NO LIMITE DO ATRITO

14 O Alinhamento Perfeito


Notas iniciais
Oi, meus amores! ❤️🏎️ Depois de tudo que aconteceu em Suzuka, chegou a hora de descobrir como fica a vida quando a guerra finalmente termina. Uma nova equipe. Uma nova família. E uma última corrida. Abu Dhabi encerra uma temporada que mudou absolutamente tudo para Bella e Edward, dentro e fora das pistas. Acho que nunca estivemos tão perto do nosso alinhamento perfeito. Boa leitura! 🏁❤️

Capítulo 14: O Alinhamento Perfeito

🏎️ POV BELLA

O estalido incessante das lentes e o clarão cegante de centenas de flashes transformavam o auditório principal do centro de imprensa em uma tempestade de luzes. Em qualquer outro momento da minha vida, aquele mar de jornalistas famintos por escândalos me faria erguer muros defensivos, adotando a postura fria e implacável que aprendi a vestir nos circuitos.

Mas, daquela vez, era diferente.

Eu não estava sozinha. Minha mão direita estava firmemente entrelaçada na de Edward. Ele não apertava com força excessiva, mas o calor constante dos seus dedos longos contra os meus era uma âncora viva. Ao nosso lado na mesa, meu pai, Charlie, e Carlisle Cullen mantinham uma postura serena, lado a lado, uma imagem que, até semanas atrás, parecia absolutamente impossível no automobilismo mundial.

Ajustei o microfone à minha frente. Senti o olhar protetor de Edward sobre mim, e antes de falar, trocamos um breve olhar. Não havia medo. Apenas uma paz profunda e inabalável.

— Boa tarde a todos — comecei, minha voz ressoando limpa pelas caixas de som do salão lotado. O silêncio caiu instantaneamente sobre a plateia. — Sei que as últimas semanas foram tomadas por especulações, rumores maldosos e teorias sobre o que aconteceu em Suzuka. Hoje, estamos aqui para colocar um ponto final em qualquer dúvida.

Fiz uma breve pausa, olhando nos olhos dos jornalistas na primeira fileira.

— Primeiro, gostaria de confirmar que eu e Edward Cullen estamos juntos — declarei, levantando levemente nossas mãos entrelaçadas sobre a mesa, arrancando um murmúrio coletivo do auditório. — Não há farsa, não há estratégias de marketing e não há rivalidade secreta entre nós. O que existe é amor, respeito e uma vida que decidimos construir lado a lado.

Aproximei mais o microfone, sentindo minha mão livre pousar discretamente, por instinto, sobre a minha barriga.

— Em segundo lugar, anuncio hoje o meu afastamento oficial das pistas pela restante desta temporada e por tempo indeterminado. Por motivos estritamente de saúde e por prioridades pessoais que hoje estão acima de qualquer troféu, minha fase como piloto de testes e de corrida se encerra por aqui.

Charlie deu um leve pigarreio ao meu lado, os olhos brilhando de emoção contida, enquanto Carlisle assumiu o microfone ao lado dele:

— E é por isso que anunciamos hoje uma mudança histórica na Fórmula 1 — Carlisle anunciou com sua voz pausada e imponente. — A fusão completa da Swan-Black Racing com a Cullen Racing. Nasce hoje a CSB Racing. Unimos nossa engenharia, nossas equipes de boxes e nossa paixão. E o nosso piloto principal para levar esse projeto ao topo do mundo... é Edward Cullen.

Olhei para Edward enquanto os flashes explodiam descontrolados. Ele sorriu, um sorriso fraco e cheio de emoção, e aproximou o rosto do meu microfone.

— A Bella pode não estar pilotando o carro — Edward disse, olhando nos meus olhos com uma intensidade que fez meu coração saltar —, mas o coração e a mente por trás de cada curva que eu fizer na pista a partir de hoje continuam sendo dela.

🏎️ POV EDWARD

Alguns meses depois...

Grande Prêmio de Abu Dhabi — Etapa Final do Campeonato

O calor do deserto de Yas Marina parecia evaporar do asfalto, mas dentro do cockpit da minha nova máquina , a CSB-01, exibindo com orgulho a pintura mesclada entre o azul-marinho cintilante da Cullen e o vermelho vibrante da Swan-Black, o único calor que eu sentia era o do meu próprio sangue pulsando no ritmo da vitória.

Era a última corrida do ano. O título mundial se decidia ali, volta a volta, curva a curva.

Eu estava colado na traseira da Mercedes de liderança, a menos de quatro décimos de segundo, lutando contra o desgaste extremo dos meus pneus na volta 53 de 55. A pressão era esmagadora. Qualquer erro de milímetro me tiraria da pista.

De repente, o rádio chiou dentro do meu capacete. A voz que entrou no canal não era a do meu engenheiro de pista. Era a voz doce, firme e inconfundível que guiava a minha alma.

[RÁDIO — CSB GARAGE]: "Edward, meu amor, ouça a minha voz."

Sorri por baixo da viseira, ajustando a pegada no volante de fibra de carbono.

— Estou te ouvindo, Bella — respondi, mantendo o foco total na tangência da Curva 11.

[RÁDIO — CSB GARAGE]: "O Jacob e a telemetria mostram que ele tá protegendo o lado interno na freada da chicane, mas a asa traseira dele tá perdendo pressão no setor três. Não tenta por dentro. Deixa ele espalhar na entrada da reta oposta. Solta o carro na zebra, confia na tração da nossa suspensão. Você é mais rápido que ele no vácuo."

— Entendido — murmurei, a adrenalina congelando minhas veias. — Como está nosso pequeno aí com você?

Ouvi uma risada leve e emocionante dela pelo rádio, misturada com os gritos de incentivo de Jacob e Seth ao fundo na garagem.

[RÁDIO — CSB GARAGE]: "Ele tá chutando forte, capitão. E tá mandando o pai dele trazer esse troféu para casa. Agora vai lá e toma esse campeonato!"

Apertei os dentes. Na abertura da última volta, fiz exatamente o que a minha rainha mandou. Deixei o líder espalhar levemente na entrada da chicane. Aproximei a CSB na saída, colando no vácuo perfeito. O motor Porsche urrou atrás das minhas costas. Abri a asa móvel.

Coloquei o bico por fora a mais de 330 km/h. Freiei no limite da insanidade, sentindo os pneus cantarem no asfalto quente. O carro respondeu como uma extensão do meu próprio corpo. Cruzei a curva por fora, assumindo a liderança com uma manobra limpa, cirúrgica e perfeita!

[RÁDIO — CSB GARAGE]: "P1! P1, EDWARD! VOCÊ CONSEGUIU! A BANDEIRA DE CHEGADA É SUA!"

Atravessei a linha de chegada em primeiro lugar sob o pipocar dos fogos de artifício que iluminavam o céu noturno de Abu Dhabi.

Apertei o botão de rádio e gritei com toda a força dos meus pulmões:

— NÓS CONSEGUIMOS! ISSO É POR NÓS! POR NÓS TRÊS!

A festa no parque fechado era um caos de pura alegria. Mecânicos de azul e vermelho se abraçavam chorando. Jacob Black e Carlisle pulavam juntos, abraçados como velhos amigos, enquanto Charlie enxugava as lágrimas sem o menor pudor de esconder sua emoção.

Assim que saí do cockpit e arranquei o capacete, não procurei as câmeras. Procurei por ela.

Bella vinha caminhando pela linha dos boxes, vestindo a jaqueta oficial da CSB Racing. Nossos olhares se encontraram e eu corri na direção dela. Puxei-a para os meus braços, girando-a no ar com cuidado, antes de pousar meus lábios nos dela em um beijo apaixonado, sob os gritos e aplausos furiosos de todo o paddock.

— Você foi perfeito lá fora — ela sussurrou contra meus lábios, com as lágrimas brilhando em seus olhos castanhos.

— Nós fomos perfeitos — corrigi, ajoelhando-me na frente de todos e depositando um beijo carinhoso sobre a barriga dela, sentindo um chute suave responder ao meu toque.

Chegada a hora da cerimônia do pódio, caminhei até o degrau mais alto. A bandeira dos Estados Unidos cobria meu ombro direito, enquanto a bandeira da Inglaterra cobria meu ombro esquerdo, o símbolo perfeito da fusão das nossas raízes, das nossas famílias e da história que superamos.

O hino começou a tocar, mas antes que a taça de campeão mundial fosse entregue, peguei o microfone do cerimonialista.

— Este troféu não pertence apenas ao piloto que sentou naquele carro hoje — declarei, minha voz ecoando por todo o circuito de Yas Marina. — Ele pertence à coragem de uma mulher que me ensinou o verdadeiro significado de lutar. Bella, suba aqui comigo!

A multidão nas arquibancadas foi ao delírio.

Bella olhou para o pai, que a incentivou com um aceno emocionado, e subiu os degraus do pódio. Estendi a mão e a puxei para o topo do degrau número um, ao meu lado. Seguramos juntos a enorme taça de ouro do campeonato mundial, erguendo-a contra o céu estrelado do deserto.

A chuva de champanhe começou. Ajoelhei-me ao lado de Bella no degrau mais alto, envolvendo-a com as duas bandeiras que cobriam meus ombros, protegendo-a do spray de champanhe enquanto a puxava para um abraço apertado.

Ali, no degrau mais alto do mundo, cercados pela nossa família unida e pelo respeito do automobilismo, a sombra do passado e as dores da rivalidade tinham sido definitivamente queimadas. Éramos apenas nós dois, e o fruto do nosso amor, prontos para a vitória mais bonita de todas: o nosso futuro.

A festa no pódio aos poucos dava lugar ao burburinho mais calmo dos bastidores. Depois de toda a chuva de champanhe, dos abraços e das fotos com a taça de campeão mundial, finalmente conseguimos nos recolher para uma das salas privativas da CSB Racing nos boxes de Yas Marina.

Eu ainda vestia a metade superior do macacão de corrida amarrada na cintura, exausto, mas com o coração transbordando. Bella estava sentada no sofá de couro do camarim, com uma garrafa de água na mão e aquele brilho sereno no olhar que ultimamente eclipsava qualquer luz de holofote.

Aproximei-me devagar, ajoelhando-me no chão à frente dela, exatamente como fizera na pista. Apoiei as mãos em seus joelhos e olhei para cima.

— A ficha ainda não caiu totalmente — admiti com um sorriso torto, encarando os olhos castanhos dela. — Campeões do mundo... e depois de tudo o que passamos para chegar até aqui.

Bella deu uma risada baixa e carinhosa, passando os dedos pelos meus cabelos ainda úmidos de suor e champanhe.

— Você mereceu cada metro daquela pista hoje, Edward. Nós merecemos.

— Nós — concordei, inclinando-me para dar um beijo suave em seus lábios. Em seguida, desci meu olhar para a barriga dela, que sob o tecido da jaqueta já começava a dar os primeiros e sutis sinais da gestação. Pousei minha mão ali, sentindo aquele calor acolhedor. — E o nosso pequeno companheiro de equipe... como ele se comportou durante a corrida?

Bella cobriu minha mão com a dela. Um sorriso misterioso e incrivelmente doce curvou seus lábios, e vi seus olhos marejarem instantaneamente.

— Na verdade, Edward... — ela começou, a voz falhando ligeiramente por conta da emoção. — Tem um detalhe sobre a nossa "equipe" que eu só descobri hoje cedo, no último ultrassom antes de vir para os boxes, e que eu estava guardando para te contar quando a poeira baixasse.

Senti meu coração dar um salto no peito. Ajeitei minha postura, encarando-a com atenção total, o ar congelando na minha garganta.

— Detalhe? Que detalhe, meu amor? O médico disse que tá tudo bem, não tá?

— Está tudo perfeito. Mais do que perfeito — Bella respondeu, deixando uma lágrima de pura felicidade escorrer pela bochecha. Ela puxou um pequeno envelope dobrado do bolso interno da jaqueta e o colocou na minha mão. — Mas você vai ter que mudar um pouco o seu vocabulário daqui para frente... Porque não é um "pequeno companheiro".

Abri o envelope com as mãos trêmulas, retirando a imagem em preto e branco do ultrassom. No canto inferior da folha, escrito à mão pela médica, estava a confirmação do exame.

Meus olhos estagnaram naquela palavra. Minha respiração parou.

— Uma... uma menina? — murmurei, a voz saindo quase como um sopro, incrédulo.

— É uma menina, Edward — Bella confirmou, chorando e sorrindo ao mesmo tempo, inclinando-se para frente para colar sua testa na minha. — Nós estamos esperando uma menininha.

O mundo ao meu redor simplesmente desapareceu. A vitória no campeonato, os troféus, os motores, a rivalidade... tudo se tornou pequeno e insignificante diante daquela revelação. Uma garotinha. Uma filha. A nossa menininha.

Senti as lágrimas queimarem meus olhos e transbordarem sem qualquer controle. Envolvi a cintura de Bella com meus braços, enterrando o rosto em seu colo por alguns segundos, tomado por uma onda avassaladora de amor, gratidão e um instinto de proteção tão forte que parecia rasgar meu peito.

— Uma menina... — repeti, levantando o rosto para encará-la, cobrindo as bochechas dela com beijos desesperados e apaixonados. — Meu Deus, Bella... uma menininha! A nossa filha!

— A nossa garotinha — ela sussurrou, rindo alto no meio do choro, segurando meu rosto entre as mãos. — A herdeira da CSB Racing.

Ajoelhei-me mais perto e pousei meus lábios com extremo carinho sobre a barriga dela, falando diretamente com a nossa filha pela primeira vez, sabendo que ela agora podia ouvir a minha voz:

— Ei, minha princesa... aqui é o papai — murmurei, a voz embargada de emoção. — O papai e a mamãe já te amam mais do que tudo no universo. A gente tá te esperando... e eu juro que vou passar cada segundo da minha vida cuidando de vocês duas.

Bella passou as mãos pelas minhas costas, abraçando-me com força enquanto eu me levantava para sentar ao lado dela no sofá, puxando-a para o meu colo. Ficamos ali, emaranhados um no outro na penumbra do camarim, observando a pequena foto do ultrassom.

O troféu de campeão mundial brilhava sobre a mesa a poucos metros de nós, mas a verdadeira e maior vitória da minha vida já estava ali, em meus braços, crescendo silenciosa e abençoada no ventre da mulher que eu amava.

Notas finais
CAMPEÕES DO MUNDO! 😭🏆 E como se o Edward já não tivesse motivos suficientes para chorar... É UMA MENINA! 🎀😭 A verdadeira vitória nunca esteve naquele troféu. Ela estava ali, crescendo dentro da Bella. ❤️