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10 CAPÍTULO 3, Epi.1: Aquilo que te faz especial


Notas iniciais
................ ★✮☆✯★ ................ ❣ ATUALIZAÇÃO: 16/06/2017 ................ ★✮☆✯★ ................ Este "capítulo" já passou por 1 edição. Parece até filler, mas eu juro que esse capítulo é necessário! (;∀; ) Aliás, os próximos irão seguir essa linha também. Ahh! Eu não tive uma ideia boa para o título... Tem uma bíblia gigante nas notas finais e eu peço desculpas desde já. (Mas você pode ignorá-la com gosto, eu não vou culpar ninguém por isso.)

O par de olhos verdes brilhava como pequenas esmeraldas.

Seu rosto ainda estava avermelhado por causa do choro.

— I-incrível!!!

— N-não é isso tudo…

Mesmo com a voz abafada, estava claro que Void estava envergonhado.

Ayase e Ryuuki estavam dentro da estranha espaçonave pela primeira vez.

Seu interior era bem maior do que imaginavam, com cômodos tão iluminados que era possível perceber até mesmo os menores detalhes entalhados nos móveis, e se levassem em consideração o tempo que passaram na escuridão de Atlansha, qualquer acomodação seria tida como luxuosa.

A voz de Ayase não escondia a sua agitação, e mesmo Ryuuki parecia animado.

— Mas é claro que é!

— Para uma dupla de amadores, a nave está em um excelente estado.

O cômodo que estavam era posterior à cabine de comando, que logo foi deixada de lado devido à quantidade de monitores e aparatos tecnológicos que não pareciam interessantes aos olhos de Ayase. Ryuuki até queria estudar a origem daquela tecnologia, mas logo foi puxado pela parceira para o cômodo seguinte.

Na companhia de Void, os dois estavam em uma sala rodeada por sofás brancos, uma pequena mesa de centro de cores claras, um monitor semelhante ao da Ribbon e mais alguns objetos que Ayase não reconheceu.

As paredes pareciam feitas do mesmo material que o exterior, mas seu tom avermelhado causava controvérsias, e diferente da cabine de comandos, não tinha sequer uma janela.

Em um dos cantos, estantes acompanhadas por duas poltronas amarelas estavam próximas a uma grande abertura que levava até o próximo cômodo. A perspectiva não ajudava a identificar os móveis dali, mas Ayase jurou ter visto uma máquina quadrada.

Void percebeu a expressão curiosa da garota e tentou explicar.

— É lá que fica a cozinha. Se ficarem com fome, por favor, sintam-se em casa.

Ayase assentiu com a cabeça, mas estava mais curiosa a respeito da máquina.

— Só tente ficar longe dos doces… A maioria deles é do Rashidi.

— Por que tinham que ser justo dele?!

Ayase estava nitidamente desapontada.

Será que se ela pedisse, Rashidi dividiria os doces dele?

O rapaz de armadura conseguiu disfarçar a sua vontade de rir.

— Ele é o amante de doces por aqui, não o culpe por isso.

— ...

Perto da garota, Void parecia ainda maior.

Com cerca de dois metros de altura, a diferença de tamanho entre os dois parecia por volta de 30 a 45 cm. Ayase, porém, não parecia ligar para isso, pois permanecia ao lado dele como se não fosse um problema.

Aquilo o deixava mais aliviado.

— Por aqui.

Ele continuou apresentando os cômodos da nave para a garota.

Ao lado da cozinha ficava um banheiro preto e branco. Seus azulejos em preto fosco se destoavam de todos os aparelhos de material frio e perolado. O ambiente era grande o bastante para conter um vaso sanitário, uma pia, um chuveiro, uma banheira, diversos armários e ainda sobrar algum espaço.

Na parede, um grande espelho refletia a expressão surpresa de Ayase.

A julgar por aquela expressão, a garota parecia estar fascinada com os objetos daquele cômodo. Ela tocava sutilmente em cada um deles, sentindo sua textura e detalhes.

Aquilo já era de se esperar, a julgar que ela passou toda a vida debaixo d’água.

Sereias não precisam de um banheiro, afinal.

— Pra que servem essas coisas?!

A pergunta de Ayase soou curiosa.

— Bem…

Void olhou em direção a Ryuuki como se precisasse de ajuda, mas seu pedido foi escondido pelo elmo que revestia a sua cabeça, gerando alguns segundos de silêncio.

Já era de se esperar que ele seria ignorado.

— …

— …

O rapaz respirou fundo, finalmente explicando para Ayase como os aparelhos funcionavam, em especial o chuveiro e a banheira. Ele se sentia bobo ensinando o básico a uma jovem adulta, visto que a sereia não parecia ser muito mais nova que ele.

O que deixava Void envergonhado era a maneira como Ayase achava tudo incrível.

Após girar a válvula do chuveiro, a reação da sereia deixou isso ainda mais claro.

— Ohhh!!! Sai água mesmo!

— Você parece uma criança, milady.

Ryuuki estava entretido com as reações da companheira.

Void se esforçava bastante para evitar alguns risos.

Ele precisava ser um bom veterano para os dois.

— Só evite desperdiçá-la, ok? O nosso reservatório de água é baixo e não é sempre que o Rashidi se lembra dele. Nós também precisamos de água para cozinhar e refrigerar os motores, então o banho fica sendo a última prioridade.

— Entendi.

Ela chegou a uma conclusão, levantando o dedo indicador.

— É para brigar com o Rashidi sempre que faltar água.

Dessa vez, Void não conseguiu controlar o riso.

— Seria bom. Talvez assim ele tome vergonha na cara e se lembre de encher.

— Eu cumprirei essa missão, comandante!

Ao terminar sua frase, Ayase fez um gesto de continência.

Void riu ainda mais quando a imaginou brigando com Rashidi.

— Só não deixe ele brigar com você!

— Eu sou boa de briga, não se preocupe.

— Só não tem métodos muito bons…

O murmúrio do dragão-serpente fez com que Ayase olhasse para ele.

Ryuuki, então, passou a imitar uma voz mais fina com dramatização.

— “Vocês têm 2 dias para abandonar o planeta ou vou afogar todas as suas naves e construções! Não terei piedade daqueles que poluem as águas do meu paraíso marinho!!”

O rosto de Ayase tomou uma cor avermelhada, e sua voz começou a falhar.

— E-eu não… Eu não falei dessa forma!!

— Claro que falou, eu estava observando tudo!

A sereia o encarou com olhos semicerrados.

— Você é um stalker horrível, Ryuu...

— S-stalker?! Eu só estava…

O dragão marinho falava de maneira nervosa, denunciando a sua vergonha.

Ele deu uma pausa para pensar, mas não conseguiu formular uma boa resposta.

Ayase fez uma expressão triunfante.

— Viu só? Você é um staaaaaalker!!

— Ok, eu admito. Estava te observando mesmo.

— Tudo bem... eu também acredito em amor à primeira vista!

— P-perdão?! Não era nada disso!!! E-eu só...

— Você sempre foi horrível com mentiras, Ryuu!

Ayase começou a rir, deixando Ryuuki ainda mais envergonhado.

Àquela altura, Void apenas escutava a estranha conversa e ria de alguns trechos.

Aparentemente a missão seria bem mais animada com a presença daqueles dois.

— Venham, eu vou mostrar os quartos.

Ao terminar sua frase, ele seguiu para o cômodo anterior.

De volta à sala com os sofás, os três passaram por um arco que ficava na direção oposta à cabine de comandos. Logo estavam diante de um corredor que levava para duas portas em direções opostas: era ali que ficavam os únicos quartos daquela espaçonave.

Simétricos, eram como quadrados perfeitos pouco menores que a sala.

No quarto direito, Rashidi estava deitado em sua cama enquanto folheava um livro de capa grossa. Mesmo ao perceber que estava sendo observado, nem sequer olhou para as pessoas paradas em frente à porta de seu quarto.

Ayase não percebeu a desfeita – ou não se importou com ela.

Ela estava mais ocupada visualizando o ambiente daquele lugar.

Fora a cama, um criado-mudo, uma cômoda e o que aparentava ser um guarda-roupas, ela não reconheceu o resto dos objetos espalhados pelo quarto. Pensou em perguntar para Void, mas a sua presença ali não era bem-vinda.

— Por quanto tempo você vai ficar encarando minhas coisas, peixinha?

Rashidi finalmente levou os seus olhos violetas ao encontro de Ayase.

— E-eu não…

Ela não teve tempo para completar a sua frase.

— Vocês estão me atrapalhando. Saiam logo daqui!

Antes mesmo que Rashidi pudessem começar uma discussão, Void recuou e fechou a porta que separava os cômodos. A última coisa que queria era passar o resto da viagem ouvindo as reclamações do vesper. Mesmo não o conhecendo por muito tempo, de algo Void tinha certeza: Rashidi reclamava muito por pouca coisa.

Ryuuki parecia cada vez mais irritado com as atitudes de Rashidi.

— Como você aguenta conviver com esse vesper?

— Algumas coisas precisam ser feitas, não é?

Void, então, caminhou em direção ao outro quarto.

— Esse é o meu quarto…

Após uma pausa, ele se corrigiu rapidamente.

— Era. Era o meu quarto. Vocês podem dormir aqui por enquanto.

— E onde você vai dormir?!

Ayase estava preocupada com o repentino desalojamento.

Como sempre fazia, Void apenas deu de ombros.

— Tem alguns sofás na sala... eu consigo dormir em qualquer lugar.

— Você tem certeza?! Vai ficar tudo bem? E quanto a privacidade?

O rapaz bateu em seu peitoral, fazendo com que o barulho da armadura ressoasse.

— Você quer privacidade maior do que essa?

— M-mas… não é justo que você durma na sala!

Ayase não estava conformada. A última coisa que queria era incomodar.

— Calma, vai dar tudo certo! Não precisa se preocupar.

— ...

— Aliás, se vocês precisarem de alguma coisa, não hesitem em chamar!

— Na verdade…

Ela parou por poucos segundos enquanto pensava nas palavras certas.

— Eu tenho algumas perguntas para fazer para você... para vocês dois!

— Huh?! Para mim também?

Ryuuki estava curioso com o fato de ter sido citado.

A sereia o respondeu sem hesitar e com um olhar sério.

— Sim.

Três segundos foram suficientes para Ayase formular suas perguntas.

— Afinal, o que é um mediador e por que te chamam dessa forma, Ryuu? E quando você falou dos aglomerados, disse que eles não pertenciam ao nosso universo… isso significa que existem outros? E por que o Ryuu parecia conhecer o Rashidi? O que são “vesperes”?

Quando finalmente encontrou um segundo para respirar, Ayase resmungou.

— Ahhh!! É muita coisa para perguntar! É tudo muito confuso!

— Vamos com calma…

Àquela altura, Void já estava perdido entre as perguntas.

Mas antes que ele pudesse responder a menor das questões, Ryuuki fez um barulho estranho e perdeu o equilíbrio no ar. Por sorte, Void foi rápido o suficiente para perceber isso e conseguiu segurá-lo antes que ele pudesse chegar o chão.

— Opa. Tudo bem com você?

— Ryuu, tem algo errado?!

Ayase o pegou, e o par de olhos verdes demonstravam preocupação.

Diferente do habitual, o corpo de Ryuuki estava febril.

O desespero logo estava nítido no rosto da sereia.

— E-está tudo bem, milady.

Ryuuki sempre foi péssimo para mentir.

— O que está acontecendo com ele?

— Me parece… envenenamento.

Void foi direto. Ele não tinha motivos para mentir.

— Por causa das toxinas do aglomerado. Eu já estava começando a achar estranho. Se essas toxinas são fortes até mesmo para o Rashidi, por que você e esse mediador pareciam imunes a ela?

— E-eu não entendo…

O rapaz de armadura fez uma breve pausa, como se analisasse a situação.

Neste momento, Rashidi aparece na porta para ver o motivo de tanto barulho.

— Será que vocês não conseguem ficar quietos por, sei lá… cem anos?!

Void apenas o ignora, dando continuidade para sua explicação.

— Talvez as toxinas não estivessem fazendo tanto efeito enquanto ele mantinha aquela forma de serpente gigante, mas quando ele mudou para essa forma menor, elas começaram a fazer seu estrago.

Ele fez uma pausa enquanto observava Ryuuki se contorcendo.

— A sorte é que mediadores são imortais, mas ele vai sofrer até que o veneno saia de seu corpo. Só não sabemos por quanto tempo ele terá que aguentar isso…

Subitamente, a expressão da sereia se tornou séria.

— É um veneno, não é? Você tem certeza de que é um veneno?

— Sim… Ainda não conseguimos detectar a sua composição, mas temos a certeza de que isso é um veneno.

Mesmo com aquela resposta, Void não entendeu as intenções de Ayase.

— Tudo bem… Aguente mais um pouco, Ryuu.

Estranhos círculos de magia surgiam ao redor de Ayase, fazendo com que ela fosse banhada por uma energia pura e tão rosa quanto os seus cabelos. A sereia fechou os olhos e respirou fundo, tentando ritmar a sua respiração com seus batimentos cardíacos.

“Se isso é um veneno, então…”

Ela sentia as estranhas toxinas circulando no corpo de Ryuuki.

Os músculos do pequeno dragão-serpente pareciam ficar mais rígidos conforme o veneno se espalhava por sua corrente sanguínea. Não demorou para Ryuuki ter dificuldades para respirar, fazendo com que o mínimo de ar inalado lhe causasse uma dor incomparável. Talvez aquela toxina fosse mais forte que o veneno expelido pelas águas vivas bioluminescentes, mas Ayase não estava ali para descobrir isso.

“Saia daí.” ela ordenou.

Ela sentia cada molécula de toxina adentrando o seu corpo, e a medida que as absorvia, podia sentir a respiração de Ryuuki se tornando mais leve. Mesmo que o trabalho não estivesse concluído, ela deixou um suspiro escapar ao perceber que o companheiro visivelmente se sentia melhor.

Não demorou para que toda a toxina do aglomerado fosse absorvida.

Ryuuki abriu os olhos, se encontrando com o sorriso gentil de Ayase.

— Você está bem?

— Sim… obrigado.

Ryuuki se aconchegou nas mãos que o seguravam. Aquela sensação era maravilhosa.

Quando Ayase sentiu que o dragão-serpente estava em sua melhor condição, deixou um misto de nervosismo e alívio tomarem conta de seu corpo. Sua visão embaçou por conta das lágrimas, e seu corpo trêmulo tirou as forças de suas pernas, a fazendo cair de joelhos.

A sua voz demorou para sair.

Ela estava perdida entre os soluços.

— V-você me deu um susto, sabia?

— Me desculpe por isso e... obrigado... por cuidar de mim?

— Nós sempre vamos cuidar um do outro, bobo!

O sorriso gentil de Ayase se formava mais uma vez, deixando Ryuuki envergonhado.

Ele sorriu de volta para ela, e um riso tão baixo quanto um sussurro escapou.

— O que eu faço com você, milady?

Notas finais
Capítulo 3, parte 1/4. ʕ•̀ω•́ʔ✧ Eu pensei seriamente se esse "pedaço" deveria fazer parte do capítulo 2, mas depois de conversar com uma amiga, decidi que o capítulo 2 já estava grande DEMAIS. A introdução ao novo planeta começa em breve, então teremos vários capítulos de "reconhecimento", "relação dos personagens" e "dúvidas sendo respondidas", eu acho?! A VERDADE É QUE É TUDO FILLER E EU NÃO MEREÇO PERDÃO. Passei a madrugada toda praticando desenho e quando percebi, já estava amanhecendo. Decidi postar o capítulo logo para não acabar esquecendo - ou surtando por ele estar horrível ou algo assim. Ah! Eu roubei a ideia do @MarcoV (Spirit) de postar os capítulos no domingo. Todo domingo vai sair capítulo novo - ou algum desenho na página quando eu decidi que estou boa o suficiente para fazer as ilustrações. Nota final gigante e eu nem sei como isso chegou nesse estado. Alguém deveria dizer: "Isso aqui não é o seu Facebook, Acqua!"