Na Margem do Rio Piedra.
1 Capítulo 1
Notas iniciais
OIIIE :3
Espero que gostem é boa leitura. ♥
Eu esquecerei as estradas, e os campos de meus sonhos — sonhos que eram meus, e que eu não conhecia. Eu me lembro do meu instante mágico, daquele momento em que um "sim" ou um "não" pode mudar toda a nossa existência. Parece ter acontecido há tanto tempo, e no entanto faz apenas uma semana que reencontrei meu amado e o perdi. Nas margens do rio Piedra escrevi esta história. As mãos ficavam geladas, as pernas entorpecidas pela posição, e eu precisava parar a todo instante. — Procure viver. Lembrar é para os mais velhos. — dizia ele. Talvez o amor nos faça envelhecer antes da hora, e nos torne jovens quando a juventude passa. Mas como não recordar aqueles momentos? Por isso escrevia, para transforma a tristeza em saudade, a solidão em lembranças. Para que, quando acabasse de contar para mim mesmo esta história, eu a pudesse jogar no Piedra, assim me dissera a mulher que me acolheu. Então, lembrando as palavras de uma santa "As águas poderiam apagar o que o fogo escreveu." Todas as histórias de amor são iguais.Tinhamos passado a infância e a adolescência juntos. Ele partiu, como todos, partem das cidades pequenas. Disse que ia conhecer o mundo, que seus sonhos iam além dos campos de Yamanashi. Fiquei alguns anos sem notícias. De vez em quando recebia uma carta ou outra, mas isto era tudo, porque ele nunca voltou aos bosques e às ruas da nossa infância. Quando terminei meus estudos, mudei para Kawasaki, e descobri que ele tinha razão. Yamanashi era uma cidade pequena e seu único poeta famoso dissera que o caminho é feito ao andar. Entrei para faculdade, e arranjei uma noiva. Comecei a estudar para um concurso público que não acontecia nunca. Trabalhei como vendedor, paguei meus estudos, fui reprovado no concurso público, desisti da noiva. Suas cartas, então, começaram a chegar com mais frequência e, pelos selos de diversos países, eu sentia inveja. Ele era o amigo mais velho, que sabia tudo, percorria o mundo, deixava crescer suas asas, enquanto eu procurava criar raízes.De uma hora para outra, suas cartas falavam em Deus, e vinham sempre de um mesmo lugar Toquio. Em uma delas, manifestou o desejo de entrar para um seminário, e dedicar sua vida à oração. Eu escrevia de volta, pedindo que esperasse um pouco, que vivesse um pouco mais sua liberdade antes de se comprometer com algo tão sério. Quando li minha carta, resolvi rasgá-la: quem era eu para falar em liberdade ou compromisso? Ele sabia destas coisas, e eu não. Um dia soube que estava dando palestras. Fiquei surpreso, porque era jovem demais para ensinar qualquer coisa. Mas, há duas semanas, me mandou um cartão dizendo que iria falar para um pequeno grupo em Chiba, e fazia questão da minha presença. Viajei por quatro horas, de Kawasaki a Chiba, porque queria tornar a vê-lo. Queria escutá-lo. Queria sentar com ele em um bar, lembrar os tempos em que brincávamos juntos, e achávamos que o mundo era grande demais para ser percorrido.
Notas finais
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