NY E Suas Surpresas.

3 Nos Tornando Amigas da Herdeira da Juicy


Era exatamente meio dia em ponto. Claire e eu tínhamos resolvido aproveitar o feriado para conhecer mais a cidade, resolvemos então almoçar no Olive Garden, e depois iríamos dar uma volta pelas lojas, pois havíamos acabado de chegar em Nova York e não estávamos a par da moda daqui. Depois que terminamos de comer, fomos rodopiar pelo centro da cidade e ver se achávamos alguma loja de roupa decente. Então Claire consegue avistar uma loja bem grande, que chamava atenção por causa de suas cores bem vivas. Era uma Juicy. Obviamente, fomos correndo até lá. Quando chegamos, fomos direto na sessão de blusas. Então, um bela moça, magra, meio alta, com cabelos castanhos meio puxados para o mel que estavam presos em um coque chique e organizado, olhos verdes como a grama que estavam enfeitados com uma bela sombra de tonalidade dourada que realçava o tom de pele dela, branca como nuvens, lábios com um perfeito contornam que ficavam inteiramente bonitos e perfeitos com o vermelho forte e fosco que usava neles, um vestido laranja com mangas curtas, e uma sapatilha verde mar, que devia ter nossa idade, foi nos atender.

-Precisam de ajuda?-ela pergunta logo exibindo um belo sorriso, seus dentes eram brancos e sem falhas. Sua voz lembrava um pouco o sussurro que as conchas faziam.

-Ah, não, só estamos olhando pra ver se achamos algo. Mas adorei seu vestido.- Claire fala enquanto encara a peça.

-Obrigada. Na verdade, é o nosso uniforme. Mas é bom saber que não estou passando vergonha pelo menos nesse momento do dia quando me visto.-ela falou com um sorriso meio envergonhado e forçado.

Então uma mulher alta, magra, loira, com um vestido vermelho meio colado, que aparentava ter a nossa idade,entrou na ala de blusas, com um olhar fuzilador, acho que quando ela entrou pude sentir o a temperatura caindo a 0 graus, parecia muito brava.

-Victoria, o que eu faço com você?O homem de entregas ficou esperando na porta por uma hora e meia!Eu lhe dei apenas UMA tarefa, UMA!E você resolve falhar?Bom, fique sabendo, que você terá que ir lá na fábrica, e pegar as caixas com as bolsas da nova coleção de verão.Sem mais, nem menos. E escuta aqui mocinha, mas um ato falho como esse e você está na rua!-não consigo descrever a cena, a moça estava me assustando como ninguém tinha me assustado antes, ela era dura demais, até mesmo com uma funcionária.

-Mas mamãe, como eu vou trazer doze cai...

-Como você se atreve a dizer “mas”, minha querida?E aqui, eu não sou sua mãe, só pode me chamar de “senhora”, fui clara?

-Foi.-Victoria diz com a cabeça baixa e a voz claramente fraca, de quem estava prestes a chorar.

Então a mulher sai da ala, o ar pareceu se acalmar, pude perceber Claire com a respiração menos rápida, então, Victoria, fica aos prantos e se senta no chão.

-Ei, não chore, tá tudo bem...-eu tento acalmá-la sem sucesso, não era muito boa nesse lance de “confortar” as pessoas, pra mim a resposta sempre eram as piadas, mas eu não sabia que piadas fazer naquele momento.

-Olha, chorar não vai resolver a situação, você é uma linda mulher, deve ser desejada por muitos, as pessoas jogam pedras em coisas que brilham, triste, não?Mas vai tudo dar certo, sempre dá. Tudo volta ao seu devido lugar, a vida é como um quebra-cabeça, sempre que montado, haverá algum primo chato com vontade de desmontá-lo, mas você sempre tem que montá-lo de novo, qual seria a graça da vida sem dias nublados?Sem esses dias, como os dias ensolarados poderiam ser percebidos e diferenciados?Melissa, vá pegar um copo de água por favor.-era isso, Claire tinha palavras que valiam ouro, uma voz que confortava a todos, ela tinha um talento reconfortante, capaz de ajudar até nas mais severas e tristes situações.

-Você não entende, ela é minha mãe e...quer saber, esqueça.Não é a primeira vez que isso acontece, eu e minha mãe temos um relacionamento complicado, mas vocês são clientes, não têm nada a ver com a minha vida, ignorem, continuem a fazer suas compras, eu vou ficar bem, tenho que me arrumar pra ir pegar as encomendas.- ela fala se erguendo de novo e enxugando as lágrimas entre um fungo e outro.

-Tá tudo bem, você precisa relaxar, que tal depois que você pegar as encomendas , a gente, ir pro shopping, ou tomar alguma coisa, ou simplesmente passear, tá tudo bem pra você?-Claire fala aquilo com um sorriso que é capaz de acalmar até a fera mais feroz do país das feras mais ferozes do mundo.

-Snif, snif...um café seria ótimo...

-Então vamos!Olha, pegamos um táxi até a fábrica.-eu falo tentando me manter na história.

-Olha, eu nem sei como agradecer, nem precisam fazer isso tudo por mim, acabamos de nos conhecer...e, e nem sei o nome de vocês.-ela fala ajeitando o vestido que tinha ficado meio amarrotado depois que ela sentara no chão.

-Eu sou Claire Young, e ela é a Melissa.-diz Claire nos apresentando.

-Ah, prazer Claire e Melissa, meu nome é Victoria...Victoria Levy.-ela fala meio desconfortável.

-Espera, aquela mulher é sua mãe...você é filha da dona da Juicy!Aquela era a dona da Juicy.-eu falo praticamente gritando, mas depois desejei ter ficado calada.

-Pois é, por isso ela pega tão pesado comigo, afinal, não tenho irmãos, sou a única herdeira, ela sempre quer perfeição em absolutamente TUDO o que eu faço.-ela fala vestindo um casaco roxo que estava em um cabide dentro de uma porta escondida atrás de uma prateleira.

-Hmmmm, então, vamos?-eu falo tentando aliviar o clima.

-Vamos-ela fala pegando sua bolsa.

Chamamos um táxi, e então vamos a fábrica, que a propósito, era linda e maior que 15 Julliards juntas, e havia um belo jardim na frente com todos os mais variados tipos de bem cuidadas flores que se pode imaginar, então Victoria pede para que nós esperássemos no táxi. Ela volta com uma carrinho com doze caixas, o motorista a ajuda a botar no porta malas, voltamos a Juicy e ela descarrega as caixas sozinha, eu pergunto se ela não precisava de ajuda, mas ela simplesmente recusou. Então, depois que descarregou tudo, pedimos para que o motorista nos leve direto para o Starbucks, quando chegamos, Victoria se oferece para pagar a viagem, que custou ao todo 450 dólares, então entramos no Starbucks, e pelo visto, estávamos realmente precisando descansar, pois tomamos mais de 4 cafés cada uma, e ficamos lá até as duas da manhã, mas naquele momento nada importava, estávamos tendo nossa melhor noite em NY desde que tínhamos chegado, tínhamos feito uma nova amiga batalhadora e não podíamos desejar nada melhor.