NOS BRAÇOS DO ALFA
9 Capítulo 8 – Corrida, Suor e Sentença
O dia estava chegando ao fim em Everbloom. A brisa da tarde trazia o cheiro das folhas, dos livros antigos… e de bolo de baunilha vindo da confeitaria da praça.
Sofia ajeitava o cachecol enquanto caminhava de volta pra casa, com a mochila leve nas costas e o pensamento completamente... distraído.
Será que ele vai vir hoje de novo? Será que eu falo alguma coisa? Ou fujo pro outro lado da rua?
Mas o destino — ou melhor, Selene e Atena em modo "cupidas full pistola" — tinham outros planos.
Porque quando ela virou a esquina… lá estava ele.
Dimitri.
Camisa colada no corpo, respiração ofegante, gotas de suor escorrendo pelo pescoço.
Os cabelos desgrenhados.
As mãos nos quadris.
O peito subindo e descendo.
O Alfa.
O perigo.
O fim da sanidade de Sofia.
— Olá, baixinha. — ele murmurou, a voz rouca e carregada do esforço físico.
Sofia travou por dois segundos. Umidade nos lábios. Umidade na alma.
Logan, do outro lado, já estava latindo de felicidade.
"Sente o cheiro dela! Meu céu e inferno! Leva ela pra dentro agora!"
Dimitri respondeu mentalmente com raiva:
— Cale. A. Boca.
— Vai me encarar assim mesmo ou vai dizer boa tarde? — ele provocou, arqueando uma sobrancelha.
Sofia pigarreou, ajeitou o casaco e respondeu com o seu jeitinho clássico:
— Eu só tô processando a visão de um alfa quase nu na frente da minha casa. Desculpa a lentidão.
Dimitri riu. Um som grave, cheio de malícia e prazer.
— Isso é quase nu pra você?
— É. — ela respondeu, sem pensar. — E tá funcionando.
Silêncio.
Olhos nos olhos.
Ar… escasso.
Logan gritando mentalmente “AGORA, AGORA!”
Dimitri respirou fundo, cerrando o maxilar, como se estivesse segurando uma bomba prestes a explodir.
— Quer vir pra minha casa nesse fim de semana?
Sofia arregalou os olhos.
Ele tentou parecer casual, mas ela viu o nervosismo no brilho dos olhos azuis.
— Dormir lá? — ela perguntou, fingindo surpresa.
— Sim. — ele respondeu, firme. — Só dormir.
— Só dormir? — ela provocou, com um sorriso torto.
— Sofia…
— Tá bom, tá bom! — ela disse, rindo. — Me dá cinco minutos.
Dimitri nem teve tempo de reagir.
Sofia entrou correndo, deixando a porta entreaberta e gritando lá de dentro:
— Eu só vou porque eu amo travesseiro novo!
Cinco minutos depois, ela apareceu com uma mochila e o sorriso mais perigoso que Dimitri já viu.
— Pronta. E antes que você diga qualquer coisa, sim, eu trouxe pijama. Não, ele não cobre muita coisa. Problema seu.
Dimitri arregalou os olhos, engoliu seco...
E Logan desmaiou em algum canto da mente.
~*~
Assim que entrou na casa de Dimitri, Sofia largou a mochila e já foi em direção à cozinha com toda a intimidade do mundo.
— Onde ficam as panelas altas? — perguntou, abrindo armários como se morasse ali há meses.
— Você vai cozinhar de novo? — Dimitri arqueou a sobrancelha, encostado no batente da porta.
— Vou. Você tá com cara de quem só come carne crua e susto. — Ela se virou com um sorriso travesso. — Mas antes… vá tomar banho. Tá fedendo.
Dimitri estreitou os olhos, se aproximando devagar.
— Fedendo?
— Tá sim. Cheiro de testosterona e ego.
Mas quando ele passou por ela, indo rumo ao banheiro, Sofia teve que se segurar na bancada.
Aquele cheiro.
Cedro, menta, calor e… perigo. Era ele. Dimitri.
— Mentira descarada — ela murmurou para si mesma, envergonhada. — Esse homem cheira melhor que qualquer perfume caro.
O jantar foi delicioso. Massas ao molho branco com toque de noz-moscada e ervas. Dimitri elogiou com a voz baixa, sem exageros — mas os olhos diziam tudo. Depois, foi a vez de Sofia tomar banho, tentando lavar os pensamentos indecentes junto com o condicionador.
Spoiler: não funcionou.
Quando entrou no quarto, usando um pijama de shortinho de algodão e regata solta, ela encontrou Dimitri já deitado, de moletom e camiseta… e uma almofada estrategicamente posicionada.
— Tá calor? — ela perguntou, divertida.
— É só precaução — ele respondeu, seco, tentando ignorar a forma como o pijama realçava as pernas dela.
Ela sentou na beirada da cama, penteando o cabelo ainda úmido. O cheiro de baunilha invadiu o quarto e Logan quase gritou:
“Você quer me matar, irmão?!”
A noite foi longa. Tensa.
Ambos fingindo que dormiam.
Ambos sentindo o corpo do outro.
Ambos sofrendo em silêncio.
~*~
Dimitri acordou antes do sol. Preparou o café com calma, tentando distrair a mente… Mas nada o preparou pra a cena que surgiu na porta da cozinha.
Sofia.
Cabelo bagunçado, blusa do pijama caindo de um lado do ombro, olhos meio fechados.
— Bom dia, baixinha.
— Não é. — ela resmungou, se arrastando até ele. — Acordei porque meu travesseiro favorito sumiu.
— Sumiu?
— É… — ela o abraçou pela cintura, o rosto afundando no peito dele. — Você.
A frase desarmou Dimitri.
O cheiro dela, o calor dela, a pele dela… tudo gritava “minha”.
Ele a beijou.
Suave.
Delicado.
Por exatamente três segundos.
Até os dedos de Sofia tocarem seu pescoço e ele sentir o pequeno gemido escapar dos lábios dela.
Foi o fim.
Dimitri a prensou contra a bancada. Suas mãos traçaram cada curva do corpo dela com reverência e necessidade.
Os lábios exploraram seu pescoço, a clavícula, os ombros… Sofia gemeu o nome dele e então…
Logan foi liberto.
— Você é minha, Sofia. Minha. — rosnou entre beijos, possessivo e apaixonado.
Eles não chegaram à última garfada do café naquela manhã.
Mas chegaram ao céu…
~*~
À noite, o clima estava mais leve.
Sofia usava uma camisola de seda azul clara, e Dimitri… moletom novamente. Só que agora, sem a almofada.
Depois do jantar e de algumas provocações bem colocadas por parte dela, os dois estavam na lareira. Dimitri a puxou para o colo.
— Tá ficando perigoso te deixar na minha casa — ele murmurou, os olhos azuis brilhando à luz do fogo.
— Então eu fico com a chave e você vai morar no chalé.
Ele riu. Riu de verdade.
O som aqueceu mais que as chamas da lareira.
— Você quer brincar comigo, baixinha?
— Quero. Com você… e com fogo. — ela respondeu, mordendo o lábio.
E o fogo tomou conta.
Beijos urgentes.
Corpos colados.
Sussurros de desejo e promessas que não precisavam ser ditas.
E quando Logan rosnou satisfeito, selando o vínculo com a mulher que era feita sob medida pro lobo mais difícil da cidade…
Dimitri soube.
Ele estava perdido.
Mas, pela primeira vez em muito tempo… feliz.
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