, porque não pude decifrar bem o que foi por causa do barulho, mas não tenho tempo de determinar o que foi, ou ao menos perguntar novamente, porque não consigo nem respirar direito e Olive já está me puxando para longe do banco. Pego as sacolas apressada antes que eu as perca pela impaciência de certa pessoa.
Quase derrubo uma sacola andando pelo shopping, mas quando uma alça arrebenta eu consigo segura-la pela outra rapidamente. O cheiro de comida gordurosa da praça de alimentação me deixa faminta, mais ainda quando me lembro de que o café da manhã já foi digerido totalmente há umas três horas.
Mas não ficamos muito tempo sentindo aquele cheiro delicioso, quanto mais parar para almoçar. Olive está com tanta pressa que poderia dizer que ganharia uma corrida de um foguete.
Chegamos há uma área do shopping com um espaço separado para cabelereiro, manicure, maquiadores e tudo mais de tratamento de beleza que você puder imaginar.
Olive e eu paramos de andar quando chegamos na ala do cabelereiro. Estou quase chegando a conclusão de que ela tenha marcado algum horário para fazer os cachos loiros ficarem mais lindos do que já são ou coisa assim, e é quando sou convidada a sentar pelo cabelereiro sorridente a minha frente.
Olho para Olive confusa, ela faz um gesto com a cabeça para que eu vá em frente.
Sento-me ainda confusa na cadeira para lavar os cabelos – não, eu não sei como se chama exatamente, se é que tem um nome.
-Meu presente de Boas-vindas pra você – diz Olive e depois dá uma piscadinha.
Notas finais
O que acharam? Espero que estejam gostando e que realmente me perdoem por ter demorado a postar...
Enfim, beijooos meus doces (efeito Felix da novela das nove, ai meu Deus kkkkk me ignorem, sou tonta assim mesmo).
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