NOS BRAÇOS DO ALFA
13 Capítulo 12 — Fogo na pele, loucura no peito
O festival seguia vibrante. Luzes por toda parte, música animada e crianças correndo entre as barraquinhas. Sofia caminhava com Daisy, agora com as bochechas menos coradas depois da cena anterior no banco. Ela ainda sentia o gosto do café… e do beijo.
— Você ainda tá pensando nele — disse Daisy, mordendo um espetinho de marshmallow.
— Nem tô! — Sofia respondeu rápido demais.
Mentira descarada.
Enquanto isso, Dimitri tentava manter a compostura. Faltavam quinze minutos para ele reassumir a segurança do festival, mas bastou uma cena pra ele quase rosnar no meio da multidão: um lobo — um novo guerreiro, recém-chegado — puxando papo com Sofia, rindo com ela, se inclinando demais… se aproximando demais.
Logan praticamente urrava.
“Arranca o braço dele, só o braço, depois a cabeça, depois o resto.”
Dimitri soltou um estalo de pescoço e foi se aproximando como quem não quer nada. Parou do lado da sua pequena, e, com o tom mais casual e perigoso possível:
— Boa noite. Tem algum problema aqui?
O lobo travou.
— N-não senhor. Só... só conversando.
— Conversa encerrada então. Vá aproveitar o festival. Bem longe.
O guerreiro sumiu em segundos. Sofia olhou pra Dimitri com aquele olhar de “lá vem você de novo”, mas ele nem disfarçou:
— Se eu ver mais um se aproximando de você daquele jeito... — ele deixou a frase no ar, como uma promessa sussurrada entre dentes.
Sofia bufou, fingindo indignação, mas por dentro?
Vibrando.
Mais tarde, a cidade silenciava aos poucos. Dimitri passou pelo último posto de patrulha, desejando boa noite aos guerreiros. Subiu as escadas da mansão e entrou em seu quarto… pronto pra um banho, talvez um chá, talvez ouvir Logan reclamar do dia inteiro.
Só não estava pronto para ela.
Sofia.
Deitada em sua cama.
Usando um conjunto de lingerie vermelha escarlate, tão rendado que parecia ter sido feito para provocar o inferno em forma de Alfa. As pernas estavam dobradas levemente para o lado, os cabelos soltos sobre o travesseiro, e os olhos?
Fixos nele como uma caça prestes a devorar o predador.
— Surpresa — ela disse, com um sorrisinho ousado. — Ou prefere que eu troque de roupa?
Dimitri parou. A boca secou. Logan... morreu.
Ele fechou a porta devagar, encostou e ficou ali, a respiração pesada, o olhar percorrendo cada centímetro dela como se nunca mais pudesse esquecer.
— Você tá... — ele parou. Suspirou. — Isso é golpe baixo, Sofia.
— Eu sou baixinha. Tudo que eu faço é baixo — ela piscou.
Dimitri soltou uma risada rouca.
— Eu vou te devorar.
— Então vem, Alfa — ela murmurou. — Mostra o quanto sou sua.
E naquela noite, o festival não acabou com fogos de artifício.
Acabou com gemidos abafados, lençóis revirados e um Alfa que beijou cada milímetro da mulher que Selene e Atena escolheram pra ele… e que ele já não sabia mais viver sem.
~*~
O sol começou a rasgar as nuvens devagar naquela manhã preguiçosa. O quarto de Dimitri, que outrora era um refúgio solitário e organizado demais, agora estava bagunçado com roupas espalhadas, lençóis embolados e o cheiro inconfundível de dois corpos marcados pelo desejo.
Sofia se esticou como um gato, os cabelos jogados para o lado, e sentiu algo quente roçando em suas costas.
— Bom dia, minha baixinha favorita — Dimitri murmurou com a voz arrastada, rouca, beijando a nuca dela.
— Hmm... a outra baixinha te expulsou? — provocou, sem abrir os olhos.
Ele riu contra a pele dela e puxou o corpo dela para mais perto.
— Só tenho uma. A única. A minha.
Sofia abriu os olhos, corando. Ainda era estranho ouvir isso. Bonito demais. Assustador até.
— Eu devia te odiar — sussurrou ela, com um sorrisinho bobo. — Depois da noite de ontem. Minhas pernas... estão em greve.
— E eu estou orgulhoso disso.
Ele se levantou, nu como veio ao mundo dos lobos, e foi até o closet. Sofia se esticou só pra olhar.
— Tá olhando o quê? — ele provocou.
— Tô admirando o estrago, querido — respondeu sem vergonha.
Sofia e Dimitri caminharam juntos até a biblioteca. Ela segurava um muffin e um café. Ele, seu olhar possessivo padrão, só que agora ainda mais afiado.
Daisy foi a primeira a avistar os dois.
— Olha só quem saiu da caverna do prazer... — comentou com uma sobrancelha arqueada.
Richard chegou segundos depois. Farejou o ar e fez um barulho de riso.
— Misericórdia. Se alguém quiser um tutorial de como marcar território, é só chamar o nosso Alfa. Irmão, tu praticamente pintou ela com seu cheiro.
Jonathan, do outro lado, apenas ajustou os óculos e soltou um seco:
— Tática eficiente. Embora... irritante.
Sofia ficou tão vermelha que tentou se esconder atrás de um mural de avisos. Dimitri apenas rosnou:
— Continuem e eu quebro os dentes de vocês.
— Que romântico — Richard zombou.
Eles riram. Sofia sorriu. E ali, por um instante, tudo era perfeito.
Mas... Em outro ponto da cidade
Uma figura feminina, de cabelos escuros e pele clara, observava a cena de longe. Os olhos verdes se estreitaram.
— Ridículo. Acha mesmo que pode substituir o que tivemos, Dimitri? — ela murmurou. E então, com um sorriso que nada tinha de doce, ela sussurrou:
— Essa felicidade toda... vai acabar. Porque você é meu, Alfa tolo.
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