NOVA: Era
3 Capítulo 3- Retorne
Não sei como consegui voltar para o palácio e ficar tão perto da usurpadora real. Aquela cena, aquela mulher, não saiam da minha cabeça. Me tranquei em meu quarto. Fiquei sobre a cama, pensando, encolhida, sobre o que tinha visto, não conseguiria esquecer aquilo.
Após alguns dias dentro do quarto, abrindo a porta apenas para receber comida e água, decidi sair. Saí pois recebera a notícia de que a rainha havia viajado para o Setor Sul, onde uma rebelião havia iniciado o caos. Fiquei no observatório até conseguir ver que ela estava retornando. Voltei para os corredores e fiquei na espreita. Até que entrasse fiquei olhando a curva sinuosa que as paredes faziam para chegar no salão central. Ela chegou e bem ali, onde salão e corredor se encontravam, começou a falar. Falava novamente com uma pessoa irreconhecível.
– Estão tentando se aproximar dela- olhou em direção ao meu quarto- Quanto menos ela saber, melhor. Aumente a guarda, não podem chegar até ela. Se chegarem, será o fim da paz.
A pessoa tornou-se fumaça e saiu em direção à janela. Ainda não sabia do que se tratava, mas penso que a rebelião é por minha causa, quero saber o porquê!
Esperei, esperei, esperei e pensei, pensei, esperei. O retorno do tal “homem fumaça” me alegrou. Estava dentro do meu quarto a dias, evitando contato com Antoinett. Dessa vez, mesmo passando na frente dela, eu seguiria o homem fumaça que tanto aparecia no palácio.
– Por favor, me dê notícias sobre a rebelião...não podemos passar por tudo aquilo novamente...
– Infelizmente, os rebeldes estão avançando. Os guardas negros ficam fracos longe de você. Se você não agir logo, o caos será provocado.
– Obrigada por me deixar alerta, avise isso para os Setores A-1 ao Setor C-10, os mais pobres não podem saber sobre isso, caso contrário tentarão se juntar à rebelião dos expulsos. Agora vá, projete em todos os visores e hologramas sobre isso.
– Será feito, rainha!
Após ouvir cada palavra, esperei que o homem se tornasse fumaça, para poder segui-lo. Estava determinada, focada. Ele evaporou, sai correndo pelo corredor fora da vista de Antoinett, corri, corri, corri. Ao chegar no parapeito do observatório, caí. Não sei como, flutuei, minhas pernas brilhavam, mas como tinha outra missão, prossegui. A fumaça era rápida, mas consegui acompanhá-lo. Cruzava prédios grandes e pequenos, arranha-céus e praças. Vi-o se tornando homem em frente à uma janela de um prédio não muito maior que uma das torres do palácio.
Ele se esgueirou e entro pela fresta da janela. Eu, não podendo evaporar, entrei pela entrada principal. Perguntei a todos que trabalhavam ali sobre o tal “homem fumaça”. Descobri que ele era o diretor das notícias da capital.
– Hey garota, você não pode entrar na sala do diretor.
– Sou Nova, a ciborgue regente, filha adotada da rainha. Eu posso entrar e falar com ele agora?
– Bem, se enciste tanto...
O homem me deu as costas, falou bem baixo, tocando o dedo em sua orelha.
– Ela chegou...
Eu sabia que teria que sair dali bem rápido, mas não sem antes falar com esse diretor de notícias. Abri a porta devagar, ele estava sozinho, passando a mão pelo ar, tocando um holograma, porém manipulando-o.
– Entre, minha jovem.
– Quem é você? Porque frequenta tanto o palácio?
– Rá, eu sabia que alguém de lá viria atrás de mim. Frequento tanto o palácio, porém só falo com a rainha.
Ele virou o rosto para a parede, levantou o disco de hologramas do chão e abriu as cortinas. Era um homem velho, com óculos grossos, gravata, magro e pálido, quase cinza, mas com um braço encoberto por uma cor preta. Olhos vermelhos, como se queimassem por dentro.
– O que quer de mim, garota?
– Seu nome primeiro!
– Sou August, chefe-escritor-diretor de notícia em todos os meios de comunicação da capital.
– Bem, senhor chefe-diretor, quero saber que rebelião é essa, porque estão atrás de mim.
– Você é Nova, não é?
– Sim...
– Bem, creio que a Rainha já lhe explicou sobre o motivo de nossa monarquia...
– Ela me disse sobre isso sim, e também sobre o motivo do assassinato do rei Moldin.
– Muitos não acreditam que ela tenha assassinado Moldin por motivos de melhoria. Muitos creem que ela o matou para governar nossa nação de forma totalitária, matar todos que se opõem a ela, esquecer os pobres e favorecer os ricos, apenas por poder.
“Agora eu me lembro...será que ela...realmente é assim? Aquele dia... no prédio beige...aquelas pessoas...” — pensei.
– Ultimamente, com tanto caos sendo instalado por grupos enormes de assassinos- aquelas pessoas... assassinos? Não pode- ela tem exterminado estes grupos, mas muitos acham que eram inocentes que se opunham a ela. Boatos são espalhados por expulsos que entram de forma ilegal na capital, apenas para achar a imagem da rainha...
– Mas... o que eu tenho a ver com isso tudo? Estou consciente a menos de um ano! Como posso estar envolvida nisso?
– Mesmo os expulsos sabem de seu poder, eles querem te levar para o lado deles, por que você é a única que pode derrotar a rainha, você é a única capaz. Mas sei que você não o faria, faria?
– Claro que não! Obrigada por me explicar, tenho que voltar rápido para o palácio!
– Disponha, nos vemos em breve...
Corri para fora do prédio, antes mesmo de enxergar a lua que estava se levantando ao lado de fora, fui atingida. “Caí no chão, mais uma vez, estou no chão, o que está acontecendo?”
Tentei abrir os olhos mais uma vez, vi apenas vultos, apaguei sem saber o que havia acontecido, senti uma dor tremenda em meu pescoço. “Desta vez, vou deixar ser levada, nem que seja para a morte...”
...
–Onde estou? – perguntava repetidamente, sem resposta, sem forças, até que.
– Bem vinda, Nova, que bom que retornou...
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