NIKUTAI NO YOUKUBÔ (desejos da carne)
20 Capítulo 20 NOVOS TEMPOS!
Notas iniciais

Uma onda de adrenalina estava correndo pelo corpo de Minos. Fizera a prova de proficiência e agora era o momento de saber o resultado. Inspirou fundo e foi até o mural onde estava a divulgação da lista dos aprovados. No caminho, um jovem voltava exultante, enquanto outro se mostrava cabisbaixo. Andou lentamente, até criar coragem para avançar mais rápido.
A listagem possuía, apenas, dez nomes, pois não era usual fazer esse tipo de prova, já que a grande maioria dos japoneses frequentava a escola no tempo correto. Mas, Minos não era japonês. Ele era um gaijin, um estrangeiro que aprendera a amar aquele país como se fosse o seu. E era ali que iniciaria a sua vida universitária e teria uma profissão. Novos tempos!
A Tókio Daigaku era a mais prestigiada universidade japonesa. Oferecia dez cursos nas áreas, humanas, tecnológicas e artísticas e onze institutos de pesquisa. Possuía um total de cerca de 29 000 alunos, 2 700 dos quais estrangeiros. Era a vigésima melhor universidade do mundo e o objetivo de muitos jovens japoneses ou estrangeiros.
Minos começou a leitura, chegando rapidamente ao final da listagem onde estava o seu nome...
... Hayato Fugiama, aprovado
Ichiro Yamamoto, reprovado
Miyako Fukuda, reprovada
Minos de Griffon, aprovado.
Osaka Tokugawa,reprovado
Yoshiak Ushida, aprovado
Leu e releu seu nome e o resultado. Em seguida, elevou o braço e pulou em comemoração sob o olhar incisivo de alguns japoneses, mas não ligou. Estava feliz e, embora tivesse crescido dentro da cultura educada e pouco expansiva, esse estado emocional não era algo que conseguisse guardar para si. Pensou em ligar para Hades, mas desistiu. O executivo estava em Nagasaki a negócios e só voltaria à noite.
A revelação que tinha conseguido seria a surpresa da noite quando jantassem juntos.
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Seiko estava acordada fazia algum tempo, deitada na cama e maravilhada com as diferenças entre a mulher que tinha sido e a que era agora. Seu corpo ainda ardia em consequência do prazer que dera e sentira. E tudo por causa de Hiroaki, seu amado e senhor...
Hiroaki! Onde ele estaria agora? Já havia se passado 24 horas depois do encontro quente e transformador. Já sentia falta dele e desejava repetir tudo que havia vivenciado. Seu coração acelerava só em lembrar-se do modo como tudo acontecera, tinha sido tudo tão mágico...
Foi o próprio Hiroaki quem a trouxe de volta à realidade, chegando ao quarto com uma expressão que fez o coração dela parar abruptamente. Alguma coisa estava errada! A expressão dele parecia arrogante e distante. Não viera para ela, nem mesmo se sentou ao lado da cama. Em vez disso, andou pelo quarto e depois se virou para encará-la.
– Eu lhe devo uma desculpa. Admito que o que aconteceu entre nós foi... forte. Posso dizer que nunca tinha tido um orgasmo daqueles, nem mesmo quando eu fodia o... Gri... Bem, isso não vem ao caso. Mas, não quero enganá-la, Seiko, eu continuo gostando de homem. Mais cedo ou mais tarde eu vou desejar foder com um cara e não quero magoá-la.
A boca de Seiko ficou seca. Ela enrolou o lençol ao redor do corpo e sentou na cama.
– Eu compreendo seu dilema, meu senhor e agradeço a franqueza. – disse ela mantendo um tom de voz calmo e controlado. – Mas preciso lhe dizer que chegou a uma conclusão errada a meu respeito.
Um silêncio plainou entre os dois.
– O que quer dizer com isso? – questionou Hiroaki.
– Quero dizer que escolhi me entregar ao meu senhor sabendo das suas preferências e que esse tipo de coisa não pode ser mudado. Seu desejo por homens... Eu o aceito e me comprometo a aceitar que se satisfaça com quem desejar.
– Está dizendo que fica comigo e ainda aceita que eu transe com outro?
Seiko sorriu e Hiroaki percebeu que ela falava sério.
– Assim como achou o senhor Griffon, creio que pode achar outro amante eventual. Sou uma mulher adepta do poliamor.
Havia um tom de verdade na voz dela e Hiroaki franziu o cenho, ainda mais confuso com aquilo tudo.
– Você é maluca. Sabe disso?
Mais um sorriso brincou nos lábios da jovem.
– E quem mais seria tão apropriada a lidar com um homem tão peculiar quanto o meu senhor?
Hiroaki soltou uma sonora gargalhada.
– Espero que saiba onde está se metendo. Não quero saber de chororô depois! Eu avisei...
Seiko estendeu a mão delicada na direção dele.
– Venha, meu senhor... Quero aproveitar cada momento ao seu lado. Assim, quando dividi-lo com outro, estarei saciada... – disse ela provocante.
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– Madona mia, jamais cansarei de ver esta cena, você é molto bello, Afrodite.
Arrancado de sua meditação na banheira pela profunda voz de Ângelo, o loiro viu que ele estava parado à porta, encostado no batente e com duas taças de vinho tinto na mão. Parecia a personificação de todas as fantasias eróticas que já tinha tido: barbeado, cabelos revoltos e negros, camisa polo de manga longa para fora da calça jeans. Ele poderia participar de uma sessão de fotos de modelos viris sem que ninguém questionasse...
– Não quer me acompanhar? – perguntou Afrodite.
Ângelo sorriu, os olhos azuis se tornando ainda mais escuros pelo desejo explícito em todas as partes do corpo. Ele entrou no banheiro e estendeu uma taça para Afrodite.
– Hummm... tinto seco, mas frutuoso...Exatamente como eu gosto. – disse o loiro após sorver um gole da bebida.
O executivo sentou-se no segundo degrau da banheira de hidromassagem e tocou na face bela.
– Fico feliz em acertar o seu gosto, amore mio...
– Eu gosto mais de outra coisa... tire essa roupa e venha cá. – disse o loiro com um olhar sugestivo.
Com fogo nos olhos, Ângelo obedeceu, revelando o corpo forte e viril. Sorridente, Afrodite se inclinou para frente, permitindo que ele ficasse atrás de si. Quando Ângelo o puxou em direção ao corpo másculo, o loiro sentiu algo sólido e potente contra as costas. Virando-se para o amante, Afrodite sorriu ainda mais e moveu o corpo sugestivamente...
– Parece que alguém trouxe um brinquedo para a banheira... – disse ele.
O executivo conhecido como Máscara da Morte sorriu, totalmente relaxado e feliz. Pensou na reação do loiro quando visse a surpresa que tinha planejado. Enquanto ele repassava o plano, Afrodite deslizava os dedos pelo abdômen firme e agarrava o brinquedo com as mãos.
Sinuoso, ele roçou, explorou e acariciou até o limite, quando o executivo o pegou pelo punho e o trouxe para junto do peito.
– É o suficiente... – murmurou deixando escapar um gemido.
– Como?
– Se continuarmos assim, nos atrasaremos para o jantar.
Afrodite o beijou pouco acima do umbigo.
– E o que é que tem? Hades vai açoitá-lo se atrasar alguns minutos?
Um sorriso irresistível escancarou os lábios do executivo.
– Sabe que entre nós nunca são, apenas alguns minutos...
– O que tem esse jantar de tão especial?
– Você saberá quando estivermos lá.
– Estou ficando curioso e sempre que isso acontece eu fico... nervoso.
– Ah, é? E o que eu posso fazer a respeito?
– Me acalmar, ora!
– Vou buscar um calmante, então. – provocou o executivo.
Fazendo um bico com os lábios bem feitos, Afrodite se levantou e tentou descer os degraus o mais graciosamente possível na superfície escorregadia.
– Vou me vestir!
Sabendo que aquela era mais uma tática do amante para convencê-lo. Ângelo saiu da banheira e, sem avisar, agarrou-lhe os braços sem permitir que ele se enrolasse na toalha.
– Está me fazendo molhar tudo! – reclamou Afrodite mantendo o teatro do mau humor.
– Gosto de você molhado... – disse Ângelo fitando-o com aqueles olhos escurecidos pelo desejo.
Antes que o loiro dissesse alguma coisa, Ângelo pegou-o no colo e levou-o para o quarto, fazendo-o soltar uma risada. Ele o colocou suavemente no meio da cama e deitou-se sobre ele. A musculatura quente provocando-o... Segurou suas mãos e o beijou, devorando os lábios avermelhados e traçando círculos molhados com a língua no pescoço alvo.
Afrodite se contorcia, erguendo os quadris, as pernas se entrelaçando nas de Ângelo. A sensação de sua boca na dele exigia mais... No entanto, em vez de rapidez, Ângelo baixou a cabeça e lambeu cada mamilo provocativamente, arrancando ofegos do loiro que prendia as coxas do executivo entre as suas, apertando-as quase em desespero.
Ângelo parecia não ter pressa, apesar do que tinha dito. Desafiadoramente, ele beijou-lhe os lábios, depois o ventre, para em seguida voltar aos mamilos e sugá-los com ardor. Afrodite doía por dentro em espasmos de prazer ao sentir a língua e os dentes de Ângelo em sua pele. Quanto mais avidamente ele sugava, mais fortes se tornavam as contrações em seu íntimo.
Depois, o executivo desceu a mão até a virilha, passando por seus pelos encaracolados até tocar seu falo, sentindo a pulsação febril e ouvindo os gemidos do amante.
Afrodite sentiu seu corpo tremer junto ao dele, assim como a fome de tê-lo dentro de si.
– Chega... – sussurrou ele, enquanto sentia Ângelo deslizar o dedo para dentro e fora do seu corpo. – Não preciso de preliminares. Preciso de você dentro de mim... agora.
Um ofego prazeroso escapou de seus lábios quando o executivo o penetrou. O sexo do italiano era quente e gostoso dentro de si... Recebê-lo por inteiro era como, finalmente, acertar todas as faces de um cubo mágico, o encaixe perfeito, o ajuste não só do corpo, mas das emoções intensas que permeavam ambas as personalidades.
– Belíssimo...
Enquanto falava, Ângelo começava a se mover dentro de Afrodite. Longas e lentas investidas. Não era somente sexo. Era uma dança cega, íntima e silenciosa. Cada nervo estava alerta, cada sentido evocava prazeres cada vez mais enlouquecedores.
Afrodite se entregava apertando as coxas, deslizando as mãos pelas nádegas firmes do executivo... Gemia baixo, a cabeça movendo-se de um lado a outro em êxtase e súplicas mudas.
Ângelo também gemia, levando seus lábios de encontro à pele alva. Cada investida era mais profunda e rápida, repleta de ânsia e desejo até ambos começarem a estremecer, a respiração alterada e rascante....
Desesperado, Afrodite arqueou o corpo contra o dele, contorcendo os músculos, os lábios entreabertos deixando escapar gemidos cada vez mais altos... Ângelo o beijou, enquanto o loiro se sentia estilhaçar, o orgasmo varrendo cada parte do seu corpo.
O executivo também gozou, o suor brotando na pele, o clímax fazendo-o grunhir e mover os quadris como se fosse fundir-se ao corpo do amante... Era uma tempestade de paixão e descobrimento e, ao mesmo tempo, a confirmação que eram um do outro.
– Está mais calmo? – perguntou ele, tirando uma mecha de cabelo molhada dos olhos do loiro.
– Sim... – respondeu Afrodite com os olhos fechados e se aconchegando no peito viril.
Ângelo sorriu.
– Acho que vamos ter que tomar outro banho e, desta vez, vai ser uma chuveirada rápida.
– Você primeiro... – murmurou o loiro.
– Ei... não feche os olhos, bello. Venha, vamos ou você vai dormir.
– Não vou não...
Ângelo acariciou a face ruborizada com o polegar e sorriu.
– Já está cochilando...
– Não estou não... – choramingou Afrodite.
– Se fechar os olhos vou ter que te levar no colo para o chuveiro.
O loiro abriu os olhos, vagarosamente, e sorriu. O ato fez o executivo sorrir de volta e um beijo amoroso foi trocado de forma lenta e profunda.
– Eu te amo... – disse Afrodite dentro do beijo.
– Mio amore... – completou Ângelo e tomou-lhe os lábios, mais uma vez.
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A escuridão era quase absoluta, não fosse a iluminação especial que cobria o carro sempre que um boneco gigantesco e, extremamente fiel, aos personagens de filmes de terror se lançava sobre eles.
Gritos e risadas se faziam ouvir no Túnel do terror e muitas delas vinha dos dois irmãos que, finalmente, cumpriam o desejo de ir ao parque de diversões juntos.
Shun sorria e Ikki também. Pareciam ter voltado no tempo quando ainda eram crianças despreocupadas e felizes. Aproveitaram a tarde de clima ameno para compartilhar da alegria do reencontro, mas agora, Shun sentia que devia livrar-se do peso que carregava dentro do peito. Ikki precisava saber de toda a verdade antes que ela se revelasse através de outra pessoa.
– Ikki...
– O que foi Shun? Está com fome?
– Fome? Nós comemos quatro temakis gigantescos, bebemos seis refrigerantes e ainda devoramos aquelas pipocas carameladas. Não estou com fome, eu quero... contar uma coisa.
– Está bem, vamos sentar em algum lugar.
Shun assentiu, porém no caminho, Ikki precisou ir ao banheiro e ele ficou esperando do lado de fora. O parque estava cheio de visitantes, principalmente crianças animadas que desfilavam com seus balões coloridos. A cena atraiu a atenção do jovem que não percebeu a presença do homem maduro, até que ele falasse:
– Andrômeda!
A voz rouca e grave fez com que Shun estremecesse. Ele olhou para o homem, reconhecendo um antigo cliente, um japonês de 52 anos que apreciava certas práticas sexuais do BDSM.
– Ainda sinto o gosto da deliciosa chuva dourada que veio de você... – disse o japonês sob o olhar aflito de Shun.
– Por favor, estamos em público e eu não exerço mais a profissão. – disse o jovem tentando se afastar do homem.
– Espere! Se está mesmo fora do prostíbulo eu posso bancá-lo. – insistiu o homem.
– Não! Por favor, esqueça que me conheceu!
– Ei, o que está acontecendo aqui? – a voz grave de Ikki se fez presente, fazendo com que os dois se voltassem para ele.
– Ikki...
– Ah, entendi... – falou o homem com um sorriso malicioso.
– Entendeu o quê, otário? – disse o médico empurrando o japonês.
– Ikki! Não! – gritou Shun.
– Ei! Não precisa me agredir, pode ficar com o putinho todo prá você, meu amigo!
Ikki não soube o que o irritou mais, se tinha sido a frase depreciativa do homem ou o olhar de deboche que ele lançou aos dois. Sua reação foi um soco bem no meio da cara do sujeito e um início de confusão que atraiu olhares curiosos.
–Eu vou te ensinar boas maneiras seu idiota! – gritava o médico, enquanto era impedido por Shun de bater mais no japonês.
– Você é louco! – repetia o homem.
– Vamos embora, Ikki! Depressa! – disse Shun puxando o irmão pelo braço.
O médico obedeceu, até estarem bem longe do local.
– Agora me diga, quem é aquele homem? Você o conhece ou ele é só um estranho filho da puta que mexe com os outros em locais públicos?
– Ele... Ele é um homem que eu conheci.
– Conheceu como?
– Ikki, era isso que eu queria contar. Nesses anos todos, eu... eu sobrevivi fazendo certas coisas. Coisas das quais eu não tenho orgulho, mas também não quero ficar escondendo isso de você.
Um estranho silêncio pairou no ar. O médico olhou para Shun juntando todas as partes daquele quebra-cabeça.
– Você se prostituiu, é isso?
Os olhos de Shun se encheram de lágrimas. Ele concordou com a cabeça, sem palavras.
Ikki desviou o olhar, tentando readquirir o controle. O desgosto estampado em seu rosto doeu dentro de Shun.
– Eu sinto muito. – disse o jovem com os olhos ardendo e focando em algum ponto além do irmão para conter as lágrimas.
– Ah, Shun... Isso só reforça a culpa que eu sinto por não ter estado ao seu lado. Você não tem que se desculpar. Venha cá! – falou Ikki abraçando o irmão.
O clima pesado pareceu se dissipar. O médico fitou o irmão nos olhos, dizendo palavras de conforto e Shun não sabia o que dizer. O olhar de Ikki era compreensivo, intenso, confortador.
– E esse tal de Aiolia, ele... Bem, que intenções ele tem com você?
– Ele quer assumir um compromisso e eu também. Eu o amo muito. Muito mesmo.
– Eu espero que ele o ame mesmo. Agora você não está mais sozinho por sua própria conta e risco. Você tem um irmão mais velho disposto a tudo para protegê-lo.
– Eu agradeço, irmão. Mas, a única coisa que eu preciso é do seu amor.
Um forte abraço uniu os dois. O peso de todos aqueles anos começando a experimentar a cura que só o amor poderia dar.
Ainda quando estavam conversando, o celular de Shun tocou.
– Oi, Aiolia... – disse ele, ainda com a voz embargada.
– Shun? O que foi? Você está chorando? – perguntou o leonino já preocupado.
– Estou, mas é de alegria... Não se preocupe, agora está tudo bem mesmo. Mas, o que foi?
– Acha que seu irmão aceitaria um convite para jantar conosco, esta noite?
– Jantar? Acho que sim. – falou Shun olhando para Ikki e gesticulando.
– Então está combinado. Diga para o seu irmão nos encontrar no Aronia Takasawa às dezenove horas. – disse Aiolia.
Shun desligou, sentindo uma aceleração nos batimentos cardíacos. Parecia que tudo estava se encaixando para que as dores do passado ficassem, definitivamente, para trás.
– Vamos uma última vez na montanha russa? – indagou Shun.
Ikki sorriu.
– Pensei que não ia pedir.
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Hades chegou à Tóquio no final da tarde. Resolvera todos os negócios pendentes de forma que sobrasse tempo para pegar a encomenda na joalheria. Poderia ter recebido em seu escritório, mas preferiu fazê-lo pessoalmente.
O conteúdo da pequena caixa de couro era o trabalho de um dos joalheiros mais famosos de Tóquio, o designer Yohii Yamamoto. O anel em ouro branco com detalhes pequenos e trabalhados possuía uma fenda delicada na vertical que dividia a peça em dois, assemelhando-se a uma aliança.
No momento em que tinha colocado os olhos nele, pensara em Minos. O objeto era único, assim como o amor da sua vida...
Em seu apartamento, Minos vestia uma camisa de seda escura que combinava com a calça social de corte reto. Os cabelos, ao contrário do que fazia sempre, estavam soltos e tinham crescido bastante, ultrapassando os ombros e caindo como se fosse uma cascata ao longo das costas. Ele olhou-se no espelho do quarto, achando-se bem vestido e feliz por ter uma boa notícia para dar ao namorado. Hades tinha ligado, dizendo que um carro iria pegá-lo às 18h00min para jantarem juntos.
Halldora não tinha chegado ainda e o fato deixou Minos preocupado. A vida deles era diferente, agora. Estavam sempre a par da localização um do outro e mantinham uma convivência, realmente, familiar.
– Você vai demorar? – perguntou Minos quando seu celular tocou revelando ser a tia.
– Vou fazer hora extra hoje, estou atolada de trabalho. Depois nos falamos. – respondeu ela, desligando.
Sem desconfiar de nada, Minos tratou de descer, pois o carro enviado por Hades já o estava esperando.
Exatamente às 19h 00min, Minos entrou no elegante restaurante Aronia Takasawa e foi encaminhado pela recepcionista à mesa reservada pelo executivo. O ambiente era iluminado com jogos de luz que infundia um clima do cerimonial tradicional japonês. Uma mesa enorme estava em uma sala reservada, minimamente decorada com lamparinas e algumas flores.
Qual não foi a sua surpresa em ver que a ampla mesa estava composta pelos seus amigos, acompanhantes e Halldora que sorria ao lado de um japonês de meia-idade parecendo muito feliz em tê-la ao seu lado.
Hades olhou-o com um brilho nos olhos.
– E então, qual foi o resultado? – perguntou o executivo levantando-se para recebê-lo.
– Eu passei. – respondeu o jovem franzindo o cenho. – Mas, você parece já saber disso.
– Sim, eu sabia que conseguiria. Abstive-me de conferir o resultado, porque tinha certeza do seu sucesso. – disse Hades com um sorriso.
O jovem sorriu e todos na mesa receberam taças, enquanto dois garçons os foram servindo. Quando todos estavam com as taças cheias, um brinde foi feito.
– Aos novos tempos! – disse Hades e todos repetiram a frase como se fosse um mantra de boa sorte.
Logo em seguida, Aiolia, Ângelo e Hades retiraram uma pequena caixa do bolso de seus paletós, deixando Shun, Afrodite e Minos um tanto surpresos.
Foi Hades quem iniciou a fala:
– Esta noite, além de comemoramos o sucesso de Minos, soubemos que Shun e Afrodite também estão encaminhados para ingressar na universidade. Em alguns dias teremos os resultados e eu já acredito que serão satisfatórios. No entanto, esta noite, eu e meus amigos gostaríamos de tornar público o nosso relacionamento com esses jovens especiais.
– Minos, Halldora, eu quero que saibam que meus sentimentos são profundos e minhas intenções são sérias. Não sou homem de palavras e sim de ação. Este anel simboliza isso. – disse Hades abrindo a pequena caixa e revelando o anel.
Halldora sorriu, emocionada e Minos não sabia o que dizer. Ele olhou para Hades e a expressão firme, porém amorosa no rosto do executivo fez seu coração disparar. Quando o anel foi colocado em seu dedo, ele sorriu um pouco trêmulo, mas logo se jogou nos braços de Hades, beijando-o com paixão. Em seguida, se afastou se dando conta que estavam em um lugar público.
– Desculpe, mas eu não pude resistir. – disse Minos olhando para um Hades um tanto surpreso.
Hades sorriu e balançou a cabeça.
– Impulsivo como sempre... Mas, eu gosto disso.
Seguindo Hades, Ângelo colocou o anel no dedo de Afrodite, beijando a mão bem feita e limpando com o polegar a lágrima de felicidade que rolou pelo rosto delicado.
– Amore mio... Ti amo molto! – disse o italiano beijando de leve os lábios rosados do loiro.
Afrodite fez o mesmo que Minos, puxou o amante para perto e beijou-o com sofreguidão.
Já Aiolia olhou para Ikki antes de colocar o anel no dedo de Shun.
– Eu peço a sua confiança para me comprometer com seu irmão. Shun é tudo para mim e eu desejo tê-lo ao meu lado agora e sempre. – falou o leonino.
– Você a terá, desde que saiba muito bem o que está fazendo. Meu irmão já sofreu muito, mas agora ele tem a mim e eu farei de tudo para que ele tenha uma vida plena. – disse Ikki um tanto brusco, mas depois sorrindo ao ver a felicidade estampada no rosto de Shun.
Shun olhou para os dois e depois sorriu ao sentir o anel sendo enfiando em seu dedo anular. Quando fitou os olhos verdes de Aiolia, seu coração se encheu de alegria ao ver que ele falava a verdade.
– Eu te amo... – disse ele baixinho.
– Eu também te amo... – falou Aiolia erguendo o rosto delicado para beijá-lo.
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A chuva caía inclemente sobre Tóquio. No quarto amplo, gemidos e ofegos se misturavam ao som dos relâmpagos, exatamente como acontecera quando os dois se conheceram...
Hades moveu-se de encontro ao corpo de Minos, abrindo-lhe os joelhos e se posicionando no meio.O jovem sorriu e ofegou ao senti-lo. O executivo já estava rígido, a ereção pulsante causando arrepios...
Passando a língua em círculo sobre a pele alva, Hades fez Minos contrair-se debaixo dele e abrir mais as pernas, os quadris projetando-se ao encontro dos seus, o olhar selvagemente excitado.
O jovem o queria mais que qualquer coisa, apertava suas coxas e cravava os dedos nas nádegas firmes...
– Hades...
Seu gemido foi interrompido quando o executivo o adentrou, preenchendo-o, atendendo a ânsia desesperada.
– Meu... você é meu. Agora e sempre. – vociferou Hades penetrando-o totalmente e levando os lábios aos dele para colher do ofego prazeroso e quente que escapava da boca do amante.
Minos se agarrou a ele à medida que Hades começou a estocá-lo. Cada investida tocava-o no âmago, arrancando gemidos mais longos e altos. Ficou de olhos fechados, abraçando-o com as coxas grossas, recebendo-o mais fundo, aumentando o prazer que sempre sentia quando se entregava ao amante.
A fricção dos dois corpos os levava ao limite, as bocas se exploravam quentes, libidinosas como se aquele beijo fosse o último. Lambiam-se com sofreguidão, embriagados pelo gosto da pele um do outro, enlouquecidos pelo desejo que os guiava por caminhos tão vorazes, quanto prazerosos.
Hades segurava Minos pela nuca, ofegando, grudando seus lábios nos dele e olhando dentro dos olhos violáceos que se mostravam profundos e nublados de desejo.
Os olhares se encontraram quando o clímax os invadiu. O corpo de Minos se retraiu, seus músculos prenderam o falo de Hades dentro de si. Ele gritou de prazer quando o orgasmo varreu-o com sucessivas ondas e ele se sentiu explodir no tórax forte. Logo em seguida, Hades explodiu também, num último e profundo movimento, que o fez grunhir alto e estremecer.
O executivo ainda estava agarrado a Minos, o coração disparado, a pele molhada e ruborizada, quando o jovem sorriu e lambeu seus lábios ofegantes.
– Nosso primeiro orgasmo depois que estamos compromissados... – murmurou Minos olhando para o anel em seu dedo.
– O primeiro de muitos. – falou Hades apoiando-se nos cotovelos para olhar o amante.
– Posso perguntar uma coisa...? – disse Minos tocando os lábios de Hades com o dedo indicador.
– Claro.
– Agora que somos namorados... Você... deixa eu te comer um dia?
Silêncio...
– Tem medo que eu não saiba fazer direito?
Silêncio...
– Eu não fui passivo quando transei pela primeira vez, sabia?
– Pois, eu nunca fui passivo. – falou Hades, rompendo o silêncio.
– Nunca?
– Nunca.
– Eu posso ser mais jovem, mas tenho mais experiência, pelo visto. Sei como é a sensação vivenciada dos dois lados.
Passada a surpresa, Hades olhou para seu jovem amante. Somente Minos tinha a capacidade de afrontá-lo e, mesmo assim, deixá-lo curioso para saber até onde ia aquela coragem e ousadia.
– Talvez eu deixe que me coma quando for maior de idade. – disse o executivo, por fim.
– Mas... faltam três anos! – choramingou Minos.
– Pois é... Mas, por enquanto, é essa oferta que eu posso fazer.
Minos franziu o cenho, mas assim que sentiu os lábios de Hades nos seus, novamente, deixou-se levar. O executivo ficou segurando os seus quadris, enquanto as costas de Minos se aprofundavam no colchão e ele correspondia aquele beijo profundo com tanto gosto.
Entendeu a oferta que Hades fizera, o executivo era dominador e mesmo que não exercesse aquele tipo de sexo com ele, seria muito difícil, simplesmente ceder assim, sem reservas. Talvez um dia pudesse experimentar como seria estar no outro lado e devolver ao amante todo o prazer que sentia em seus braços.
– Eu te amo... Por isso, vou esperar. – disse o jovem, assim que as bocas se afastaram.
– Eu também te amo, Minos.
A língua do executivo desceu pelo queixo, onde deu uma pausa, chupando sua curvatura e depois foi a jugular, mordiscando e lambendo, continuando a descer, aspirando o ar e soltando, marcando a pele do jovem amante...
Vendo que ele ofegava, correu o ataque até o mamilo, chupando e o prendendo com o dente até senti-lo endurecer e ficar avermelhado, enquanto a mão livre descia até o membro que já se encontrava desperto, fechando os dedos na extensão tão conhecida e começando a movê-lo para frente e para trás...
Sentiu a carne do falo mover-se, enrijecendo, sentindo prazer só de imaginar-se, mais uma vez, no interior quente...
– Está vendo...? Nossos corpos se reconhecem assim... Eu dentro de você e você se abrindo para mim... Vê como está excitado? – falou o executivo com a voz rouca.
– Você joga sujo... – gemeu Minos.
– Não... Eu jogo limpo e dou aquilo que o seu corpo deseja. Se não for verdade, diga-me e eu paro agora.
Antes que Minos responda, Hades desliza até a virilha do jovem e sua língua hábil começa a traçar círculos molhados que brincam com as coxas antes de chegar ao falo pulsante e colocá-lo na boca.
O jovem elevou os quadris ao sentir a pegada firme aliada à boca quente. Seu corpo reagiu de imediato. E então, o executivo parou os movimentos...
– Por que... parou? – choramingou Minos.
– Ainda acha que estou jogando sujo? – questionou Hades.
Ofegante e com uma expressão furiosa, Minos levou as mãos à nuca de Hades e o puxou de encontro a si.
– Me come de uma vez ou eu vou processá-lo por abusar de um menor! – disse e, em seguida, beijou-o com fúria, arrancando sangue dos lábios desenhados do executivo.
O executivo sorriu e penetrou-o de um só golpe, atingindo-o de imediato em seu centro de prazer e já movendo o corpo com força. Minos gritou e sentiu a respiração descompassada, assim como as estocadas profundas que mal tinham começado e, de novo, já o estavam enlouquecendo naquele curto espaço de tempo.
Todo o tempo, Hades o mantinha cativo do olhar e dos movimentos profundos e selvagens de seus quadris. Em poucos minutos, as estocadas viscerais e o ritmo frenético levaram ambos ao orgasmo avassalador que os sacudiu pela segunda vez como se estivem convulsos.
O gozo quente de Hades preencheu Minos, assim como o sêmen do jovem banhou, novamente o corpo do executivo. Os dois arfaram ruidosamente e, finalmente, se entregaram ao torpor que o clímax intenso proporcionava.
– Você joga sujo sim... – falou Minos, enquanto seus olhos se fechavam.
Hades tocou o rosto afogueado.
– Você é muito implicante, sabia?
Cansado de tantas novidades e emoções, Minos não respondeu. Apenas, aconchegou-se no corpo de Hades e se permitiu usufruir da segurança que o executivo oferecia com seu amor.
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Protegendo os olhos claros do glorioso sol tropical, Hilda observou o pequeno grupo de pessoas que chegava a sua pousada. O calor era muito diferente do que estava acostumada a enfrentar, porém a deixava mais solta e excitada. Até mesmo Aldebaran dissera que ela estava mais fogosa que o habitual.
A pequena pousada que comprara em Porto de Galinhas já era procurada por bastante gente, inclusive por estrangeiros que vinham conhecer as paisagens e deliciosas praias do Brasil.
Recebera duas reservas de estrangeiros, naquela semana. Uma delas era de um francês chamado Camus d'Alembert cuja informação era apenas que ele era um pesquisador da vida marinha. Porém o outro era um conhecidíssimo campeão de MotoCross, o grego chamado Milo Stephanopoulos e, a simples presença de uma personalidade assim chamava a atenção para o seu negócio incipiente.
A julgar pelas fotos dos jornais, o tal Milo era um homem atraente, tinha um sorriso lindo, sem mencionar os cabelos longos e loiros.
– Ai, ai... — suspirou Hilda, enquanto esperava seus hóspedes.
Aldebaran surgiu por trás dela, abraçando-a e depositando um beijo no pescoço alvo.
– E então, está pronta? – perguntou ele.
– Mais do que pronta! Confesso que estou ansiosa. Essa é a nossa terceira leva de reservas e temos um homem famoso entre eles.
– Quem?
– Um tal Milo Stephanopoulos, corredor de motovelocidade. Sabe algo sobre ele?
– Humm... não sei nada. Sabe que gosto de outro tipo de esporte. Se perguntar sobre futebol, posso ter mais informações. Aliás, receberemos visitas de alguns jogadores da seleção brasileira, depois da Copa. – disse Aldebaran.
Quando os hóspedes começaram a chegar, Hilda fixou o olhar nos dois estrangeiros que vinham ao seu encontro em meio aos demais. Ambos tinham, no mínimo, 1,84 m de altura e um corpo que poderia ser considerado de um deus.
O loiro trajava um jeans desbotado e uma confortável camisa bege aberta no peito, enquanto o ruivo, que vinha logo atrás, usava uma calça jeans escura e uma camisa azul marinho fechada até o pescoço. Sob o seu olhar clínico, Hilda pensava que podiam ser chamados de melhores espécimes de beleza masculina.
– Sejam bem-vindos! – disse Hilda fazendo, pessoalmente o registro de cada um e lhes dando a chave dos apartamentos.
O grego sorriu e estendeu a mão, enrolando um obrigado em português, enquanto o ruivo a cumprimentou educado e formal, também em português perfeito.
Hilda olhou-os, pensando se ainda mantivesse o negócio anterior e aqueles dois exemplares estivessem prontos a oferecer prazer e alegria aos clientes. Eu ficaria milionária...
Foi Aldebaran que interrompeu seus pensamentos.
– No que está pensando?
– N-Nada! Apenas um pensamento passageiro... – disse ela com aquele sorriso que mais parecia um tique nervoso.
Aldebaran olhou para os lados se certificando que não havia ninguém olhando.
– Eu sei bem quais pensamentos passageiros a senhora se refere... – disse tomando-a pela cintura.
Hilda arregalou os olhos, fitando os olhos negros e cintilantes de Aldebaran.
– Virou adivinho? – perguntou ela, sentindo um arrepio com aquelas mãos enormes tocando seu corpo e deslizando até o início das nádegas.
– Não preciso ser adivinho... Eu conheço você. Certamente, já estava avaliando a mercadoria, digo, nossos hóspedes.
Os olhos claros se arregalaram ainda mais.
– Como pode saber que era exatamente isso que eu estava pensando?
– Já disse, eu a conheço. Como se diz no sul do Brasil,“cachorro que come ovelha, só matando” – respondeu o brasileiro rindo.
– Credo, Aldebaran! Eu só pensei que, bonitos como são, eles dariam belos profissionais do prazer. Não mereço ser morta por isso!
– Isso é apenas um ditado. Venha, vou te mostrar uma coisa lá no quarto... – disse ele.
Hilda sorriu ante ao olhar quente e malicioso de Aldebaran. O brasileiro tinha razão. Apesar da nova vida, sempre que vislumbrava um belo corpo, ela se lembrava do passado e também dos seus garotos e garotas do Dark Sex. Como será que eles estão agora?
No entanto, cercada de toda aquela beleza natural, ela também descobrira que o trabalho honesto era uma fonte de prazer e se revelara muito mais interessante que os negócios do passado...
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Hades acordou, sem lembrar quando adormecera. Foi como se tivesse acordado de um sonho sem lembrar o que sonhara, mas com a sensação de que era algo importante. Minos continuava aninhado no seu ombro e ele alegrou-se por conseguir admirá-lo assim. Seu amante era determinado, sensual, corajoso... Seu.
Sorriu ao vê-lo segurar a mão com o anel que tinha lhe dado, o símbolo do compromisso que assumira e da sua mudança interna. Já não cultivava mais a insensibilidade habitual, nem usava o cinismo como couraça. Era um novo homem, um homem com sentimentos profundos que haviam sido despertados por Minos.
Desvencilhou-se, devagar, para não acordá-lo e saiu da cama para beber um copo d’água.
A madrugada, na cidade de Tóquio, era permeada pelas luzes e neons. Ali em sua cobertura, observava a tudo, a sensação de comando acentuada pela visão do conjunto abaixo de si.
Voltou para o quarto com o copo na mão quando Minos se revirou.
– Hades?
Ele sorriu.
– Estou aqui.
– Ah, tá... senti sua falta.
O executivo largou o copo e juntou-se a Minos, abraçando-o e sentindo-o relaxar, novamente. Dormir com o amante era uma experiência nova e o deixava feliz como nunca havia sido. Fechou os olhos, quando ouviu o celular tocar. Fez menção de desligá-lo, mas algo lhe disse para atender.
– Alô? – disse o executivo reconhecendo o número da irmã.
– Sou eu. Desculpe a hora, mas é urgente. Estamos voltando, Radamanthys e eu.
A voz da irmã estava alterada.
Há três semanas, Pandora tinha viajado com Radamanthys para Washington a fim de conhecer outros projetos direcionados aos menores que sofrem abusos e desde lá, ainda não tinham se falado pessoalmente, apenas por telefone quando lhe contou que assumiria um compromisso com Minos.
– Por quê? Aconteceu alguma coisa?
– Ela não para de me ligar. Disse que ligou para você e foi destratada. Ela quer que eu o convença a recebê-la e me quer junto quando isso acontecer.
– Eu não vou receber aquela mulher, Pandora.
– Aquela mulher é nossa mãe, Hades.
– Eu não tenho mãe.
– Hades...
– Pandora, esse assunto está encerrado.
– Hades, ela não vai descansar até ter uma reunião de família conosco. Ela diz ser importante.
– Reunião de família? Ora, não me faça rir! Essa mulher permitiu e incentivou que abusassem dos filhos. Para mim, ela morreu no dia em que me pôs para fora de casa com a intenção de continuar abusando de você. Se quer perdoá-la, não posso interferir, mas não me peça para recebê-la.
– Ela disse... disse que tem uma revelação muito importante a fazer e que chegará a Tóquio amanhã.
Um suspiro exasperado saiu da boca de Hades.
– Eu já disse e torno a repetir, não vou receber essa mulher e ponto final!
A conversa findou com Hades desligando o celular. O executivo deitou na cama e Minos abriu os olhos. Ele afagou sua face como se tocasse algo frágil, precioso.
– Algum problema?
– Nenhum... – mentiu Hades.
O jovem olhou-o bem dentro dos olhos, mesmo estando na penumbra.
– Às vezes eu sinto que você luta contra alguma coisa muito dolorida. Eu posso ser jovem, mas sei o que é sentir-se impotente em face de certas coisas. Eu gostaria que confiasse em mim, afinal, nós temos um compromisso.
Por um longo instante, Hades permaneceu imóvel, os olhos fixos em Minos.
– Minha família... existe tanta sujeira nela que nunca mencionei nada para ninguém. Minha irmã, Pandora, sofreu abuso sexual de nossos pais. Tanto minha mãe, quanto meu pai, os dois agiram como crápulas e eu não consegui lutar contra isso, embora tenha tentado. Minha única saída foi deixar tudo para trás... Eu fugi de tudo isso e reconstruí minha vida, ignorando todo e qualquer laço. Agora, que meu pai morreu, minha mãe quer uma reunião de família comigo e com Pandora.
– Laços familiares, por pior que sejam sempre acabam exigindo atenção. Não vê eu e Halldora? Eu jamais pensei que ela fosse se emendar e olha a relação que temos hoje.
– Eu não posso perdoar o que eles fizeram, Minos.
– Eu também achava que não poderia perdoar e hoje, eu compreendo certas coisas. Talvez seja o momento de você enfrentar isso e resolver de vez.
Hades não respondeu, apenas segurou Minos pela cintura, depois no dorso para firmá-lo no lugar. O jovem sentiu o poder da virilidade do executivo antes mesmo que seus corpos se completassem.
– Você é muito maduro para a sua idade... – disse Hades fitando-o, intensamente.
Ele se deitou sobre Minos, apoiando um braço de cada lado, erguendo-se apenas o necessário. Com os joelhos, afastou as coxas do jovem que levantou as pernas e o enlaçou pelos quadris, na intenção de abrir-se o máximo possível.
Por alguns instantes, Minos sentiu a respiração e o olhar aflito do amante. Era como se algo dentro de si tivesse se ampliado e ele agora percebia tudo em alta definição: o coração, os músculos, o suor de seus corpos...
– Apesar de tudo – sussurrou Hades. – Você é a melhor coisa que já me aconteceu.
Minos sorriu e enlaçou a nuca de Hades, sentindo os fios negros se entrelaçar aos seus dedos.
– Você também... – murmurou Minos antes de tomar a boca do executivo na sua.
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Lutando contra o nervosismo, Pandora passou os olhos sobre o monitor no terminal sete do aeroporto Haneda procurando os horários de chegada do voo 174 de Nova York. Cada vez que olhava as palavras piscantes dizendo No desembarque seu coração batia mais forte que o normal.
Pelo amor de Deus, controle-se! Dizia para si mesma, enquanto sentia a mão firme de Radamanthys na sua.
– Está suando... – disse ele levando a mão delicada aos lábios.
– Estou nervosa. Hades se recusa a recebê-la, mas eu sei que ela não vai desistir.
– Bem, mais cedo ou mais tarde ele terá de enfrentar esta situação.
– Nesse ponto, ele é tão teimoso quanto ela.
Os olhos violáceos de Pandora cerraram-se ao reconhecer a mulher alta e elegante caminhando altiva pelo corredor. Nem mesmo o tempo em que permanecera na clínica psiquiátrica tinha esmaecido o magnetismo que ela exalava. Ao contrário dos demais passageiros que estavam com uma aparência cansada, ela parecia não ter viajado por horas. Carregava uma pequena mala de mão e outra com rodinhas.
– Olá, mamãe. – disse ela, tentando sorrir.
– Olá, Pandora. Já sei que seu irmão se recusa a me ver, mas... sei que você dará um jeito, não é? E quem é esse homem elegante, ao seu lado?
– Me chamo Radamanthys. – disse o executivo estendendo a mão.
– Ora, ora, mas que homem bonito... E, pelo olhar, vejo que é um dom. Me chamo Dione.
– Mamãe! Por favor...
A mulher riu de forma afetada.
– Está bem. Vamos sair deste aeroporto e ir direto para a casa de Hades.
– Não acho uma boa ideia. Eu já reservei um hotel para você. – falou Pandora.
– Hotel? Mas nem pensar! Leve-me até a casa de Hades, agora.
Pandora inspirou bruscamente, estava tão chocada que se esqueceu de respirar. Não era mais a menina submissa, mas não sabia como reagir aos comandos da mãe. Radamanthys notou-lhe a expressão aterrorizada.
– Dione, em visto da viagem longa, creio ser melhor hospedar-se, primeiro e depois entrar em contato com Hades. Eu me comprometo a falar com ele, então, por favor, aceite a reserva que Pandora fez no melhor hotel de Tóquio. Deve estar cansada. – disse o executivo tendo o cuidado de imprimir um tom de comando na voz ao dizer-lhe o nome e a sugestão.
– Hummm... gostei de você, meu caro Radamanthys. Farei o que diz. Afinal, há bastante tempo para reunir a família! – disse ela com um olhar sugestivo.
Pandora inspirou o ar, sentindo a mão forte de Radamanthys em seu ombro. Por alguns segundos, ela vislumbrou as consequências da presença de sua mãe na sua vida e na de Hades e, mesmo nunca tendo feito uma prece, ela sentiu uma vontade assustadora de rezar...
FIM da primeira temporada...
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