Notas iniciais
Esse capítulo não foi revisado, desculpe pelos erros ^^
Boa leitura e comente!

Nunca foi boa em fazer escolhas e em responder as pessoas quando estou nervosa ou sob pressão, naquele momento as duas coisas aconteciam ao mesmo tempo. Billie deve ter percebido isso.

– Disseram que você foi embora porque passou mal, é verdade? – eu assenti. Ainda estava mal, para falar a verdade. – pensei que era alguma desculpa.

– Não foi, eu realmente passei mal. – respirei fundo, pronta para fechar a porta dessa vez. – e eu ainda não estou muito bem. Então, se não se importa...

– O trabalho é para daqui a duas semanas e eu não gosto de fazer as coisas em cima da hora. Domingo a uma hora na minha casa, está bom para você?

– Acho que sim. – Billie sorriu e me surpreendeu com um abraço.

– Vê se melhora então, viu? – disse ao pé do meu ouvido, virando as costas logo em seguida.

Depois dessa, provavelmente não.


Mesmo não tendo significado muita coisa Billie ter vindo até a minha porta, eu fiquei instantaneamente feliz por ter visto ele. E então percebi que isso acontecia com muita frequência, em apenas uma semana. Esse pensamento me atormentava.


Fui jantar, meus pais não abriram a boca para comentar sobre o que aconteceu na escola. Só assenti quando me perguntaram se eu estava melhor. Mesmo assim, não estava tão triste quanto deveria estar, levando em conta todos os acontecimentos. Talvez eu só estivesse me acostumando, pensei.

Enquanto comia olhei para minha mão, onde o telefone da Camille e do Frank estavam anotados: não, eu ainda não havia tomado banho. Antes de ir marquei os números em um papel, e só depois tomei coragem de colocar os números no meu celular.

Desde o começo da semana eu não tocava no meu celular, e não foi por acaso. Eu sabia (ou pelo menos esperava) que quando meus amigos percebessem que eu tinha ido embora eles iriam exigir alguma explicação, e eu não poderia dar explicações sem meu celular. Sendo assim, o deixei desligado, jogado dentro da gaveta de roupas íntimas. 30 mensagens não lidas e 50 chamadas não atendidas. A curiosidade foi maior que a minha covardia.

“Vai me dar um bolo mesmo? Você tinha marcado de ir no cinema comigo hoje, lembra? Eu já to aqui na frente, se não vier avisa logo. Beijos, Bárbara.”

“Faltou hoje, aconteceu alguma coisa? Eu passei na frente da sua casa agora pouco e não tinha ninguém, eu fiquei preocupado. Responde logo. – Mike”

Pulei as mensagens seguintes e fui para as últimas.

“Juro que se ninguém me der uma resposta cabível de onde você está eu vou direto a delegacia. Paloma disse que a pai de vocês arrumou outro trabalho em Nova York, e só você foi obrigada a ir junto. Mas eu não acreditei. Olha, se tem alguma coisa acontecendo você sabe que pode contar comigo, não sabe? Pra qualquer coisa. Me reponde, pelo amor de Deus. – Mike.”

Não mentiram tanto, no final das contas. Juntei as minhas forças e respondi.

“Me desculpa não ter falado antes, mas é verdade. Meu pai arrumou um emprego muito bom por aqui, e me obrigou a vir junto, sabe como é. A gente passou esses primeiros dias discutindo, arrumando as coisas por aqui e eu não tive tempo para nada. Mas eu prometo que é por pouco tempo e assim que eu tiver tempo eu conto mais coisas. E dessa vez pode acreditar em tudo que Paloma disser haha. Se tudo der certo em pouco meses eu volto, peça desculpas aos outros por mim.”

Passei alguns minutos refletindo sobre o que acabado de enviar, em o quão canalha eu estava sendo e como as coisas iriam ser depois que eu resolve-se a minha vida. Me perdi tanto nesses problemas que me esqueci que tinha que falar com Camille, e principalmente com Frank. Me desculpei com ela, rapidamente, e enviei antes que desistisse.

“Tudo bem, essas coisas acontecem.”, ele me respondeu. Camille escreveu que segunda conversaríamos sobre o que tinha acontecido, mas por alguma razão aquilo não me amedrontou. Respirei aliviada e me joguei na cama, olhando para a janela ao lado. Eu podia ver o quarto de Billie daquele ângulo, e então percebi que ele também me observava. Sorri sem graça, fechei a cortina e voltei a dormir como uma pedra.


Sábado eu acordei cedo, deve ter sido porque eu dormi durante toda a sexta. Meus pais não estavam em casa. Era o meu primeiro fim de semana em NY e eu não tinha ideia do que fazer, só tinha certeza que não iria ficar dentro de casa. Coloquei uma roupa simples, peguei uma bolsa e meu livro e sai sem rumo.


Poucas quadras depois da minha casa, me lembrei de um parque que ficava ali perto e que eu passava pela frente todos os dias a caminho da escola. Caminhei sem pressa, prestando atenção em tudo que estava ao meu redor e tentando me manter feliz somente por estar em NY. O dia estava lindo e ensolarado, isso ajudava muito. Comprei uma casquinha de sorvete com um senhor muito gentil, e só depois me sentei de baixo de uma árvore para ler meu livro.

A árvore me protegia do sol batia no restante do parque, ficava a frente de um lago onde crianças alimentavam patos. Sorri ao me lembrar do parque eu costumava ir com a minha família na minha antiga cidade. Era consideravelmente menor em comparação ao de Nova York e havia muito menos pessoas, porém era aconchegante da mesma maneira. Fiquei um tempo sentada, apenas observando as crianças brincarem em volta do lago. As mães ou os pais olhavam de longe, sorrindo. Abri o meu livro novamente, agora disposta a começar a ler.

Ouvi um barulho de bicicleta passando por mim, duas ou três vezes, mas não me dei ao trabalho de desviar a minha atenção. Segundos depois, percebi que alguém havia se sentado ao meu lado.

– Parece que alguém madrugou hoje. – me virei e encontrei aquele sorriso, agora tão conhecido, mais perto do que eu desejava. Ou tão perto quanto desejava, como preferir.

– Digo o mesmo. – voltei a atenção para o livro, ou pelo menos fingi.

– Eu venho aqui cedo todos os finais de semana para dar uma volta de bicicleta. – Billie apontou a bicicleta encostada a árvore. – Vejo que você melhorou.

– Sim, bem observado. – respondi seca, esperando que ele fosse embora. Podia sentir o olhar dele sobre mim. – você não vai me deixar ler mesmo, não é, Billie?

– Não. – ele riu e se levantou. Suspirei derrotada seguindo ele com o olhar. – me espera aqui, vou amarrar a minha bicicleta em algum lugar.

– E aonde vamos?

– Hoje eu vou ser o seu guia. – ele sorriu, me oferecendo a mão. – vai conhecer o melhor do Upper East Side.

Num piscar de olhos ele estava de volta, eu estava pronta para negar e dizer que tinha coisas importantes para fazer quando ele me puxou pelo braço e começou a caminhar rapidamente. Billie começou a dizer uma porção de coisas sobre o bairro, como tudo ali era interessante. Ele falava como uma criança mostrando o brinquedo novo e, sinceramente, foi a coisa mais fofa.

As horas passaram como minutos. Billie fazia questão de olhar para mim depois de me mostrar algum lugar, perguntando o que tinha achado, e logo depois me puxava para outro lugar. Eu me sentia bem perto dele, mas não da mesma maneira que me sentia junto a Camille e Frank. Não que eu não goste deles, mas Billie me fazia esquecer o que estava ao meu redor. Me fazia esquecer da minha vida e até mesmo que ele tinha namorada. Esse pensamento me atormentou por um tempo, mas se ele tinha me chamado para dar uma volta pela cidade (uma inocente volta) não teria problema, certo?

– Você por um acaso está me ouvindo? – Billie interrompeu meus devaneios estralando os dedos na frente do meu rosto. Estávamos em uma lanchonete, que ele dizia ser a melhor da região. Eu tomava o meu segundo sorvete do dia enquanto ele tomava seu milk-shake. – Roberta!

– O que foi? Que saco. – eu disse, rindo logo depois.

– Eu perguntei se você vai a festa do Logan sexta. – antes de responder ele me cortou. – a resposta é sim, não é? Por que você não leva Frank e Camille também, assim eu faço Logan pedir desculpas.

– De jeito nenhum. E por falar nisso, eu nem sei se vou.

– Como não? Eu vou estar lá!

– Exato, você e Rachel. – eu soltei, sem pensar. Segundos depois percebi o que tinha dito e um sorriso já se abria no rosto de Billie. Tentei consertar. – Desde o incidente do meu primeiro dia aqui... acho que ela não vai muito com a minha cara.

– A sim claro, desde “o incidente”. Não se preocupe, ela não vai com a cara de ninguém. Além do mais, garanto que se conhecer ela melhor vocês iriam se dar bem. – eu torci o nariz. Ele forçou a última parte, como se estivesse afirmando mais para ele do que para mim. Sua feição se fechou e eu me senti culpada por isso, mesmo sem saber o porquê.

– Já é meio dia, é melhor irmos. Eu ainda tenho que arrumar as minhas coisas, hoje a tarde eu vou viajar com os meus pais.

Eu disse que tudo bem. Pagamos o que comemos e saímos, o clima estava diferente. Billie deve ter percebido isso, passou o braço por cima dos meus ombros enquanto caminhávamos.

– O tempo passa rápido quando estamos com quem a gente gosta, não é? – ele disse rindo, seguido por mim.


Não fizemos o trabalho de filosofia, me lembrei a tarde que Billie estava viajando logo no domingo. Sendo assim, eu fui para o parque novamente. Agora sem guias-turísticos para atrapalhar minha leitura.


Na segunda-feira Camille me esperava sozinha na frente da escola, com cara de poucos amigos. Me sentei junto a ela nos degraus e não esperei que ela começasse a falar.

– Olha eu não sabia que...

– Tudo bem. – ela me cortou, dando a entender que não era comigo que ela estava brava. – O Frank que é um idiota. Porque raios ele parou atrás de você? Ah, quer saber? Esquece, ele sempre foi tosco mesmo.

– Eu ainda não entendi muito bem. Eles são assim com todo mundo, ou só vocês não se dão bem? – perguntei, sincera.

– Sim e não, um pouco das duas coisas. O negócio é que pararam de implicar com a gente a pouco tempo, e eu realmente não quero que tudo comece de novo. Eu não garanto que alguém vai sair vivo. – a fúria em seus olhos se transformou em indignação em questão de segundos. – e você, senhorita? Foi se sentar com a Rachel mesmo depois dela ter feito você passar vergonha na frente de toda a escola.

– Eu não fui me sentar com a Rachel. Billie e Logan me chamaram. – falei a verdade obvia.

– Isso é dez vezes pior. – antes de ter a chance de perguntar o porquê, Frank chegou. – é a ele que você deve desculpas.

– Ela já pediu, Camille. Não fique colocando a culpa na menina. – ainda sonolento, ele se virou para mim. – não ouça nada do que ela diz.

– Eu estou aqui, sabia? – já estávamos levantados. Ignorei a Camille raivosa ao meu lado e me dirigi a Frank.

– Afinal, o que aconteceu para você se odiarem tanto? – eles se olharam, Camille deu ombros.

– Eu e Logan erámos muito amigos até dois anos atrás, ai algumas coisas aconteceram.

– Algumas coisas, resumidamente: Logan começou a andar com os populares, mas tiravam o sarro porque ele era o melhor amigo do Frank. – eu não estava entendendo mais nada até ali, a minha cara de confusa deve ter passado isso.

– Eu sou bolsista. – Frank disse rapidamente, como se fosse algo muito ruim. Eles esperavam a minha reação, eu dei ombros.

– Isso é ótimo, certo? Quer dizer que você é inteligente. – disse a primeira coisa que venho na minha mente, e pela graça divina, dessa vez não foi uma bobagem como da última vez.

– Viu só, você é diferente do resto dessa gentinha, não pensa como eles. Espero nunca mais ver você andando com eles, viu? – ela apontou para mim, com um ar meio sério meio brincalhão. – e nem com Billie.


Nós três tínhamos a primeira aula juntos, e dessa vez eu fiz questão de prestar atenção em Frank. Não tinha notado se ele era inteligente ou não, mas me lembro dele viajando nas aulas de matemática, cena que se repetiu. Enquanto não falava conosco, Frank desenhava em seu caderno ou olhava para o teto. Bem, eu não sou de questionar a genialidade das pessoas, mas ele não me parecia um nerd bolsista. Na verdade, se eu somente olhasse Frank, sem falar com ele, diria que ele era do tipo capitão do time de futebol americano da escola. Era inegável que ele bonito.


Depois de observa-lo me virei para frente. Reyna, a prima da Camille, me olhava e sorria como se soubesse os meus pensamentos. Eu só conhecia a menina a alguns minutos e ela já me dava calafrios.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.