Durante a viagem de retorno, Duda inquiriu Toninho:

— Que que foi, moleque? Tá muito calado.

— Que que eu vou dizer depois dessa? — replicou Toninho, indiferente à conversa do amigo.

— Eu falei pra você desde o início que aquele sujeito, o tal de Cristóvão Lee era suspeito... — disse Duda, querendo puxar conversa.

— É! Você sabia o tempo todo que ele era bandido! — devolveu Toninho, zombeteiro.

— Não, não sabia, mas tinha certeza que ele não era flor que se cheirasse. E, além do mais, isso só veio comprovar uma outra coisa...

— O quê? — indagou Toninho, olhando de soslaio para Duda.

— Que tenho mesmo faro de detetive. Só falta eu ganhar experiência pra ser um bom policial...

— Tá legal — retrucou Toninho, desconversando.

— Toninho — retomou Duda após um minuto de silêncio. — Você se lembra daquelas gargalhadas sinistras que nós ouvimos na hora em que eu abri o caixão do vampiro?

— Ô Duda, aquilo deve ter sido mais um truque dos contrabandistas. Você viu que o Kriegel aproveitou a confusão para fugir... — retrucou o amigo.

— Mas Toninho, aquelas gargalhadas eram reais demais!

— Não começa com essa história de novo. Vampiros não existem, existem? — falou Toninho, na dúvida.

— Eu não sei — admitiu Duda.

— Eu também não sei, e tenho raiva de quem sabe.

Mas Duda não conseguia ficar quieto:

— Outra coisa que está me encucando é como o delegado Paranhos soube direitinho onde nos encontrar...

— Muito simples, meu caro — volveu Toninho, imitando o jeito de Duda. — Você não ficou o recreio todo bolando uma maneira de a gente entrar naquela loja? Então. Quando a aula recomeçou, enquanto você fazia os deveres, eu fiquei bolando um jeito de sair. Você me contou que tinha avisado a sua mãe que nós íamos ficar jogando bola depois da aula. Aí eu pensei: a Maria é muito amiga da mamãe, e como você tinha me dado o endereço do lugar aonde a gente ia, eu tive a ideia de deixar o endereço com ela... Quando saímos da aula, eu passei lá na cozinha, lembra?, e disse pra Maria telefonar pra sua mãe e pedir pra ela ir buscar a gente naquele endereço, se eu não ligasse pra Maria até as oito e meia da noite. E foi o que aconteceu...

Duda, ainda intrigado, voltou à carga:

— Tá, mas como foi que você adivinhou que tudo ia dar errado?

— Eu não adivinhei nada! Só que eu tô cansado de saber que quando você inventa uma história, nunca tem o trabalho de imaginar também como ela pode acabar, e o que eu fiz foi garantir que a gente se safasse de mais essa. Muito simples, meu caro Duda...

Duda ficou emburrado o resto da viagem por causa desse último chiste de Toninho e, principalmente, por ver que o amigo era tão astuto quanto ele.

Toninho e os policiais, ao contrário, divertiram-se muito com o incidente, gozando de Duda.

A rádio-patrulha seguiu o caminho de volta para a casa dos dois pequenos detetives, porém, perto da funerária, no alto da torre de uma fábrica abandonada, um estranho vulto observava a partida do carro da polícia.

Novas gargalhadas sinistras quebraram o silêncio daquela longa noite que se anunciava...

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.