Todos pareciam agitados, indo de um lado para o outro ocupados. Ajudei Chul com alguns equipamentos no palco, enquanto observava uma mutirão de Army ocupando todo o espaço do Campus. O show nem havia começado, e elas já pareciam animadas com qualquer movimento no palco.

Deve ser loucura cantar e ouvir tanta gente chamando seu nome.— Chul observava o público, sonhador.

Assustador, pra falar a verdade.— Comentei, terminando de conferir o som e saindo do palco com Chul.

Somos sortudos por estarmos fazendo parte disso todo.— Chul continuou. Se antes eu tinha alguma dúvida de que ele era um fanático pelo BTS, agora eu tinha toda certeza. Como deve ter sido pra ele no dia em que descobriu que trabalharia com seus ídolos? Ri com o pensamento.

Vi Jimin fazendo alguns passos de dança com Jungkook e J-Hope. Eles se divertiam. Lembrei da noite passada e o quanto havia sido bom conversar sobre tudo que eu vinha guardando por todos esses anos. No final das contas, Tony tinha razão quando dizia que eu precisava me abrir com as pessoas.

E falando nele...

— O que é isso aí na sua cara? – Ele perguntou, com um semblante confuso e preocupado. Toquei meu rosto, curiosa.

— O que? – Perguntei, nem mudar minha expressão.

— Eu vi um sorriso. – Falou. Revirei os olhos.

— Não foi nada. – Respondi. Disfarcei. As vezes eu era um pouco orgulhosa. Chul deu uma desculpa qualquer e saiu do nosso lado.

— Sei... – Fingiu que acreditava. – Preciso da sua ajuda com o professor de dança do rapazes.

— Porque? – Perguntei, curiosa. Tony suspirou.

— Ele recebeu uma ligação importante sobre o estado de saúde de algum membro familiar. – Tony colocou a mão na testa, fazendo dobras. – Ele vai precisar ir e ainda não passou a coreografia da nova música dos rapazes para os próximo MV que será gravado após a turnê. Mas tem um DVD gravado com alguns passos que fez para ajudar.

— Que bom, então. – Dei de ombros. — E o que eu tenho a ver com isso? – Perguntei, incerta sobre o que ele queria de mim. Eu esperava imensamente que ele não sugerisse a minha volta como dançarina. Tony percebeu a minha tensão.

— Só preciso que pegue o DVD com ele no hotel e passe as instruções para o dançarino mais experiente. – Explicou, e fiquei aliviada por isso. – O pessoal ta muito ocupado agora e não pode ir com Tuli. Pode fazer isso? – Pediu.

— Claro! – Concordei. Assim que Tony saiu para verificar se estava tudo pronto para a abertura do show, soltei um suspiro aliviado.

Observei Sook atravessando o corredor com uma das jaquetas dos rapazes.

Uni!— Chamei, apressando os passo. Ela sorriu. – Viu o Senhor Tuli?— Perguntei.

Ele estava conversando com o motorista da van, no fim do corredor a esquerda.— Ela apontou, e me perguntei como Sook sabia onde todo mundo estava. Era quase assustador, isso. Ela sabia de tudo.

Agradeci e andei pelo extenso corredor, esbarrando com um e outro. Até encontrar Tuli, dando mais um piti nervoso no telefone, ao lado do motorista da van.

Tony me pediu pra pegar o DVD com você no hotel.— Avisei logo. Por alguma razão, eu não gostava muito dessa tal de Tuli.

Vamos!— Ele me puxou porta a fora. – Preciso pegar um voou daqui a duas horas e ainda tenho que passar as instruções da nova coreografia.

No caminho, não conversamos nada, e eu apenas o ouvia conversar de instante instante no celular. Ele conversava em inglês. Nessas horas, eu gostaria muito de não entender inglês, apenas para não prestar atenção na conversa. “Claro, Claro!”, “Precisamos conversar sobre isso”, “No mesmo dia(...)?”. Eram apenas respostas, e ele parecia nervoso.

Quando chegamos ao hotel, ele fez questão de colocar o DVD e pediu para que eu anotasse alguns passos extras e suas explicações para alguns movimento, pedindo que colocasse a Boy Band na ordem que ele tinha planejado. Conti diversas vezes a vontade de revirar os olhos. Eu só precisava passar o DVD para um dançarino mais experiente e pronto. Ele provavelmente saberia o que fazer com tudo isso.

Eu não havia gostado de forma alguma dessa nova coreografia. Não parecia ter nada a ver com a música de fundo que tocava. Mas eu não iria dar palpite. Mesmo que a coreografia fosse sem graça e nem um pouco atrativa.

Na volta, o motorista deixou Tuli no aeroporto e me levou de volta para o local do Show. Com o DVD dentro do bolso, decidi que não era o melhor momento de repassar informações, já que os rapazes inciaram o show. De longe, eu apreciava toda a gritaria e empolgação das pessoas. O meninos era talentosos e cativantes.

— Conseguiu? – Tony perguntou, se aproximando.

— Sim, está aqui no bolso. Amanhã, repasso as informações que ele pediu. – Informei. Tony atravessou seu braço em meu ombro, e notei um ar de orgulho enquanto apreciava também o show. Estava indo tudo muito bem.

No término, os rapazes agradeceram as fãs e de uma forma geral, a toda equipe responsável pelo Show. Tony foi citado como Co-produtor e o mesmo sorriu orgulhoso. Era normal que em show, cantores agradecerem por tudo, e comecei a pensar no quão feliz meu irmão deveria está com esse reconhecimento, e se Bang estiver vendo tudo isso, seria ainda melhor.

***

Muito bem, parabéns a TODOS pelo maravilho trabalho!— Tony brindava quando a maioria já estava reunido em um espaço reservado pra toda a equipe, atrás do palco. – Nossa estréia nessa turnê começou um sucesso e continuará sendo assim se continuarmos nesse ritmo.— Todos sorriram felizes pelo trabalho.

Os rapazes estavam exaustos e não era pra menos. Esgotaram suas energias no palco. Sook sugeriu que todos eles trocassem suas roupas por moletons confortáveis, para voltarem pro hotel. Teríamos dois dias ainda antes de fazermos uma nova viagem.

Resolvi ficar um pouco mais para colaborar com a retira da maioria dos equipamentos. Porque no dia seguinte, não teria tanto trabalho pra fazer.

Quando me dei conta, já eram quase três da manhã. Os rapazes tinham sidos levado por Sook bem mais cedo, para descansarem. Tony e eu cuidamos de algumas coisas antes de irmos também.

— O resto a equipe de produção vai cuidar amanhã, irmanzinha. Precisamos voltar por hotel. – Bocejou, cansado. Concordei.

Chul estava por perto, também ajudando. Oferecemos carona no carro que estava disponível pra Tony. O resto da equipe se preparava pra voltar pro ônibus. Havia sido um dia ainda mais exaustivo, e mal entrei no quarto, acabei desmaiando na cama.

Naquela noite, meu sonho estava voltado, completamente, para minhas lembranças mais antigas, seguida de fantasias onde eu era a coreografa dos rapazes e reclamava pelo péssimo mal gosto com as roupas.

Acordei em um salto, com um susto de algo de quebrando. Olhei para os lados, vendo que Sook não estava por perto. Busquei o meu celular em cima do criado mudo, olhando a hora em seguida. Quase duas da tarde. Eu havia dormido demais.

Me levantei, preguiçosamente, percebendo que estava com a mesma roupa da noite passada. De repente, uma lembrança surgiu em minha mente e rapidamente levei as mãos ao bolso da minha calça. O DVD!

— Não, não não, não! – Rezei para que estivesse inteiro, e que não tivesse sido ele que havia quebrado, e cujo barulho havia me acordado. – Droga!

Minha mão foi de encontro a cabeça, e me sentei na beirada da cama, desesperada. Tony vai me matar! Ou pior, as fãs dos rapazes vão me matar se souberem que quebrei o único DVD que continha a coreografia da nova música da banda. Como eles vão ensaiar? Como vou poder passar as instruções?

Definitivamente, isso poderia afetar o cargo de Tony também. Por ele ter trazido uma desastrada incompetente que atrapalharia tudo. Tive vontade de sumir naquele mesmo instante.

Olhando para o Dvd quebrado em duas parte em cima da cama, comecei a me lembrar de toda a coreografia que ali continha. Não era pra tanto o desespero, porque os passos nem eram tão complicados, e além do mais, era apenas uma base.

Tony não precisava saber que o DVD havia quebrado, e eu só precisava repassar os passos para alguém, e esse alguém repassar pra banda. Na minha cabeça parecia bem simples de ser resolvido o problema. Mas lembrei também, que já fazia muito tempo desde a última vez que dancei. Estava enferrujada.

Bom, ninguém precisava me ver dançando. Não seria tão ruim assim, seria?

Notas finais
Agora sim a Sophie vai ter que, por bem ou por mal, voltar as raízes de origem, que é a dança. Pelo menos ela tentará fazer de tudo para não descobrirem essa façanha. Como se sairá? Comentem aí o que acham que vai acontecer no próximo episódio. (Detalhes: Já tenho mais dois capítulos prontos.)