NOS BRAÇOS DO ALFA
18 Capítulo 17 – A Caçada da Fênix
O céu cinzento combinava com o clima silencioso e tenso que pairava sobre Everbloom. Mas no coração da cidade, dentro da biblioteca transformada temporariamente em sala de comando, Sofia estava sentada com mapas, croquis e desenhos espalhados por toda parte — cabelos presos, óculos escorregando pelo nariz, e um brilho frio e determinado no olhar.
Dimitri observava da porta. Era sua mulher. Sua estrategista. Sua guerra e sua cura.
— Eles sempre vêm pela rota que acham mais óbvia — Sofia murmurou, riscando o papel. — Então a gente torna ela ainda mais fácil... só que, na verdade, é uma armadilha.
Dimitri se aproximou, pegando um dos desenhos.
— Isso aqui é uma barreira com prata?
— Não. Isso aí é uma ilusão. Os sensores vão alertar os guerreiros escondidos. Vamos pegar pelo menos metade do bando antes que entendam o que está acontecendo. O resto vai fugir... e Vlad vai ter sua resposta.
— Que resposta?
Ela olhou para ele, um sorriso afiado nos lábios.
— Que mexeu com a mulher errada.
Na noite seguinte, os guerreiros de Everbloom estavam posicionados como peças em um tabuleiro. Richard, Jonathan e até os alfas visitantes estavam prontos. Sofia e Daisy, disfarçadas em pontos estratégicos, observavam tudo com aparelhos criados por lobos engenheiros.
O silêncio era quase ensurdecedor... até que os sensores apitaram.
— Estão vindo — sussurrou Sofia no comunicador.
Como ela previu, mais de trinta capangas marchavam na escuridão, confiantes demais. Tinham armas. Tinham dentes. Tinham a arrogância típica de quem achava que dominava o jogo.
Mal sabiam que a caçada daquela noite era deles.
Quando o primeiro pisou em um dos fios escondidos, a sequência começou: jaulas de prata caindo, redes lançadas com força, lobos saindo das sombras e derrubando inimigos com precisão. E ainda havia as "armadilhas Sofia" — poços disfarçados, campos de força ativados com um toque, e bombas de som que desorientavam os vampiros.
— Dez, quinze... vinte e dois capturados — Jonathan informou pelo comunicador, rindo. — Isso aqui virou um buffet de prisioneiros.
Richard, do outro lado, prendeu mais quatro.
— Acho que a Luna acabou de entrar na minha lista de medos oficiais.
E no centro de tudo, Dimitri... observando com o peito inflado.
Logan rugia de prazer.
"É isso. Que ela governe essa guerra — ele disse. — Que ela seja nossa fênix."
Horas depois, com todos os capangas capturados ou fugidos com o rabo entre as pernas, Sofia apareceu no campo de batalha. Os guerreiros a olharam com respeito, quase reverência.
Dimitri a esperava no centro do campo.
— Isso foi obra sua?
— Claro que não — disse com ironia. — Foi da mulher que você marcou.
Ele puxou ela para si, roçando o nariz em seu pescoço.
— Se Vlad queria saber o que você era... agora ele sabe.
— E sabe o quê?
— A pior inimiga que ele podia ter.
Ela sorriu.
Mas longe dali, entre sombras e árvores secas, olhos vermelhos observavam a fumaça da derrota.
E pela primeira vez... Vlad rosnou.
— Ela me obriga a mudar os planos.
~*~
A tensão pairava sobre Everbloom como uma névoa densa e eletrificada. Os capangas capturados não falavam — muitos tinham a língua cortada ou haviam sido silenciados por magia. Mas um deles, um vampiro menor e inexperiente, falou demais enquanto delirava de dor: “No subsolo da mansão abandonada em Lark Hollow... Vlad espera.”
Jonathan confirmou a veracidade da informação com rapidez, e num piscar de olhos, a biblioteca virou uma verdadeira sala de guerra.
Sofia estava em pé diante de um painel de vidro onde desenhava com uma caneta especial. Mapas holográficos, possíveis rotas de fuga, e as habilidades dos guerreiros estavam dispostos com precisão cirúrgica.
Dimitri estava ao seu lado, silencioso, mas o orgulho transbordava nos olhos escuros.
— Eles têm um sistema de túneis antigos, conectando a parte principal da mansão a um celeiro. Aposto que o plano de fuga está lá — explicou ela, riscando com agilidade. — Então vamos deixar que eles fujam... direto para os braços dos nossos guerreiros.
— Você tem certeza disso? — perguntou Jonathan, franzindo a testa.
— Eu tenho certeza que, se errarmos, ele vai voltar. E da próxima vez... ele pode vir atrás de uma cidade inteira. Eu não vou deixar que isso aconteça.
—
Em outro plano, em meio à névoa prateada do véu entre mundos...
Selene observava a cena com os olhos brilhando como duas luas cheias. Ao seu lado, Atena estava em pé, braços cruzados, o olhar atento e a boca curvada num sorriso orgulhoso.
— Olha a pequena — murmurou Selene, encantada. — Tão frágil aos olhos comuns. Mas com a alma... de uma estrategista ancestral.
— Ela está liderando uma guerra como se tivesse nascido para isso — disse Atena. — E sem usar força física.
— Isso sim é evolução. A mente e o coração lutando juntos.
Selene ergueu uma taça de cristal feita de energia pura e brindou ao ar.
— Que essa seja a última dança dos olhos vermelhos. E que Vlad prove do gosto amargo da própria arrogância.
—
De volta ao mundo dos vivos...
— Essa é a divisão de forças — disse Sofia, girando o painel para o grupo. — Richard lidera a frente sul. Jonathan, você comanda o cerco dos túneis. E Dimitri... você vem comigo.
Dimitri ergueu uma sobrancelha.
— Está me dando ordens?
— Estou cuidando de você. E se alguém precisa entrar no coração do ninho... sou eu. Porque sei como Vlad pensa.
Houve um silêncio absoluto na sala. O olhar de Sofia não tremia.
E, por um instante, Logan sussurrou para Dimitri:
"Ela não é só sua Luna. É a nossa general."
Dimitri apenas assentiu.
— Vamos acabar com isso.
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