NOS BRAÇOS DO ALFA
8 Capítulo 7 – Entre o Sabor da Saudade e o Toque do Destino
O jantar estava servido, o cheiro invadia cada canto da casa, e a lareira estalava em ritmo lento, como se também estivesse esperando pelo que viria.
Sofia sentou-se à mesa, empurrando um prato para Dimitri com um sorrisinho sapeca.
— Come tudo. E não reclama.
— Você sempre dá ordens com essa cara fofa? — ele provocou, pegando os talheres.
— Só quando é necessário educar alfas teimosos.
Dimitri soltou uma risada baixa.
"Beija ela."
— Ainda não.
"EU VOU ENLOUQUECER!"
A conversa entre eles fluiu entre risadas, provocações, e uma cumplicidade que só vinha quando as paredes caíam. Dimitri notava cada detalhe: o jeito como Sofia cortava a massa, a forma como ela cheirava o molho antes de servir, a naturalidade com que ela preenchia o espaço dele como se sempre tivesse pertencido ali.
— Está mesmo gostoso? — ela perguntou, ansiosa.
— Se você cozinhar assim sempre, eu vou te sequestrar.
— Já me sequestrou quando me trouxe pra cá, Alfa.
— Touché — ele sorriu.
Depois do jantar, Dimitri recolheu os pratos, enquanto Sofia se sentava em frente à lareira, abraçando os joelhos. O calor das chamas refletia no rosto dela, dando-lhe um brilho dourado que Dimitri nunca esqueceria.
Ele se aproximou e se sentou ao lado dela no tapete, em silêncio.
Sofia virou o rosto e sorriu.
— Você já foi mais difícil de lidar.
— Ainda sou. Só que agora você tem a senha.
Ela riu.
E então… o silêncio veio. Não incômodo.
Mas carregado de algo não dito.
Sofia se virou para ele, o rosto mais próximo agora.
Dimitri a olhou… e não resistiu.
Mas antes que ele fizesse qualquer movimento, Sofia se aproximou.
Devagar. Gentil. Doce.
Seus lábios tocaram os dele como uma pergunta sem palavras.
E Dimitri respondeu.
Com urgência. Com calor. Com tudo o que segurou por tempo demais.
Ele a puxou pela cintura, aproximando-a até sentir o corpo dela por inteiro. O beijo que começou com um suspiro virou um mergulho. Os dedos dele deslizaram pelos cabelos dela, os de Sofia apertaram a barra da camisa dele.
Logan urrava de felicidade.
"O gosto dela. O toque. O calor. Selene, abençoa essa noite!"
Quando os lábios se afastaram, os dois estavam ofegantes, colados um no outro.
— Isso… — Dimitri murmurou, encostando a testa na dela — …é a sua culpa.
— E você acha que eu me arrependo?
Eles riram.
E então o beijo voltou.
Mais uma vez. E outra.
Na frente da lareira, entre risos, sussurros e carícias suaves, os dois passaram o resto da noite.
Não foi sobre pressa.
Foi sobre sentir.
Sobre cuidar.
Sobre finalmente… se permitir.
~*~
Num lugar que não era céu nem terra, Selene girava em meio às flores brilhantes, os cabelos prateados flutuando como se dançassem no vento. Atena observava com um sorriso leve, sentada à beira do lago, os olhos fixos nas imagens que surgiam na água.
— Você viu isso?! — Selene disse com emoção, parando ao lado da amiga — Ele sorriu. Dimitri sorriu de verdade.
— E ela o beijou primeiro — completou Atena, colocando a mão sobre o peito, como se estivesse segurando o coração. — Minha menina é incrível.
— Incrível? Atena, ela derreteu o lobo de pedra que eu achava perdido!
Selene se sentou também, ainda ofegante da emoção. — Será que agora eles vão se permitir?
Atena olhou o reflexo do casal dormindo perto da lareira.
— Eles já se permitiram. Agora, só precisam proteger o que estão construindo.
— E nós vamos estar com eles.
Duas deusas. Duas almas guardiãs.
E dois escolhidos… finalmente começando algo.
Everbloom, manhã seguinte
Sofia estava de frente pro espelho.
O cabelo ainda tinha marcas dos dedos dele, os lábios estavam levemente inchados e as bochechas… bom, pareciam morangos maduros.
— Você é uma adulta. Formada. Uma mulher sensata… e completamente boba por um lobo emburrado, Sofia. Parabéns.
Ela balançou a cabeça e soltou uma risada tímida. Vestiu um suéter quentinho, calçou as botas e partiu para a biblioteca.
Ao chegar na calçada, viu os três esperando por ela: Jonathan, Richard e… ela. Sua melhor amiga.
— Sofia! — Daisy correu até ela, passando o braço pelo dela — Você está bem? Está com febre? Está com calor? Sua cara está vermelha!
Sofia arregalou os olhos.
— Eu? Não, imagina! É só o frio... inverso! Eu... é... calor interno?
Jonathan arqueou uma sobrancelha, como quem já sabia mais do que precisava.
Mas Richard… Richard era o caos.
Ele deu uma fungada no ar, fingindo surpresa.
— Hmm... peraí.
— Não.
— Peraí... esse cheirinho...
— RICHARD! — Sofia gritou, já percebendo pra onde aquilo ia.
— Esse cheirinho… de ALFA POSSESSIVO E LIGEIRAMENTE OBCECADO POR UMA CERTA BIBLIOTECÁRIA?
Sofia arregalou os olhos, virou nos calcanhares e saiu correndo em direção à biblioteca.
— Ela corre fofa até! — ele comentou rindo.
Só que... Ele não percebeu o perigo iminente.
Dimitri estava atrás dele.
— Ah, meu irmão! — Richard se virou — Você perdeu uma cena, mas eu te conto tu-
CRAC!
Foi o som do colarinho de Richard sendo puxado com força.
— Vamos treinar, Gama.
— Agora?
— Agora.
Jonathan deu dois passos para trás.
Daisy escondeu o riso.
E Richard sussurrou:
— Eu sabia que ia morrer assim… com um comentário idiota na boca.
Enquanto isso, Sofia, com o coração acelerado e as bochechas ainda vermelhas, tentava focar nos livros, mas tudo o que conseguia lembrar era:
A voz dele dizendo que gosta dela. O calor dos braços ao redor de seu corpo. O gosto do beijo na frente da lareira.
Ela suspirou, fechou os olhos e sussurrou:
— Isso não vai terminar bem...
Mas, ah, como está começando bem.
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