NIKUTAI NO YOUKUBÔ (desejos da carne)

9 Capítulo 9 DUELO DE TITÃS...


Notas iniciais
Olá, galera amada!!! Mais um capítulo, espero que gostem! Bjs, amo♥ vocês!!!XD e boa semana!

– Por aqui, senhor. – disse o paramédico indicando o caminho da ambulância.

Hades acompanhou-o, ainda observando Hiroaki que gesticulava, enquanto o policial agia com uma paciência digna de um monge.

A polícia japonesa era um modelo de eficiência e educação. Rápida para lidar com distúrbios e acidentes, contava com policiais treinados para todo o tipo de situação onde, a regra era manter a calma e agir com o máximo de seriedade desde a denúncia da perda de um documento até o caso em questão que envolvia uma transgressão considerada grave.

– Sente alguma dor ou tontura? – perguntou o paramédico assim que Hades deitou-se, contra a vontade, na maca.

– Não. – respondeu, breve. – Sei como são os procedimentos nesse caso, mas, tenho pressa em voltar ao meu destino. Acha que pode me liberar?

O paramédico examinou-o com cuidado, fez algumas perguntas e, após um curativo no supercílio, resolveu atender ao pedido do executivo.

– O senhor não apresenta nenhum sintoma de trauma grave, a não ser este corte acima da sobrancelha. Não creio ser necessário levá-lo ao hospital, então vou liberá-lo. Mas, não é aconselhável que o senhor dirija. Tem alguém que possa vir buscá-lo?

Hades inspirou fundo e assentiu com a cabeça, detestava qualquer situação que o deixasse dependente. No entanto, como um excelente negociador da Bolsa de Valores, possuía resiliência o suficiente para lidar com os danos e saber a hora de pedir auxílio. Pegou o celular e ligou:

– Aiacos, pode me fazer um favor?

– Fala, Juiz dos Mortos! – respondeu Aiacos usando o apelido que dera ao amigo quando ele conseguira negociar ações que estavam em baixa por um preço inacreditável e, assim, elevar os negócios da Bolsa de Tóquio durante duas horas memoráveis.

– Sofri um pequeno acidente e preciso de uma carona.

– Você está bem? – perguntou Aiacos, agora preocupado.

– Sim, mas não me deixarão sair daqui sem alguém. Pode vir?

– Claro. Me dá o endereço.

Enquanto desligava o celular, Hades foi até os dois policiais e Hiroaki. O japonês encarou-o.

– Não se preocupe com o prejuízo, eu pago. – disse o yakuza.

Hades ignorou-o e dirigiu-se aos policiais:

– O sinal estava verde para mim. Esse sujeito infringiu a lei. Espero que seja penalizado.

Hiroaki sentiu o sangue ferver. Tinha bebido um pouco e cheirado cocaína. Saber que Griffon não estava à sua disposição o incomodava muito mais que admitia para si e mesmo tendo decidido divertir-se em outro prostíbulo, ainda assim se sentia irritado. O acidente fora, apenas, um desvario, nada de tão grave como aquele idiota empertigado fazia questão de enfatizar. E ele estava dizendo que ia pagar, porra! Mesmo sentindo vontade de dar um tiro na cara de Hades, encarou-o com um sorriso irônico nos lábios.

– Você não sabe com quem está se metendo... Se soubesse, ficaria muito grato por ter a certeza que será reembolsado pelo prejuízo. – disse o japonês, de forma lenta e sugestiva.

– Sei, muito bem com quem estou tratando. Com um moleque metido a gângster que não sabe respeitar as leis de trânsito. Você podia ter me matado ou ferido outras pessoas com seu ato irresponsável! – rebateu Hades, sem nem piscar.

Mesmo irritado, o japonês manteve a calma e continuou sorrindo.

–Watashi wa ima anata o korosu koto ga dekiru, kyūban! (Eu posso te matar agora, otário!) – disse Hiroaki entre dentes.

Foi a vez de Hades sorrir de um jeito frio e sarcástico.

– Watashi o odokasu mae ni, sonkei no oyabun ni naru. (Torne-se um oyabun de respeito, antes de me ameaçar.)

Os policiais olharam para Hades e, em seguida, para Hiroaki. Os dois permaneciam eretos e se enfrentando de forma silenciosa. Com experiência no envolvimento de um yakuza e um civil, ambos trataram de deixar claro quem estava no controle da situação.

– Senhor Hiroaki, senhor Hades, vamos registrar o acontecido. Os dois serão intimados para uma audiência em duas semanas. Por favor, assinem o documento e estão dispensados. Não vamos tolerar nenhum ato de violência, então é melhor que encerrem o assunto aqui e preparem-se para a audiência. – disse um dos policiais.

A chuva se intensificou e o clima tempestuoso entre os dois homens também. Nesse meio tempo, Aiacos chegou num Toyota vermelho vivo e Hades, após registrar queixa sobre o acidente, encaminhou-se para o carro do amigo.

– Obrigado por ter vindo.

Aiacos franziu o cenho, após olhar, atentamente para o rosto sério de Hades.

– Sabe que pode contar comigo. Entra aí que te deixo em casa.

– Não vou para casa, não aqui em Tóquio.

– Então me diga onde deixá-lo.

Hades olhou para o relógio de pulso. Já havia perdido muito tempo ali e estava com o corpo molhado pela chuva fria.

– Não vou fazê-lo viajar. Só desejo que me empreste o carro.

Com os lábios franzidos e um olhar interrogativo, Aiacos sorriu, malicioso.

– Está acompanhado? Quer dizer que, finalmente, achou alguém digno de usufruir da sua privacidade..?

Sem responder, Hades apenas estendeu a mão e Aiacos colocou as chaves no meio dela.

– Assim que eu chegar, mando trazer seu carro de volta.

Acostumado com o jeito um tanto autoritário do amigo, Aiacos sorriu e tratou de chamar um táxi.

Enquanto isso, Hiroaki também recebia um de seus homens que chegava em uma limusine para resgatá-lo e tomar as providências necessárias para que ficasse bem.

– Está tudo bem, chefe? – perguntou Hiroshi.

– Vamos embora. – falou Hiroaki, ainda irritado e olhando, mais uma vez para Hades.

Os policiais acompanharam o deslocamento dos dois e comunicaram-se, através de rádio para que os Kobans sediados no caminho ficassem em alerta para qualquer ato posterior de violência que porventura ocorresse.

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Minos acordou com o som da chuva que se intensificara, deixando o dia cinzento e convidativo para ficar embaixo das cobertas. Mesmo assim, colocou um robe e se espreguiçou, alongando o corpo esguio e bocejando, demoradamente. Deixou o quarto e foi até outro aposento onde encontrou toalhas limpas e um ofurô devidamente preparado.

O vapor e o aroma de ervas enchiam o ambiente e Minos notou que, ao lado dele, havia um tabuleiro de xadrez feito em uma estrutura de metal polido e pedras feitas de cristal. Franziu o cenho ao perceber que parecia haver um jogo em “andamento” naquele tabuleiro e sorriu ao lembrar que xadrez fora o primeiro jogo ensinado por sua mãe.

Hesitou um pouco em mexer ali, mas estudou o estado do jogo e, instintivamente, sacrificou um peão como uma estratégia para atrair o oponente.

– Ora, ora... Revelando-se um jogador hábil, também, Griffon?

A voz grave o surpreendeu e ele virou-se com um sorriso que morreu ao notar o curativo acima da sobrancelha esquerda.

– O que aconteceu com você? – perguntou o jovem, sério, mesmo não deixando de notar a camisa branca que estava transparente por estar molhada e que revelava o físico invejável de Hades.

– Sofri um pequeno acidente ao voltar. – respondeu Hades de forma casual.

Minos foi até ele, ainda com o cenho franzido, porém o moreno o agarrou e puxou-o para si.

– Isso não é nada... – disse próximo dos lábios entreabertos do jovem.

Depois, acariciando-lhe os lábios com a língua, Hades apertou sua boca contra a dele e o beijo aconteceu da mesma forma ávida e intensa de sempre...

Com sua experiência, Minos começou a despir Hades das roupas molhadas e, em seguida, os dois sentiam o calor das peles que se tocavam saudosas, como se estivessem ficado muito tempo longe um do outro.

– Precisa de um banho quente... – murmurou Minos rente aos lábios que o devassavam.

– Depois... seu corpo tem todo o calor que eu preciso... – disse Hades e seu olhar estava tomado pelo furor.

Em meio aos beijos e toques, ambos acabaram voltando para o quarto, a cama desfeita recebendo os corpos frenéticos, a luxúria mais uma vez abarcando todos os espaços...

Firmemente e sem descolar dos lábios de Minos, Hades pegou as mãos do jovem e colocou-as acima da cabeça dele, deixando o torso, totalmente à mercê de sua língua. Com avidez, lambeu e sugou os mamilos do jovem, deixando-os eriçados, levando-o a estertores de prazer com as mãos e a boca.

Minos agarrou-se ao futon e fechou os olhos, deixando-se consumir pelas carícias hábeis de Hades. Sentia que o mais velho precisava do seu corpo, que algo o levava a buscar o prazer como um bálsamo e se dispunha a oferecer-se como se o fosse, porque sentia a mesma coisa, precisava dele...

– Olhe pra mim... Quero que me veja entrar em você... – disse Hades.

Ofegante, Minos obedeceu. A aspereza sensual da voz de Hades era como mais uma carícia capaz de fazê-lo ansiar pela penetração. Deixou a postura passiva e enfiou as mãos nos cabelos dele, gemendo seu nome, contorcendo-se e arqueando as costas. Quando sentiu a pulsação do membro em suas coxas, deixou escapar um ofego de pura sensualidade e se entregou...

Hades ergueu-se um pouco até seu rosto se nivelar ao de Minos, olhou fundo em seus olhos antes de beijá-lo e posicionar-se entre as pernas dele. O jovem enfiou os dedos nas costas dele e sorriu, antes de falar:

– Me come...

Em outras bocas, aquela frase seria um estímulo a mais para o sexo impessoal e instintivo que costumava fazer. No entanto, Hades percebeu uma diferença em seus sentimentos e na forma como se relacionava com o prostituto. Seu corpo se retesou por um instante e quando o penetrou, pareceu estar em outro patamar prazeroso e desconhecido que o atingiu além do sexo e da possessão do corpo abaixo de si.

Minos fechou os olhos e ouviu a inalação chocada de Hades, sentindo o hálito quente no pescoço e na face. Gemeu abafado ao sentir o falo afundando-se em seu corpo, enquanto as mãos fortes deslizavam por suas coxas e se depositavam em suas nádegas, apertando-as, iniciando os movimentos de avanço e recuo que o faziam gemer, cada vez mais alto...

– Tão gostoso... tão apertado... – as palavras saiam dos lábios de Hades, enquanto ele se movia, rígido e quente, dentro de Minos.

As mãos do jovem se moviam, inquietas pelas costas e nádegas do mais velho. Os movimentos vagarosos distendiam seu corpo, penetrando-o cada vez mais fundo, fazendo-o sentir um prazer que parecia imiscuir-se em cada nervo e incendiar seu sangue...

Hades era parte dele. O pensamento invadiu-o com o ritmo das estocadas, o corpo estremecendo, a sensação de cair e cair sem chegar ao fundo daquele poço de sensações e sentimentos avassaladores...

– Goze comigo...! – grunhiu Hades.

E Minos gozou. Um gemido rouco escapou de sua garganta e ele estremeceu forte, sentindo a liberação de Hades dentro de si. Ambos apertaram-se, quase em desespero... Ofegante, Hades buscou a boca entreaberta e soluçante com a violência do orgasmo e invadiu-a com a língua, beijando e mordendo numa carícia feroz.

Quando o coração de ambos voltou ao normal, Minos soltou um suspiro lânguido, o corpo ainda sacudido por pequenos choques sensuais. Acariciando os cabelos negros de Hades, deu um sorriso complacente, sonolento e satisfeito. O executivo passou os dedos pelos lábios e, em seguida, pela clavícula de Minos.

– Está com fome? – perguntou Hades.

Acariciando o mamilo dele, Minos respondeu:

– Parte dela foi saciada...

Hades riu e, de repente, pareceu que tudo que o incomodara, anteriormente, pertencia a outro espaço-tempo...

– Bem, então vamos à outra parte... Vamos tomar um banho, em seguida um café e depois quero ver suas habilidades no xadrez.

O jovem sorriu.

– Eu jogo bem, embora não saiba... blefar, como certas pessoas.– provocou Minos.

O olhar de Hades percorreu o belo rosto juvenil.

– Seus talentos são genuínos, Griffon... blefar torna-se, digamos... dispensável. – disse o moreno puxando Minos para si.

Os dois se olharam e riram, como se fossem amantes e não, cliente e prostituto. Hades levantou e puxou Minos pela mão.

Em instantes, os dois afundavam no ofurô confortados pelos óleos de banho que exalavam um aroma relaxante junto da água quente.

Minos olhou para o rosto de Hades, ele fechara os olhos e a expressão dele se suavizara. Aproveite e olhe... daqui há pouco, tudo acaba. A mente do jovem o alertava para a realidade e isso trazia certa tristeza que ele tentava esconder de si mesmo. Suspirando, mergulhou na água e, voltando à superfície, afastou os cachos molhados do rosto, enquanto ainda olhava para o moreno.

Hades abriu os olhos e, mais uma vez, o azul acinzentado mergulhou no violáceo que exibia um brilho profundo e que, neste exato momento, parecia... triste? Esquadrinhou o rosto dele por um instante com uma expressão impenetrável e então, após hesitar ligeiramente, disse de forma simples:

– Eu gostaria que o tempo não passasse... Por mim, ele parava neste exato momento.

Um sorriso distendeu os lábios desenhados de Minos.

– Eu sinto o mesmo.

O olhar de Hades se aqueceu e pela primeira vez, permitiu-se sentir outro tipo de prazer que não tinha a ver com os negócios, nem com o domínio, nem com o sexo, nem com o fato de sentir-se invulnerável. Era apenas um bem-estar que colocava em segundo plano o fato de ter de lidar com Pandora e com toda a realidade imperiosa que acionava a persona do famoso Juiz dos Mortos como brincava Aiacos.

O executivo fechou os olhos, novamente e foi a sua vez de mergulhar na água quente.

– Vai molhar, amolecer e desgrudar o curativo. – disse Minos.

Hades voltou à superfície com um sorriso malicioso.

– Não se preocupe com isso. Garanto que apenas o curativo amolecerá.

Minos riu e caiu na gargalhada quando sentiu sua perna ser puxada por certo alguém...

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Hiroaki estava sério e mudo, algo um tanto raro e preocupante para o homem ao seu lado. Extremamente fiel, Hiroshi conhecia o jovem desde menino e se dispunha a protegê-lo com a própria vida, se necessário fosse.

– Não se preocupe, cuidei para que ninguém fale sobre o acidente. – disse o japonês olhando seu chefe pelo espelho.

– Arigatô. – respondeu Hiroaki, continuando a devanear... Aquele bastardo! Eu ainda vou descobrir quem ele é e o que ele faz...

Quando o carro estacionou na mansão, Hiroshi abriu a porta para o yakuza. Assim que ele entrou, seu pai veio ao seu encontro. Tadashi, apenas sinalizou para que o acompanhasse até os jardins. Hiroaki obedeceu vendo que Raiden permanecia vigilante, mesmo no interior da mansão.

– Está chovendo, traga um guarda-chuva para o meu pai. – disse ele, para Raiden.

– Não! – cortou Tadashi. – Ficaremos na chuva.

O jovem franziu o cenho, mas nada disse. Acompanhou o pai em meio à chuva fria, sendo a segunda vez que se molhava, naquela manhã.

Tadashi caminhou pela areia, deixando pegadas até chegar a um pequeno santuário onde jazia uma urna dourada, receptáculo das cinzas de sua mulher. Como sempre fazia, acendeu um incenso, fechou os olhos e rezou. Depois tornou a olhar para o filho cujos cabelos negros estavam molhados.

– Faça uma oração. – disse ele estendendo um incenso para que o filho acendesse.

Ainda sem entender tudo aquilo, Hiroaki repetiu o cerimonial e só então, percebeu que Tadashi estava com o semblante mais fechado que o habitual. Então um lampejo de entendimento passou por sua mente conturbada. Ozaki! Ele sabe que eu o matei! Merda!

– Pai, eu quero dizer que...

– Silêncio! Não quero ouvir as suas explicações. Ozaki será cremado esta tarde e você... pegue isso!- disse Tadashi estendendo uma pequena e afiada faca, embalada em uma gaze branca.

Hiroaki empalideceu. Aquilo indicava que teria de fazer o yubizume, a cerimônia de retratação que consistia em cortar a junta superior do dedo mindinho e oferecê-la ao pai.

Tadashi percebeu a inquietação do filho e então completou:

– Não será você a executar o yubizume! Um futuro oyabun não pode mostrar-se um fraco, nem exibir a mácula de ter falhado com o seu clã! Será a sua irmã quem o fará e por sua causa!

– Naoko?

– Não. Tsuki, aproxime-se!

Obediente, a menina surgiu detrás da escultura dourada de um dragão. Estava trêmula, mas ainda assim, caminhou firme até chegar próximo do pai.

Hiroaki franziu o cenho e fechou os punhos.

– Não, meu pai! Ela, não.

– Você ousa me questionar? – gritou o velho.

– Tsuki é uma criança! – rebateu Hiroaki.

– E você, o que é? Um moleque! Sua irmã é mais madura que você e aceitou ser o avatar da sua vergonha.

– Pois eu não aceito!

Nesse meio tempo, Naoko aproximou-se dos três e cochichou algo próximo ao ouvido de seu pai. O velho ficou imóvel, por alguns segundos, depois olhou para Hiroaki e Tsuki.

– Temos visita. Como disse Naoko, a intervenção do Destino se faz presente, mais uma vez. Retornaremos ao assunto, após recebermos a sua futura esposa.

– Creio que meu irmão precisa trocar de roupa. Não pode receber sua noiva nesses trajes. – falou Naoko com uma docilidade falsa.

– Vá se trocar. E você também, Tsuki. – disse o velho olhando para o rapaz.

Os dois nada falaram. Hiroaki pegou a irmã menor pela mão e os dois deixaram o jardim. Naoko ficou olhando com um sorriso vitorioso. As informações que tinha colhido e os desvarios de seu irmão deixavam seus objetivos, cada vez mais próximos de um final feliz.

E ainda dizem que a mulher é o sexo frágil... Quando tudo isso acabar, eu provarei a todos que ter um pênis não significa competência!

Raiden aproximou-se dela, tirando-a dos pensamentos. O japonês olhou-a com intensidade e foi recompensado com um olhar gélido. Ambos ficaram em silêncio, até Naoko retirar-se, deixando o segurança nervoso, embora continuasse com uma expressão impassível.

Com passos bem estudados, ela se afastou, sorrindo por dentro ao sentir-se acompanhada pelos aflitos olhos negros. Você me quer, Raiden... então terá de pagar o preço! Ponderou Naoko, enquanto dirigia-se para o grande teatro que era a sua vida em família.

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Hades pegou um peão preto e outro branco, colocando-os, um em cada mão, atrás das costas. Minos escolheu a mão esquerda e foi brindado com o peão branco. Riu ao ter a vantagem de iniciar o jogo, enquanto Hades, apenas o observava.

O jogo começou e nenhum dos dois tinha noção do tempo, apenas das combinações sobre o tabuleiro à frente. Hades era um jogador ousado e inteligente. Agia com um forte senso de observação e análise, próprios da própria profissão que escolhera. Porém, Minos, estava sendo uma revelação.

O executivo esperava que o jovem agisse da mesma forma impulsiva que mostrava em certas atitudes, no entanto acabou descobrindo que ele era capaz de estratégias intrincadas e elaboradas quando ele o deixou capturar o bispo e então, posicionou seu cavalo atrás do dele.

– Xeque. – disse Minos com um olhar desafiador.

– Xeque-mate. – admitiu Hades, impressionado com mais essa revelação sobre o prostituto.

Minos se espreguiçou e, então, permitiu-se usufruir mais uma xícara de café e fatias de pão doce.

Olhando-o, fixamente, Hades fez o mesmo.

– Você é um poço de surpresas, Griffon...

O jovem sorriu.

– Eu? Que nada, sou um cara comum.

Hades o estudou, longamente.

– Comum? Creio que aprendi uma lição com este jogo.

Sem entender o motivo daquela colocação, Minos perguntou:

– E qual seria?

A resposta veio rápida na mente de Hades: você me fascina e desarma, Griffon. Tenho que ter muito cuidado com você. Entretanto, ele nada disse, apenas sorriu e estendeu a mão. Minos compreendeu o que ele queria e sorriu de volta.

– Não respondeu a minha pergunta... – murmurou o jovem sentando no colo de Hades e abraçando-o com uma paixão atrevida.

O executivo roçou os lábios nos dele, sentindo o calor da respiração e o cheiro da pele de Minos. Pensava em uma resposta que não o traísse, que o deixasse permanecer em sua zona de controle.

– Aprendi que não posso vacilar com você... E também que não me canso de te foder. – respondeu mordiscando o lábio inferior do prostituto.

O beijo veio, as sensações também. Minos não sabia por que, mas de alguma maneira o sexo que compartilhava com Hades o tornava mais pleno, mais adulto. Sabia que o executivo podia ter qualquer um, mas o escolhera. O fato concreto de senti-lo arder e gozar intensamente trazia uma nova dimensão às suas emoções.

Os dois voltaram para a cama, o sexo mais uma vez ditando as regras que substituíam as emoções resguardadas. Minos deixou-se arrastar para a voragem voluptuosa das carícias, das bocas ofegantes, das pernas que se entrelaçavam até que o mergulho do falo dentro de si reiniciasse aquela união íntima e ardente que os tornava um.

Hades gozou e Minos arqueou o corpo, contraindo-se de prazer e gemendo contra os lábios ofegantes do moreno. Riram ao perceber que a cama era um emaranhado de lençóis e futon, mais parecendo o ninho de algum animal selvagem.

– Vou mandar que troquem a roupa de cama. – disse Hades deitando-se ao lado de Minos.

– Só se for daqui a algum tempo... Não tenho condições de me mexer agora. – falou Minos fechando os olhos.

O executivo o viu dormir, quase de imediato. Afastou alguns fios de cabelo que sempre teimavam em cair sobre os olhos de Minos e depois o tocou no ombro, uma carícia terna que se permitia ao vê-lo relaxado. Foi então que Minos suspirou, profundamente e encostou o rosto em seu ombro. A proximidade dele, o calor do corpo saciado, a forma como entreabria os lábios causou em Hades uma vontade inédita. Tentou refreá-la, mas quando deu por si, trouxe Minos para junto de si e o abraçou, fechando os olhos e se permitindo descansar...

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Radamanthys olhava Pandora dormir. O calmante a faria descansar por horas e assim, sair do estado emocional que a desestabilizara. Os cabelos negros pareciam seda e os movimentos suaves da respiração dela eram quase imperceptíveis. Ele se perguntava a razão de ter se envolvido com ela. Como podia querer protegê-la? Nem ao menos a conhecia direito! O fato de ela ter um passado tumultuado deveria ser a alavanca de segurança pronta a ser puxada. E, no entanto, ali estava cuidando-a como se fossem amantes há muito tempo...

Uma batida na porta interrompeu-o e ele inspirou fundo, certificando-se que Pandora, realmente, dormia.

– Perdão, senhor Radamanthys. Telefone para o senhor. – disse a empregada estendendo-lhe o celular que deixara na sala.

Radamanthys franziu o cenho.

– Obrigado, Reiko. – disse ele, levando o celular ao ouvido.

– E então, como ela está? – perguntou Hades.

– Ainda dormindo. Está voltando?

– Chego à noite. Crê que ela já terá condições de me acompanhar?

– Acredito que sim. Mas... Hades, não seja muito severo com ela.

Um sorriso frio distendeu os lábios do executivo do outro lado da linha.

– Assim que eu conversar com ela, conversarei com você, também. Precisa saber onde está se metendo para então decidir se vale a pena seguir com isso.

– Eu... Eu não disse aquele dia, mas estou, realmente, interessado em sua irmã.

– Eu sei. E é por isso que me sinto na obrigação de alertá-lo.

Radamanthys ficou pensativo, após a ligação de Hades. Assustava-o a frieza com que o amigo tratava daquele assunto. Havia um distanciamento que o incomodava, mas que talvez compreendesse quando conversassem. Voltou ao quarto e sentou-se em uma poltrona, observando Pandora e tentando imaginar o que ela faria, dali por diante...

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Era domingo à noite e o Dark Sex estava quase lotado. Os clientes desse dia costumavam ser do tipo comum e feio, para desgosto do loiro conhecido como Rose.

Afrodite havia atendido um cliente que só queria conversar e levar alguns tapinhas no rosto. O homem baixo e calvo possuía uma barriga considerável e falava sem parar, deixando-o quase zonzo. A única coisa boa do atendimento fora que ele lhe levara algumas barras de chocolate importado, já que trabalhava em uma empresa de Importação e exportação de alimentos.

– Domingo é foda! E no mau sentido!- bufou o loiro.

– Pois eu gosto. Geralmente, ninguém quer fazer sexo selvagem ou grandes maratonas de perversão no domingo. Bem... quer dizer, nem todos. – rebateu Shun que também já havia dispensado seu cliente.

– O que o seu pediu? – perguntou Afrodite.

Shun riu baixinho.

– Pediu para morder minha bunda e depois que eu fizesse xixi em cima dele.

– Ai! Esse é pior que o meu, o senhor Tapa na cara! Pelo amor de Zeus... Como existe gente doida neste mundo. – disse Afrodite rindo.

Enquanto os dois conversavam, Máscara da Morte e Aiolia adentravam o salão. Hilda, que circulava, os reconheceu e fez questão de acomodá-los, pessoalmente.

– Boa noite, senhores! Que prazer tê-los, novamente, em minha casa. – disse ela sorrindo.

Aiolia sorriu, enquanto Máscara tentava ser mais simpático, embora parecesse estar tendo um problema, ao invés de estar sorrindo.

– Eu não devia ter voltado aqui. Não me sinto à vontade. – disse Ângelo, após a saída de Hilda.

– Eu também não, mas a gente tinha que tirar a prova dos nove. E sem os gêmeos. – falou Aiolia.

– Prova dos nove? Do que você está falando?

– Disso! – falou Aiolia olhando para baixo, na direção de seus genitais.

Máscara percebeu o que ele queria dizer. Também se sentia assim, terrivelmente excitado, o tempo todo. Não faziam efeito os banhos frios, nem o uísque. Seu corpo parecia ter despertado para o sexo e de um jeito que mais parecia um vício imediato numa das drogas da moda, tipo crack ou speed.

O olhar de Afrodite foi percorrendo o salão até recair na mesa onde Máscara e Aiolia bebiam e conversavam. Um sorrisinho surgiu nos lábios carnudos.

– Veja só, Shun... Eu não disse que eles voltariam...

Shun sentiu o rosto arder e, em seguida, um arrepio na espinha. Tinha esperado por isso, mas aprendera a não nutrir esperanças. Então se satisfazia mergulhando em seu mundo fantástico onde os heróis eram capazes de vencer qualquer obstáculo e um dia, talvez um deles o atraísse ao seu mundo e o amasse como ele desejava ser amado.

Mas então, tanto ele quanto Afrodite viram, cair por terra, todo o seu entusiasmo quando duas prostitutas da casa foram escolhidas para levar os dois executivos ao quarto...

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A noite de domingo chegara e o fim de semana estava acabado para Hades. Ele despediu-se do caseiro e trinta segundos mais tarde estava na estrada rumo à Tóquio.

Minos se recostou no assento de couro e virou a cabeça para fitar a paisagem de maneira distraída. Se, por um lado havia tido um fim de semana incrível, por outro, sentia ter de voltar para a realidade de sua vida. Era um puto que, dali a algumas horas voltaria à rotina e Hades era o cliente rico que também voltaria ao seu mundo. Simples assim.

Hades estava focado na estrada, mas de vez em quando olhava para Minos. O prostituto estava silencioso, algo raro e que, de certa maneira, refletia seu estado de espírito também. Tocou-o na coxa, fazendo-o olhá-lo.

– Está muito calado, senhor Griffon. – disse com um tom provocativo.

– Não quero distraí-lo. – respondeu o jovem.

– Quanta consideração da sua parte. – falou Hades.

– Pois é...

Após a resposta monossilábica, Minos continuou calado com o rosto virado para a janela do carro. Então, Hades freou, obrigando-o a girar a cabeça bruscamente e encará-lo.

– O que houve...? – perguntou Minos, engasgando ao notar o olhar denso de Hades.

O executivo nada disse, apenas olhou-o por alguns segundos e então retomou a direção.

– Eu sei dirigir. Se não estiver se sentindo bem, eu... – falou Minos um tanto atordoado com aquela cena.

– Estou bem. – falou Hades, secamente e aumentou a velocidade.

As próximas duas horas passaram em lenta agonia, apesar de Hades dirigir em uma velocidade considerável. Quando chegou aos limites de Tóquio, olhou para Minos e sua expressão se suavizou, embora ainda mantivesse com o cenho franzido.

– Deixo você aonde? – perguntou ele.

– No mesmo lugar onde me apanhou. – respondeu Minos.

– Tem certeza? – insistiu Hades.

– Absoluta.

Hades fez a vontade do prostituto, deixando-o à porta do Dark Sex.

– Chegamos.

Minos sorriu e levou à mão ao bolso posterior da calça social.

– Antes que eu me esqueça, isso aqui é prá você. – disse Minos puxando um envelope e o estendendo à Hades.

– O que significa isso? – questionou Hades, reconhecendo o envelope que deixara com o cheque.

– Não quero ser pago pelos dias passados na sua companhia. Aceitei por prazer e não como um serviço. Ao contrário do que você disse àquela vez, eu tenho escolha. O que tinha de ser acertado já foi feito com a cafetina.

Um silêncio se estendeu, mais uma vez, agora parecendo ser feito de energia eletrificada e Minos se perguntou no que Hades estaria pensando. Os olhos do mais velho encontraram os seus e, mais uma vez, as palavras não ditas gritaram na mente de ambos. Estar com você é tudo o que eu desejo...

Hades inspirou fundo e tocou o rosto de Minos.

– Cuide-se e obrigado pela companhia. Se mudar de ideia quanto ao dinheiro... – disse com um sorriso.

– Não vou mudar. – respondeu Minos deixando o carro como se, de repente, estivesse sentado sobre pregos.

O que esperava? Que ele dissesse que ia voltar? Que ficasse feliz por tê-lo possuído como nenhum outro cliente havia feito? Que o fim de semana tinha sido o melhor de toda a sua vida e que gostaria de repetir? Merda, Minos! É melhor mesmo nunca mais ver esse homem! Os pensamentos martelavam a cabeça do jovem, enquanto ele era recebido por Aldebaran.

No carro, Hades permaneceu pensativo vendo-o entrar no prostíbulo. Percebeu que mordia o lábio inferior com tanta força que sentia o gosto metálico do sangue. A realidade batia em seu rosto como se fosse um chicote. A verdade, nua e crua, era que Griffon abrira um espaço profundo em suas emoções e vê-lo voltar ao Dark Sex o desagradava, profundamente...

Notas finais
Obrigada, pelos comentários, pelo acompanhamento e pela amizade!!! Amo♥ cada participação, seja ela qual for! E, principal, amo vocês!!!XD *** kobans = são postos de polícia.