Na Mira do Vampiro
16 A mansão do vampiro
Já havia anoitecido quando Duda chegou à sinistra casa, que parecia deserta.
Aproximou-se do portão, olhou a sua volta a fim de verificar se alguém o observava e entrou ao perceber que o caminho estava livre.
Foi até a porta da frente da casa, mas ela estava trancada. As janelas, também. O mato crescia ao redor sem nenhum cuidado. Então, ele se dirigiu aos fundos da casa e, pelo caminho, confirmou o estado de total abandono.
Duda localizou a porta dos fundos. Foi até ela e, surpreso, verificou que estava destrancada. Girou a maçaneta, estranhando que esta só se mexesse por fora, e olhou para dentro da casa, mergulhada na escuridão. Não viu sinal de gente. Acendeu a luz.
A entrada dos fundos dava para a cozinha, mas o único indício demonstrando que aquilo era uma cozinha eram algumas panelas penduradas na parede e a tradicional pia. Nem fogão, nem geladeira. Havia também alguns instrumentos de carpintaria e marcenaria espalhados e dois armários encostados numa das paredes, entulhados com os mais variados materiais: desde peças de automóveis até artefatos religiosos, passando por vários tipos de estatuetas de gesso. Enfim, uma total desorganização.
Duda observou tudo com bastante atenção, e o fato de a "cozinha" estar assim desarrumada aumentou sua curiosidade. Ele foi entrando na casa...
Passou por um banheiro de tamanho razoável, onde havia outras bugigangas. Depois do banheiro ele pôde ver a enorme oficina que se escondia dentro daquela casa antiga, com serras elétricas e todos os tipos de materiais que um carpinteiro ou marceneiro precisam para trabalhar. Ficou pasmo.
O local não estava dividido em cômodos, como de costume. Todas as paredes tinham sido derrubadas para que se fizesse do lugar uma boa oficina.
Duda viu vários caixões semiconstruídos e tampas ainda por construir espalhados por todos os lados. Viu também as alças, que ficavam penduradas na parede numa espécie de mostruário.
Uma coisa, porém, chamou mais a atenção de Duda...
Mais ou menos no centro do grande salão, em cima de dois cavaletes, estava um luxuosíssimo caixão negro, brilhando intensamente. Muito bem ornamentado e envernizado, tinha cerca de um metro e noventa centímetros de comprimento.
"Uau! Aquele caixão... Só pode ser dele!", pensou Duda, petrificado ao lembrar do vampiro.
Naquele instante, ele ouviu um barulho...
Recuou, assustado, olhando para trás.
A porta dos fundos batera com o vento que soprava naquele início de noite.
Como a maçaneta só girava por fora, aquilo significava que Duda, agora, estava trancado dentro da casa. E o azar era que sua mãe em pouco tempo iria chamá-lo para jantar.
Duda tentou forçar a porta da frente, mas ela era muito resistente. Pensou em quebrar as vidraças das janelas, mas isso seria inútil, porque elas eram protegidas por grossas barras de ferro pelo lado de fora, e o barulho do vidro quebrando chamaria a atenção da vizinhança. Não adiantava insistir.
"E agora?", pensou ele. "Trancado no esconderijo do vampiro, com o caixão dele bem debaixo do nariz..." Lembrou-se de um detalhe: "A essa hora ele deve estar caçando alguma pessoa para sugar o sangue e só vai voltar lá pelas cinco da matina, quando começar a amanhecer... Eu acho que até lá o Toninho já veio me procurar", tranquilizou-se.
Mesmo assim, Duda foi até a porta dos fundos e tentou forçá-la. Não tendo sucesso, procurou num armário por uma chave de fenda bem grossa. Pegou a que lhe pareceu maior...
No mento em que ia forçar a fechadura, ouviu passos vindos do lado de fora. Tratou de correr para o salão e esconder-se num dos caixões ali guardados. Estava ficando mestre em usar esse tipo de esconderijo.
Do interior do caixão, ouviu quando a porta foi aberta, mas não ouviu o ruído dela batendo.
"Alguém esqueceu alguma coisa e voltou para buscar. Espero que não demore muito", raciocinou Duda. "Vou esperar aqui até que vá embora."
Agora Duda ouvia latidos dentro da casa.
"Epa! Será que é o..." Dentro do caixão, Duda fez um movimento, como se quisesse sair, mas, reconsiderando: "Não! Vou ficar quietinho aqui dentro. Esses vampiros usam muitos truques para pegar suas vítimas..."
Permaneceu imóvel, esperando que a "assombração" fosse embora, mas voltou a ouvir passos. O som ecoara no salão.
Quem quer que houvesse entrado na casa, estava agora bem próximo dele. Duda segurava a chave de fenda que trouxera consigo como se fosse um punhal. Estava disposto a fazer uso dela, se fosse preciso...
Novos latidos e logo a seguir alguém mandava o cão se calar.
Duda não duvidava mais de quem se tratava...
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