NIKUTAI NO YOUKUBÔ (desejos da carne)

18 Capítulo 18 GARRAS DE TIGRESA...


Notas iniciais
***♡♥ Olá, galerinha do bem!!! Saudades! Enfim, o Nyah de volta firme e forte, assim como mais um capítulo. Bjs e obrigada pelo imenso carinho que tenho recebido em cada comentário.

As carpas nadavam lentamente entre os nenúfares, enquanto os raios de sol criavam reflexos brilhantes na superfície da água.

Tadashi olhou para o filho que amava. Havia censura nos olhos escuros, mas também havia amor. Ele lhe lembrava Aiko, a mulher que penetrara em seu coração como uma raiz penetra fundo na terra e talvez, por isso, fosse tão condescendente com o rapaz.

Aquele filho fora a única coisa que restara do amor entre ele e Aiko. A cortesã perdera a sanidade, após a perda do filho e terminara os seus dias vivendo em seu mundo particular, onde tudo, até mesmo o amor fenecera...

E a culpa era sua, totalmente sua.

– Pai, eu sei que fiz tudo errado. Não vou me justificar. Estou pronto para o yubizume. – disse o jovem com certo nervosismo.

– Hiroaki... Eu sempre fiz o que foi esperado de mim. Você não tem esse espírito, você se deixa conduzir pelos seus desejos e é imaturo para conduzir a família. Apesar de tudo isso, eu o amo mais que as suas irmãs. Não é algo que eu controle e, por isso, se torna perigoso insistir que faça aquilo para o qual não tem preparo. Quero que vá embora. Farei com que sua irmã assuma o seu lugar.

O jovem olhou com surpresa para o pai. Não desejava ser um oyabun, mas ouvir da boca de seu pai que estava desobrigado de sê-lo causou um impacto estranho dentro de si.

– O senhor está...

– Estou libertando-o. Deixe a família, crie a sua. Já dividi a herança em vida. Terá a sua parte.

Hiroaki colocou-se a frente do pai. Não sabia o que fazer, mas sentia um turbilhão de emoções dentro de si. Então fez o que seu coração desejava, abraçou o pai com força.

– Perdoe-me... – disse baixinho.

Tadashi tocou os cabelos curtos e escuros do filho.

– Não há nada a perdoar.

Naoko observou a cena de longe, sentindo um amargor na boca. Seu pai jamais fizera um gesto de carinho ou lhe sorrira. No entanto, Hiroaki sempre teve a atenção e o amor que lhe fora negado. Ele o ama, mas sou eu quem preservará a sua linhagem. Pensou ela, enquanto uma lágrima escorria pelo seu rosto.

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Minos abriu os olhos para outro mundo. Um mundo cheios de bips e pessoas que lhe sorriam e espetavam. Depois iam embora e só restava aquela sonolência sem fim...

Entretanto, aquele mundo tinha alguém zelando por ele. E não era uma pessoa qualquer. Era um anjo muito peculiar... ou melhor, era a personificação de um deus talhado em carne e inegável masculinidade.

A imagem dele flutuava na selva de luz e sons, fazendo-o imaginar se aquilo era um sonho, alucinação ou até mesmo a materialização da sua vontade. O rosto masculino chegou mais perto, vertiginoso, eliminando o restante...

Hades...

– Minos? Você pode me ouvir?

Oh, sim, podia ouvi-lo. A voz profunda espalhou-se por toda a sua pele, despertando cada terminação nervosa, recomeçando um processo vital de trazê-lo de volta ao mundo dos vivos.

– Minos, se você pode me ouvir e estiver acordado, desta vez, por favor, tente falar.

Por favor? Era mesmo a voz dele pedindo, ao invés de ordenar? O tom de voz parecia angustiado.

O rosto de Hades preenchia seu campo de visão e Minos podia ver cada fragmento da cor azul acinzentada que brincavam num tom luminoso que só se manifestava nos olhos dele. Quis entrelaçar os dedos na exuberância do cabelo negro, acariciar o rosto viril, trazê-lo mais para perto de modo que pudesse sentir-lhe o hálito quente sobre a sua boca.

– Minos, sente alguma dor? Pode me ouvir?

Foi o desespero na voz dele que tirou Minos de seu estado letárgico, forçando suas cordas vocais a funcionarem, impulsionando o ar para fora de seus pulmões, de modo a produzir o som que Hades demandava tão ansiosamente.

– Eu... eu posso ouvir você... Mas... minha garganta... – falou Minos, mas sua mente ainda estava nublada.

– Não tente falar mais. Eu só queria ter certeza que está consciente. Você foi entubado para a cirurgia e sua laringe ainda deve estar ferida.

Alguma coisa fria tocou-lhe a boca, seguido por algo morno. Não eram os lábios ou a língua de Hades e sim, um copo e um líquido. Instintivamente, Minos entreabriu os lábios ressequidos e o conteúdo fluiu gentilmente, preenchendo a sua boca.

– Beba um pouco de água com analgésico.

Minos apertou os olhos contra a dor e engoliu. O líquido deslizou através da garganta e o desconforto durou somente alguns segundos.

– Melhor agora?

O rosto de Hades estava tão perto, fechado de preocupação, mas magnífico na proximidade, apesar dos olhos um pouco avermelhados, do maxilar rígido e da barba por fazer. A vontade, agora, era de sentir-lhe os lábios, o sabor da pele, a aspereza na face esculpida... tudo despertando seus sentidos, preenchendo-o com uma onda de desejo difuso e surreal. Ficou viajando nos pensamentos confusos, sem responder...

Então tudo desapareceu e, novamente, aquela sensação de opressão no peito e a dor, o ar escasseando, assim como o rosto de Hades se afastava de si.

– Minos! Diga alguma coisa.

O tom de comando na voz dele fez com que lutasse para não recair na letargia.

– E-Estou ... aqui, Dom. – brincou Minos, esboçando um sorriso junto com uma careta.

– Está sentindo dor? – perguntou Hades, muito sério.

– Sim... mas... eu... aguento.

Hades chamou a enfermeira e logo, um medicamento foi injetado ao soro que gotejava na sonda intravenosa. O alívio veio quase de imediato, e Minos deixou escapar um gemido de satisfação.

–E agora, sente-se melhor? – perguntou Cassiopeia.

Minos balançou a cabeça, positivamente, e voltou a dormir. A enfermeira sorriu e Hades suspirou.

– Tem de ser paciente. Ele precisa alternar estímulo e descanso. – disse a enfermeira ajustando o fluxo do soro.

– Eu sei, mas... fico preocupado quando ele dorme muitas horas.

– A pior parte já passou, embora o estado dele ainda requeira muito cuidado. Se me permite dizer, acho que deve descansar. Faz uma semana que o senhor permanece aqui, dia e noite.

– Ele ainda corre risco.

– Sim, mas o percentual, agora, é bem menor e pelo que vejo, ele está respondendo bem ao tratamento.

O olhar de Hades tornou-se distante por um longo momento antes de focar-se em Minos e penetrá-lo como um raio-X. Parecia estar decifrando sua condição, antes de argumentar com a enfermeira.

– Ficarei até que ele permaneça mais tempo consciente. Só ficarei tranquilo quando ele passar mais tempo acordado e sem sentir dor.

Cassiopeia sorriu. Sentia uma inveja branca daquela dedicação e daquele sentimento. O homem era um monumento e era visível o amor que sentia por aquele jovem. Conhecia-lhe a fama e o via negligenciar tudo e todos para permanecer ali, vigiando dia e noite.

– Como quiser. Mas, precisa estar bem para quando ele acordar.

– Eu estou bem. – cortou Hades, voltando a sentar-se na poltrona.

O executivo ignorou a enfermeira e fixou os olhos na tela de seu notebook. Leu todas as informações que Aiacos lhe enviara. Era uma enorme lista de ocorrências, nomes e ações empreendidas pela ONG formada por médicos voluntários. Ikki Amamiya havia conservado o seu nome da família original e constava que seu irmão se chamava Shun. Este nome era, relativamente, comum no Japão, então era preciso ampliar mais o filtro para descobrir a real situação do rapaz.

Enquanto lia tudo, atentamente, uma figura feminina surgiu na porta do quarto. Hades elevou os olhos reconhecendo a proprietária do Dark Sex.

– Bom dia. A enfermeira deixou-me fazer uma visita rápida. – disse ela estranhando ver Hades ali.

– Foi bom a senhora ter vindo, assim podemos conversar e acertar alguns pontos.

Hilda gelou e, desta vez, não tentou sorrir. Encarou Hades com aqueles olhos afiados, enquanto ele sustentava o olhar dela com igual agudeza.

– Estou disposta a arcar com as despesas hospitalares já que Minos é o meu melhor funcionário. – disse ela.

– As despesas de Minos já foram acertadas por mim. Não me refiro a isso e sim ao fato de ele deixar de ser seu funcionário.

– Como? Está dizendo que Minos também irá deixar o Dark Sex?

– É uma mulher inteligente, senhora e creio que já antevia que um jovem como Minos não permaneceria eternamente num prostíbulo. Assim como deveria ter investigado mais sobre o seu... melhor funcionário. Ele é menor de idade e tê-lo em seu estabelecimento é crime. Um crime, aliás, bastante grave, aqui no Japão.

Hilda sentiu o rosto repuxar. Minos, menor de idade!Merda!Bem que ela desconfiara, mas... prá que deixar um monumento daqueles escapar?Merda!

– E-Ele mostrou seus documentos e... vamos combinar, ele tem um físico bastante desenvolvido e eu... – gaguejou ela se abanando com a mão.

– E a senhora viu os cifrões acima de qualquer coisa. – cortou Hades.

– Creio que não é justo ser julgada por quem procura pelo que eu ofereço! – rebateu injuriada.

Touché! – disse Hades. – Mas, não a estou julgando e sim deixando claro que a saída de Minos não terá nenhum custo adicional, já que sendo menor, ele não poderia ser seu funcionário. E ele tem direito a uma indenização pelo tempo em que exerceu suas atividades quando deveria estar na escola.

– Indenização?!

– Sim, mas não será uma quantia que a deixará em má situação. O Dark Sex é um dos prostíbulos mais famosos do Kabukicho pelo levantamento que eu fiz aqui.

O repuxo no rosto de Hilda aumentou, atingindo o olho esquerdo que piscou duas vezes.

– Qual a base de cálculo dessa... indenização?

– Vamos ser justos... Uns 10 % para cada ano trabalhado, multiplicado pelas horas, mais insalubridade e o valor do seguro saúde.

– Mas isso vai dar uma fortuna!

– Bem, a senhora pode contratar um advogado, entrar com uma ação e ser indiciada por aliciamento de menor. Uma sindicância será feita e...

– Eu pago, droga! Farei um cheque ao portador e encerramos essa história.

– Vamos fazer de outro modo, a senhora transferirá a quantia para uma conta que será aberta no nome de Minos. Assim ele terá como pagar os estudos e manter-se até conseguir um emprego. Dou-lhe o prazo de dois dias para fazê-lo.

– Dois dias? Mas é muito pouco tempo para levantar uma quantia como essa e...

Antes de terminar a fala, Hilda olhou para Hades que permanecia sério e encarando-a. Este homem é um demônio! Bonito, é verdade, mas é um demônio filho da puta!

– Está bem, está bem. Dois dias. – disse ela suspirando.

– Meu advogado irá procurá-la para fornecer o número da conta.

Hilda não disse mais nada, aproximou-se da cama de Minos, vendo-o dormir. Estava furiosa com ele por mentir, mas também havia feito um mea culpa e admitia a ambição que sempre norteara os seus passos, desde que fugira de sua gélida terra natal.

Ela fora uma criança bela e feliz, apesar da família pobre. Então, um dia, a sua curiosidade terminara em tragédia e ela entrara para as estatísticas das crianças sequestradas por grupos especializados em tráfico humano.

Sua fuga e consequente peregrinação por antros de prostituição só terminou quando um cliente se apaixonara por ela, ainda uma adolescente. Ele era um velho impotente, cheio de culpas e buscando se redimir dos pecados que dizia possuir. O passaporte perfeito para a saída das ruas...

Diplomata influente, ele embarcara para o Japão e a levara consigo. Viveram juntos, durante dois anos, até um ataque cardíaco fulminante levá-lo deste mundo e deixá-la de mãos dadas com a solidão...

Mais uma vez, ela só podia contar com sua sagacidade e tinha de usá-la para sobreviver. Para sua sorte, o amante abrira uma conta em seu nome e lhe deixara uma boa quantia em dinheiro.

Dinheiro com o qual abriu um pequeno negócio e num ramo que conhecia muito bem. Não sentia orgulho de quem tinha se tornado, mas ninguém podia acusá-la de tratar seus funcionários como lixo. Lucrava sim, mas seus meninos e meninas tinham um teto, comida, roupas e proteção. Muito mais que ela tivera quando fora atirada àquela vida.

A mão de Hilda tocou os fios platinados de Minos sob o olhar vigilante de Hades.

– Você sempre foi o meu preferido... Sarcástico, sexy, rebelde. Ah, Minos... fique bom logo e aproveite bem que esse demônio aí ama você. – disse ela baixinho, enquanto depositava um beijo na testa do jovem.

Assim que se afastou da cama, Hilda olhou para Hades.

– Espero o seu advogado em meu estabelecimento. – disse ela deixando o quarto.

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Os japoneses se desvencilhavam dos sapatos e entravam na ampla sala coberta com tatame. Nas paredes, imagens de dragões alados contrastavam com a leveza das flores aquareladas. Os Yamaguchi já aguardavam, sentados nas almofadas. O patriarca da família estava sério e ereto, De vez em quando, o companheiro ao seu lado cochichava algo. Foi então que surgiu Tadashi, imponente em seu terno negro, acompanhado de Raiden e Naoko.

– Vou ser breve. Meu filho Hiroaki deixou esta casa e não será mais o oyabun da família.

O quê? Como? Não pode ser! Quem será o substituto?Tadashi só tem um filho homem!

As perguntas eram feitas em pensamento, mas estavam estampadas nas faces orientais.

– Meditei e orei muito antes de tomar esta decisão. No entanto, para mim, está claro o que devo fazer. O cargo de sucessor desta família será da minha filha Naoko.

As expressões revelaram o impacto da decisão anunciada.

– Que piada é essa, Tadashi? Uma mulher como oyabun? Acha que vamos aceitar isso? – perguntou o patriarca dos Yamaguchi.

Ao ouvir a pergunta, Raiden adiantou-se e retirou uma pistola de dentro do terno, exibindo-a, ostensivamente. Depois, pegou pelo colarinho o último homem que estava sentado na fileira reservada aos Yamaguchi e enfiou o cano da pistola na boca do sujeito.

– O senhor Tadashi não faz piadas! Ouçam com respeito o que ele tem a dizer ou vai ter miolo espalhado pelo chão.

Houve um murmúrio e Tadashi fez sinal para Raiden. Naoko franziu o cenho e não pode deixar de sentir orgulho pela atitude do amante. Foi então que colocou seu estratagema em prática. Era uma ideia tão radical quanto aquela demonstração de força e, a seu ver, teria um efeito bem mais devastador.

– Senhores! Meu pai tomou esta decisão com muito pesar. Meu irmão seria o sucessor, mas faltou-lhe maturidade e competência. Eu tomei a frente dos negócios e fiz com que a nossa família prosperasse em um curto período de tempo. Tenho todos os relatórios para comprovar o que estou dizendo. No entanto, sinto-me responsável por não ter conseguido que Hiroaki participasse deste empreendimento. Fui egoísta ao não conseguir ensiná-lo e peço perdão por isso. Sou eu quem deve responder pela necessidade de meu pai colocar uma mulher na liderança da família. – disse ela, curvando-se aos demais.

Em seguida, ela olhou para Raiden que lhe estendeu um lenço de seda branco. Dentro dele, estava um pequeno punhal. Ela sentou-se sobre os calcanhares, colocando o lenço a frente dos joelhos com o punhal ao lado. Em seguida, elevou os olhos e percorreu cada rosto, ali presente.

– Bem, senhores, como manda a tradição, sempre que alguém desagrada sua família ou falha com ela, deve retratar-se. Eu poderia oferecer meu dedo à vocês, já que, o yubizume foi a maneira encontrada pelos nossos ancestrais para que as ofensas fossem perdoadas. – disse ela mostrando a mão delicada e com unhas bem feitas e pintadas com uma cor discreta. — No entanto, eu lhes ofereço outra retratação por terem suas expectativas frustradas. – completou, olhando novamente para Raiden.

O segurança retirou quinze pequenos envelopes do paletó e entregou a cada yakuza presente.

Tadashi olhou para a filha com visível interesse, enquanto ela permanecia firme e sentada sobre os calcanhares.

– Por favor, senhores, abram seus envelopes.

Os homens obedeceram, encontrando uma pequena chave dentro do envelope.

– O que significa isso? — perguntou o patriarca dos Yamaguchi.

– Cada uma destas chaves pertence a um cofre particular do Banco Mitsubishi identificado no nome de cada um dos senhores, cuja senha está gravada num microchip inserido na própria chave. No cofre, se encontra uma razoável quantia em dinheiro que eu espero ser adequada para atenuar o dissabor de terem que mudar seus planos. Digamos que este é o novo yubizume instituído pela nossa família.

– De quanto estamos falando? – perguntou um dos integrantes da família Yamaguchi.

– Um milhão e novecentos mil dólares americanos. – respondeu Naoko.

Todos arregalaram os olhos.

– Para cada um de nós? – questionou outro.

– Sim, menos para o senhor Tokugawa que deverá receber o dobro, já que, sua posição hierárquica o exige.

– Está dizendo que está nos dando trinta milhões e quatrocentos mil?

– Sim e espero que, sinceramente, cada um dos senhores me perdoe e referende minha posição como oyabun desta família. Não poderei estabelecer uma aliança com casamento, mas serei uma parceira incansável nos negócios. Posso duplicar, sem sombra de dúvida, o patrimônio dos Yamaguchi e o nosso em menos de dois anos.

Tadashi experimentou um orgulho inédito com a jogada da filha. Normalmente, preferia resolver as coisas dentro da tradição. No entanto, Naoko sempre estava um passo à frente quando o assunto era negócios e oferecer dinheiro, ao invés de uma demonstração de vergonha, certamente obteria melhor efeito.

– Então, o que me diz Tokugawa? – falou Tadashi.

O patriarca dos Yamaguchi levou a mão ao queixo. Aquela era uma situação inesperada. Havia trinta milhões nas mãos de sua família, uma quantia considerável para ser disposta deste modo. Fazê-lo, mostrava que a Gardênia não podia ser ignorada, mesmo que afrontasse a tradição de eleger oyabuns homens. Já tivera uma mulher na liderança e, ao trocá-la por um homem de confiança, as coisas se embolaram de tal forma que uma guerra se iniciou nas ruas.

Velhos tempos... Pensou ele, enquanto analisava a figura ereta de Naoko e Tadashi, tomando a decisão que mudaria o cenário da yakuza.

– Bem, creio que podemos fazer negócios. – respondeu Tokugawa.

Os homens pegaram os massus, enchendo-os com o saquê, brindando e bebendo ao aceitar a aliança e o novo oyabun.

Raiden mantinha-se como um guardião, focando em cada homem da família Yamaguchi, enquanto Naoko erguia o massu com um discreto sorriso.

Longe dali, quem não sorria nem um pouco era Seiko. Ainda não sabia o desfecho da reunião, mas seu coração dizia que não era boa coisa. Ao seu lado, Shizue verificava as unhas recém-feitas.

– Quer que eu busque alguma coisa? Uma água?

– Não, Shizue. Não tenho condições de beber nada.

A jovem apiedou-se da sua senhora. Shizue fora adotada pela família Yamaguchi ainda bebê e sentia-se abençoada por encontrar afeição e bem-estar em uma família yakuza. Diziam os antigos que os bebês nascidos em época de terremoto eram abençoados com uma resiliência fora do comum e ela acreditava totalmente nisso. A prova era que estava ali e usava da sua inteligência para servir.

– Acha que terá más notícias?

– Tenho quase certeza. — falou Seiko com tristeza na voz.

Nem bem concluiu seu pensamento, a porta do quarto se abriu.

– Senhorita Seiko, seu pai deseja falar-lhe. – disse a mulher baixa e idosa.

Seiko estremeceu, mas pulou da cama. Olhou para Shizue que fixou os olhos negros e curiosos em si.

– Boa sorte! – disse a jovem.

Com uma expressão angustiada, Seiko foi ver seu pai. Ele a esperava na sala, a expressão fria e retraída de sempre.

– Seu casamento foi cancelado. Hiroaki não será o oyabun da Gardênia.

– C-Como? Por quê?

– A filha do meio, Naoko, tem o apoio do pai. Hiroaki é uma carta fora do baralho. Vou providenciar outro noivo para você.

– Sim, meu pai. Posso me retirar?

Tokugawa fez um gesto afirmativo com a mão e Seiko correu para o quarto. Ao chegar lá, desabou na cama e chorou.

– O que houve? Eram mesmo más notícias?

– Meu casamento! Não vai mais acontecer... Oh, Shizue... Eu amo Hiroaki! Como vai ser a minha vida sem ele?

– Bem, se eu estivesse em seu lugar... Eu fugia com ele!

– Sério? – perguntou Seiko com os olhos vermelhos.

– Sim! Nada, nem ninguém, me separaria do meu amor. – respondeu Shizue.

– Você tem razão! Para o meu pai eu significo, apenas, uma moeda de troca!

– Quer que eu procure seu noivo e combine tudo? – falou a jovem com os olhos brilhando.

– Você faria isso?

– Mas é claro que faria.

As duas se deram as mãos e depois, um abraço apertado.

– Amo você como uma irmã. – disse Seiko.

– Eu também... — falou Shizue.

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Hades continuou fazendo sua pesquisa, periodicamente olhando para Minos que dormia. Estava cansado, mas continuava e continuava. Passaram-se horas e mais um dia, até que...

– Você não saiu daí?

A voz de Minos soou rouca, mas firme. Hades deu um pequeno sobressalto, como se estivesse despertado de um cochilo.

– Não, estava esperando você acordar. – respondeu o executivo.

– É impressão minha ou você está plantado aí faz tempo?

– Acho que até criei raízes. – respondeu Hades com um tom quase divertido, apesar da seriedade de seu semblante.

– Estou com fome... mas só em pensar em engolir...

Pela primeira vez, Hades sorriu aliviado. Minos estava com fome e isso era um bom sinal!

– Vou chamar a enfermeira.

– Não... – disse Minos segurando-o pela mão.

O ato fez o executivo estremecer. Como era bom sentir a pele dele em si.

– O que foi? – perguntou olhando-o de um jeito terno, desarmado...

– Você disse mesmo aquilo? – questionou Minos.

– Aquilo o quê?

– Você sabe... não se faça de desentendido.

Hades sorriu.

– Falei.

– Pode repetir?

– Você estava mal e eu...

– Pensou que eu ia morrer, é isso? Foi uma mentira de consolação.

– Não.

– Não o quê?

– Não foi uma mentira de consolação.

– Então você me ama mesmo? – disse Minos e seus olhos semiabertos se fixaram nos de Hades.

– Amo.

Os dois sorriram e Hades acariciou a face de Minos. Um suspiro de alívio escapou, evidenciando que o executivo se permitia relaxar. Os lábios de ambos se tocaram, suaves e logo, uma dieta líquida foi prescrita e Minos se alimentou.

Ikki adentrou o quarto no exato momento em que Hades depositava um beijo rápido nos lábios de Minos, após vê-lo devorar um prato de sopa. Pigarreou e abriu um sorriso.

– Muito bem! Vejo que já está bem melhor e já se alimentando. A enfermeira avisou-me que tem dois amigos seus querendo vê-lo, mas não quero que se canse muito. Dez minutos, está bem?

Minos sorriu e antes que dissesse o nome dos amigos, Ikki já estava sendo chamado para mais um atendimento.

– Obrigado, doutor. – disse Hades, enquanto o moreno deixava o quarto.

No corredor, conversando alegremente sobre a recuperação de Minos, Afrodite e Shun passaram ao lado do médico e, algo estranho aconteceu. Em meio à correria, Ikki foi atraído pelos cabelos esverdeados do jovem que sorria e Shun viu, nos cabelos negros e rebeldes do médico, algo que o reportou a sua infância.

Shun! O nome do irmão pareceu gritar em sua mente, enquanto era acompanhado pela enfermeira em direção à emergência. Seu irmão possuía cabelos esverdeados, uma anomalia genética que produzia aquela cor nos fios, a mesma cor que aquele jovem exibia.

Ikki... A lembrança do irmão materializou-se no cabelo revolto e repicado, assim como no breve olhar do médico e no reflexo profundamente azul e duro das suas íris, como se elas fossem duas safiras feitas de carne.

– Doutor? Aconteceu alguma coisa? – perguntou Cassiopeia.

– Aqueles dois ali...

– Ah, são os amigos do paciente Minos.

O coração de Ikki acelerou, mas logo os paramédicos lhe apresentavam uma maca com uma senhora que gemia e dois acompanhantes jovens que choravam. Ele obrigou-se a focar na paciente.

– Calma, minha senhora. Vamos cuidar desse ferimento. Como aconteceu? – perguntou para os acompanhantes.

Enquanto os jovens respondiam, ele se forçou a esquecer do assunto “irmão” e tratou de colocar seus talentos em prática.

Enquanto isso, no caminho para quarto de Minos, Shun franzia o cenho.

– O que foi? – perguntou Afrodite vendo-o perturbado.

– Não sei... Aquele médico, ele... me lembra o meu irmão, quero dizer... Como pode ser isso?

– Vocês eram pequenos quando o terremoto aconteceu. Talvez seja um ataque de saudade.

– Não é isso... Quando eu vi o rosto dele, algo me disse que ele era o Ikki, apesar de ser totalmente ilógico.

– Bem, vamos ver o Minos. Depois a gente investiga essa sua intuição.

Shun obedeceu com um estremecimento por dentro.

– Você tem razão. Vamos!

Ao ver Minos acordado, os dois sorriram e olharam para Hades. Era estranho vê-lo ali, principalmente porque o executivo tivera relação com todos os três, mas era visível o amor que sentia por Minos.

– Vou deixá-los às sós, mas não abuse, Minos. Dez minutos. – disse Hades e saiu.

Afrodite sorriu.

– Pode deixar, não vamos demorar.

O executivo olhou por cima do ombro e assentiu com a cabeça. Logo, Afrodite postou-se próximo à cabeceira da cama e Shun ficou ao seu lado.

– Bom vê-lo acordado, delícia albina! – disse o loiro sorrindo e pegando a mão de Minos.

– Ficamos com medo de perder você. – falou Shun pegando a outra mão.

– Sério, achei que não ia escapar, galera... Mas, enfim... sobrevivi.

– Você é forte. E o nosso deus em forma de executivo ficou cuidando de você o tempo todo. Tanta paixão assim só pode resultar em cura. – disse Afrodite revirando os olhos.

Minos sorriu.

– Teve um momento em que eu ouvi ele me chamar. Eu estava indo prá algum lugar e a voz dele me arrancou de lá. Ele disse que me amava e isso me fez voltar.

– Minha santa Amaterasu! Ele disse? Disse mesmo com estas palavras?

– Disse.

– Oh meu Zeus fodástico! Estou até imaginando o grande Hades em desespero falando que te amava e que morreria sem você! Isso é tão... tão... tão romântico. – disse Afrodite.

Minos sorriu e Shun também.

– Mas e vocês? Contem-me tudo. Estou vendo só pelo olhar dos dois que aconteceu algo e é importante.

– Bem, eu e Shun deixamos o Dark Sex e estamos prestes a viver com nossos namoridos, dois executivos lindos e gostosos.

Shun olhou com estranheza para Afrodite.

– O que é? Eu posso muito bem pular a fase do namoro e ir viver com o meu italiano. Assim como você também! Só de pensar em acordar e dormir naqueles braços e roçar os lábios naquele peito virilmente peludo, sinto uma pressão aqui embaixo...

– Ele tem razão, Shun. A gente tem de viver o máximo. — disse Minos fazendo uma careta de dor ao rir da fala de Afrodite.

– Pare de fazê-lo rir, Afrodite. – ralhou Shun.

– Desculpa, Minos. – falou Afrodite, agora preocupado.

– Tudo bem... acho que me sentirei melhor se sentar um pouco. – falou Minos tentando elevar o tronco.

Shun apressou-se em ajudá-lo, ajustando a cama numa curva sutil.

– Melhor assim?

– Melhor.

– Minos...

– O que foi Shun? – perguntou Minos, um tanto ofegante.

O jovem o fitou com aqueles olhos verdes e grandes revelando toda a sua angústia.

– O médico que o salvou. Como é o nome dele?

Antes que Minos respondesse, Hades retornou e viu-o com a cama elevada.

– Minos! O que eu disse sobre não abusar? – falou o executivo com o cenho franzido.

Shun retraiu-se.

– Perdão, mas ele disse sentir-se melhor assim. – disse o jovem.

– Gostaria de falar com você um instante, por favor. – disse Hades para Shun. – E você, Minos, comporte-se e não faça esforços exagerados.

– Você não pretende dar esporro no meu amigo, pretende? – questionou Minos, ainda que sentindo uma fisgada de dor.

Hades franziu o cenho, mas sorriu. Sim, Minos estava de volta!

– Não, meu assunto com Shun é outro.

– Acho bom... – falou Minos, enquanto Afrodite mordia o lábio inferior.

Nesse meio tempo, a enfermeira entrou para verificar os sinais e ajustar os medicamentos. Sorriu ao ver que o paciente já estava mais corado e disposto.

Shun sentiu o nervosismo tomar conta de si, enquanto acompanhava Hades. O executivo indicou-lhe uma antessala, próxima do quarto.

– Sente-se, por favor. – disse ele.

Cada vez mais nervoso, Shun obedeceu.

– Fique tranquilo. Eu, apenas, quero fazer algumas perguntas. – disse Hades.

– E por quê?

– Você saberá. Qual é o seu sobrenome?

– Meu sobrenome? É... Yamamoto.

– Yamamoto... Bem, isso o descarta.

– Descarta do quê?

– Estou procurando Shun Amamiya.

– Como? Por que você quer saber dele?

– Porque o médico que salvou a vida de Minos perdeu seu irmão e ele se chama Shun. Como não houve nenhuma confirmação de morte, eu estou fazendo um levantamento de todos que possuem esse nome.

Shun sentiu as lágrimas invadir seus olhos e o chão se abrir. Eu sabia! Eu sabia! Vendo que ele vacilava, Hades o segurou, sentindo-o trêmulo.

– O que foi? – perguntou o executivo sustentando-o.

– Yamamoto é o sobrenome da primeira família que me adotou. Eu sou... Shun Amamiya. – respondeu o jovem, antes de cair em um choro convulso.

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Hiroaki bebia seu terceiro copo de saquê e, apesar de estar livre de toda a carga que sempre lhe impuseram, sentia certa tristeza. Perdera Griffon, depois a liderança da família e, consequentemente, o casamento. Estava livre, mas também vazio.

– Enche mais um! – disse ele para o garçom do bar.

O homem alto obedeceu e olhou, discretamente, para a jovem que adentrava o estabelecimento com uma vestimenta exótica e sapatos de salto fino, algo um tanto incomum. O sobretudo negro e as luvas de seda vermelha, a deixava parecida com um personagem de filmes antigos. Usava óculos escuros e tinha os lábios pintados de vermelho. Ela aproximou-se de Hiroaki e colocou um cigarro nos lábios.

– Tem fogo? – perguntou ela.

Hiroaki franziu o cenho, sentindo uma identificação imediata. Parecia que conhecia aquela mulher, embora ela não se parecesse com nenhuma puta do Kabukicho.

– Não fumo, mas se quiser beber saquê, te pago um. – respondeu ele.

Shizue sentou-se, fazendo pose e Hiroaki sentiu vontade de rir.

– Já vou avisando que não to a fim de fazer nenhum programa. – disse ele.

– E quem está falando em programa? Não me ofenda! Bem, vamos ao que interessa, eu trago uma mensagem especial... – sussurrou ela.

O japonês franziu o cenho.

– Mensagem de quem?

– De uma pessoa que o estima muito... Tome, vá até este endereço e não diga nada a ninguém.

– Você só pode estar brincando?

– Eu, brincando? Eu não brinco, baby...

Hiroaki entornou mais um copo de saquê e levantou-se. Shizue encarou-o, aflita.

– Onde o senhor vai?

– Cair fora. Tá na cara que você é meio pancada da cabeça.

Shizue suspirou. Por que as pessoas tinham de ser tão... tão sem graça?!

– Por favor, escute. Toda essa conversa... Eu fiz, porque acho o máximo nos filmes. A verdade é que a senhora Seiko deseja falar-lhe. – disse ela.

– Sei. Não vai mais haver casamento. – falou Hiroaki.

– Ela não aceita isso, ela o ama...

A menção da palavra amor fez Hiroaki enrijecer.

– Como ela pode me amar se nem me conhece direito? Esse casamento foi um arranjo, enquanto eu era cogitado para ser o líder da família, o que não vai mais acontecer.

– Por favor, senhor, vá encontrá-la. Tome, o endereço é esse.

Hiroaki olhou para o cartão, antes de pegá-lo. Shizue sorriu e ele sentiu que confiava nela.

Está bem. Mas, se isso for algum esquema...

– Não se preocupe, eu e a senhorita Seiko somos como irmãs.

Irmãs... A simples palavra o fez lembrar-se da irmã caçula e de Naoko. No final, a irmã o vencera e tinha de admitir que ela era uma víbora, mas uma víbora com colhões!

Com um suspiro, colocou o cartão no bolso da jaqueta e deixou o bar. Sentada, Shizue cruzou as pernas e pediu uma bebida:

– Um Blood Mary, por favor! – disse ela, enquanto desfrutava do personagem que criara para si mesma.

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Ikki correu os dedos pelos cabelos escuros, inspirou fundo e dirigiu-se para o terraço do hospital. Quando a enfermeira havia dado o recado que Hades desejava vê-lo, ele jamais esperara que fosse para dar-lhe aquela notícia. Shun estava vivo! E bem ali, naquele hospital! Como podia ser?

Subiu as escadas de dois em dois lances, até receber o ar fresco, quase gelado no rosto e disfarçou o nervosismo quando o jovem de cabelos esverdeados se virou. Os olhos dele eram grandes, ternos e expressivos como o eram os de seu irmãozinho. De jeans surrado e camiseta branca,embora num corpo adulto, era o pequeno Shun que ele recordava em cada centímetro de pele.

Quando os olhares se cruzaram, um sorriso misturado às lágrimas contraiu os lábios de ambos.

– Shun...

– Ikki...

O abraço veio e pareceu torná-los um. Os dois soluçavam e se olhavam para voltar a chorar e prender-se aos braços um do outro.

– Meu Deus, Shun... tantos anos... – dizia Ikki afagando o rosto do irmão com os dedos.

– Ah, Ikki... Eu senti tanto a sua falta! Eu sabia! Sabia que você não estava morto! – falou Shun beijando o rosto do irmão.

O médico sentiu o nariz arder por causa das lágrimas.

– Eu também irmãozinho. Algo lá no fundo me dizia que iríamos nos reencontrar um dia.

Emoldurando o rosto delicado de Shun com as mãos, Ikki olhou-o, demoradamente.

– Quero saber tudo! Tudo sobre você: o que fez, como sobreviveu.

Uma sombra pousou sobre os olhos verdes e marejados.

– É uma longa história e eu não me orgulho dela. – respondeu Shun.

Ikki franziu o cenho pensando nas imensas dificuldades que seu irmão tinha passado. Podia sentir que era um terreno delicado e talvez, não fosse o momento para desencavar dores antigas.

– O que importa é você estar vivo. – disse o médico abraçando Shun, novamente.

Na sala de espera do hospital, Aiolia esperava o namorado. Havia uma ponta de receio em seu coração desde que Hades o colocara a par do que tinha acontecido. O irmão de Shun está vivo e é o médico que salvou Minos.

É... essa vida é uma grande caixa de surpresas! Pensou o leonino.

Shun e Ikki chegaram abraçados e sorridentes. Aiolia aproximou-se, estendendo a mão para o médico.

– Eu me chamo Aiolia.

– Ikki Amamiya. – respondeu aceitando o cumprimento.

Aiolia olhou para Shun com um sorriso amarelo, sem saber direito o que fazer ou dizer. Foi então que o jovem aproximou-se dele.

– Ikki, Aiolia e eu... Bem, nós estamos juntos.

Ikki ficou sério e, por breves segundos, fechou o semblante. Porém, em seguida, aproximou-se dos dois.

– Fico feliz por vocês. Porém, já vou me desculpando antecipadamente com você, Aiolia. Shun e eu nos separamos quando crianças e este reencontro foi uma benção do destino. Prepare-se, porque eu vou roubá-lo de você por um bom tempo.

Aiolia sorriu. Sim, podia compreender isso. Ele teria a mesma atitude se o destino oportunizasse que Aioros revivesse e retornasse para o convívio familiar.

– Sem problemas!

Os três sorriram plenos de novas chances e novos planos. Hades observou de longe, pensando em si e na sua família. Fazia tempo que não via Pandora. Ela sempre telefonava e parecia centrada e feliz nas poucas conversas que tinham. Tudo parecia ir se encaixando para que todos tivessem o seu final feliz.

– Senhor Hades? – chamou uma enfermeira.

– Sim?

– A senhorita Pandora esteve aqui e deixou isso para o senhor.

Hades pegou o envelope e abriu-o. Leu o conteúdo com o cenho franzido e quando concluiu, inspirou fundo e pressionou as têmporas, sentindo uma forte dor de cabeça. Depois, amassou o papel e dirigiu-se ao quarto de Minos.

Notas finais
***♡♥Muito OBRIGADA a todos que fazem meus dias mais felizes, apesar dos percalços! Cada comentário, MP, recomendação. silêncio, enfim, tudo que vem de vocês é bem-vindo no meu coração! Bjs e boa semana! ***Estou em falta com os reviews anteriores, mas adianto que logo responderei!!! *** Massu são os copinhos para beber saquê.