Na Mira da Fama: Um Bom Motivo Para Sorrir
15 Capítulo 14 - Emoção e Fofoca.
No fim da tarde, do dia seguinte, estávamos todos exaustos pelas comemorações. Era o dia da preguiça. Sook e Tony decidiram jantar fora juntos. O resto da equipe queriam aproveitar sala de jogos do hotel, e alguns membros da banda foram juntos. Jimin, Sugar e Jin estavam espalhados preguiçosamente no sofá. Me aproximei de Jimin, certa de que seus Hyungs sabiam de nós dois. Eles apenas sorriram pra gente.
— Eu conversei com os outros.— Jimin disse, chamando minha atenção. – Eles também nos apoiam.— Fiquei surpresa com a rapidez com que ele resolvia o lado dele.
— Vou falar com Tony assim que ele chegar.— Declarei, em seguida, recebendo um beijo em minha cabeça.
— Faremos isso juntos.— Disse. Neguei.
— Não.— Me afastei um pouco. – Eu preciso conversar com ele a sós.— Jimin concordou, relutante.
Algumas horas depois, Tony retornou. Eu estava no quarto quando o vi se despedindo de Sook. O chamei.
— Aconteceu alguma coisa? – Perguntou, preocupado. Neguei.
Pedi para que me acompanhasse até o terraço, longe de todos ali. Tony estava apreensivo. Pensei um pouco antes de iniciar a conversa.
— Tony, você lembra quando você me levou na minha primeira aula de dança? – Perguntei. Ele sorriu, nostálgico.
— Burlei um dia de aula para te levar a escolinha de dança, porque Papai e Mamãe estavam muito ocupados para te levarem no primeiro dia. – Franziu a testa. – Porque está lembrando disso?
Sorri de lado.
— Eu iria perder a matrícula se você não tivesse me levado.
— Eu jamais deixaria que seu sonho de dançar fosse anulado. – Tony pegou minha mão. – Eu sacrificaria qualquer compromisso pra te ver sorrindo. – Disse, e senti minha lágrima começando a cair. Tony me abraçou. Fazia muito tempo que não tínhamos um momento como este.
— Eu sinto tanta falta deles... – Não sei quando comecei a incluir e pensar nos meus pais. Achei que seria um bom momento para falar sobre a perda.
— Eu também sinto, Sophie. Mesmo sendo falho, eu estou sempre aqui, pra te apoiar. – Sua voz também parecia embargada com lamentos. – Tenha certeza que, onde que que estejam, estão bastante orgulhosos em ver que você está voltando a ser a nossa Sophie.
Ficamos um bom tempo abraçados e aproveitando o que a muito não fazíamos. Eu e Tony eramos tão próximos quando crianças, que chegava a doer a falta que me fazia. Não havia sido ele a mudar, e sim, eu.
— Me perdoa. – Foi o que consegui dizer. – Você sempre esteve comigo, e eu ignorei todos esses momentos.
— Tudo bem. O importante é que nunca deixei de tentar e agora, você me parece tão diferente... – Afrouxou um pouco nossa abraço e tocou meu queixo. – Não sabe o quanto estou feliz e agradecido ao Jimin por isso.
De repente, fiquei surpresa com sua declaração. Desde quando ele sabia do Jimin? Porque não estava bravo?
— Sophie, acha mesmo que não reparei todas as vezes em que estão juntos? – Começou, com um riso fraco. – Ele foi o único que conseguiu te fazer sorrir depois te tantos anos da minha tentativa frustrada. – Alegou. Soltei um riso fraco também. – Além do mais, Sook me contou sobre a missão no Japão. – Tony fechou o olhos. Respirando fundo. – Juro que me segurei muito para não dar uma boa bronca naquele moleque. Mas Sook tem o dom de me dobrar.
— Devo agradecer a ela por isso? – Brinquei. Tony revirou os olhos.
— O que eu quero dizer é... – Colocou uma mecha do meu cabelo por trás da minha orelha, ignorando minha pergunta. – Se você está feliz, quem sou eu para acabar com isso? Há muito tempo prezo por isso, e agora que estou ainda vivo para ver novamente esse sorriso.. – Brincou. – Não vou deixar que nada atrapalhe.
— E o seu emprego? Acha que Bang Oppa irá gostar de saber disso? – Perguntei, frustrada.
— Não ligo pra o que Bang Oppa vá fazer comigo, apesar de gostar a ideia de ser Co-produtor de uma enorme gravadora, não é o único lugar no mundo. Posso me virar, como sempre fiz. Também tenho minhas influências, esqueceu? – Respondeu.
— Mas a mídia pode cair em cima. – Argumentei, incerta.
— Falando nisso. – Tony pediu um momento, antes de abrir a tela do seu celular e colocar em site de fofoca da Coréia, bastante famoso.
“(...) O casal foi flagrado saindo de mãos dados do clube mais badalado de Las Vegas, e ainda fizeram uma maravilhosa coreografia em baixo de uma chuva daquelas. Se amor está no ar? Foi, multiplicado por milhares de coraçõezinhos em volta daquele lindo cenário em uma noite refrescante de uma praça. Nosso amado e fofo Park Jimin teria encontrado seu verdadeiro amor?Quem é a estrangeira que lançara a flecha do Jazz no lindo coração do nosso atual ruivinho?(...)”
Fiquei abismada com a notícia, não que esta tenha sido uma crítica. Olhei para Tony que ainda fitava o celular. Continuei a leitura. Haviam diversos comentários sobre o fato, e a maioria nem eram tão solícitos. Na verdade, chegavam a ser preconceituosos.
— Parece que a mídia te recebeu bem. Mas as Armys nem tanto. – Disse, antes de colocar o celular no bolso. – Vou fingir que você não mentiu pra mim sobre se sentir mal ontem, e deixar passar. – Beijou o topo da minha cabeça. – Ainda não me responsabilizo em manter a sanidade se aquelas mãozinhas branquelas passarem dos limites. – Completou.
Eu não consegui responder a este comentário. Meu foco estava completamente em cima do preconceito em relação a esse possível romance. Mais uma vez eu me sentia mal por isso. Sabia que com Tony, estava tudo bem... Mas com o público...
Como lidar?
De repente, Tony deu uma tossidela, e se afastou, entrando no apartamento. Em seguida, Jimin veio ao meu encontro.
— Eu estou com certo pavor, porque seu irmão não parece feliz em me ver.— Jimin indagou, preocupado.
Não respondi. O abracei, apenas.
— O que deu em você?— Perguntou, abraçado minha cintura.
— Você viu isso?— Puxei o meu próprio celular e procurei notícia. Entreguei para ele, e parecia agir da mesma forma que eu. Surpreso.
— Como conseguiram esse vídeo?— Perguntou.
— Jimin, acho que minha preocupação não é como conseguiram essa filmagem.— Fitei ele. – Os comentários...— Ele pareceu entender.
— Já disse que vamos fazer isso funcionar. Daremos um jeito nisso.— Insistiu.
— Acho que devemos esperar essa repercussão. – Me afastei um pouco dele. – Além do mais, Bang Oppa ainda dará o ultimato sobre isso, não é?— Não esperei ele responder, porque sabia que tinha entendido completamente o que eu queria dizer.
Por mais que algum pingo de esperança brotasse em meu coração, eu tinha quase certeza que o Produtor deles não aprovaria um relacionamento mestiço, que possa gerar negatividade para a gravadora e a banda. Não quando o BTS estava em seu auge.
Fale com o autor