Na Palma da Mão de Deus

2 Espíritos infantis


Notas iniciais
Hora de rever mais três personagens marcantes, e conhecer um novo... Boa leitura!

Capítulo 2: Espíritos infantis

– Isso... Por aí... Você vai e... PONTO!!! – um grito acompanhado de um pulo, o joystick na mão esquerda, a felicidade da vitória estampada no rosto, à alegria instantânea, coisas que o vídeo game proporciona.

– Velho, esse game é muito foda! A ideia da sua equipe Adriano é incrível! – a outra pessoa que jogava com ele falou.

– Eu te falei que o jogo tinha tudo, emoção, imersão, qualidade... Esse game vai ganhar prêmios eu garanto! – Adriano respondeu, eles jogavam um game desenvolvido por Adriano e sua equipe de incríveis três pessoas, o jovem estava feliz mostrando o resultado de seu trabalho pra um vizinho, quinze anos mais jovem diga-se de passagem.

– Eu compraria, é muito bom! Escuta, não ta quase na hora dos seus filhos chegarem da aula? – o outro jovem lembrou.

– Puts, é mesmo! Cara, ainda bem que você me lembrou, me esqueci completamente! Você pode me ajudar Carlos?

– Posso sim, mas não sou bom pra cozinhar...

– Eu também não era, aí eu conheci um cara, quando eu tinha mais ou menos sua idade, um pouco menos na verdade, ele fazia cada prato excepcional! Ele me ensinou coisa pra caramba dessas paradas de cozinhar! – Adriano falou animado.

– É por isso que você é barrigudinho assim? – o jovem perguntou em tom de piada.

– Não, essa barriga eu conservo desde antes de conhecer esse cara... – Adriano falou fazendo piada, engraçado notar que, mesmo com trinta e três anos, ele ainda lembra muito um adolescente, não é tão alto, barba sempre feita, cabelo curto, jeito de falar, não se percebe exatamente qual dessas características passa essa impressão, talvez fossem todas juntas.

– Eu vou cortar essas paradas aqui então... – Carlos falou pegando umas cenouras e uma faca.

– Toma cuidado! Se você se corta sua mãe me mata! – o mais velho falou, o outro riu. – Não ri de mim não, é sério, o Nicholas uma vez se cortou nessa faca, aí pra explicar isso pra Tereza... Velho, eu suei frio!!! – palavras que fizeram o adolescente rir mais.

– Fico imaginando as coisas que o Nicho e o Fábio passam com um pai igual a você... A Tereza cuida de três moleques! – o mais novo comentou em tom de brincadeira, se referia a Adriano como o terceiro moleque.

– Sabe que... Você tem razão... Bom, enfim, temos que fazer esse almoço! – Adriano falou com convicção, no mesmo instante o telefone começou a tocar.

– Atende pra mim Carlos, por favor. – Adriano pediu ao adolescente.

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– Entendo... Vou mandar uma mensagem pra lembrar ele, é possível que seu padre se esqueça mesmo. – Tereza falava ao telefone, sorria bastante.

– Eu já to com fome, vai que eu e o Fábio chegamos em casa e o pai ta jogando vídeo game, ou ta no estúdio com os outros caras criando algum jogo... E isso já aconteceu, tivemos que comer macarrão instantâneo! – foram as palavras do garoto do outro lado do telefone, sua mãe ria mais.

– Não se preocupe il mio primo, vou lembrar seu padre do almoço, certo?

– Ta, até de noite mãe. – o garoto se despede

Fino a quando mio figlio! Ti amo! – ela responde antes de terminar a ligação.

– Tereza, com licença... – um homem adentra a sala dela.

– O que deseja?

– É que você ficou de almoçar com aquele cliente, lembra?

– Já tinha esquecido! Que bom que você me lembrou Oscar, eu preciso que você ligue pra minha casa e fale pro meu marido pra preparar o almoço, pode fazer isso? – ela fala ao seu assistente.

– Cla-claro! – Oscar é estagiário do escritório de advocacia que Tereza trabalha, ele é muito recente no local e ainda não se acostumou com a beleza da moça, os olhos, o corpo, os longos cabelos, o modo de falar, a altura, ele a achava incrivelmente linda, na verdade todos a achavam incrivelmente linda, algo que nunca mudou nesses anos.

– Mas você tem que ligar mesmo, corre o risco dos meus meninos ficarem sem almoço se você não ligar.

– Ligo sim Tereza, conta comigo! – o jovem falou passando total confiança.

– To saindo então, até Oscar. – ela falou saindo de sua sala, nesse instante seu celular tocou, ela viu o nome de um cliente e o atendeu, parecia que tinha se desligado do mundo, trabalho tem dessas coisas.

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– Só pode ser aqui, nossa to tão ansiosa! – uma jovem de pele morena, de estatura média, de cabelos curtos alisados num corte moderno, com mechas vermelhas falou na portaria de um prédio.

– Imagino sua ansiedade, faz muito tempo que você não vê essa sua amiga. – um homem um pouco mais alto que ela; olhos bem azuis, cabelos raspados, pele parda, encorpado; falou.

– Ai amor, eu fico nervosa demais nessas horas, devo ser tão boba!

– Irene, meu bem, você não é boba, você é incrível! Eu tenho certeza que sua amiga terá uma bela surpresa! – o homem falou a abraçando e beijando.

– Incrível de cabelos naturalmente belos! – ela falou fazendo piada balançando seus cabelos. – Então, vamos perguntar ao porteiro, só pra ter certeza... Senhor... – ela falou seguindo até o homem da portaria e o chamando.

– Uou! Esse prédio é enorme!!! – o namorado de Irene falou olhando a imensidão do local, estava tão hipnotizado que não viu a aproximação daquela moça, uma mulher que saíra apressada do prédio sem nem olhar ao seu arredor, presa ao seu celular como se esse fizesse parte de seu corpo, a trombada era inevitável, papeis caíram e se espalharam.

– Moça, pelo amor de Deus desculpa! Eu sou uma anta mesmo, deveria prestar atenção! – ele falou recolhendo os papeis dela.

– Não foi sua culpa senhor, eu tava tão empolgada ao celular que nem vi... Eu quem deveria olhar por onde ando! – ela também se retratava.

– Acho que somos dois desastrados e... – foi nesse instante que o jovem parou e olhou a face da moça. – Eu não acredito, Tereza!? – falou empolgado.

– Igor?! Mamma mia! Igor!!! Há quanto tempo! – ela falou se levantando e o abraçando.

– Nossa, você continua linda! – ele comentou.

– O tempo foi generoso comigo... Mas o que te trouxe aqui?

– Uma história engraçada, minha namorada atual tem uma amiga de infância que trabalha aqui, eu vim a acompanhar nesse reencontro sabe?

– Legal isso! Eu também tenho vários amigos e amigos da infância que tem um tempo que não vejo.

– Mas, pára com isso, eu to mesmo vendo essa aliança no seu dedo?! – ele falou sorrindo.

– Sou muito bem casada agora, e, acredite, com um namorado da minha infância, se lembra de um garoto que te contei, o Adriano...?

– Sei, um que você namorava, aí você se mudou, aí a gente começou a namorar... – ele falava gesticulando a fazendo rir.

– Mais ou menos essa a história... Olha, eu tenho um compromisso urgente agora, passa aqui mais tarde, ou amanhã, a gente marca de jantar, você vai adorar minha família! – dizeres empolgados de Tereza. – Eu tenho mesmo que ir, até il mio amico! – falou se despedindo e seguindo seu caminho.

– Caramba, rever a Tereza depois de tanto tempo, velho e ela ainda ta muito bonita! – falava sozinho ainda impressionado.

– Falando com seu amigo imaginário amor? – Irene pergunta se aproximando.

– Não, é que... Acredita que acabo de ver uma ex-namorada minha?

– Sério?! Se ela vier de charme pro seu lado eu rodo a baiana! – ela falou em tom de brincadeira gesticulando com o corpo todo, ele riu, entretanto ela se sentiu mal de repente.

– Cuidado meu bem! Controla esse seu espírito infantil de zuação , isso pode prejudicar nosso bebê! – palavras dele a segurando, passava a mão na grande barriga dela, um gesto de carinho.

– Eu to bem, gravidez não é doença Igor! – falou com propriedade. – Eu perguntei por porteiro sobre a minha amiga, o porteiro ligou pra sala dela e quem atendeu foi um assistente, ele falou que ela acabou de sair pra um almoço de negócios.

– É uma boa ideia, almoço, aposto que você se sentiu mal por que ta com fome! – dizeres diretos de Igor.

– Tirando a palavra almoço você escutou o que eu disse? – ela fez piada.

– O que você acha meu bem de procurarmos um restaurante de comida japonesa pra almoçar? Depois a gente procura sua amiga, temos muito tempo ainda.

– Nem tanto Igor... – a feição dela mudou de repente, se tornou tristeza. – Eu não sei se ela recebeu aquela carta e... Talvez ela nem saiba sobre... Coitado! – ela falou começando a lacrimejar.

– Não se preocupa amor, eu sei que é triste, sei que é difícil, mas, infelizmente, faz parte da vida... Vamos almoçar, depois a gente acha sua amiga de qualquer jeito!

– Você é um doce Igor! – ela falou antes dos dois selarem seus lábios.

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– Pai, o almoço ta muito bom! – um garoto falou a mesa, o filho mais novo de Adriano e Tereza, um garoto muito parecido com a mãe, cabelos pretos curtos, olhos bem azuis, alto pros seus 8 anos, corpo arredondado, isso devido a boa mão pra cozinhar de seu pai.

– Que bom que gostou Fábio, mas não fiz sozinho, o Carlos me ajudou. – Adriano explicou.

– Na verdade eu cortei a cenoura só. – o adolescente respondeu sorrindo, também almoçava na casa de seu vizinho.

– É, porque você não entende nada de cozinha Carlos! – o filho mais velho se pronunciou fazendo piada. Nicholas tem a pele parda, cabelos curtos castanhos escuros, olhos bem pretos, tem uma estatura média pra seus 10 anos, seu irmão mais novo é da mesma altura, também tem o corpo arredondado, Adriano cozinha muito bem isso é fato.

– E precisa ficar lembrando? – Carlos falou de forma peculiar, todos riram exceto Adriano, o gesto dele o fez lembrar alguém, ficou sério e introspectivo por uns instantes.

– Falou igual o Rafael “de menor”... – falou baixo pra si mesmo olhando pro nada.

– Ta tudo bem pai? – Fábio perguntou.

– É lógico que tá Fábio, você ainda não acostumou com as viagens do nosso pai? – Nicholas falou de maneira engraçada.

– É... É... Só to pensando em outro jogo que quero fazer... – o pai falou disfarçando. – Então, preparados pra maratona de vídeo game depois do almoço? – dizeres dele se levantando animado.

– SIM!!! – Fábio se levantou e respondeu gritando, a animação de seu pai era a mesma dele.

– Quem será a criança mais velha dessa casa? – Carlos falou em tom de piada, todos riram.

– Ah, pai, eu quase esqueci, quando eu tava chegando da aula com o Fábio o carteiro me entregou essa carta, é pra você e pra mãe. – palavras de Nicholas entregando a carta pra seu pai.

– Carta?! Nunca recebi uma carta antes! De quem será... – falou girando o envelope procurando o remetente. – É do padrinho de vocês! – Adriano falou muito feliz, a alegria parecia ter dominado por completo o corpo do pai de família, mal imaginava ele o que aquela carta dizia.

Notas finais
padre - pai il mio primo - meu primeiro mio figlio! Ti amo! - Meu filho! Te amo! il mio amico - Meu amigo Italiano do tradutor do google... Até a próxima!