NY, Lá Vamos Nós.

4 A mesa do populares.


Notas iniciais
Boa leitura e desculpa pela demora :)

Naquele dia acordei muito mais disposta do que nos dias anteriores. Levantei mais cedo, escolhi minhas roupas com um cuidado especial (um vestido rosa florido) e até maquiagem. Meus pais pareciam felizes com o fato de eu estar finalmente aceitando minha nova realidade. Tive que ir a pé para a escola, mas nem por isso fiquei menos animada. Caminhava calmamente ao som de Lies do Mcfly.

Eu tinha chegado mais cedo, portanto a escola ainda estava vazia. Feliz, me sentei nos degraus da entrada principal. O sol aparecia ainda tímido no céu. Abri o meu livro para me distrair até que Camille ou Frank chegassem. Me perdi na história e nem percebi quando os vários minutos se passaram, quando me dei conta o sinal já havia tocado. Me levantei apressada correndo para a primeira aula.

Por sorte o professor ainda não havia chegado, mas quase todos os alunos já estavam dentro da sala. Quando olhei para o fundo pude ver Frank acenando ao lado de uma cadeira vazia, sorri aliviada e fui até ele. Tínhamos muitas aulas juntos, pelo que tinha percebido.

– Se atrasou? – percebi que ele tinha guardado o lugar para mim quando ele tirou a bolsa de cima da cadeira e fiquei imensamente feliz com isso. Deveria me lembrar de agradecer por isso mais tarde.

– Não, só perdi a noção do tempo. – Frank fez uma cara confusa. Me limitei a rir, continuamos a conversar até o professor de matemática chegar.

Não tinha me dado ao trabalho de olhar, mas Billie estava na sala também. E ele, por outro lado, devia ter notado a minha presença muito antes. Foi um daqueles momentos estranhos, quando você olha para a pessoa e ela já está olhando diretamente para você. Mas ao invés de se virar e fingir que nada estava acontecendo, ele fez questão de continuar olhando e se esforçar em lançar o sorriso mais galanteador que podia. Aquilo deveria ser crime. E eu fiquei parada sem fazer nada, provavelmente com cara de idiota.

Por mais que eu gostasse de física não consegui prestar atenção no resto da aula. Primeiro porque Frank ficava a todo momento falando comigo, e segundo porque, por mais que eu quisesse, não conseguia tirar os olhos do casal da outra extremidade da sala.

Rachel estava lá também. Ela, sua roupa roxa (que de certo era a sua cor favorita), suas amigas loiras e seu amigo assustador (que parecia se chamar Logan). E é claro, Billie. Rachel o abraçava enquanto ele fazia piadinhas sobre a aula e imitava o professor. Eu não costumo achar graça dessas coisas, pelo contrário. Mas ele tinha algo mais, e fazia com que eu me forçasse a não dar risada. Quando Billie percebeu isso olhou para mim e sorriu.

– Qual a sua aula agora? – Frank me perguntou.

– Literatura.

– Então até o intervalo. – ele fez uma cara triste. – eu e a Camille vamos estar no mesmo lugar de ontem.

Assenti e fui guardar o meu material para trocar de sala, eu sempre fui meio lerda. Quando me levantei fui surpreendida, Logan estava do meu lado junto com Billie.

– Roberta, esse é o Logan. – sorri, ainda sem entender nada. – essa é a minha vizinha.

Sempre fico sem graça quando conheço pessoas novas, mas dessa vez foi pior. Logan era enorme. Tinha músculos definidos, corte militar, olhos verdes e um sorriso de dar inveja. O tipo de pessoa que faz você se sentir minúscula, mas quando olhei nos olhos dele ele me pareceu uma pessoa legal. Eles se sentaram, pelo o que parecia não haveria nenhuma aula naquela sala.

– É um prazer Roberta. – ele sorriu – você é da Dakota do Sul, não é?

E aquela velha história: por que eu vim, como era lá e blábláblá. Acho que era só uma maneira de puxar assunto, ninguém realmente se importava com isso. Mas ele ouviu atentamente tudo o que eu disse.

– Você vai a minha festa de aniversário sexta, certo? Billie disse que já tinha te convidado. – Logan olhou curioso para ele e continuou. – entenda como... as boas vindas de Nova York.

– Eu vou pensar. – respondi sinceramente. Disse que tinha aula e estava atrasada, não esperei uma resposta. Corri apressada e cheguei quando a professora já estava escrevendo no quadro. Ela estava bem humorada e sorriu quando eu pedi para entrar. Nem Camille e nem Frank estavam lá, ninguém que eu conhecia estava. Pelo menos consegui prestar atenção.


Deveria parar de me atrasar para as aulas, pensava enquanto colocava a minha comida. Pensava em várias coisas porque afinal, a hora do almoço é sempre a melhor hora para refletir. Mesmo com todos os alunos gritando e agindo como animais. Eu continuava a pensar enquanto caminhava para o fundo do refeitório, quando eu ouvi alguém me chamando. Parei de andar e ouvi novamente.


Não havia muitas pessoas que se chamavam Roberta, então deveria ser realmente eu. Olhei para trás, sentindo que aquilo não ia dar certo. Era Billie e Logan acenando para mim, em uma mesa com várias cadeiras vazias. Quando me virei de volta para o fim do refeitório vi Camille olhar para mim, provavelmente esperando uma reação. A escolha deveria ser fácil, eu poderia continuar andando para onde estava indo e fingir que não tinha visto eles, mas esse raciocínio exigia muito esforço. Não podia ficar muito tempo parada, as pessoas começariam a me empurrar. Foi então que tudo aconteceu em câmera lenta: as minhas pernas começaram a se mover sem a minha autorização, o meu coração começou a acelerar e eu sabia que ia me arrepender daquilo profundamente. Andei em direção a mesa do Billie e quando me dei conta do que estava fazendo era tarde demais. Me xinguei mentalmente várias vezes seguidas.

Billie e Logan pareceram felizes por eu ter ido até lá, mas foi só o que eu percebi, porque pouco tempo depois muitas pessoas começaram a chegar e se sentar (aparentemente sem se darem conta que eu estava lá). Não tive coragem de levantar o rosto e ver se Camille me observava, mas imaginava que sua cara não seria uma das melhores.

Rachel e suas amigas estavam a minha frente, conversando sobre algo das lideres de torcida. Quando Billie percebeu que eu estava calada tentou puxar assunto comigo, mas não chegou a completar a frase. Rachel colocou a sua mão em cima da dele e olhou bem para os meus olhos, e eu simplesmente voltei a comer a minha comida.

– O que ela tá fazendo aqui, afinal? – ela perguntou a Billie, acho que nunca saberei o que ele ia responder.

– Eu chamei ela. Roberta é nova aqui, precisa se enturmar com o pessoal certo. – Logan respondeu e eu me senti muito mal, mas não tanto quanto nos segundos seguintes. – E aí, imbecil. Perdeu alguma coisa aqui?

Frank estava parado atrás de mim, eu não o tinha visto. Quando abri minha boca para falar algo ele se virou e foi embora. Camille olhava furiosa do outro lado do refeitório.

– A sua vida social, talvez? – alguma das meninas disse, e então começaram as piadas. Me levantei sem dar nenhuma satisfação e joguei o restante do meu almoço no lixo.


Eu estava realmente começando a passar mal. Fui o mais rápido que pude para o banheiro e vomitei o pouco que havia comido na privada. Alguma garota, provavelmente com pena, estava no banheiro e me ajudou a ir até a enfermaria.


Não havia praticamente ninguém lá, só um garoto com o tornozelo torcido. Quando apareci na porta a enfermeira venho rapidamente ao meu encontro.

– O que aconteceu, querida? – ela colocou as mãos em meu rosto. – Você está pálida! Parece que viu um fantasma.

– Encontrei ela vomitando no banheiro. – a garota disse enquanto eu ainda me apoiava nela. No mesmo instante a enfermeira me ajudou a sentar ela sumiu, não tive tempo de agradecer.

Disse a enfermeira que não tinha sido nada demais, só um pouco de enjoo e tontura. De qualquer maneira, ela me deu algum remédio e ligou para casa. Minha mãe, preocupada, saiu do trabalho (que não era longe dali) e foi me buscar em menos de 20 minutos.

Cheguei sem saco para pensar em alguma coisa e fui dormir. Somente depois das três horas acordei, e então o sentimento de culpa me invadiu. Que merda eu havia feito? Também não tive muito tempo para sentir culpa. Depois de alguns minutos já acordada, ouvi a campainha tocar. Me arrastei até a porta de entrada e abri sem olhar pelo olho mágico. Quando me dei conta de quem era, reprimi a vontade de fechar a porta e voltar a dormir.

– Oi – Billie parecia sem graça. Vendo que eu não iria responder, continuou. – Tá bom, eu vou ser rápido. Olha, eu sei que você é amiga do Frank e da Camille e eu não quero que fique chateada comigo pelo o que Logan e as meninas disseram.

– Eu não estou chateada com você. É só isso? – ele demorou para responder, e então comecei a fechar a porta.

– Não, espera! – Billie me impediu de fechar a porta colocando o pé na frente. Pensou por alguns segundos e sorriu. – Quando vamos começar o trabalho de filosofia?