N.V.R.Land
1 Prólogo
Notas iniciais
Esse aqui é só pra dar um gostinho pra vocês, com o desenrolar da história, vocês vão saber muito mais e conhecer os vários outros personagens da história. Por enquanto é isso, aproveitem a leitura e nos vemos no final do capítulo!
Os passos apressados ecoavam quando os pés tocavam o chão molhado da chuva que caia constantemente sobre Londres. A sombra negra se alongava a cada passo, enquanto uma das lâmpadas amarelas, já gastas e sujas ficava para trás, dando lugar à próxima. A jovem figura corria sem olhar para trás, ciente dos perigos que o seguiam. Cabelos molhados sobre os olhos e a capa transparente que deveria proteger o garoto da chuva servia apenas para deixá-lo ainda mais encharcado.
O telefone celular estava sem sinal. Claro que estava, existia uma oportunidade melhor para isso acontecer do que durante uma tormenta como essa? Com o celular escorregando de volta para o bolso, o jovem de cabelos louros arfava, tentando não inspirar a água que caia escorria de seus cabelos para o rosto e o nariz. Ele não sabia se seus perseguidores estavam próximos, mas precisava escapar.
Vários metros atrás do garoto, um homem usando um sobretudo caminhava na mesma direção dele sem se importar com a chuva. Suas vestes pareciam em perfeito estado, mesmo encharcadas por conta da tempestade. Coturnos e calças pretas, e uma camisa cinzenta colada ao peito definido do homem por debaixo do sobretudo aberto. Seus cabelos louros, escuros como a areia, cortado em estilo militar – com aquele ar moderno que o deixava descaracterizado –, caídos e pingando, mas seu meio-sorriso confiante por vezes se fechava para que ele soprasse um longo e simples assovio, apenas por diversão.
Não muito longe desse, outro homem também de sobretudo preto e calças escuras dava passos rápidos na mesma direção. Ao contrário do primeiro, esse parecia irritado, e não era a chuva o motivo de sua irritação.
— Pare de ficar brincando, Michael, você deveria fazer alguma coisa. — Trovejou, ao alcançá-lo.
— Mas desse jeito é tão mais divertido... — Foi a resposta dada, com as palavras se arrastando com prazer, como seu caminhar, enfatizadas pelo sorriso que cresceu ao virar-se para olhar o rapaz. O sotaque irlandês forte em sua fala, enfatizando também a ironia da situação. O outro que era ruivo. — E o John, onde está? — Mesmo a pergunta tendo um tom mais sério, as palavras saiam naturalmente em um tom divertido da boca de Michael.
— John está onde deveria estar. — Foi uma resposta seca. — Agora, se não quiser ter o mesmo destino desses fedelhos, acho melhor você fazer o mesmo. — Os dois estavam próximos agora, há dois metros de distância um do outro. Haviam parado sem perceber, porém continuavam atentos ao garoto que corria deles ao longo da rua, desesperado demais para virar e saber se os dois ainda o seguiam ou para virar em algum beco desconhecido.
Apesar de não estar satisfeito, o homem ruivo não conteve o sorriso no canto da boca ao perceber isso após ter apontado com a cabeça para o garoto, provando seu ponto para Michael. Ele não se demorou, disparou na frente, enquanto Michael suspirou, balançando a cabeça e continuou caminhando e assoviando.
O garoto continuava a correr. A chuva, por mais que atrapalhasse, o ajudava a se manter refrescado e, aparentemente, manter o fôlego, mas os passos atrás de si se aproximavam rapidamente. Desesperado, virou para a esquerda, seguindo na direção de um conjunto de casas do subúrbio da cidade, sem saber o que lhe aguardava.
Como se premeditado, um trovão ressoou no céu e a luz do relâmpago iluminou o beco. Um homem de aparência jovem, cabelos pretos e pele pálida estava parado, completamente seco e protegido da chuva por uma calha. O braço estendido empunhava uma arma, que foi acionada ao apertar o gatilho. O dispositivo na boca do revólver não deixava o som se propagar, e o garoto caía no chão com uma bala atravessada na cabeça antes mesmo de compreender o que estava acontecendo.
— Mas que merda, John! — Disparou o ruivo, assim que viu o garoto caído no chão. Seu sangue espesso formando uma poça que lentamente se dissolvia na água que pingava constantemente.
— Não esquenta, Peter, é só um dos Meninos Perdidos. — Um cigarro aparecia nos lábios do moreno, que o ascendia com um isqueiro. — Além do que, ele nos viu. Só segui o procedimento padrão.
— Ah, merda! Ele era meu, John... — O desapontamento estava claro na voz do irlandês, que quase soava como uma criança mimada.
— Chegou tarde. Eu fiquei esperando ele por uns cinco minutos. Não tenho culpa se você decidiu brincar de gato e rato com ele.
— E como diabos você não está molhado? — A pergunta de Michael veio para esconder seu descontentamento com a situação.
— Guarda-chuva — John pegou o objeto encostado na parede atrás de si e o apontou para os colegas, apertando o botão da trava, fazendo o objeto preto se abrir e o apontou para cima, caminhando até os colegas com um sorriso.
— Não, nada disso! — Disparou veemente quando Michael tentou se enfiar em baixo do guarda-chuva. — Vai me molhar todo. Você já está na chuva, é pra se molhar.
Sem ter real noção de se os companheiros o seguiam, John fez o caminho de volta até a van que dirigia e os aguardou. Jogou a bituca no chão antes de entrar. Era fumante, mas detestava que sua van cheirasse à cigarro.
Minutos depois, quando Michael entrou no carro após jogar o corpo morto na parte de trás do furgão, onde Peter já o aguardava com um saco preto aberto, John ligou o carro e deu partida, andando alguns metros para fazer Michael ter que correr atrás dele.
— Deixe as criancices para seu irmão, John... — Peter olhava seu tablet, demonstrando desinteresse na brincadeira dos dois, mas seu sorriso o desmascarava. Era bem verdade que ele também gostava de mexer com o mais novo dos três.
Assim que o corpo foi embalado e Michael finalmente subiu no banco do carona e ligou o rádio, eles partiram de volta para o prédio do qual nem ao menos pretendiam ter saído naquela noite.
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