NOSTALGIA (VERSÃO 2026)
24 Corações machucados
GG (mais baixo, mas ainda duro): Eu sou estéril.
Sara estava parada no meio da sala, a boca entreaberta, os olhos arregalados. As lágrimas tinham secado no rosto dela, substituídas por uma expressão que Grissom nunca havia visto nela antes.
Incredulidade pura.
SS: (quase num sussurro) Estéril...
Ela repetiu a palavra como se estivesse tentando encontrar algum sentido nela. Processando. Reorganizando tudo.
Ele a encarou, como se estivesse esperando uma confissão.
GG: Então, se você está grávida… é porque me enganou.
E foi ali que tudo quebrou.
— Você... você realmente acha que eu seria capaz disso? — Sara finalmente conseguiu sussurrar, a voz falhando, as lágrimas escorrendo silenciosas.
— Os dados não mentem, Sara! — Grissom rebateu, embora sua voz estivesse embargada. — Eu procurei especialistas! Eu queria esse filho mais do que tudo, e receber um "não" da ciência enquanto vejo você... — Ele apontou para o ventre dela com um gesto trêmulo. — ...grávida depois de tudo o que eu vi? A conta não fecha!
— A sua ciência está errada, Gil! Ou alguém a fez errar! — Sara gritou, recuperando um pouco da força pela indignação. — Eu sou sua esposa! Como você pode me olhar na cara e perguntar quem é o pai?
— Talvez você devesse perguntar isso ao Ted! — O nome saiu da boca de Grissom como um veneno.
O choque de Sara se transformou em uma fúria gelada.
SS: Grissom... você sabia disso e nunca me contou??
Os olhos dela começaram a encher de novo, mas dessa vez não era de mágoa. Era de algo muito mais fundo.
SS: Quanto tempo você carregou isso sozinho?? E quando descobriu que eu estava grávida, a primeira coisa que veio na sua cabeça foi que eu te traí?? Depois de tudo que passei por você, de tudo que abri mão, de tudo que construí do seu lado...
A voz finalmente quebrou.
SS: Essa foi a sua primeira conclusão sobre mim, Grissom?? Realmente??
GG: Não esperava por essa, né? (joga o exame sobre a mesa) Você achou mesmo que ia se deitar com outro e eu… (ri sem humor) …eu ia assumir o filho como um idiota?
SS: Grissom—
GG: Quem é? (encara, duro) Já sei… é o Ted, né?
SS: Para com isso! Deixa de ser babaca, Grissom! Eu não te traí! Esse filho é seu!
GG: Sara quer parar com as mentiras por favor?!
SS: (com lágrimas nos olhos, mas firme) Não são mentiras, Gil. Nunca foram. Eu sei o que esse exame diz, mas ele está errado. Eu nunca te traí. Nunca. Não seria capaz.
GG: (voz baixa, controlada, mais assustadora do que quando gritava) Eu sou cientista, Sara. Passo a vida inteira confiando em evidências. E a evidência está aqui, na minha mão.
SS: Então faça outro exame. Faça dez exames. Porque esse resultado não bate com a realidade.
GG: (hesita por um segundo, os olhos marejando, mas mantém a expressão fechada) Por que eu faria isso? Para você ter tempo de fabricar uma história melhor?
SS: (se aproxima, segura o rosto dele com as duas mãos) Porque você me conhece, Gil. Você me conhece melhor do que ninguém nesse mundo. Olha pra mim. Olha nos meus olhos e me diz que acredita que eu fiz isso com você.
GG: (longa pausa, a voz finalmente quebra) ...É isso que me mata, Sara. Eu quero acreditar em você. Mas não consigo ignorar o que está escrito aqui.
SS: EU NÃO TE ENGANEI!
(os olhos marejados, a voz quebrando)
Eu nunca faria isso com você… porque eu te amo!
Silêncio cortante....
SS: Olha aqui, Grissom… pra mim deu.
(respira fundo, tentando se manter firme)
Já entendi que nada do que eu diga vai fazer você acreditar em mim.
(começa a juntar algumas coisas, mãos levemente trêmulas)
Eu vou tirar minhas coisas do seu quarto e ficar no escritório. A gente ainda não tem a guarda definitiva do Augusto, então eu não posso sair daqui… mas o nosso casamento acabou.
(olha pra ele, magoada, mas decidida)
Você tá livre. Pode se encontrar com a sua amante quando quiser. Hoje eu vou dormir com o Augusto na casa da Catherine.
GG: (ri, ácido) Engraçado… pensei que fosse ficar com o seu amante.
(o som do tapa corta o ar)
Grissom leva a mão ao rosto, surpreso, não pela dor, mas pelo que aquilo significa.
SS: (a voz baixa, tremendo de indignação) Eu juro… eu nunca imaginei ver esse lado em você. (engole o choro, mas as lágrimas já caem) Eu nunca te traí. Nunca. Essa criança que tá dentro de mim é seu filho.
(um passo atrás, como se ele fosse um estranho)
Mas já que você prefere não aceitar… eu vou criar sozinha. Com amor. Com dignidade.
(pausa, respira, tentando recuperar o controle)
Quando a guarda do Augusto sair… eu vou embora. Vou voltar pra São Francisco.
(encara ele pela última vez, firme, mesmo destruída por dentro) E quando você descobrir a verdade… não me procura. Esquece que um dia me conheceu.
(silêncio pesado)
Tem coisas que a gente diz… que não dá pra desfazer.
GG: (duro, mas claramente afetado, quase como um mecanismo de defesa)
Vai pra São Francisco com o pai do seu filho, né?
Melhor assim.
(Sara fecha os olhos por um segundo, como se aquilo fosse a última facada)
Sem dizer mais nada, ela vira e sai rapidamente, antes que desmorone ali na frente dele.
Casa de Catherine Willows...
Sara chegou arrasada à casa de Catherine. Por sorte, as crianças estavam distraídas na piscina. Sem dizer muito, Cath segurou o braço da amiga e a conduziu até o escritório.
CW: Sara… o que aconteceu?
SS: (voz falhando) Eu e o Grissom… nos separamos.
Catherine arregalou os olhos, tentando processar.
CW: Foi por causa da Heather, né?
SS: Também… mas não foi só isso. (engole seco) Ele achou o resultado do exame de gravidez.
CW: E…?
SS: Quando eu confirmei… ele perguntou quem era o pai. (os olhos enchem de lágrimas) Disse que não podia ser ele… porque fez exames… e que é estéril.
Catherine leva a mão à boca, completamente surpresa.
CW: O quê?! Pera, pera… isso não faz sentido nenhum. Como assim estéril?
SS: Foi o que ele disse… (a voz começa a tremer) E usou isso pra me acusar. Disse que eu tinha um amante… que tentei fazer ele de idiota…
CW: Meu Deus…
SS: Foi horrível, Cath. Ele nem me deixou explicar direito. Eu não traí ele… (a voz quebra) Esse filho é dele.
Catherine segurou Sara por um longo tempo sem dizer nada, deixando ela chorar. Quando os soluços foram diminuindo, a loira se afastou levemente e olhou para a amiga nos olhos.
CW: Escuta, eu preciso te fazer uma pergunta e quero que você responda com a cabeça fria.
Sara assentiu, enxugando o rosto com as costas da mão.
CW: Esse exame que ele disse que fez... você sabia que ele tinha feito isso?
SS: Não. Nunca me contou nada. Nunca falou que tinha algum problema. (pausa) Se tivesse me dito, a gente teria enfrentado juntos, Cath. Eu não precisava de um filho biológico pra ser feliz com ele, eu já tinha o Augusto.
CW: (franzindo a testa) Então ele guardou isso sozinho, não te contou, e quando você apareceu grávida, ao invés de conversar, preferiu te destruir?
Sara não respondeu. Não precisava.
CW: Sabe o que eu acho? Acho que ele está com medo. Grissom sempre foge quando algo é grande demais pra ele processar. Mas dessa vez foi longe demais.
SS: (amarga) Medo ou não, Cath, tem coisas que não dá pra desdesizer. Me chamou de traidora na minha própria cara. Me perguntou se o Ted era o pai...
CW: Ted?? Que Ted??
SS: Exatamente. Inventou um amante do nada.
Catherine se levantou, foi até a janela e ficou olhando para as crianças na piscina por um momento. Quando se virou, tinha uma expressão determinada.
CW: Sara, esse exame de esterilidade pode estar errado. Já viu caso assim?
SS: (levanta a cabeça) O que você está pensando?
CW: Estou pensando que exames podem ser refeitos.
SS: Cath, eu não preciso provar nada pra ele...
CW: Não é pra ele. (olha firme para a barriga de Sara) É pra esse bebê. Quando ele crescer, vai querer saber quem é o pai. E você vai poder olhar pra ele e dizer que fez tudo certo, mesmo quando ninguém acreditou em você.
Sara ficou em silêncio por um longo momento.
CW: Ei… olha pra mim. Eu acredito em você. Tá? Eu sei quem você é.
Sara balança a cabeça, destruída.
SS: Ele não acredita… e ainda tem a Heather… sempre a Heather. Parece que ela sempre vai ser mais importante do que eu. (sussurra) Eu não sei nem por que ele casou comigo…
As lágrimas finalmente transbordam. Catherine a puxa para um abraço apertado, firme, protetor.
CW: Shhh… você não tá sozinha nisso, Sara. A gente vai entender o que aconteceu. Mas você não merece passar por isso… não assim.
Sara se agarra a ela, chorando sem conseguir se conter.
O supervisor não conseguiu ficar em casa. A cabeça estava um caos. Precisava falar com alguém que não fosse julgá-lo… ou pelo menos que fosse direto.
Parou em frente à casa de Jim Brass e bateu.
A porta se abriu. Brass o encarou por um segundo, sério, lendo tudo no rosto do amigo, mas não disse nada. Apenas deu espaço.
Sem uma palavra, apontou para o sofá. Em seguida, serviu dois copos de whisky e entregou um a ele.
JB: O que te traz aqui depois de sumir por alguns dias?
Grissom soltou o ar devagar, passando a mão pelo rosto.
GG: Eu… preciso desabafar com alguém.
Brass tomou um gole, sem tirar os olhos dele.
JB: Vai me contar do seu caso com a Heather?
Grissom levantou a cabeça na hora, irritado.
GG: Como é que é?! Eu não tenho nenhum relacionamento com ela! Somos amigos.
JB: (seco) Sei.
(pausa)
Eu tava com a Sara quando a Jane disse que viu vocês em Nova York… e eu mesmo vi vocês outro dia. Na frente de uma sorveteria.
Grissom franze a testa.
GG: E daí?
JB: (direto) Vocês estavam se beijando.
GG: Opa, opa… não. Eu não beijei a Heather.
JB: (ergue a sobrancelha) De longe parecia bem o contrário.
GG: Nem tudo é o que parece, Brass. Eu não beijei ela.
Brass inclina o corpo pra frente, apoiando os cotovelos nos joelhos.
JB: Mas vem se encontrando com ela escondido, não vem?
Um silêncio breve.
GG: …Sim. Mas o foco aqui não sou eu.
Brass solta um riso curto, incrédulo.
JB: Claro que é.
GG: Não! (mais firme) Eu descobri que a Sara me traiu.
O copo de Brass para no meio do caminho.
JB: …O quê?
GG: Eu encontrei o exame de gravidez. Confrontei ela. Ela disse que o filho é meu… mas não pode ser.
JB: E por que não pode?
Grissom engole seco, a voz mais baixa agora.
GG: Porque eu fiz exames… e o resultado deu que eu sou estéril.
O silêncio que cai na sala é pesado.
Brass o encara por alguns segundos, avaliando — não só as palavras, mas o homem à frente dele.
JB: Você ouviu o que acabou de dizer?
GG: Eu sei exatamente o que eu disse.
JB: Não, não sabe. (balança a cabeça) Porque você tá comprando um exame… e jogando fora anos de quem a Sara é.
Grissom aperta o maxilar.
GG: Você não entende—
JB: Eu entendo sim. (corta) Eu entendo que você tá confuso, magoado… e procurando uma resposta fácil.
GG: Fácil? Você acha isso fácil?!
JB: Acho conveniente.
(pausa, firme)
E acho que você tá ignorando muita coisa, inclusive o fato de estar se encontrando escondido com a Heather enquanto acusa a sua esposa de traição.
Aquilo o atinge.
GG: Eu não traí a Sara!
JB: Mas tá bem perto de cruzar essa linha, não tá?
Silêncio.
JB: (mais calmo) Você confia mais nesse exame… ou na mulher com quem você escolheu construir uma vida?
Grissom desvia o olhar, pela primeira vez sem resposta.
GG: Fiz alguns exames… inclusive de fertilidade.
(pausa, seco)
E descobri que sou estéril. A Sara está grávida… então ela me traiu. Porque eu não posso ser o pai.
Jim Brass ergue a mão na hora, interrompendo.
JB: Calma aí. Volta um pouco.
(olhar firme)
Por que você fez esse exame?
GG: Eu queria ter um filho com a Sara. Como não acontecia… a Heather sugeriu que eu investigasse. Então eu fiz.
Brass estreita os olhos.
JB: Você conversou com a Sara sobre isso?
GG: Não.
JB: Só com a Heather?
GG: …Sim.
O silêncio pesa por um segundo.
JB: Quem é a sua esposa, Grissom?
Ele franze a testa, incomodado.
GG: Por que você tá perguntando isso?
JB: Porque você pegou um assunto íntimo do seu casamento… levou pra outra mulher, seguiu o conselho dela… e agora tá aqui acusando a sua esposa de traição sem nem cogitar que esse exame pode estar errado.
Grissom trava o maxilar.
JB: E digo mais... com a Heather envolvida? Eu desconfio ainda mais desse resultado.
GG: Vocês ficam apontando o dedo pra Heather… mas não enxergam a Sara. Sempre perfeita, sempre correta… e no final (ri sem humor) me fez de idiota. Me colocou um par de chifres.
Brass se inclina pra frente, a voz baixa, mas firme.
JB: Sabe o que eu tô vendo?
Silêncio.
JB: Um homem que confiou mais numa terceira pessoa do que na própria esposa… e agora tá tentando justificar isso.
GG: Eu tenho um exame!
JB: E você tem uma história inteira com a Sara!
(bate levemente no braço do sofá)
Qual dos dois você decidiu ignorar?
Grissom aperta o copo com força.
GG: Ela tá grávida, Brass!
JB: E você tá se encontrando escondido com outra mulher.
(pausa)
Você acha mesmo que isso não é traição?
GG: Eu não traí a Sara!
JB: Não? Então por que esconder?
(pausa, direto)
Por que procurar a Heather pra assuntos que deveriam ser resolvidos com a sua esposa?
Aquilo atinge mais fundo.
JB: Você quer chamar a Sara de traidora… mas tá fazendo exatamente o que um homem faz quando já saiu do casamento mesmo que ainda não tenha coragem de admitir.
Silêncio pesado.
JB: (mais calmo, mas firme)
Você tá com raiva, confuso… eu entendo.
Mas tá mirando na pessoa errada.
Grissom desvia o olhar, respirando fundo pela primeira vez, sem resposta imediata.
GG: Jim… a Heather é só minha amiga. Entenda isso de uma vez.
Jim Brass o encara em silêncio por alguns segundos. Quando fala, a voz vem baixa — cansada, mas firme.
JB: Então faz o seguinte, Grissom…
Ele se levanta devagar, deixando o copo na mesa.
JB: Vai atrás da Heather. Fica com ela. Seja feliz.
(pausa)
JB: Mas não me coloca na plateia pra assistir isso.
Grissom franze a testa, incomodado.
GG: Do que você tá falando?
Brass se aproxima um pouco mais, agora direto, sem rodeios.
JB: Tô falando que você tá tomando decisões que vão te custar caro… e nem tá percebendo.
(pausa)
JB: Um dia você vai olhar pra trás… e vai se arrepender de cada palavra que jogou na cara da Sara.
O nome dela pesa no ar.
JB: Vai perceber que quem você chamou de cordeiro… era exatamente quem tava do seu lado o tempo todo.
Grissom engole seco, mas tenta sustentar a postura.
GG: E a Heather?
Brass solta um riso curto, sem humor.
JB: A Heather…
Ele balança a cabeça, como se já soubesse o final dessa história.
JB: O lobo nunca avisa quando vai atacar, Grissom. Ele espera você confiar.
O silêncio cresce entre os dois.
JB: E quando você finalmente enxergar isso… talvez já não tenha sobrado ninguém.
(pausa)
JB: Porque o lobo não deixa testemunha. Ele isola.
A frase cai como um peso.
JB: E aí… você vai estar sozinho.
Silêncio.
A chuva fina de Las Vegas parecia lavar as ruas, mas não conseguia limpar a mente de Grissom. Após sair da casa de Brass, onde o capitão tentara, sem sucesso, abrir seus olhos, Gil buscou refúgio em um bar decadente, longe dos olhos de todos. O álcool, que ele raramente consumia em excesso, desta vez serviu para silenciar a voz da razão e amplificar a dor da traição que ele acreditava ter sofrido.
Com a visão turva e os passos vacilantes, ele dirigiu mecanicamente até o único lugar onde sentia que não seria julgado, onde a "verdade" dos seus exames era aceita sem questionamentos.
O som da campainha ecoou na casa silenciosa. Quando a porta se abriu, a luz suave do hall revelou a figura impecável de Lady Heather. Ela não pareceu surpresa; pelo contrário, seu sorriso era de quem já esperava por aquele momento.
— Gil... — ela murmurou, fingindo uma surpresa preocupada. — Olhe para você. Entre, antes que pegue um resfriado.
Grissom entrou, tropeçando levemente no tapete. O cheiro de incenso e sândalo da casa dela o envolveu, entorpecendo ainda mais seus sentidos.
— Ela admitiu, Heather... — Grissom balbuciou, desabando na poltrona de veludo. — Ela está grávida. Eu contei do meu exame e ela disse que é mentira.
Heather ajoelhou-se diante dele, retirando o casaco úmido de seus ombros com uma delicadeza calculada.
— Eu sinto muito, meu querido. — ela disse, segurando o rosto dele entre as mãos. — Mas aqui você está seguro. Aqui, não há mentiras.
Grissom fechou os olhos, sentindo o toque quente das mãos dela.
— Fique comigo esta noite, Gil — sussurrou Heather, aproximando o rosto do dele. — Deixe o mundo lá fora desaparecer.
O calor do momento e o torpor do álcool quase levaram Grissom ao ponto de não retorno. O toque de Heather era familiar e sedutor, um convite para esquecer a dor que o corroía. Eles acabaram se beijando, dando altos amassos no sofá, com retirada de camisas. Grissom segurou firme um dos seios de Heather e sugou o outro. Mas nesse instante o peso da realidade física o atingiu.
A imagem de Sara, não a Sara que ele acreditava tê-lo traído, mas a Sara que ele amava há décadas brilhou em sua mente como um farol.
— Espera, Heather... — Grissom arquejou, afastando-se bruscamente e tentando recuperar o fôlego. — Não vai acontecer. Eu não posso!
Ele se levantou rapidamente, as mãos trêmulas enquanto tentava encontrar sua camisa e a jaqueta que estavam espalhados pelo chão. Heather permaneceu no sofá, embora seus olhos brilhassem com uma mistura de frustração e persistência.
— Por que não, Grissom? — ela perguntou, a voz suave e persuasiva. — Estamos livres agora. Eu sinto que você também quer... a Sara escolheu o caminho dela, escolha o seu. Vamos...
— Não — ele interrompeu, a voz agora mais firme, embora carregada de agonia. — Eu ainda sou casado com ela. E mesmo com tudo o que está acontecendo... eu não sou esse homem.
Grissom não esperou por uma resposta. Ele vestiu o casaco de qualquer jeito e saiu da casa atordoado, sentindo o ar frio da noite bater em seu rosto e ajudar a dissipar a névoa do uísque.
Dentro da casa, Heather permaneceu imóvel no sofá, o peito subindo e descendo rapidamente. A rejeição não vinha como surpresa, não completamente, mas ainda assim ardia. Ela levou a mão aos lábios, sentindo o eco do beijo, e então soltou um riso baixo, quase incrédulo.
— Sempre no último segundo… — murmurou para si mesma
Ela se levantou lentamente, pegando a camisa caída no chão. Seus olhos se voltaram para a porta por onde ele havia saído, agora com um brilho diferente, menos vulnerável, mais calculado.
— Você pode fugir agora, Gil… — disse em voz baixa, quase como uma promessa. — Mas não vai conseguir fugir de si mesmo.
O ar frio de Las Vegas bateu no rosto de Grissom como um balde d'água. Ele parou no meio da calçada, a camisa ainda aberta, e ficou olhando para o nada por um momento.
Ele entrou no carro e ficou ali, com as mãos no volante, o coração batendo na garganta. Ele se sentia sujo pelo quase-erro e, ao mesmo tempo, desesperado pela clareza.
A casa estava escura e silenciosa de um jeito que ele não estava acostumado. As coisas de Sara ainda estavam por todo lado, porque ela só tinha levado o essencial. O casaco dela estava no gancho perto da porta.
Grissom foi até o escritório. A gaveta onde Sara guardava seus documentos estava semiaberta, ela tinha saído com pressa.
A noite seguiu silenciosa, mas carregada.
E, em lugares diferentes da cidade, dois corações permaneciam inquietos, cada um lidando à sua maneira com escolhas que estavam prestes a mudar tudo.
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