NOSTALGIA (VERSÃO 2026)

38 Sombras na Mansão 🕵️


Depois das intensas atividades...

SS: Grissom... depois que engravidei senti minha libido aumentar de uma forma louca e ao acordar, te sentir ali pertinho... não resisti, agarrei você mesmo e foi muito bom, mas... Eu tenho que ir pra consulta com o Ortopedista, preciso levantar. Se estiver tudo bem, tiro a bota hoje.

GG: Posso ir com você?? Tomo banho rapidinho!!

SS: Sim, vamos!!

Grissom se aproximou, segurou o rosto da morena e já a beijando... Ele intensificou o beijo e ao notar que estava sendo puxada para debaixo dele, a perita o jogou no colchão.

SS: Muito espertinho senhor Grissom!! Qual foi a parte de que preciso ir na consulta você não entendeu?!

GG: Sara vem aqui rapidinho, olha como estou...

( apontou para abaixo da linha da cintura)

Sara respirou fundo: Não... não pega pesado Gil!! Eu... eu vou tomar banho no outro banheiro e vou tomar café e você... vai tomar um banho frio!!

Saiu dali correndo, mas sem tirar o sorriso do rosto e foi se vestir no outro quarto.

O som da risada de Sara ecoou pelo corredor enquanto ela fugia da "tentação" que era aquele quarto. Grissom ficou ali, jogado no colchão, olhando para o teto com um sorriso bobo e os pulmões ainda tentando recuperar o ritmo.

— Banho frio... — ele resmungou para as paredes vazias, sentindo o latejar da própria frustração misturada com uma felicidade absurda. — A ciência do autocontrole é a mais difícil de todas.

Ele se levantou, bufando com humor, e seguiu para o chuveiro. A água gelada foi um choque necessário para acalmar o "entusiasta" entomologista, mas não conseguiu apagar a imagem de Sara, radiante e decidida, saindo do quarto.

Quando Grissom desceu, já vestido e com os cabelos úmidos, encontrou a mesa posta. Beth e Augusto já estavam lá, e o clima era de uma leveza quase celestial. Sara estava sentada, terminando o café, com as muletas encostadas na cadeira.

— Alguém parece ter acordado de excelente humor hoje — comentou Beth, lançando um olhar cúmplice para o filho, que tentava manter a expressão mais neutra possível enquanto servia o seu café.

— O ar da montanha deve ter limpado meus pulmões, mãe — mentiu Grissom descaradamente, evitando os olhos de Sara, que deu uma risadinha por trás da xícara.

— Papai, você vai levar a mamãe para tirar a bota? — Augusto perguntou os olhos brilhando de expectativa.

— Esperamos que sim, campeão — Grissom sinalizou de volta, piscando para o filho. — O doutor vai decidir hoje. Se tudo estiver certo, ela volta a caminhar sem ajuda.

SS: Podemos levar o Hank no parque depois filho!!

Augusto: Sim mãe!! Vamos sim!!

No carro, o trajeto foi pontuado por trocas de olhares intensas. Grissom mantinha uma mão no volante e a outra firmemente entrelaçada na de Sara.

— Você está muito quieto, Gil — Sara provocou, sentindo a palma da mão dele quente contra a sua. — Ainda pensando no banho frio?

— Estou pensando em como a bota ortopédica era, tecnicamente, o único obstáculo para certas manobras — ele respondeu, mantendo os olhos na estrada. — Se ela sair hoje, Sara... considere-se avisada. O "cuidado" do médico vai ser levado muito a sério, mas a frequência dos experimentos vai aumentar drasticamente.

Sara sentiu o rosto esquentar de novo. — Gil Grissom! Foca no trânsito!

O médico examinou o tornozelo de Sara sob o olhar quase protetor de Grissom. — Bom, a cicatrização está excelente. O edema sumiu e a mobilidade está em 90%.

Ele começou a soltar as travas da bota. Sara prendeu a respiração enquanto o peso do equipamento era retirado. Ao tocar o chão frio da clínica com os dois pés descalços, ela soltou um suspiro de alívio.

— Pode tirar — o médico sentenciou. — Mas, Sara, nada de salto alto ou corridas pesadas pelas próximas duas semanas. Use a tornozeleira de compressão e... Grissom, continue cuidando dela.

Grissom levantou-se imediatamente, oferecendo o braço para ela. — Pode deixar, Doutor.

Ao saírem do consultório, Sara caminhava devagar, sentindo a liberdade de cada passo. — Finalmente! — ela exclamou. — Eu me sinto dez quilos mais leve.

Grissom parou na frente do elevador e a olhou de cima a baixo, um brilho perigoso e apaixonado nos olhos. — Sem bota. Sem Heather. Sem mentiras. Apenas nós e o "trocinho" aqui dentro — ele tocou a barriga dela. — O que você quer fazer agora, Sra. Grissom?

Sara sorriu, aproximando-se dele até que seus narizes se tocassem. — Eu quero ir para casa, ver o Augusto, e depois... eu quero que você me mostre exatamente o que sua agenda tem para nós.

— É uma excelente hipótese para testarmos — ele sussurrou, antes de o elevador abrir. — Mas sinto que ela está cheia.

O resto do dia passou em um borrão de atividades. Primeiro, passaram no veterinário para buscar Hank. O cachorro, ao ver os donos, quase derrubou Grissom com lambidas e um rabo que abanava descontrolado.

— Calma, garoto! — riu Grissom, bagunçando as orelhas do animal. — A família está voltando para o ninho.

Depois, a parada foi em um empório gourmet. Grissom entrou sozinho, pedindo para Sara esperar no carro para "não forçar o tornozelo", mas ela o viu sair com sacolas que exalavam cheiro de queijos finos, massas frescas e o que parecia ser uma garrafa de vinho sem álcool de alta qualidade.

Por fim, buscaram Augusto na escola. O menino saiu correndo ao ver o carro e, ao notar que a mãe estava sem a bota ortopédica, seus olhos brilharam. — Mamãe! Você está de sapato normal! — falou com uma alegria contagiante.

O clima no vestiário do laboratório era de uma leveza que Sara não sentia há meses. Enquanto prendia o cabelo e ajustava o distintivo na cintura — agora sem o peso da bota ortopédica — a morena não conseguia conter o sorriso ao relatar as "novidades" para a amiga.

— Catherine, eu não sei o que deu em mim... — Sara confessou, rindo baixo enquanto guardava suas coisas no armário. — Eu simplesmente não resisti e agarrei o homem! Acho que os hormônios dessa gravidez ligaram um interruptor em algum lugar que eu não sabia que existia.

Catherine deu uma risada alta, daquelas que só uma amizade de anos permite, e deu um tapinha encorajador no ombro de Sara.

— Está certíssima, amiga! — A loira exclamou, com um brilho divertido nos olhos. — Depois de tudo o que vocês passaram, um pouco de "fogo" é exatamente o que o médico e o bom senso receitou. E olha, o Grissom precisava desse choque de realidade para ver que você ainda o deseja.

Sara suspirou, o sorriso tornando-se mais suave e reflexivo.

— Ele tem se esforçado para mostrar que se importa todos os dias, Cath. Desde os pequenos gestos em casa até o jeito que ele me olha agora. Parece que ele finalmente entendeu que a vida acontece fora deste prédio.

— Ele te ama muito, Sara. Todo mundo neste prédio sabe disso, até os ratos do biotério — Catherine comentou, voltando a ficar séria por um momento, com um olhar carinhoso. — O jeito que ele ficou quando você sumiu... eu nunca vi o Gil tão humano e tão vulnerável. Ele aprendeu a lição.

— Eu sei — concordou Sara, pegando seu kit de campo. — E, sinceramente? Estou adorando essa fase "marido participativo". Mas agora, o dever chama. Vamos ver o que esse caso grande tem para nós antes que o Grissom apareça por aqui e eu acabe me distraindo de novo com esses hormônios...

As duas saíram em direção ao layout principal, prontas para o trabalho. O laboratório podia estar um caos com o novo caso, mas para Sara, a maior evidência de que as coisas estavam no lugar certo era a paz que ela sentia no peito e a expectativa deliciosa de voltar para casa no fim do turno.

Grissom estava cercado de papéis, relatórios abertos. O tipo de plantão cheio que normalmente deixava qualquer pessoa de mau humor.

Mas ele estava cantarolando baixinho. Quase imperceptivelmente.

Quase.

Brass abriu a porta sem cerimônia, como sempre e parou um segundo observando o amigo antes de falar.

JB: Posso saber se essa alegria atende pelo nome de Sara Sidle?

GG: Com certeza. Estamos ficando cada vez mais juntos. E tenho certeza que logo, logo sacramentamos nossa reconciliação.

JB: Fico feliz. De verdade. Mas antes de irmos para Henderson... preciso te informar sobre uma coisa.

GG: O que?

JB: Uma cabeça foi encontrada na Strip.

GG: Como assim? Já foi identificada?

JB: Sim. É a cabeça do Anthony Hentz.

GG: Eita. Sanches dando recados.

JB: Alto e bom som. Pra quem quiser ouvir.

A cena no escritório de Grissom mudou instantaneamente de um clima de leveza para a crueza da realidade criminal de Las Vegas. A notícia trazida por Brass era o ponto final macabro que Sanches queria colocar na história de Anthony, uma assinatura de sangue deixada em pleno coração da Strip.

GG: Vamos logo pra Henderson resolver nosso caso porque quero voltar pra junto da minha mulher.

Nesse momento três batidas leves na porta.

SS: Oii!! Soube que a cabeça do Anthony apareceu na Strip?

— Pois é, amor — respondeu Grissom, ajeitando o colete enquanto se aproximava dela. — Sanches não faz nada por acaso. Colocar aquela cabeça na Strip é um aviso público: ele é o dono do território e traições são pagas com a vida, sem direito a um enterro completo. Olha, vou precisar ir em Henderson com o Brass. Tento voltar a tempo de almoçarmos.

SS: Tá bom. Cuidado vocês dois.

Grissom passou por ela, parou, e deu um beijo apaixonado nela.

O beijo que ele deu em Sara foi breve, mas carregado de uma intensidade que não passou despercebida por Brass. O capitão, acostumado com a frieza habitual de Grissom, não pôde deixar de soltar um risinho, balançando a cabeça.

— Vocês dois parecem adolescentes em início de namoro — comentou Brass, ajustando o coldre. — Se o Grissom continuar nesse ritmo de "felicidade", vou acabar tendo que pedir autorização para a Sara toda vez que precisarmos prender alguém.

Sara riu, cruzando os braços e observando a dinâmica. — Pode deixar, Jim. Por hoje, ele está liberado para o trabalho de campo. Mas tragam-no de volta inteiro, por favor.

— Ouviu, né, Capitão? — Grissom provocou, caminhando até a porta. — Tenho um almoço marcado e não pretendo me atrasar.

JB: Tenho direito a beijo também, cookie?

SS: Na bochecha, bonitinho.

Brass riu, o tipo de risada genuína que ele raramente deixava escapar e passou por ela também, dois tapinhas amigáveis no ombro.

Mansão de Heather Kessler

O ambiente que ela havia construído com tanto cuidado, elegante, controlado, intimidante na medida certa parecia menor hoje. As cortinas pesadas bloqueavam o sol. Os móveis caros não tinham mais a mesma presença. Heather andava. De um lado para o outro. Os saltos no mármore marcando cada pensamento que não conseguia parar.

Gil Grissom.

Anos convivendo com aquele homem fascinante. Dois anos construindo uma proximidade cuidadosa. E no final uma porta fechada na cara com uma calma que doía mais do que qualquer portada.

"Ela é a mulher da minha vida."

Parou no meio da sala. Fechou os olhos.

Havia perdido. Não a batalha, a guerra inteira. E o pior havia perdido para si mesma. Cada movimento calculado, cada trama, cada peça movida... havia empurrado Grissom exatamente para onde ela não queria que ele fosse.

Para os braços de Sara.

O que Heather não havia percebido porque estava demasiadamente dentro dos próprios pensamentos, era a presença.

Ele estava ali há algum tempo. Observando. Inicialmente por interesse próprio. Heather Kessler era uma mulher que valia a atenção. Mas quanto mais observava, mais a fascinação crescia.

E quanto mais a via assim, furiosa, ferida, reduzida mais a raiva em direção ao responsável aumentava.

Havia algo em ver uma mulher assim poderosa, calculista, absolutamente fora de controle por causa de um homem que o acendia de um jeito que ele mesmo achava difícil de nomear.

Deu um passo para frente.

Homem: Você sabe que fica ainda mais impressionante quando está furiosa?

Heather girou. A mão instintivamente indo para o lado, o reflexo de quem sempre teve uma saída planejada. Mas não recuou. Nunca recuava.

HK: Quem deixou você entrar?

Homem: Sua segurança precisa de uma revisão séria, mas isso podemos resolver depois.

HK: Você tem dez segundos para me dizer quem é e o que quer aqui.

Homem: Me chamo Marcus. E o que eu quero ...é entender por que um homem com olhos funcionando escolheria uma vida sem Heather Kessler.

Heather o estudou. Cada detalhe. O jeito que ele se movia. A ausência de nervosismo.

HK: Você me conhece?

Marcus: Conheço. Há mais tempo do que você imagina. E sei que esse supervisor... esse Grissom... é o responsável por isso tudo. Por esse estado em que você está.

Heather não respondeu. O que era uma resposta.

Marcus: Pode deixar, querida. Vou fazer umas coisas e volto depois com novidades para você.

Heather olhou para esse homem que havia entrado na sua casa sem ser convidado, que a observava como se a conhecesse de verdade e o viu ir embora sem pronunciar mais nenhuma palavra.

O caso em Henderson revelou-se um verdadeiro labirinto de evidências degradadas pelo calor, exigindo que Grissom e Brass permanecessem no local muito além do previsto. O almoço romântico acabou substituído por café frio e anotações de campo, mas o humor do supervisor permanecia inabalável, sustentado pela breve, porém significativa, ligação que fizera para Sara.

— Te amo, Sara — ele disse, com uma suavidade que fez Brass levantar uma sobrancelha, enquanto examinava um rastro de sangue seco.

— Também te amo, Gil — a resposta dela ecoou no telefone, trazendo o conforto que ele precisava para enfrentar mais algumas horas de perícia sob o sol.

Enquanto isso, no laboratório em Vegas, Sara finalizava os últimos detalhes de sua maleta. Catherine já a esperava no estacionamento, checando as coordenadas da viagem para Reno.

— Pronta, Sara? — perguntou Catherine, vendo a amiga chegar com um semblante tranquilo. — Reno é uma viagem curta, mas esse assunto do caso não podia esperar.

— Pronta! — Sara respondeu, acomodando-se no banco do passageiro. — O Grissom está atolado em Henderson, então o tempo vai casar perfeitamente. Quando voltarmos, quem sabe ele já não terminou por lá.

A noite caiu sobre Nevada com os dois peritos em direções opostas. Grissom, em Henderson, finalmente conseguia finalizar e estava voltando.

Em Reno, o clima estava mais frio. Sara e Catherine trabalhavam em uma diligência rápida, cruzando informações com a polícia local. Entre um depoimento e outro, Catherine notou como Sara tocava a aliança, agora de volta ao dedo, com um carinho distraído.

— Pensando no "Homem dos Insetos"? — brincou Catherine.

— Pensando em como as coisas mudam — Sara sorriu. — Uma semana atrás eu estava em uma cabana prestes a explodir, e hoje... hoje eu só consigo pensar em como vai ser bom chegar em casa e não encontrar nenhuma sombra entre nós.

Escritório de Grissom — fim do turno —

Brass estava recostado na cadeira à frente, os dois numa daquelas conversas tranquilas que só acontecem quando a pilha de casos dá uma respirada.

GG: Precisava tanto de uma folga. Ficar em casa. Só eu e a Sara. Sem telefone. Sem casos. Sem...

JB: Sem Heather aparecendo na calçada.

GG: (olhando para ele)

JB: (levantando as mãos) Só falei.

A porta se abriu sem cerimônia.

CE: Posso te ajudar com isso.

Grissom e Brass se entreolharam.

GG: Posso saber como... Ecklei?

CE: Meu amigo Augusto me disse que vai com a avó para Marina Del Rey passar o fim de semana. Sara estará de folga nesta sexta. Então...

GG: Então...

CE: Deixa eu terminar. Você teria o fim de semana todo. Casa vazia. Esposa em casa. Problema resolvido.

GG: Não rola. Tenho que comparecer ao jantar que o Xerife está oferecendo na sexta. Não posso faltar.

CE: Eu vou no seu lugar.

GG: Você... vai no meu lugar??

CE: Se você for no evento de semana que vem com os reitores das universidades. Que eu detesto. Troca justa.

GG: Com certeza. Topei. Muito obrigado, Conrad. Por isso e... pelos conselhos de antes.

CE: Fez a escolha certa na vida pessoal. Aproveite a folga. Tchau, Brass.

JB: Tchau, Conrad.

(A porta fechou.)

Brass, encostado na porta, balançava a cabeça com um sorriso cínico, enquanto observava Ecklie se afastar pelo corredor com uma postura quase... leve.

— Eu estou chocado, Gil — admitiu Brass, cruzando os braços. — Vivi para ver Conrad Ecklie estender o tapete vermelho para Gilbert Grissom ter um fim de semana de folga. O mundo realmente deu uma volta completa. Augusto mudou aquele homem de um jeito que nem a corregedoria conseguiu.

Grissom riu, uma risada relaxada, enquanto já começava a fechar os arquivos sobre a mesa com uma pressa incomum.

— Sabia que o Guto me disse que o Conrad é o padrinho dele? — Grissom revelou, guardando a caneta no bolso. — Esse menino tem um poder de persuasão danado. Ele não só ganhou o Conrad, como o transformou em um aliado.

— Ele é o padrinho? — Brass riu mais alto. — Bem, isso explica por que o Ecklie está trocando de lugar com você. Ele sabe que, se te ajudar, ganha pontos com o afilhado.

Grissom olhou para o relógio. O plano estava perfeito: Beth e Augusto em Marina Del Rey, a casa vazia, e ele com uma dispensa oficial assinada pelo próprio diretor do laboratório.

— Sexta-feira livre, Sara de folga e a casa só para nós dois — murmurou Grissom, pegando o casaco. — Jim, você está proibido de me ligar neste fim de semana por qualquer coisa que seja.

O ar no estacionamento do laboratório estava fresco, e a iluminação amarelada dos postes refletia nos carros, criando um clima de "missão cumprida". Grissom não conseguia tirar o sorriso do rosto ao ver Sara se aproximando, já sem o colete e com aquela expressão de cansaço misturada.

GG: Amor, plantão terminou e fizemos um duplo. Vamos pra casa?

— Vamos sim! — respondeu Sara, entrelaçando sua mão na dele com uma naturalidade que aqueceu o peito de Grissom.

— Tchau, pombinhos! — a voz de Catherine ecoou divertida enquanto ela acenava, observando os dois se afastarem. — Não façam nada que eu não faria!

Grissom apenas ergueu a mão em um aceno de despedida, guiando Sara até o carro. Assim que entraram e o silêncio do veículo os envolveu, ele não resistiu e inclinou-se para um beijo rápido e suave antes de dar a partida.

— Você não tem ideia do quanto eu estava esperando por esse momento, Sara — ele confessou, enquanto manobrava para sair do pátio do LVPD.

— Eu também, Gil. Foi um turno longo — ela bocejou levemente, encostando a cabeça no banco. — Creio que vou chegar em casa e desmaiar depois do banho.

GG: Eu também!!

Chegaram em casa e o silencio reinava. Beth havia saído e Augusto estava na escola. Sara correu para o banho, mas logo o box foi invadido por um apaixonado marido.

O vapor do chuveiro transformou o banheiro em um santuário particular, longe de todas as tragédias que eles analisavam diariamente sob as luzes frias do laboratório. Quando Grissom entrou no box, a desculpa da "sustentabilidade" durou apenas o tempo de um sorriso malicioso de Sara antes de ser substituída pela urgência do toque.

— "Economia de água", Grissom? — Sara riu, a água escorrendo pelo rosto enquanto ela passava as mãos pelos ombros dele. — Você é o pior mentiroso que eu já conheci.

— Foi a melhor justificativa que encontrei — ele murmurou, a voz rouca, antes de silenciá-la com um beijo que misturava o gosto da água com desejo.

O banho, que deveria ser rápido, estendeu-se até que os dedos estivessem enrugados e a mente estivesse finalmente em paz.

Ao saírem, o quarto estava mergulhado em uma penumbra acolhedora. Eles mal tiveram forças para se vestir adequadamente, caindo nos lençóis ainda com a pele quente do banho.

Grissom puxou Sara para perto, acomodando-a em seu abraço habitual, o braço por baixo do pescoço dela, a outra mão repousando protetoramente sobre a barriga, onde o futuro deles crescia silencioso.

— Finalmente em casa... — sussurrou Sara, sentindo o peso das pálpebras aumentar.

— Finalmente em paz — ele respondeu, beijando o topo da cabeça dela.

Pela primeira vez em muito tempo, o sono não foi povoado por pesadelos de cabanas nas montanhas ou rostos de suspeitos. Foi um sono sem sonhos, o tipo de descanso que só acontece quando você sabe que, se abrir os olhos no meio da noite, a pessoa que você ama estará exatamente onde deveria estar: ao seu lado.