Na Palma da Mão de Deus

20 Como pais e filhos


Notas iniciais
Bom, primeiramente venho pedir desculpas pelo tempo que fiquei longe do nyah, entendam que eu tive meus motivos, muita coisa aconteceu, precisei trabalhar e junto tinha faculdade. O tempo se tornou escaço, mas acho que é meu dever tentar continuar uma história que comecei e vou tentar cumpri-lo. Infelizmente não postarei na mesma frequência que postava antes, não tenho mais tanto tempo, mas tentarei postar nem que seja um capítulo por semana. Novamente perdão aos que se sentiram mal pela minha falta. Desejo uma boa leitura a vocês.

Capítulo 20: Como pais e filhos

– Você me falava que eu era o remédio para todos os seus males, na verdade eu sempre fui a causa de todo o seu sofrimento... – ela chorava com mais força. – Mas mesmo assim, mesmo com tudo de ruim que eu representei pra você, eu me sinto sufocada longe, é difícil respirar quando estou longe de você! Eu te amo tanto! – ele sentiu os lábios dela nos dele, há anos não sentia aquilo, há anos não sentia o gosto dos lábios dela, não sentia aquele sentimento sem explicação ou sentido. As frustrações não existiam naquele momento, a dor não existia também, só existia aquele instante, aquele sentimento mútuo, o sabor do sentimento real e único dela compartilhado com o dele. Porém...

– Maria! – Jaime ergueu seu corpo na cama, olhou ao arredor assustado, lembrou-se que estava no hotel fazenda de Nicholas, de desmaiar, dos momentos antes do desmaio. – Foi um sonho? – se perguntou com a mão direita nos lábios. Subitamente o barulho da porta se abrindo invadiu o quarto.

– Tio Jaime, você acordou! – Fábio falou feliz, colocou a bandeja que segurava num criado e correu até o enfermo, o abraçou forte.

– Vai com calma, Fabinho, o tio Jaime ta se recuperando. – palavras de Nicholas, filho de Adriano.

– Seu irmão é muito expansivo, não é? – dizeres de Lavi.

– Não... Não tem problema garotos... O que vocês têm aí? – Jaime falou observando as bandejas que eles carregavam.

– É seu café da manhã. – Lavi respondeu.

– Sim! Tem suco, tem geleia, torrada, tem bolo, pão quentinho, leite, achocolatado... – Fábio enumerava o que os três haviam trazido contando em seus dedos.

– É muita gentileza de vocês trazer o meu café da manhã, mas é que... Eu não costumo fazer refeições de manhã e...

– Costume que vai mudar, o Bernardo acha que você sofre de pressão baixa, logo você precisa dormir bem e tomar café da manhã todos os dias! – Lavi exclamou.

– E ta gostoso, tio, o bolo quem fez foi meu pai, a geleia foi o Renan... Vai por mim, o senhor vai gostar! – Nicholas tentava convencer. Jaime se sentia feliz pelo cuidado dos garotos, parecia algo sincero, ele riu da situação.

– O Bernardo também falou que era pra você ir ao médico depois que acordasse. – Lavi falou novamente.

– Não se preocupa com isso, eu to bem, to me sentindo bem até demais agora! – Jaime exclamou.

– O tio Bernardo também falou que o senhor não ia querer ir ao médico. – Nicholas falou sorrindo, depois de suas palavras todos riram.

– Faz sentido... – Jaime coçou a cabeça. – Garotos... É... Não querendo reclamar, mas... Quando tomo algo de manhã é café mesmo... – depois de suas palavras faces de nojo se estamparam nos meninos.

– Café?! Mas café é muito ruim! – Fabinho exclamou.

– Como o senhor toma aquilo? – palavras de Nicholas.

– Coisa de adulto, eu também não gosto de café, é muito amargo! – dizeres de Lavi. Jaime riu mais.

– Já to dando trabalho demais pra vocês, não precisam pegar o café pra mim...

– Você não ta dando trabalho pra gente, tio Jaime, até porque quem cuidou de você essa noite foi a tia Maria Joaquina. – Nicholas comentou. A feição de Jaime se tornou pura surpresa.

– Ela... Mas... Cadê ela agora?

– Ta dormindo, hoje de manhã quando eu vim aqui ela tava dormindo com a cabeça apoiada na sua cama... Também, né, minha mãe ficou acordada a noite toda.

– Isso é... Uma surpresa... – Jaime falou, em sua cabeça ainda tem a ideia que Maria Joaquina o odiava por algum motivo.

– Meu pai e minha mãe vieram aqui de noite pra te ver, e a tia Rebeca, e o tio Rafael, e a tia Evellin, todo mundo veio, eu acho. – palavras de Fábio.

– Velho, que vergonha... Detesto dar trabalho... – Jaime começou a ruborizar.

– Não tem que ficar com vergonha, tio, isso é bom, mostra que todo mundo aqui gosta do senhor! – Nicholas exclamou. – Fabinho, Lavi vamos buscar o café pro tio.

– Precisa não, meninos, deixa que eu vou. – Jaime falou tentando se levantar da cama, os três garotos o repreenderam.

– Jaime! Fica quieto! É pra você descansar! Ordens do Bernardo! – Lavi falou bravo, os outros garotos concordaram.

– Ta bom, eu fico na cama, mas não vai ser assim por muito tempo. – dizeres de Jaime.

– Fica aí que a gente vai buscar o café pro senhor. – Fábio falou puxando seu irmão pra fora do quarto, Lavi os seguia, mas...

– Garoto. – a voz de Jaime o fez parar.

– Oi?!

– Você não se importa de ter esse cuidado comigo? Afinal você podia estar fazendo coisas legais ao invés de estar aqui cuidando de um tiozão manco e gordo.

– Não é problema pra mim, sabe, você foi legal comigo, não contou pros outros meninos que eu precisava de ajuda pra tirar meu capacete naquele dia. – as palavras do menino fizeram Jaime pensar, não imaginava que algo tão simples faria o garoto ter confiança nele.

– Será que você pode vir aqui, chegar mais perto? – a voz de Jaime começou a embargar.

– Algum problema? É sua perna, né? Ela ta doendo? – ele se aproximou e perguntou, de repente foi surpreendido por um abraço de Jaime, um abraço forte, caloroso, inesperado.

Na mente de Jaime somente a conversa que tivera com Maria Joaquina permanecia, somente o momento em que ele perguntava se Lavi era seu filho e ela respondia que sim pairava em sua cabeça.

Seu filho estava em seus braços, desde que o vira sentira por ele algo que não podia explicar, mesmo sem ter a certeza de que era seu filho algo dentro de si dizia que Lavi era parte dele. Aquele sentimento forte parecia extravazar naquele abraço, aquele sentimento que ele não sabia explicar.

– Des — desculpa... Eu, eu... – Jaime tentava se explicar limpando seus olhos. – Você deve me achar um estranho.

– Não tem problema, tem uma colega minha que fala que, às vezes, a gente só precisa de um abraço pra se sentir melhor... Ela tem os peitos grandes, eu queria abraçar ela mais vezes! – ele falou sem pensar gesticulando, Jaime riu. – Falei besteira, né? Essa droga de cabeça minha!

– Não precisa ter vergonha, você só foi sincero.

– Pois é... Aqui, eu... Eu vou ver o Nicholas, ele também ta meio de cama desde ontem... Depois eu volto. – Lavi falou sorrindo, pegou um pedaço de bolo do que trouxera e saiu o mastigando.

– Ah garoto, o que eu faço agora? – comentou Jaime consigo mesmo.

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– Qual é, Bernardo?! Não vai me deixar descer pra tomar café da manhã? – Nicholas perguntou, estava em seu quarto, deitado em sua cama.

– Daqui a pouco você desce, agora fica aí de boas, seu café da manhã vai chegar pra você.

– Isso não faz meu estilo, café da manhã na cama, pra mim?! – reclamou.

– Seja mais tolerante, capisce? É só pra você descansar essa manhã. – Tereza falou, também estava no quarto do anfitrião.

– Já fiquei na cama demais, to desde ontem.

– E vai ficar aí essa manhã também, quer contrariar o único enfermeiro daqui? – Adriano falou adentrando o local, ao lado dele Renan e João, esse último trazia uma bandeja consigo.

– Aqui, pai, a gente trouxe tudo o que você gosta, olha só... – João se aproximou entregando a bandeja.

– Olha só, geleia de... – Nicholas observava.

– Morango, essa foi eu quem fiz. – João falou.

– Eu fiz uma de uva, mas é de ontem, essa aí o João terminou de fazer agora pouco, terminou o preparo agora pouco melhor dizendo. – Renan explicou.

– Deixa provar então. – o anfitrião falou passando um pouco em um biscoito, o mordeu, ficou um tempo em silêncio, João o olhava apreensivo. – Ta excelente! Ta de parabéns, moleque. Eu nunca fui bom com geleias, mas você e seu tio são incríveis!

– Sério?! O senhor gostou mesmo?! – João falou empolgado, de repente olhou o seu arredor e se conteve. – É sempre bom saber que as pessoas gostam das coisas que a gente prepara pra comer, não é verdade? – falou meio sem graça. – Eu vou descer, vou tomar café com os convidados e... – falou se afastando da cama de seu pai.

– Garoto, faz favor, rapidinho. – Nicholas o chamou pra perto de si, pegou a bandeja e a colocou num criado mudo.

– O que foi pai? – o garoto falou se sentando a cama ao lado de Nicholas, o anfitrião então o puxou pra mais perto de si num abraço. – Quê isso pai?

– Não gosto de ficar de cama, mas gosto dessa atenção sua comigo, toma café da manhã aqui, os convidados que se virem! – Nicholas falou sorrindo.

– T-tá, é justo! – o garoto gaguejou, ruborizou um pouco, gostava de estar ali, de sentir o calor de seu pai, se sentia seguro, aconchegado, se sentia bem, como se não existisse problema nenhum.

– Aqui, pra vocês dois ragazzi. – Tereza pegou a bandeja do criado mudo e entregou aos dois. – Como bons ragazzi quero que comam tudo! – ela brincava com a situação.

– Sim senhora! Você manda e eu obedeço! – Nicholas respondeu prestando continência, todos riram.

– Aqui, pai, esse é aquele biscoito da padaria, daquele que o senhor gosta! – o menino falou.

– Sim, que nós dois gostamos, correto? – o pai respondeu, João riu sem graça. Da porta Renan os observava, sentia um aperto em seu coração, sua feição demonstrava seu incômodo.

– Sente ciúmes ou só sente que algo está errado? – Adriano pergunta cortando o mais novo de seu transe.

– Do que você ta falando? Como eu vou sentir ciúmes de meu sobrinho com o pai dele...? Ah menos que... Deus... O Nicholas falou comigo que ia te contar, isso já aconteceu, não é?

– Sim, ainda não entendo o que vocês dois tem na cabeça, cheguei a pensar que você havia renegado completamente a obrigação de pai... Mas vejo que você sente algo pelo garoto, e que sofre por causa da mentira toda! – obviamente falava em tom baixo de voz.

– Escuta, não é tão simples assim...

– Vocês estão privando o garoto de um direito que é dele! Na minha opinião você quem deveria ter a guarda do João. – Adriano foi direto.

– Se eu contar esse garoto não vai me perdoar nunca!

– Então você aceita ter papel de coadjuvante na vida do seu filho? É por isso que eu não entendo você!

– Pai! – as vozes dos filhos de Adriano chegam até os ouvidos deles.

– E aí meninos? Como o Jaime tá? – o pai se abaixou os cumprimentando com um largo sorriso e alguns leves afagos.

– O tio Jaime ta melhor, o Lavi levou café pra ele. – Nicholas respondeu.

– A gente fez como a mãe pediu, a gente levou bolo e um monte de coisas gostosas pra ele. – palavras de Fábio.

– O pai sabe, Fabinho, se ele perguntou como o tio tava é porque ele sabe que a gente foi lá!

– Ah é, viajei... – o mais novo falou coçando sua cabeça.

– Bom, sabe a Antônia? Ela me falou onde tem uma quadra de basquete, vamos lá jogar depois do café da manhã! – Adriano falou levantando os braços.

– É! – Fábio respondeu gritando repetindo o gesto.

– Fabinho não grita! Respeita o quarto do padrinho! – o irmão mais velho o repreendeu novamente. Toda a cena fazia Renan se sentir mal, o cuidado paterno de Adriano era como um tapa em sua face.

– Hei, eu to escutando a voz dos meus afilhados?! – o anfitrião se pronunciou.

– Meninos, venham cumprimentar seu padrinho. – Tereza falou. – Não tem problema, certo? – ela perguntou a Bernardo.

– Não, está cercado de pessoas que se gosta é ótimo tratamento! Podem entrar vocês dois. – dizeres do enfermeiro. Os garotos adentraram o local correndo e foram até Nicholas, o cumprimentaram, falaram umas coisas sem nexo, o padrinho deles riu e falou outras mais sem nexo ainda, era divertido ouvir tudo aquilo, tanto que as risadas dos presentes eram inevitáveis.

– Hei, João, você gosta de jogar basquete? – Fábio perguntou.

– Eu?! Não sei dizer... Acho que sim... – o garoto não esperava essa pergunta.

– A gente vai jogar com o nosso pai hoje depois do café, você podia vir, vai ser legal! – Nicholas, filho de Tereza, sugeriu.

– Com o Adriano. – o garoto olhou estranho pro pai de seus colegas. – Não sei se é uma boa ideia, tenho coisas pra fazer, sabem?

– Acho que você deveria ir, mas só se você quiser. – Nicholas, pai de João falou ao seu filho.

– Talvez eu vá. – João respondeu.

– É! – Fábio respondeu gritando e levantando seus braços.

– Sem gritar il mio più Giovane, sem gritar. – Tereza repreendeu, o garoto corou.

– Foi sem querer. – o garoto se desculpou.

A manhã daquele dia começara tranquila, um café da manhã comum, se todos os inícios de manhã fossem daquela forma o mundo seria perfeito, mas infelizmente as coisas não são dessa forma. Momentos bons deixavam João mais inquieto sobre a realidade iminente de seu pai, e as palavras de Adriano sufocaram completamente Renan, palavras que golpeavam forte os pontos fracos, palavras que doíam como cada atitude de pai e filho que ele presenciava.

Notas finais
Italiano pelo google tradutor: il mio più Giovane = o meu mais novo ragazzi = meninos capisce = entende Revisei o capítulo algumas vezes, mas sempre tem um ou outro erro de ortografia... Até a próxima!