Na Sua Pele
2 Capítulo 2.
Notas iniciais
POV Débora
Bridget e Camila, as duas meninas mais convencidas da escola que ficavam cheias de seguidoras toscas, foram conversar com a garota.
Achei que ela ia se juntar à elas, mas...Eu não entendi. Ela as ignorou e continuou vindo até a mim. Ela era tão bonita!
Seus passos eram lentos, mas ela já estava à uns 3 metros de mim, com um sorriso perfeito. Enquanto se aproximava, abaixou-se, para pegar uma coisa no chão. Agora nós estávamos cara a cara.
—Olá. – Cumprimentou ela com uma voz sutil. –Este livro é seu? – Perguntou, e logo me dei conta que tinha derrubado o livro de geografia no chão.
Não consegui responder. Apenas assenti com a cabeça, enquanto ela me dava o objeto.
—Como você se chama? –Enquanto ela perguntava, eu não tirava meus olhos dos azuis faiscantes dela. O sinal tocou, e por uma ação instintiva comecei a andar para dentro do prédio, a garota acompanhou.
—Débora Richelli. – Respondi depois de longos minutos, quando já estávamos percorrendo o corredor principal. – Você pode me chamar de Débs.
—Ah, oi, Débs. –Falou ela com o sorriso mais iluminado, parando para apertar minha mão. Não existia pessoa no mundo que estivesse mais confusa do que eu naquele momento. Prestei atenção nas unhas lilás dela. –Eu sou Annabelle Kouren, Belle. – Tinha que ter algo de “belle” no seu nome, tão linda como era.
—Porque está falando comigo? –Perguntei por fim, enquanto entrava na minha sala. ELA TAMBÉM ENTROU. Sinal de que também estava lá.
—Não gosta da minha companhia? – Arriscou ela.
—Não. Você é bem legal. – Afirmei, na verdade queria dizer que ela era fantástica. – Mas as pessoas não falam muito comigo. – Expliquei. – Ah não ser, claro, que seja para me zoar.
Ela prestou atenção. Sentei-me na primeira carteira como de costume, a Annabelle sentou do meu lado, numa carteira vaga, seus olhos estavam fixos em mim.
—Eu não estou zoando você. –Corrigiu ela, com postura. – Sempre tem uma primeira vez para tudo na vida. – Disse, moralista. – Você não tem amigas?
—É evidente. – Comentei mal-educada.
—Posso? – Perguntou. Eu não sabia o que ela queria dizer. Ela estava tentando ser minha AMIGA????
Suspirei positivamente.
—Que legal. – Disse ela, com um sorriso. – Fale-me sobre os alunos, Débs.
—Todos são metidos, toscos, e convencidos. – Fiz um resumo, e ao contrário do que pensei Belle pareceu gostar da minha descrição.
—Que nem, essas meninas aí do fundo, Bridejéti e Camila? –Perguntou, fazendo uma pequena modificação no nome da Bridget, que me provocou uma imensa vontade rir absurda.
—Hahaha...É...Elas são as piores. – Pontuei.
—Logo quando cheguei elas vieram me encher o saco.
—Querem você por que você é a novidade, Annabelle. A coisa que mais importa para elas é popularidade. Acho que você já é popular. – Expliquei.
—Eu, popular? Imagina. Acabei de chegar nessa muvuca. É óbvio que eu não sou popular. – Corrigiu ela, aparentemente estupefata com a hipótese dela ser popular. Popular porque era linda, e não porque tinha acabado de chegar. Ainda não conseguia entender porque estava falando COMIGO!! A voz dela era o som mais contagiante e emocionante da sala.
—Se você não é popular, o que é esse montinho de gente olhando, e apontando para você? – Ela se fez de confusa, mas quando virou de costas para mim, a fim de observar a sala, percebeu que não havia um individuo que não a fitasse. Depois voltou para me olhar com seus diamantes.
—É...Acho que você tá certa. – Afirmou ela. –Mas mudando de assunto, quantos anos você tem?
—15.
—Eu também. – Ela se importou em dizer empolgada. Caramba, ela era tão legal!!! E eu dando uma de tosca. Não tinha porque eu ser meio chata com ela. Talvez ainda estivesse com inveja das olhadas do Dani para ela. Mas era só um olhar não é mesmo? Não significava nada. Talvez, ele só tivesse vendo a aluna caloura nova. Nada demais.
—A aula vai começar, Belle. – Falei com um sorriso, enquanto ela me retribuía aquele maravilhoso projeto de dentes perfeitos.
—Ok. Conversamos, depois.
A professora de Literatura, Mafalda Beltrão, entrou na sala.
—Bom dia gente. – Começou.
—Eai. – Falaram os alunos que ainda não conseguiam desviar as atenções de Annabelle.
—Eu soube que chegou uma aluna nova. – A professora tinha um papel na mão. – Annabelle Kouren.
—Sou eu. – pronunciou-se Belle, com alegria, levantando-se da carteira para falar com a professora.
—Muito bem querida. Eu sou sua professora de Literatura Mafalda. Quer se apresentar?
—Eu, sou Annabelle. Mas, por favor, só Belle. Me mudei há um mês para cá, e agora estou retomando os estudos. Tenho 15 anos, e adoro história. – Apresentou-se ela, simpática e perfeita, deixando todos cativados. Depois voltou a sentar-se do meu lado.
Annabelle era o tipo de garota perfeita. Em personalidade, em tudo.
Eu queria ser assim. Como ela.
POV Annabelle
PÉÉÉÉ > o sinal rugiu alto nos atormentando no meio da sala. Parecia o momento que todos queriam. Eu o queria para conhecer melhor, minha única amiga, Débora Richelli.
Apesar de ter falado com ela por curtos períodos, ela tem uma personalidade totalmente agradável. Me identifiquei muito com ela. É claro que ela tinha uma baixa auto –estima por causa do jeito que se arrumava, mas nisso eu daria um jeito depois.
—Posso ficar com você? – Perguntei para Débora, mordiscando o lábio.
Ela pareceu impressionada em considerar a questão.
—U-hum. – Foi só o que ela disse. Saímos da sala de aula, para o refeitório.
Débs fez questão de me mostrar praticamente o colégio todo em cinco minutos. Me apontou as Salas de todos os anos, a escada, que dava para o segundo andar, onde ficavam a biblioteca e a Sala de Informática, e o Pátio mais adiante, onde havia a cantina e algumas mesinhas. Ela estava sendo muito legal.
Nos sentamos em uma mesa perto da cantina, que encontramos por raridade, já que muitas estavam ocupadas. Ainda estava me sentindo bastante observada.
—Gosta da escola? – Ela perguntou depois de alguns minutos me encarando.
—É bonita. –Comentei, agradavelmente. E o era. A decoração era simplista, as paredes verde-limão, o piso branco-gelo, a faixada, as salas a recepção. Tudo tinha um ar de novo e limpo.
—Você...Suas unhas são demais! – Ela estava prestes a falar uma coisa mas se interrompeu para aquele comentário.
—Roxo fluorescente. Eu te empresto depois! Porque não vem na minha casa? A gente poderia se arrumar, e depois ir para o shopping e...
—CALMA AE! – Protestou Débora em voz alta. – Faz só algumas horas que a gente se conhece e você já tá me chamando para ir na sua casa?!!! – Ela estava chocada.
—Sim, é claro, quanto antes melhor!
—Você é a pessoa mais absurda que eu já conheci. – Comentou ela.
Mordisquei o lábio e balancei o cabelo, tímida.
—Vai precisar se acostumar a ter uma melhor amiga.
—Amiga?
—É claro, nós somos amigas né? – Perguntei duvidosa.
—...Hmmm...É TÃO ÍNCRIVEL. Se você diz, nós somos então! – Exclamou ela admirada.
—Ah, que emocionante! – Quando me dei conta nós já trocávamos uma abraço de bff. Ela ainda em choque. –Desculpe, eu sei que devo parecer uma louca para você. Mas... Eu simplesmente me empolgo demais com as coisas!
—Você não parece louca...Só um pouco, diferente e ... LEGAL...Demais da conta!
—Ah, obrigada.
—Sem essa, Belle. Você sabe que é perfeita. – Sorri para ela.
—Vai na minha casa para passarmos esmaltes fluorescentes?
Um segundo de siêncio.
—As unhas da Richelli não conhecem esmalte, querida. – Disse alguém, atrás de mim. Virei, e lá estava Bridget e mais um monte de meninas. Suspirei.
—Tudo tem sua primeira vez... — Pontuei, com frieza.
—Porque tá andando com ela, Annabelle? Isso é suicídio social. – Falou arrogante, dando um gole de coca light, com classe, insuportável.
—Problema meu. –Falei-me levantando de cara com a ruiva.
—Pode se juntar a nós, querida. – Mais um gole da coca.
—E ser um poço de arrogância? Não, obrigada. Vem, Débora. –Eu estava me preparando para ir quando ela me puxou pelo braço, e fez-se em miçangas a minha pulseira favorita. As pedrinhas se espatifando no chão.
—Sua idiota! – Exclamei, empurrando a coca-cola light dela para cima do uniforme. – Era a minha pulseira favorita! – Todas as garotas estavam chocadas demais para ouvir, e já saiam correndo atrás de Bridget que fora gritando para algum lugar. O banheiro, provavelmente.
Me abaixei para pegar as miçangas da pulseira que eu tinha ganhado, quando ainda morava em São Paulo, da melhor amiga que eu havia abandonado quando me mudei para cá. Com muita raiva.
Mas ao que eu ia me abaixar, todas as miçangas estavam colhidas e aconchegadas na mão de alguém.
Meus olhos faiscaram. Olhei para a pessoa. Era um garoto. Com olhos azuis e cabelo castanho bem arrumado, sorrindo para mim. Muito simpático.
—Você é totalmente demais! Acabou com a rainha e as galinhas seguidoras. – Disse ele, com humor negro.
Soltei uma gargalhada.
—É, parece que sim. – Concordei. – Ela acabou com a minha pulseira.
Falei enquanto ele me entregou as miçangas.
—Sinto muito por isso.
—Não é nada.
—Como se chama?
—Annabelle. Ou melhor, Belle e você?
—Gustavo.
—Prazer – Nos cumprimentamos.
—Posso fazer uma matéria com você? Para o jornal da escola? Você JÁ É a novidade.
—Hm...É claro que sim. Quando?
—Agora, se puder.
Balancei a cabeça, em positivo.
—Ótimo, então vamos. – Me apressei em dizer. – Débora?? – Chamei minha nova amiga, mas quando olhei não estava mais lá. Havia desaparecido. Muito estranho. Suspirei e prossegui com o garoto.
x-x
POV Annabelle
A entrevista foi como eu devia ter esperado. Umas perguntas básicas sobre a minha vida. Eu quase ofereci um potinho para o garoto, do 1°A, Gustavo, para não deixar a baba dele escorrer pelo chão. Porque depois de alguns segundos a baba dele poderia encher uma caixa d’água. Eu sempre soube que era bonita. Mas nunca achei que só por causa disso eu viraria a GAROTA super pop do colégio, no primeiro dia de ir para lá. Gustavo até que era bonitinho, mas eu hesitei às cantadas toscas que ele fez depois da entrevista, e me apressei para sair de lá. Além disso onde estava Débora? Depois de jogar a coca-cola na blusa da garota irritante, Débs tinha desaparecido completamente. O intervalo da escola era longo, durava aproximadamente 30 minutos. 10 se foram com a Débs, mais 10 para a entrevista tosca e depois que saí de lá, a escola inteira foi falar comigo, ou quase isso. Eram várias garotas de outros anos, algumas até começaram a me seguir, perguntando que xampu eu usava, se eu estava ficando com alguém, etc. Um verdadeiro grude!
Fiquei tentando me esquivar até o sinal bater, e eu retornar para a sala de aula. Eu poderia jurar que metade do colégio já me conhecia, e não havia um indivíduo que me chamasse de Annabelle. A onda do apelido, para o meu alívio, tinha pegado. Era só Belle.
Finalmente consegui chegar até a sala, e sorri ao encontrar Débora, lá. Ela me olhava com os olhos arregalados como se sentisse medo de mim. Foi engraçado. Sentei-me perto dela, os outros alunos me olhando, enquanto a professora emergia pela sala de aula, com algum assunto a ser debatido.
Como era esperta, e já estava adiantada no colégio, não dei muita bola para o que ela falava e passei um papel para Débs.
“Onde você estava?
B.”
Ela me olhou como se eu fosse um alienígena, depois que eu depositei o bilhete na carteira dela, em seguida leu e me respondeu.
“Como assim onde eu estava?
A Bridget não acabou com você?
D.”
“É, você desapareceu.
Não, a ruivinha não fez nada depois da coca na blusa dela.
Ela está nos olhando, parece que com raiva de mim.
Bem feito para ela.
B.”
“VOCÊ É LOUCA, garota.
Arruma confusão no primeiro dia de aula.
D.”
“Não esquenta com isso, Débs.
Eu já resolvi.
Ainda não me disse onde estava.
B.”
“Na biblioteca, me escondendo.
D.”
“Se escondendo de que?
B.”
“Das garotas assassinas que supostamente perseguiriam você.
E À MIM TAMBÉM.
D.”
“Quanto à isso não precisa se preocupar.
Elas não vão fazer nada.
B.”
“E você, o que fez depois que fui embora?
D.”
“Fiz uma breve entrevista com um tal de Gustavo do 1°A.
B.”
“AH, Belle, não se meta com ele.
Não que eu saiba de alguma coisa.
Mas ele é galinha.
D.”
“Não esquenta, o que eu menos quero...
É um babão na minha cola.
B.”
“>BABÃO<?
Ele até que é bonitinho.
D.”
“É que eu quase ofereci uma tigelinha para a baba dele.
Hoje na entrevista.
B.”
“AH! É claro, ficou encantado com você.
E o que fez depois?
D.”
“Fugi desses alunos loucos daqui, quase todo mundo veio falar comigo.
B.”
“É MESMO???E...E...Não veio um...Daniel...Falar com você, né?
D.”
“Daniel?! Não que eu me lembre, por quê???
B.”
“NÃO, por nada, nada.
D.”
“Hmm...Mas e aí Débora, você vem na minha casa?
B.”
“Eu preciso perguntar para minha mãe.
D.”
“ÓTIMO. Será que dá até amanhã à tarde?
B.”
“Não sei. Vou tentar.
D.”
“Ok. Você é minha BFF, sabia?
B.”
“Ainda não consigo acreditar.
A gente se conhece a horas!
D.”
“De qualquer jeito, será eterno.
B.”
“Eu já disse que você é louca, Belle?
Você também é a minha melhor amiga.
É a única que eu tive.
D.”
“Obrigada, Débs.
B.”
**~~**
POV Débora
Quando saímos da classe, naquele dia, Foi um tumulto. Todos estavam interessados em Belle. Eu nunca havia visto algo parecido. Mas ela realmente queria que EU fosse sua amiga!!! Eu uma garota simples, tosca, e FEIA. Perto dela, eu me sentia como...um corvinho ao lado de uma águia. Mas eu gostava dela, não só porque era linda (eu realmente amava ficar perto de pessoas bonitas, apesar de >óbvio< não ser uma)...Mas porque ela era extrovertida, e completamente simpática.
Mas, quando saímos do colégio não era em Annabelle que eu pensava.
Era nele.
Eu queria ver o Dani, mais uma vez antes de ir embora. E não me importei de deixar isso claro. Eu necessitava vê-lo. Ele era tão perfeito!
O dia havia acabado e havia um aglomerado de alunos na saída do colégio, inclusive eu e Belle. Ela falando de um monte de coisas de moda, famosos, crepúsculo, sei lá, tanta coisa. Eu só assentia. O carro dela chegava dali quinze minutos. Eu iria embora quando quisesse. Provavelmente após vê-lo.
Finalmente ele saiu do colégio. Acompanhado com os três amigos, Guilherme, Leonardo e Felipe. Eu estava bem encostada com a saída, e quando ele passou a blusa azul marinho que ele vestia encostou levemente no meu cotovelo. O que foi capaz de me fazer delirar completamente.
Ele e os outros atravessaram a rua, ficando paralelos a mim e Belle. Esta que estava cercada de garotas perto que entravam na conversa entre eu e ela. As garotas pareciam até ser simpáticas comigo, só porque eu estava com ELA. Ela realmente estava grudada em mim, conversando com todos e comigo ao mesmo tempo.
Mas eu estava alucinada demais para não prestar atenção em outra coisa, a não ser nele do outro lado da rua.
Por um momento achei que fosse alucinação, mas ele olhou para mim.
Eu vi aqueles olhos castanhos que eu tanto conhecia se desviarem por mim, em uma fração de segundo.
Meu corpo tremeu todinho, agarrei o meu fichário, temendo que ele desabasse de minhas mãos tremulas.
Depois de alguns segundos, não era só Dani que olhava. Eram todos os outros amigos também. Guilherme, o loiro de olhos azuis, metido. Leonardo, o moreno baixinho que eu não gostava. E Felipe, o arrogante garoto dos olhos verdes e cabelo amarelo. E é claro, ele, perfeito como sempre, ao lado daqueles idiotas.
Aqueles idiotas, que olhavam para mim. Eu também não conseguia parar de olhar para eles. Guilherme ou Leonardo, não reparei em quem, até apontou. Ele estava ao lado de Dani, que deu um sorrisinho torto que me fez ficar com vontade de desmaiar. ELES OLHARAM PARA MIM,
E O DANI SORRIU PARA MIM!!!!!!!!!!!!
AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAH!
Mas como tudo que é bom acaba, um ônibus gigante parou bem na frente deles, interrompendo toda a minha satisfação.
E a voz delicada e maravilhosa de Annabelle, tirou-me de meus devaneios.
—Déboraa???? – Chamou ela. Pela quarta vez.
—Oi.
—Achei que você tinha morrido.
—Foi mal.
—Eu tenho que ir.
—Já?
—Sim, querida. Nos vemos amanhã. O Rubens, meu motorista está esperando. Não esquece de pedir para sua mãe, ver se você pode ir a minha casa.
—Tu-tudo bem. –Gaguejei.
Ela sorriu, maravilhosamente, e trocamos um beijo na bochecha.
De repente ela atravessou a rua, e entrou na Mercedes preta, dando tchauzinho para mim.
Depois que ela foi conclui que era hora de eu ir também, então comecei a andar pela calçada, alucinada com a ideia de Dani ter olhado para mim.
...
POV Débora
Sai caminhando, ainda alucinada. Meu coração martelava a ponto de explodir, enquanto eu abraçava o meu fichário com um sorriso tosco e amedrontador. Mas era a única forma de demonstrar o quanto estava contente. Primeiro, Annabelle. E depois, Dani. Aquele dia estava sendo
perfeito.
Eu disse ESTAVA, porque depois de alguns segundos de caminhada,
ele apareceu.
Lucas.
Um garoto. (dããã)
Quando Annabelle me perguntou se eu tinha amigos, esqueci de falar
dele. Não que ele fosse meu amigo, na verdade eu o odiava. Mas morávamos perto, e eu CONVERSAVA COM ELE.
Tá, vocês querem saber porque eu o odeio? Simples, ele gosta de mim!
Tá isso parece extremamente impossível. Qualquer ser em sã consciência gostar de uma garota como eu. Ele tinha que ter algum problema.
Mas ele não tinha.
Era bonitinho de verdade.
O cabelo loiro-aguado, e o sorriso branco que pouco tinha contraste com a pele tão semelhante a cor dos dentes. Os olhos do tom azul mais claro que existe. O corpo, bom, quem sou eu para reparar? Ideal, diga-se de passagem.
Quando o vi, e ele me chamou de “fofinha”, pela primeira vez...Achei que ele fosse cego. Ou um tanto abestalhado. As vezes ainda tento constatar algum sinal de demência nele, mas Lucas é completamente normal. E isso me assusta.
Sabe, eu fico admirada, de um garoto, bonito, como ele é, gostar de mim. É RÍDICULO. Para completar, ele ainda é mais velho, no segundo ano A. Ele só não tem muitos amigos, mas fora isso ele é um garoto BONITO e comum. QUE GOSTA DE MIM. !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Mas eu o odeio. Já disse milhões de vezes eu não o quero, mas ele insiste em me atormentar. Meus olhos cinzas idiotas só tem visão para uma pessoa. O meu milagre pessoal. O único sentido que eu encontro na minha vida sem sentido. D a n i.
Mas, eu não conseguia evitar o Lucas. Ele era simpático. Mas me perseguia, o que me deixava um tanto frustrada.
—Olá, fofinha. – Cumprimentou-me com seu sorriso branco realçado pelos lábios avermelhados. Ignorei o “fofinha”.
—Ah, oi. – Respondi mal-humorada.
—Tudo bem com você? – Perguntou ele me acompanhando em meu
ritmo rápido.
—Não. –Repliquei de mau-gosto.
—Por quê? – Ele indagou suas sobrancelhas se unindo. –Algo a aborrece hoje?
—Ah, Lucas... Eu estou cansada hoje!
—Então vamos descansar juntos!
—Não quero descansar com você. Não percebe que eu estou de mau-humor?
—O que aborrece você?
—Argh... –Olhei-o com seriedade, quase que como repulsa. – Bom... Você. – Falei acentuando a palavra, desmanchando um pouco o sorriso dele. – E a minha vida.
—O que tem de errado comigo? E com a sua vida?
—Você não tem nada de errado, a não ser talvez, um problema psicológico. E a minha vida é uma...merda, Lucas.
—Não tenho problemas psicológicos. – Disse ele para a minha surpresa, sorrindo. –. Só paixão. –Os olhos dele faiscaram para mim, enquanto eu ignorava aquilo. – E você não sabe o que está dizendo. Tem uma vida que muitos queriam ter.
—Blá-Blá-Blá... Vida que muitos querem ter é vida de garota POPULAR... Sexo e garotos. – Não tinha vergonha de falar aquilo na frente dele, ele era quase como meu melhor amigo. Que gostava de mim, e eu o odiava por isso. Talvez se eu não tivesse apaixonada pelo Dani, ele tivesse chance.
—Eu sou um garoto. –Gabou-se ele, e tocou a sua mão fria na minha a entrelaçando. Eu o olhei com muita má vontade. –Sabe o quanto eu gosto de você, Débora...
Revirei os olhos, mas não libertei minha mão. Eu estava sendo hostil demais, e não queria QUEBRAR o coração dele. Então ficamos caminhando que nem dois idiotas de mãos dadas. Foi ridículo.
—É uma pena. Pois eu não posso retribuir...É generoso de sua parte gostar de uma garota como eu...
—Como assim “uma garota como eu”?
—Lucas, me olhe por um instante. EU SOU FEIA. Será que você é o
ÚNICO que não enxerga isso? – Quase gritei a obviedade para ele. – Observe as EVIDÊNCIAS. Até você parece um astro de cinema perto de mim.
—Não há nada de errado com você, Débs. Está cega. Se as pessoas te criticam, é por que são idiotas. E você é uma garota inocente e BONITA...
—Se bonita no seu dicionário significar feia e gorda...
—VOCÊ NÃO É GORDA! Débora, vou lhe dar um espelho de presente de aniversário... –Eu não consegui deixar de sorrir.
—Você é miópe.
—E você é linda, minha fofinha.
—Argh...Obrigada. Mas, acho que você deveria procurar outra pessoa para fazer esses elogios, evidentemente FALSOS. Se não largar de mim, vou perturbá-lo até se cansar. Sinto muito, mas não podemos ficar juntos se vai ficar criando esperanças!
—Por quê?– Perguntou com uma tristeza repentina no rosto.
—Eu não gosto de você...Desse jeito. Devia procurar alguém que combinasse com você. Uma loira com peitões...ou...Sei lá o que! Eu to mais para um nerd mongolão. Não que eu goste de um nerd mongolão. – Sorri para mim mesma. Eu gostava do garoto mais popular e cobiçado do colégio. -Você não devia se meter comigo. –Fitei-o seriamente estressada. –E para de me chamar de fofinha que eu não sou almofada!
—Pra que toda essa arrogância, Débora?
—É para você ENTENDER.
—Eu gosto muito de você...E não acho que é algo que possa mudar.
—Então se prepare para a decepção. – Anunciei um pouco me sentindo culpada pela grosseria. Soltei-lhe a mão fria.
—É outro garoto?
—Não. – Menti. — Eu só não quero ficar com você.
—Eu também não quero ficar com você. – Revelou, me deixando
pasma. – Eu quero estar, permanecer e ficar. – Deu um sorrisinho.
Bufei.
—Acho que você gosta de desapontamentos.
—Eu gosto de ‘desafios’.
—Há. Então me surpreenda. – Falei, não entendendo o sentido de minhas próprias palavras. Mas elas soavam bem. Nós já havíamos chegado ao meu condomínio, o qual ele morava também, mas como o bloco dele, era longe, senti que aquela era a nossa despedida.
Eu sorri para ele para não ser hostil demais. Eu não queria ser má, com alguém que absurdamente gostasse de mim.
Subi as escadas do meu bloco, para o meu apê.
Dia extravagante.
A primeira coisa que perguntei para a minha mãe, foi sobre a casa de Annabelle.
—Mãe, hoje eu conheci uma garota...Ela me convidou para ir na casa dela. Eu posso ir?
—Uma garota??!Hmmm...Onde ela mora? E como se chama?
—Annabelle Kouren. Não sei onde mora.
—Pode ir, contanto que me de o endereço. Ok?
—U-hum.
—Vai comer?
—Não, já comi. – óbvio que era uma mentira, mais uma das mil dietas que eu fazia.
—Tudo bem. – suas últimas palavras antes que eu me trancasse no quarto.
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