NU E PJ: O Ladrão De Raios

2 Que diabo de meias são aquelas?


Notas iniciais
Desculpe o atraso, mas é que eu tive alguns problemas no meu computador e não pude atualizar nenhuma das minhas histórias.
Enfim, eu decidi fazer a Fic na terceira pessoa. Quero dizer, escrever Fics assim é mais a minha praia.


TERCEIRA
PESSOA

Tudo continuou normalmente após a velha Dodds tentar matar os dois garotos de doze anos. Pelo menos, para o resto da escola, exceto para os dois que foram quase mortos.

Naruto e Percy estavam acostumados a uma ou outra experiência esquisita, mas normalmente elas passavam depressa (e um deles é um ninja vindo de outra dimensão). Aquela alucinação vinte e quatro horas por dia e sete dias por semana era mais do que eles podiam aguentar. Durante o resto do ano escolar o campus inteiro parecia estar lhes pregando algum tipo de peça. Naruto adorava peças, mas estava começando a sentir um certo trauma. Os alunos agiam como se estivessem completa e totalmente convencidos de que a Sra. Kerr — uma loira alegre que eles nunca tinham visto na vida até o momento em que ela entrou no ônibus no fim da excursão — era sua professora de iniciação à álgebra desde o Natal. Mas Naruto não reclamava. Ela era muito melhor que a Sra. Dodds. Era uma boa pessoa. Digamos que, a partir daí, Naruto começou a prestar mais atenção em álgebra.

De vez em quando eles soltavam alguma referência à Sra. Dodds para cima de alguém, só para ver se conseguiam fazê-los tibutear, mas eles os olhavam como se fossem loucos.

Eles acabaram quase acreditando neles: a Sra. Dodds nunca tinha existido.

Quase.

Mas Grover não podia enganá-los. Quando Percy ou Naruto mencionavam o nome Dodds ele hesitava, depois alegava que ela nunca existia. Mas eles sabiam que ele estava mentindo. Naruto viveu a vida inteira em mentiras, e sabia quando alguém mente.

Alguma coisa estava acontecendo. Alguma coisa havia acontecido no museu.

Naruto não tinha muito tempo para pensar no assunto durante o dia, mas, à noite, visões da Sra. Dodds com garras e asas de couro o faziam acordar suando frio. E pelo visto, Percy também, pois ele acordava exatamente no mesmo momento que o loiro.

O tempo maluco continuou, o que não ajudava o humor da dupla. Certa noite, uma tempestade de raios arrebentou a janela de seus dormitórios, então tiveram que dividir com o dormitório de Grover. Alguns dias depois, o maior tornado jamais visto no vale Hudson tocou o chão a apenas trinta quilômetros da Academia Yancy. Um dos eventos correntes que eles aprenderam na aula de estudos sociais era o número de pequenos aviões que caíram em súbitos vendavais no Atlântico naquele ano (e acredite, não eram poucos).

Percy e Naruto começaram a se sentir mal-humorados e irritados a maior parte do tempo. As notas de Naruto caíram de C para D, e as notas de Percy caíram de D para F. Ele entrou em mais atritos com Nancy Bobofit e suas amigas. Ele era posto para fora da sala e tinha de ficar no corredor em quase todas as aulas.

Finalmente, quando o professor de inglês, o Sr. Nicoll, perguntou a Percy pela milionésima vez por que ele tinha tanta preguiça de estudar para as provas de ortografia, ele explodiu. O chamou de velho dipsomaníaco. Naruto nem fazia ideia do que queria dizer, mas o apoiou, concordando. E riu muito, enquanto o chamava de velho dipsomaníaco.

O diretor mandou uma carta para a mãe de Percy na semana seguinte, tornando oficial: ele não seria convidado a voltar para a Academia Yancy no ano seguinte. E Naruto, é claro, também, mas como ele não tinha mãe, se viu roubando a sua carta e eles pensavam que sua "mãe" a havia recebido. Idiotas na opinião do loiro.

O humor de Percy pareceu melhorar com a notícia que de que não voltaria àquele inferno... Mas só um pouquinho. Naruto também ficou muito feliz. Mas agora, aonde ele iria? Ele não tinha casa.

Mas... Havia coisas em Yancy de que eles sentiriam falta. A vista da janela para os bosques, o rio Hudson a distância, o cheiro dos pinheiros. Sentiriam falta de Grover, que tinha sido seu melhor amigo desde que chegaram, mesmo com seu jeito estranho. E de repente ficaram pensando em como ele sobreviveria sem eles.

Também sentiriam falta da aula de latim — os dias malucos de torneio do Sr. Brunner e sua confiança em que eles poderiam se dar bem.

Infelizmente para Naruto, a chata semana de exames estava chegando. Como dizia Shikamaru: Vai ser problemático.

Quando a semana de exames foi se aproximando, latim era a única aula para a qual Percy e Naruto realmente estudavam. Eles não tinham se esquecido do que o Sr. Brunner falara, sobre essa matéria ser questão de vida ou morte para eles.

Na noite anterior ao exame final, Percy ficou tão frustrado que jogou o Guia Cambridge de mitologia grega do outro lado do dormitório. Naruto não podia culpá-lo. Provavelmente, para ele, as letras no livro ficavam surtando para fora da página, como acontece com todos os disléxicos. Ele não era exceção, mas quando as letras ficavam confusas, Naruto lia o mais próximo que elas chegavam, e ele sempre acertava.

– Ah, o doce e lindo temperamento. — Comentou Naruto, sorrindo divertidamente.

– Não enche. — Percy disse, andando de um lado para o outro, como se tivesse formigas em sua camisa. — Foi mal, mas é que eu nunca vou entender isso.

– É fácil. Quanto a dislexia, você precisa apenas ler as palavras, mesmo que embaralhadas, e pensar na palavra mais próxima a ela. É o que sempre faço.

– Mas para mim não é tão fácil assim. — Percy disse, parecendo desesperado. — Eu não sei o que posso fazer.

– Lembre-se do que o Sr. Brunner disse, Percy: De vocês, aceitarei apenas o melhor, Percy Jackson e Naruto Uzumaki. Aquele homem me assusta, Percy, e eu com certeza não quero ser alvo da raiva dele.

Percy respirou fundo. Ele pegou o livro de mitologia.

– Vou falar com o Sr. Brunner. Ele pode me ajudar.

– Isso! Esse é o espírito! — Exclamou o loiro, sorrindo para seu melhor amigo.

– Eu posso, pelo menos, pedir desculpas pelo F que com certeza vou tirar na prova.

– O.k., mas que tal nós evitarmos essa última parte? — Sugeriu o ninja, sorrindo amarelo. — Vamos chamar isso de Missão impeça que Percy tire F na prova de latim e fique mal na fita do Sr. Brunner.

– Ah, cara! Você é impossível! — Ele disse, bufando, mas dando uma risadinha.

– Ora, obrigado. Eu tento. — Naruto disse, rindo muito. Mas ele notou que Percy já saía pela porta. — Espera! — Pediu, também pegando seu livro e seguindo-o, enquanto fechava a porta de seu dormitório.

Eles desceram a escada para os gabinetes dos professores. A maioria estava vazia e escura, mas a porta do Sr. Brunner estava entreaberta e a luz que vinha da sua janela se estendia ao longo do piso do corredor.

Naruto sentiu dois tipos de chakras que nunca sentiu antes. Pareciam... Mais antigos.

Ele ignorou.

Eles estavam a três passos da maçaneta da porta quando ouviram vozes dentro da sala. O Sr. Brunner tinha feito uma pergunta. Uma voz que, sem sombra de dúvida, era a de Grover disse: "... Preocupado com Percy e Naruto, Senhor."

Naruto gelou e tapou a boca de Percy antes que ele pudesse dizer qualquer coisa.

Naruto era bisbilhoteiro, e ele admitia isso com orgulho, mas mesmo quem não é bisbilhoteiro ouviria pela porta, e ele sabia disso porque Percy, que não é bisbilhoteiro, fez o mesmo que ele, e ele estava ouvindo. Naruto não podia culpá-lo. Quem não resistiria a olhar pela porta quando se ouve seu melhor amigo falando de você para um professor?

Agora eles estavam praticamente colados na porta.

– ... Sozinhos nesse verão. — Grover dizia. — Quer dizer, uma Benevolente na escola! Agora que sabemos com certeza, e eles também sabem...

– Só vamos piorar as coisas se os apressarmos. — Disse o Sr. Brunner. — Precisamos que os meninos amadureçam mais.

– Mas eles podem não ter tempo. O prazo final do solstício de verão...

– Terá de ser resolvido sem eles, Grover. Deixe-os desfrutar sua ignorância enquanto ainda podem.

– Senhor, eles a viram...

– Imaginação deles. — Insistiu o Sr. Brunner. — A Névoa sobre os alunos e a equipe será suficiente para convencê-los disso.

– Senhor, eu... Eu não posso fracassar nas minhas tarefas de novo. — Grover tinha a voz embargada de emoção, o que deu pena em Naruto. — Sabe o que isso significaria.

– Você não fracassou, Grover. — Disse o Sr. Brunner gentilmente. — Eu deveria tê-la visto como ela era. Agora vamos apenas nos preocupar em manter Naruto e Percy vivos até o próximo outono...

O livro de mitologia caiu das mãos de Percy e bateu no chão com um ruído surdo.

– Kusso...– Pensou Naruto.

O Sr. Brunner silenciou.

– Kusso duplo...– Pensou novamente.

Com o coração disparado, Naruto pegou o livro de Percy, colocou em suas mãos e empurrou ele. Eles voltaram pelo corredor.

Os meninos notaram uma sombra deslizou pelo vidro iluminado da porta da sala do Sr. Brunner, a sombra de algo muito mais alto que noso professor de cadeira de rodas, segurando alguma coisa suspeitamente parecida com o arco de um arqueiro, como Naruto viu em algumas imagens quando estudava sobre mitologia.

Naruto abriu a porta mais próxima e entrou, puxando Percy pelo braço. Ao entrarem, o loiro prendeu Percy e tapou sua boca.

Alguns segundos depois Naruto pôde ouvir um lento clop-clop-clop, como um cavalo — ele sabia o som dos baques de um cavalo, pois ele ouvia os baques de cavalos na sua dimensão -, e sua audição melhorada só fazia o som ser mais alto. Depois um som como o de um animal farejando bem na frente da porta. Um grande vulto escuro parou diante do vidro e depois seguiu adiante.

Uma gota de suor escorreu pela testa do loiro, enquanto uma gota escorria pelo pescoço do moreno.

Em algum lugar no corredor, o Sr. Brunner falou:

– Nada. — Murmurou ele. — Meus nervos não andam muito bons desde o solstício de inverno.

– Nem os meus. — Disse Grover. — Mas eu podia ter jurado...

– Não nos note. — Orou Naruto.

– Volte para o dormitório. — Disse-lhe o Sr. Brunner.

– Valeu!– Pensou o loiro, comemorando interiormente.

– Você tem um longo dia de provas amanhã. — Continuou o Sr. Brunner.

– Nem me lembre.

As luzes se apagaram na sala do Sr. Brunner.

Naruto continuava segurando Percy, para ele não se mexer. Parecia uma eternidade.

Por fim, o loiro o largou e eles se esgueiraram para o corredor e subiram de volta para o dormitório.

– Era apenas eu, ou ouvi um cavalo pelo corredor? — Naruto deixou escapar, sorrindo.

– Isso não é engraçado. — Percy disse, lhe batendo no ombro.

– Ai, cara!, essa doeu. Só queria aliviar o clima. — Disse ele, massageando seu ombro.

Percy apenas revirou os olhos e abriu a porta, com o ninja loiro atrás.

Grover estava deitado na cama, estudando as anotações para a prova de latim como se tivesse estado lá a noite inteira.

– Ei! — Disse ele, com olhar de sono. — Vão estar preparados para a prova?

Nenhum dos rapazes respondeu.

– Estão com uma cara horrível. — Ele franziu a testa.

– Valeu. Isso é o que todas as pessoas querem ouvir. — Murmurou Naruto, sorrindo.

– Desculpe. — Ele corou. — Tudo bem?

– Só estou cansado. — Percy respondeu.

O outro garoto acenou de acordo.

Eles foram na direção de seu beliche e Naruto notou que Percy virou o rosto.

Ele não entendia o que tinham ouvido lá embaixo. Queria acreditar que havia imaginado aquilo tudo, mas para alguém que era um ninja de outra dimensão, é meio difícil acreditar nisso.

E uma coisa ele sabia: Grover e Sr. Brunner estavam falando de Percy e ele pelas costas. Achavam que corriam algum tipo de perigo.

Na tarde seguinte, quando Percy estava saindo da prova de latim de três horas, com Naruto o esperando — ele já havia terminado a prova na primeira hora — o Sr. Brunner os chamou de volta.

Por um momento, os dois ficaram preocupados achando que ele descobrira sua bisbilhotice na noite anterior, mas não parecia ser esse o problema.

– Meninos. — Disse ele. — Não fiquem desanimados por deixar Yancy. É... É para o bem de vocês.

O loiro franziu a testa enquanto Percy se acanhava. Seu tom podia ser gentil, mas ainda assim as palavras irritaram Naruto. Se havia algo que ele odiava, era ser alvo de pena, e não permitiria que ninguém sentisse pena dele, nem mesmo o Sr. Brunner. E acima de tudo, mesmo que ele estivesse falando baixo, os que terminavam a prova podiam ouvir. Nancy Bobofit — mas chamada recentemente de Vadia Bobofit pelo loiro — lançou um sorriso falso e, sarcasticamente, fez pequenos movimentos de beijo com os lábios.

Naruto rosnou para ela, enquanto seus olhos mudavam para um tom forte de sangue, e automaticamente ela tremeu de medo e continuou a prova.

– Está bem, Senhor. — Percy murmurou.

– Quer dizer... — O Sr. Brunner andou com a cadeira para trás e para a frente, como se não tivesse certeza do que falar. — Este não é o lugar certo para vocês. Era apenas uma questão de tempo.

Naruto sentiu seu sangue ferver, junto com o chakra da Kyuubi queimando seu corpo. Como ele ousava dizer aquilo?

O loiro notou seu melhor amigo tremendo. Ele não podia culpá-lo. Ali estava seu professor favorito, na frente da classe, lhe dizendo que ele não era capaz. Depois de falar o ano todo que acreditava nele, agora dizia que ele estava destinado a ser expulso. O loiro também sentia tristeza. Ele era seu professor favorito na escola toda, e ele dizer que os dois estavam destinados a ser expulsos o fez sentir um caroço no pescoço. Fúria misturada com tristeza não é algo que ele recomendava no momento.

– Certo. — Percy disse, tremendo ainda mais.

– Não, não. — Disse o Sr. Brunner. — Ah, que droga. O que eu estava tentando dizer... É que vocês não são normais, Percy, Naruto. Não é nada ser...

– Obrigado. — Ele deixou escapar. — Muito obrigado, Senhor, por me lembrar.

– Percy...

Mas ele já tinha ido.

Naruto se virou para o Sr. Brunner, com uma carranca profunda.

– Sr. Brunner. — Deixou escapar.

– O quê? — Ele disse, chateado.

– Você é um idiota.

E o ninja correu na direção da porta.

* * *

No último dia de aulas, Percy enfiou suas roupas na mala. Como Naruto não tinha muitas coisas, então ele apenas colocou as mesmas coisas que ele havia tirado da sua maleta masculina (pergaminhos que lhe ensinaram várias técnicas de sua família família, armamentos shinobi e algumas roupas, que são todas iguais) na mesma maleta masculina de couro que ele havia visto no mesmo dia em que foi enviado para aquele mundo.

Os outros garotos estavam fazendo piadas, falando sobre os planos para as férias. Um deles ia fazer trilha na Suíça. Outro faria um cruzeiro de um mês pelo Caribe. Eram delinquentes juvenis como eu, mas delinquentes juvenis ricos. Os papais eram executivos, embaixadores ou celebridades. Percy se dizia um joão-ninguém, de uma família de joões-ninguém, e que Naruto tinha sorte de ter um pai tão famoso como o Yondaime. Mas ele não estava lá muito feliz em ter um pai como ele.

* * *

– Ei, o que é que você vai fazer? — Perguntou um dos garotos a Percy, que caminhava pelo corredor com uma mochila nas costas e uma mala na mão.

Ele parou e foi até a roda de garotos.

– Eu vou voltar para a cidade. — Respondeu simplesmente, dando de ombros.

– O mesmo aqui. — Naruto disse de repente, surgindo atrás de Percy, sua maleta masculina pendendo de seu ombro.

– AHHHHHHH! Desde quando você está aí? — Ele perguntou, com a mão no coração.

– Eu estive aqui o tempo todo. — Informou Naruto de forma inocente, enquanto olhava para o alto, como um anjo faria.

– Você tem a cara de um anjo, mas a personalidade de um perfeito diabinho. — Percy informou, estreitando os olhos.

– Ora, obrigado. — Agradeceu Naruto orgulhosamente, estufando o peito e batendo nele com um punho.

– Você é insuportável, sabia disso?

– Ah, você sabe que me ama por isso. — Ele riu como se não houvesse amanhã.

O que Naruto não contara foi que iria viver nas ruas, pedindo esmolas como um mendigo. Ele não iria se dar ao luxo de aqueles garotos inúteis e idiotas terem isso contra ele.

Percy olhou na direção dos meninos, mas viu que eles voltaram a conversar, como se ele e seu amigo loiro não existissem.

Ele suspirou, e voltou a caminhar, com Naruto o seguindo, com um olhar humilde para o garoto. Ele sabia que o garoto queria mais amigos e que queria ser aceito.

* * *

A única pessoa de quem os meninos tinham medo de se despedir era Grover, mas do jeito como as coisas aconteceram, eles nem precisaram. Ele havia comprado uma passagem para Manhattan no mesmo ônibus Greyhound que eles, então lá estavam eles, juntos outra vez, indo para a cidade.

– Então... Como é Manhattan? — Perguntou Naruto, querendo quebrar o gelo e querendo saber mais sobre o lar de Percy.

– Bom... É um bom lugar. Com um clima agradável. Você vai ter que esperar para ver. — Percy respondeu, não sabendo o que dizer.

– Ahhhhhhhh! — Gemeu o loiro em protesto.

Eles notaram que Grover olhava nervoso para o corredor, observando os outros passageiros. A informação bateu Naruto como uma tonelada de tijolos: ele sempre agia de modo nervoso e inquieto quando eles saíam de Yancy, como se esperasse que algo ruim fosse acontecer. Percy uma vez disse que provavelmente ele tinha medo de que o provocassem. Mas não havia ninguém para fazer isso no Greyhound, portanto essa sugestão foi descartada.

Percy de repente disse:

– Procurando Benevolentes?

Naruto se bateu na testa enquanto Grover quase pulou do assento.

– O que... O que você quer dizer?

Percy e Naruto se entreolharam.

Naruto deixou escapar:

– Qual seria a sua reação se eu dissesse que ouvimos você conversando com o Sr. Brunner?

– Ruim.

– Que pena, porque ouvimos.

O olho de Grover estremeceu.

– Quanto?

Percy foi quem teve a palavra.

– Ah... Não muito. O que é o prazo do solstício de verão?

Grover se esquivou.

– Olhe, gente... Eu só estava preocupado com vocês, entendem? Quer dizer, tendo alucinações com professoras de matemática demoníacas...

– Grover.../Cara...

– E eu estava dizendo ao Sr. Brunner que talvez vocês estivessem muito estressados, ou coisa assim, porque não havia uma pessoa chamada Sra. Dodds e...

– Cara, você é o pior mentiroso que eu já vi, e olha que eu já conheci a Hinata. — Naruto informou, rindo enquanto se lembrava de como Hinata fingia não vê-lo e que não tinha uma queda por ele. Ele sempre soube que ela tinha. Ele simplesmente fingia não saber. Ele não era tão burro quanto parecia.

Aquilo fez Grover adquirir uma careta e orelhas cor-de-rosa.

Do bolso da camisa, ele pescou um par de cartões de visitas encardidos.

– Peguem isto, certo? Para o caso de vocês precisarem de mim neste verão.

Os cartões tinham uma escrita floreada, que era um terror para os olhos disléxicos dos garotos, mas por fim eles conseguiram identificar alguma coisa como.

Grover Underwood
Guardião
Colina Meio-Sangue
Long Island, Nova York
(800) 009-0009

– O que é Colina Meio...

– Não falem alto! — Ganiu o rapaz. — É meu, ah... Endereço de verão.

Percy de repente ficou com uma expressão triste. Ele nunca pensou que Grover fosse rico como as outras crianças da Academia Yancy.

– Bem, pelo menos Naruto é como eu?– Ele pensou, tentando se sentir melhor.

– Certo. — Falou o garoto, mal-humorado. — Tá, se eu quiser fazer uma visita à sua mansão.

Ele assentiu.

– Ou... Ou se você precisar de mim.

– Por que iria precisar de você? — Rosnou Percy duramente.

– Nossa, essa foi dura. — Comentou Naruto, colocando uma mão no coração, fingindo lágrimas nos olhos.

Grover ficou vermelho até os cabelos.

– Olhe, Percy, a verdade é que eu... Eu tenho, de certo modo, que proteger você. Vocês dois.

Os meninos olharam para ele confusamente.

Eles sempre foram quem o protegeram. Eles sempre o defenderam dos valentões da escola — bom, mais o Naruto do que o Percy, mas ambos o defenderam -, sempre se preocuparam em como ele sobreviveria o próximo ano na Academia Yancy sem eles. E agora, lá estava ele, agindo como se fosse ele a defendê-los.

– Grover — disse Percy -, do que exatamente você está nos protegendo?

Naruto de repente arregalou os olhos ao sentir um chakra tão poderoso que o fez encolher-se de medo. De onde vinha toda aquela energia? Nenhuma pessoa conseguiria ter um chakra tão poderoso quanto esse dentro dela — bom, ele conseguiria, talvez.

Antes que Grover pudesse responder, ou Naruto pudesse dizer aos amigos sobre o chakra misterioso, de repente houve um enorme barulho de algo sendo triturado. Fumaça preta saiu do painel e o ônibus inteiro foi tomado por um cheiro de ovo podre. O motorista xingou palavrões que fariam qualquer um lavar sua boca com água e sabão e levou o Greyhound com dificuldade até o acostamento.

Depois de alguns minutos fazendo alguns sons metálicos no compartimento do motor, o motorista anunciou que todos teriam de descer. O trio saiu em fila com todos os outros.

Eles estavam em um lugar que eles nem notariam se não tivessem enguiçado lá.

– Esse lugar define perfeitamente a frase "No meio do nada". — Comentou Naruto, vendo que estavam em um trecho rural.

Do outro lado da estrada não havia nada além de bordos e lixo jogado pelos carros que passavam. Do outro lado, depois de atravessar quatro pistas de asfalto que relfetiam uma claridade trêmula com o calor da tarde, havia uma banca de frutas como as de antigamente.

– E aquela banca... — Naruto estreitou os olhos, enquanto seus olhos tomavam um perigoso tom de vermelho vivo. Com sua ótima visão, ele via que as coisas à venda pareciam realmente boas e deliciosas: caixas transbordando de cerejas e maçãs com um tom tão forte quanto seus olhos transformados, nozes e damascos, jarros de sidra dentro de uma tina com pés em forma de patas, cheia de gelo. Não havia fregueses — o que confundiu Naruto, afinal, as coisas pareciam muito boas para comer -, apenas três velhas senhoras sentadas em cadeiras de balanço à sombra de um bordo, tricotando o maior par de meias da história dos maiores pares de meias.

Naruto estreitou ainda mais os olhos, para ver se ele realmente via o que estava vendo. Ele sentia naquelas velhas um chakra que ele nunca havia sentido antes. Era um chakra tão antigo e poderoso que ele poderia sentir a uma distância enorme e profunda. E então ele se tocou de que o chakra que ele sentira no ônibus vinha delas.

A senhora da direita tricotava uma delas. A da esquerda tricotava outra. A do meio segurava uma enorme cesta de lã azul brilhante.

As três mulheres pareciam muito velhas, com o rosto pálido e enrugado como fruta seca, cabelo prateado preso atrás com lenço branco, braços ossudos espetados para fora de vestidos de algodão pálido.

A coisa mais esquisita era que elas pareciam olhar diretamente para Naruto e Percy, o que foi percebido por ambos.

Os dois encararam Grover para comentar sobre isso, mas ficaram com a frase entalada na garganta ao ver o rosto branco como giz de Grover. O nariz tremia mais do que um chão sendo alvo de um terremoto.

– Grover? — Disse Percy. — Ei, cara...

– Digam que elas não estão olhando para vocês. Estão, não é?

– Estão. Esquisito, não? Você acha que aquelas meias serviriam em mim? — Percy brincou rindo.

– Acho que não. Na verdade, acho que nem mesmo os pés do Padre mais Gordo do Mundo serviriam naquelas meias. — Naruto respondeu, brincando junto de Percy, tentando esconder o medo que ele sentia daquelas velhinhas. — Ou talvez elas estejam olhando nossa aparência. Eu sei que sou muito gato, mas eu sou, tipo, um buzilhão de anos mais novo que elas, e isso pode ser considerado pedofilia.

– Não tem graça, gente. Não tem graça nenhuma.

A velha do meio pegou uma tesoura imensa — dourada e prateada, de lâminas longas, como uma tosquiadeira. Eles ouviram Grover tomar fôlego.

– Vamos entrar no ônibus. — Ele disse com tamanho medo que era até palpável. — Venham.

– O quê? — Disse Percy. — Lá dentro está fazendo quinhentos graus.

– Você realmente gosta de clima quente e seco, Grover? — Naruto reclamou.

– Venham! — Ele forçou a porta e subiu, mas Naruto e Percy ficaram embaixo.

Do outro lado da estrada, as velhas ainda olhavam para os garotos. A do meio cortou o fio de lã, e eles podiam jurar que ouviram aquele ruído cruzar as quatro pistas de trânsito — mesmo com a audição apurada, Naruto não conseguiria ouvir aquilo. As duas amigas dela enrolaram as meias azuis.

– Para quem será aquelas meias? O Pé Grande ou o Godzilla. — Brincou Percy, rindo.

Naruto apenas revirou os olhos, enquanto entrava no ônibus.

– Vamos logo antes que o Grover se borre de medo.

Na traseira do ônibus, o motorista arrancou um grande pedaço de metal fumegante do compartimento do motor. O ônibus estremeceu e o motor voltou à vida, roncando.

Os passageiros aplaudiram.

– Tudo em ordem! — Gritou o motorista. Ele bateu no ônibus com o chapéu. — Todo mundo para dentro!

– Finalmente! — Naruto exclamou.

Quando eles já estavam a caminho, Percy começou a se sentir febril, como se tivesse pego uma gripe. Naruto suava e reclamava do calor no ônibus. Grover não parecia muito melhor. Estava tremendo e batendo os dentes.

– Grover? — Percy disse, sombrio.

– Sim?

– O que nos diz?

Ele enxugou a testa com a manga da camisa.

– Gente, o que vocês dois viram lá atrás, na banca de frutas?

– Algumas velhinhas desperdiçando o tempo fazendo um par de meias que não caberiam nem mesmo em um gigante. — Naruto respondeu, colocando a mão na testa e tirando o suor.

– Sim. O que há com elas, cara? Elas não são como... A Sra. Dodds, são?

A expressão dele era difícil interpretar, mas os garotos tiveram a sensação de que as velhas da banca de frutas eram algo muito, muito pior do que a Sra. Dodds. Mas o que diabo poderia ser pior do que uma bruxa que estava tentando esfatiar você?

Grover disse:

– Só me digam o que vocês viram.

A do meio pegou a tesoura e cortou o fio. — Percy respondeu, dando de ombros.

Ele fechou os olhos e fez um gesto com os dedos parecido com o sinal da cruz, mas não era isso. Era outra coisa, algo um tanto... Mais antigo. Naruto sentiu um chakra muito antigo simplesmente naquele jesto.

Ele disse:

– Vocês as viram cortar o fio?

– Sim. E daí? — Mas mesmo enquanto dizia isso, Percy já sabia que era algo importante.

– Isso não está acontecendo. — Murmurou Grover. Ele começou a morder o dedão. — Não quero que seja como na última vez.

– Que última vez? — Percy e Naruto perguntaram.

– Sempre o sétimo ano. Eles nunca passam do sétimo.

– Grover — disse Percy, porque Grover estava realmente começando a assustá-lo -, do que você está falando?

– Deixe que eu vá com vocês dois da estação do ônibus até sua casa. Prometa.

Aquele parecia um pedido estranho, mas eles prometeram.

– Tudo bem, eu vou ir para a casa dele mesmo. — Naruto disse dando de ombros.

– É uma superstição ao coisa assim? — Percy perguntou.

Nenhuma resposta.

– Grover... Aquele corte no fio. Significa que alguém vai morrer?

Ele olhou para Percy e Naruto com tristeza, como se já estivesse escolhendo o tipo de flores que eles mais gostariam de ter em seus caixões.

De repente, algo clicou na mente de Naruto, e então toda a informação sobre mitologia grega que ele havia aprendido nestes últimos meses encheu sua cabeça como gás hélio enchendo um balão. Uma das primeiras informações que ele adquiriu entrou no seu cérebro e ele arregalou os olhos.

– Caramba... — Naruto murmurou.

– O que foi, Naruto? — Percy perguntou, confuso.

– Acho que sei o que aquelas velhas são. — Naruto respondeu, olhando Percy de olhos arregalados. — Já ouviu falar nas Parcas?

Notas finais
E aí, gostaram? Se gostaram, me deem Reviews.