Notas iniciais
Minha primeira One Shot.
Boa Leitura.

Me sinto sozinho... abandonado... sem ninguém. Hoje olho para seu retrato sobre o criado mudo... e choro... choro na esperança de que minhas lagrimas levem embora toda a minha angústia,... minha mágoa,... minha dor... tudo oque quero nesse momento é morrer... desaparecer... deixar tudo para trás. Não... Preciso de algo para distrair minha mente... algo que me faça viver. Algo que me lembre de viver... me lembre de respirar... me lembre de seguir em frente.

Me levanto da cama relutante e vou até a janela. Abro a grossa cortina cinzenta, deixando que os frios raios de sol de inverno entrem em meu quarto. Sinto o vento gelado bagunçar meus maltratados cabelos negros, mas não me encolho ou tremo, apesar de estar usando apenas um short que eu normalmente uso para dormir. Afinal, gosto do frio, ele me faz eu me sentir mais eu. Fico olhando para o nada por alguns minutos, com a cabeça completamente vazia, sem nenhum pensamento incomodo para me fazer derrubar mais lágrimas. Saio de perto da janela e vou para o banheiro, afim de avaliar os estragos que aqueles três dias de depressão me causarão.

Entro no banheiro devagar e me olho no espelho, arregalando os olhos no mesmo instante. Meu cabelo está totalmente emaranhado, meus olhos azuis acinzentados estão vermelhos e cheios de olheiras pelas noites mal dormidas. Eu também estou fedendo e morrendo de fome. Tiro a roupa dentro do banheiro e entro no box. Ligo a agua fria e relaxo enquanto sinto-a percorrer meu corpo. Tomo um banho bem demorado e saio apenas quando me sinto totalmente limpo. Saio do banheiro já enxuto, com uma toalha branca enrolada na cintura. Vou até o guarda-roupa de mogno não aberto há dias e pego uma calça jeans escura, uma camisa branca com manga curta e um tênis All Stars azul escuro com branco. Me visto sem cerimônia e volto ao espelho. Meu cabelo lustroso e um tanto grande está assentado naturalmente, como eu gosto que ele fique, sem nenhum penteado particular. Meus olhos estão com a cor acentuada, já não estão tão vermelhos e não apresentam tantas olheiras como antes. Minhas feições estão mais suaves e não apresentam tantos sinais de cansaço.

Depois de alguns minutos estudando minha aparência me tomo por satisfeito. Vou até o criado mudo e pego a foto no porta-retratos e saio do quarto. Me afasto da porta do quarto, no fim do extenso corredor, com passagens para outros dois quartos e um banheiro, indo em direção á escada. Desço á passos lentos, procurando não provocar ruído. A escada termina na sala de estar, mobilhada com um grande sofá, uma mesa de mogno para seis lugares, duas poltronas e uma TV de plasma 45 polegadas com TV a cabo, Playstation3 e Nintendo Wii. Vou para o corredor ao lado da sala. Numa das pontas do corredor há um banheiro, na outra há a porta da frente e no meio há a porta da cozinha. Entro na cozinha devagar e em silêncio. Mal dou três passos e a garota que está sentada a mesa de carvalho para quatros lugares se levanta abruptamente, quase derrubando a cadeira e me abraça fortemente, enquanto enterra seu rosto em meu peito, aos prantos. Fico sem reação por alguns segundos, completamente perdido. Retribuo o abraço, aninhando ainda mais nossos corpos, enquanto acaricio seus cabelos castanhos claros com uma das mãos.

Cerca de meia hora depois o choro diminui e eu consigo leva-la para a sala. Sentamo-nos no sofá e eu consigo fazer com que ela olhe para mim. Seus olhos também são azuis, porem não são cinzentos como os meus, são especiais. Seus olhos podem variar o tom de azul, desde o tom mais vibrante e alegre ao tom mais nebuloso e sombrio, dependendo de seu estado de espírito. Agora eles estão escuros e sombrios, demonstrando toda a sua dor, tendo a cor ressaltada pela vermelhidão causada pelas varias horas de choro. Ficamos nos encarando por um tempo e um silêncio incômodo começou a se formar entre nós. Eu não sei oque dizer, mas ela quebra o silencio.

- Obrigado. – ela quebra o contato visual e olha para um canto qualquer do cômodo.

- O que aconteceu? — pergunto visivelmente preocupado.

Ela olha para mim novamente com os olhos marejados, se segurando para não se desmanchar em lágrimas novamente.

- E-Ele... –ela começa a ficar soluçante e sua voz fica mais fraca – ele estava c-com outra. – ela enterra seu rosto em meu peito novamente, chorando alto.

Eu devia ter imaginado. Desde pequenos eu e minha irmã somos estranhamente ligados. Tudo que acontece a um acontece ao outro. Eu fui traído e sofri muito com isso, ela também foi traída e parece estar sofrendo mais do que eu. Sinto uma onda de raiva inexplicável tomar conta de meu corpo. Não sei como não gritei naquele momento. Como manti a calma. E como não me levantei e sai de casa apenas para ir matar o desgraçado. Ao mesmo tempo em que tento consola-la as imagens que me assombraram nos últimos dias voltam a minha mente, fazendo-me estremecer. Ela percebe minha reação e volta seu olhar para meu rosto, vendo minhas lágrimas que começam a rolar por meu rosto sem minha permissão. Eu tento seca-las com uma das mãos, mas ela me segura e aproxima seu rosto do meu. Ela seca minhas lagrimas com pequenos e ternos beijos. Eu por um simples instinto pego seu rosto em minhas mãos e a beijo, sendo para minha surpresa correspondido.

É um beijo calmo no começo, carregado de emoções desconhecidas para nós dois. Nos separamos por alguns momentos, não afastando muito nossas bocas. Ela toma iniciativa, me beijando novamente e passa os braços por meu pescoço, me puxando para si. Eu a abraço pela cintura, intensificando o beijo, transformando-o em algo urgente, quase uma necessidade, e sinto meu corpo inteiro enquanto ela arranha meu couro cabeludo. Nos separamos ofegantes, apenas pela necessidade de respirar. Eu começo fazer uma trilha de beijos por seu pescoço, enquanto ela começa a enfiar as mão por debaixo da minha camisa e começa a tira-la quando a campainha toca e nós nos separamos rapidamente, cada um indo para um canto diferente do sofá.

- É melhor eu atender. – digo quando a campainha toca novamente.

- Eu vou com você. – ela fala com a face levemente corada.

Eu me levanto devagar e vou em direção à porta com ela logo atrás. Abro a porta e me espanto com quem encontro. É um rapaz alto, loiro, rosto fino, olhos verdes, bonito, até demais. Seus olhos se iluminam ao ver minha irmã um pouco atrás de mim. Ele dá um passo em sua direção e eu me coloco entre eles. Ele fica com uma expressão triste e fita a neve a seus pés.

- Carmem... – ele começa hesitante – me perdoe. – ele olha alternadamente de mim para minha irmã – Eu não tive culpa. Ela me agarrou!!

Eu soco-o assim que para de falar. Eu coloco toda a minha força nesse soco, e ao acerta-lo sinto sua mandíbula se quebrando com o impacto. Ele cai de joelhos, segurando a mandíbula quebrada e gemendo de dor, enquanto uma boa quantidade de sangue escorre por entre seus dedos, caindo na neve.

- Se você tem a cara de pau de vir até aqui invente uma desculpa decente!!!! – a fúria é visível em minha voz e ele se assusta tal ponto que cai para traz, descobrindo a mandíbula visivelmente quebrada.

Eu começo a andar em sua direção, e assim que estou bem próximo eu só não o espanco porque Carmem coloca a mão em meu ombro. Eu paro e olho para ela. Sua expressão está estranhamente neutra. Ela se aproxima do coitado caído agora de bruços que tenta se arrastar para longe gemendo de dor. Ela sorri cinicamente e eu me assusto, por nunca tela vista assim. Ela se abaixa e agarra os cabelos loiros do rapaz caído e os puxa com força, forçando-o a encara-la.

- Eu te perdoo Chad. – ela diz fria e larga os cabelos de Chad, se levantando.

Chad tenta se levantar, e assim que consegue ficar de quatro recebe um forte chute nas costelas vindo de minha irmã. Eu ouço suas costelas se partindo sob a força do impacto e dou um sorriso malicioso ao velo caído de costas. Ele nos olha com desprezo enquanto geme de dor e pressiona o lugar em que recebera o chute com as duas mãos. Eu me aproximo um pouco mais e tiro a foto de meu bolso, mostrando-a a ele e rasgando-a logo em seguida.

- E aproveite e diga para aquela vadia da Michele, que você tanto se orgulha de chamar de irmã para ela nunca mais aparecer na minha vista. – jogo os pedaços sobre ele e me viro para Carmem. Eu a pego pela cintura e a beijo ali mesmo, no meio da rua. Vamos em direção a nossa casa e entramos sem cerimonia, deixando o coitado na neve, tremendo e sangrando.

E foi assim que na dor nasceu um amor. Mas não algo que se tem entre uma família unida, mas sim algo mais. Hoje, depois de vários anos não me arrependo de nada. E faria tudo de novo se for preciso, apenas para tê-la comigo.

Notas finais
Obrigado por lerem.
P.S.: MANDEM REVIEWS!!!!!!!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!