NIKUTAI NO YOUKUBÔ (desejos da carne)

2 Capítulo 2 TURBULÊNCIAS...


Notas iniciais
♥ Feliz Ano Novo, amadas todas!!!!! Para dar sorte, resolvi postar este cap no primeiro dia de 2014. Dizem que a gente deve entrar o ano fazendo o que mais gosta, não é mesmo? Então, aí está, espero que gostem!!! Bjs e amo♥ vocês!!!XD

No caminho para o Kabukicho Hades, enfrentou uma chuva torrencial que caia inclemente sobre as ruas. De repente, era como se o céu estivesse desabando e sendo um parceiro cúmplice do seu estado emocional.

Precisou parar alguns minutos, pois não conseguia enxergar muita coisa, porém estava próximo do Dark Sex e aquela sensação frustrante acentuou-se quando sua mente reviveu a situação bizarra em que se envolvera. No entanto, aquela parada o fez retomar o centramento. O que estava fazendo?

Minos atendera o último cliente da noite e deixava o Dark Sex pela porta de serviço lateral. A chuva estava forte, mas ele não estava disposto a esperar que passasse. Levaria umas duas horas até chegar ao bairro Roppongi onde morava e já estava muito tempo fora de casa, tempo suficiente para que começassem a mexer em suas coisas e isso era inaceitável.

Olhou para a rua e bufou. Fodido e mal pago, esta noite foi uma merda mesmo! Pensou, enquanto abria os braços e lançava a cabeça para trás, deixando que a chuva tocasse seu rosto e ensopasse seu corpo esguio.

Do outro lado da rua, Hades viu a cena e sentiu o corpo enrijecer, não mais pela ira, mas por um súbito e incontrolável desejo. Seus olhos percorreram o corpo do jovem, minuciosamente. As calças jeans aderiam aos quadris estreitos e desciam por pernas rijas e torneadas. O torso era moldado por uma simples camiseta branca que estava grudada ao corpo molhado pela chuva, enquanto ele permanecia de olhos fechados. O rosto, emoldurado pelos cabelos exóticos exibia um ar rebelde que parecia ser parte de sua personalidade.

Visto assim, ele parecia ser um exemplar de um belo modelo masculino, não um prostituto. E a ironia era que já o vira quase nu, porém vê-lo vestido, daquele jeito, disparava um gatilho erótico dentro de si.

A intenção de confrontar o jovem foi substituída por um forte instinto predador. De repente, desejava saber mais sobre ele, antes de encontrá-lo, novamente. Sentindo uma pulsação forte na virilha, pegou o celular e ligou para um dos poucos amigos que possuía.

— Aiacos, preciso de um favor. Quero que faça algo para mim.

Alheio ao que se passava, Minos continuou a sua jornada, chutando poças d’água até chegar a um ponto de táxi como era a sua rotina. O velho Tadaka sorriu.

— Para o mesmo lugar de sempre, meu jovem?

— Sim e perdoe-me por molhar o banco. – respondeu Minos.

— Você tem carta branca comigo, jovem Griffon. – disse o velho, ainda sorrindo.

Minos respirou fundo e então fechou os olhos, deitando no banco traseiro. Estava cansado e ainda com aquela história atravessada na garganta. Quem era aquele pervertido filho da puta? Se bem que o homem era um monumento que exalava sexo por todos os cantos daquele corpo perfeito! Merda, só de me lembrar, fico excitado!

Enquanto o jovem divagava, Tadaka dirigia calmamente, como sempre fazia e de vez em quando olhava pelo espelho, cuidando as reações daquele que amava como a um filho.

Cinco meses atrás, Tadaka estivera em maus lençóis, sua casa pegara fogo e sua mulher ficara doente. Os únicos filhos que tivera haviam morrido em um dos terremotos que a cidade sofrera e ele só podia contar consigo mesmo. Estava arrasado e só tinha o táxi que era seu ganha-pão.

Um jovem bonito chegara ao ponto de táxi e lhe perguntara quanto ele cobrava para levá-lo ao Roppongi. No caminho, acabaram conversando sobre as dificuldades da vida e aquele jovem o escutara com tanta atenção que o comoveu. Não era próprio da juventude ter essa atitude, pelo menos não um gaijin. Qual não foi a sua surpresa que, quando chegou ao seu destino, o jovem estendeu-lhe um maço de dinheiro.

— Tome, não é muito, mas poderá levar sua esposa ao médico.

O ato fez com que Tadaka voltasse a acreditar no ser humano e constatar que havia laços maiores que o de sangue ou nacionalidade.

Arigatô... – dissera ele com lágrimas nos olhos.

O jovem Griffon sorriu e naquele dia, uma grande amizade surgiu entre os dois. Ele desconfiara da profissão do jovem, mas não tinha o direito de julgá-lo. Havia homens que se diziam quase santos e, no entanto, nenhum deles lhe estendera a mão.

— Chegamos, meu jovem! – falou Tadaka, duas horas depois.

Minos bocejou e se espreguiçou. Olhou para a fachada do pequeno prédio em que morava. O Roppongi era um bairro de contrastes, o velho e o novo disputavam espaço em meio ao burburinho das casas noturnas, pubs, bares e prédios ocupados por estrangeiros.

Suspirou, novamente, e se despediu de Tadaka. Era hora de enfrentar a “família”, uma tia alcoólatra e seu amante japonês imprestável. Vamos lá, Minos. Hora do show! Disse para si mesmo, enquanto apertava o botão do elevador.

O apartamento estava envolto em uma névoa de fumaça de cigarro e a TV estava ligada, como sempre. O homem estava deitado no sofá e roncava. Latas de cerveja jaziam espalhadas ao chão e a janela aberta havia deixado entrar água da chuva, molhando o carpete já cheio de manchas.

Minos rumou direto para o seu quarto minúsculo, encontrando um homem deitado na sua cama. Franziu o cenho e puxou as cobertas de cima do sujeito.

— O que está fazendo no meu quarto?

O homem abriu os olhos, sonolento.

— Sua tia me deixou ficar aqui, enquanto você estivesse fora.

— Pois estou de volta! Vaza!

— Que mau humor! – disse o homem.

— Mas que merda! O que essa vaca tem na cabeça?!- gritou Minos.

— Quem você está chamando de vaca, seu desnaturado!— gritou uma mulher com os cabelos desgrenhados e uma camisola transparente que deixava ver todo o seu corpo decadente.

— Por que faz isso? Sou eu quem sustenta esse... esse lixo! Não quero ninguém no meu quarto quando eu estiver fora! Entendeu? – gritou Minos.

— Ele é seu “primo” e não tinha onde passar a noite. Você passa dias fora de casa e eu nunca sei quando vai voltar. – justificou, ela.

— Eu não tenho primo nenhum! Se quiser transformar isso aqui num albergue leve esse inútil para o seu quarto!

— Ei! Mas que gritaria é essa? Ninguém pode dormir em paz nessa porra!— gritou o japonês, da sala.

Minos levou a mão aos cabelos e empurrou a tia para fora do seu quarto. Bateu a porta com força e se atirou na cama do mesmo jeito que estava. Fechou os olhos sentindo muita raiva e cansaço. E então, tudo escureceu, foi abraçado pelo sono como se estivesse nos braços carinhosos de um amante.

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Em sua cobertura, Hades olhava, atentamente, para a tela do tablet onde as informações que Aiacos lhe enviara eram absorvidas. Incrível como nada ou ninguém escapava de uma boa varredura digital...

Dark Sex, prostíbulo do Kabukicho desde 1999 famoso por oferecer garotos e garotas de programa estrangeiros. Administrado por Hilda de Polaris, todos os profissionais da casa possuem seguro de vida, plano de saúde e um bônus a cada final de ano por produtividade. Listagem dos profissionais da casa: Shun Amamiya, codinome Andrômeda, Afrodite Hansson, codinome Rose, Minos Solberg de Griffon, codinome Griffon, Akira Yamamoto, codinome Speed Racer, Louise Nikos, codinome Grega safada...

A lista era grande e Hades clicou sobre o nome de Minos.

Griffon, admitido em janeiro de 2012. Qualidade principal: gosta do que faz, tem um corpo saudável e belíssimo é inteligente e possui casa própria.

Ao ler todas aquelas informações contidas numa espécie de diário escrito pela cafetina, Hades fixou-se no gosta do que faz e sorriu. Seria um belo desafio baixar a crista daquele homem e ainda ter um imenso prazer sexual ao subjugá-lo...

Deslizou o dedo pela tela e encerrou sua pesquisa. Olhou para as janelas e viu o céu encoberto, a chuva ainda caindo. Não satisfizera sua libido no prostíbulo e, além disso, revivera uma sensação desagradável que achara estar sepultada dentro de si.

Foi até o bar e serviu-se de uma dose de uísque, enquanto apreciava a escuridão. Não costumava dormir muitas horas, apenas quatro por noite e logo estava inserido na rotina de praticar Kendô, tomar o desjejum, verificar os negócios da Fundação e atualizar os investimentos na Bolsa de Valores.

Entretanto, neste exato momento, estava insone, outro efeito colateral de sua incursão pelo Dark Sex. Olhou para o celular abandonado sobre a mesinha de vidro. Bastava ligar para um lugar determinado e teria o que fora negado ao seu corpo... Fechou os olhos e, quando os abriu, já tomara a sua decisão: nada de sexo, até conseguir o que, realmente, desejava...

O sono veio duas horas antes que tivesse de acordar. Esparramado na cama, Hades sonhou...

Gemidos baixos preenchiam o ar, assim como outros sons que não sabia definir. Havia uma densidade asfixiante que não o deixava respirar, mas mesmo assim ele insistiu. Saiu do seu quarto cheio de brinquedos caros, em plena escuridão. Pé ante pé, cruzou o longo e escuro corredor, indo de encontro aos sons que o deixavam sobressaltado, mas também com um formigamento esquisito no corpo.

“Assim... Assim... abra as pernas, sua cadelinha selvagem! Isso, isso...”

A voz também era baixa e dizia coisas feias, coisas que valeriam um castigo bem pesado se fosse ele, a falar aquilo. O medo era forte, mas a curiosidade, também. Olhou para os próprios pés e, sem que esperasse, uma mão segurou seu braço.

“O que está fazendo aqui?”

Seu coração disparou de modo que podia ouvi-lo nos ouvidos...

O som do celular acordou-o e Hades não se lembrava do sonho, propriamente. A sensação desconfortável de dormir menos que o necessário sobrepujou as imagens que, há muito tempo, não retornavam ao seu consciente.

Deixara seu país de origem para sepultar a infância e a adolescência permeada por turbulências familiares. Viera de uma família de classe média, cujos pais construíram uma imagem bem-sucedida de pequenos empresários que chegaram ao ápice, com seu trabalho duro e sistemático. Essa era a única herança que buscara conservar, o trabalho.

Nada lhe chegara às mãos pela sorte, como muitas pessoas gostavam de pensar. Sorte era uma palavra que não constava em sua vida e, se fosse o tipo de homem com tendência à autopiedade, diria que ela se assemelhava ao amor um sentimento que excluíra da sua vida pessoal e que levara muitos a acusá-lo de ser um cínico sem coração.

— Sim, June? O que aconteceu? – perguntou apertando o canto interno dos olhos.

Ao obter a resposta, Hades franziu o cenho e suspirou fundo, antes de responder.

— Sim, ela é minha irmã.

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Com olhos curiosos, Pandora olhava ao redor e sorria ao ver que seu irmão era o todo-poderoso do lugar. Fazia muito tempo que não o via, vinte anos, para ser mais específica. E agora, encontrava-o sendo responsável por uma fundação daquele porte.

A Fundação Saori Kido era uma referência internacional em termos de serviço social e recuperação de espaços que sofriam agressões em seu ecossistema.

— Gostaria de um café? Um suco? – perguntou June, atenciosa.

— Não tem algo mais forte? – devolveu Pandora.

June sorriu, falsamente, antes de responder.

— Posso providenciar. Saquê?

Pandora riu.

— Uísque com gelo, por favor.

Porém, antes que June se encaminhasse para a sua missão, Hades adentrou a recepção. Pandora sentiu-lhe a presença e virou-se, os cabelos negros e longos fizeram um movimento lento, enquanto seus olhos encontravam os do irmão mais velho.

Ela sentiu-se tragada para uma realidade desconhecida, onde o irmão adolescente cedera ao homem com olhos glacialmente azuis, uma boca rija e arrogante e um porte imperioso. Engoliu em seco ao sentir que ele também a observava com atenção, embora houvesse um toque de frieza que a desconcertava.

— E então... Está feliz em me ver? – disse ela tentando esconder o tremor na voz.

— Como vai, Pandora? – falou Hades sem demonstrar nenhuma emoção.

— Vinte anos sem nos vermos e é assim que age? – devolveu ela, tentando sorrir.

Hades respirou fundo.

— Por que não avisou que vinha?

— Não achei que tinha de agendar uma visita com meu próprio irmão.

— Venha, vamos ao meu escritório. Senhorita June, providencie um café, por favor.

Da extremidade oposta da sala, June olhou para Pandora que não fez nenhuma menção ao pedido anterior e então foi buscar o café.

Na sala ampla, Hades voltou-se para Pandora, olhando-a, enquanto ela se dirigia à janela e olhava a vista.

— O que a traz aqui?

— Esperava que dissesse: Uau, irmãzinha, você cresceu! Mas vejo que continua o grosseirão de sempre!

— Não seja dramática. O que a trouxe aqui?

— Papai faleceu. Já faz um tempo, mas só agora resolvi te procurar.

A expressão de Hades não mudou.

— Podia ter me telefonado.

O rosto de Pandora crispou-se.

— Como pode ser tão... tão duro? Nosso pai morreu e... agora somos só você e eu.

Seu pai morreu e não me venha com essa conversa sobre família. Por mim que ele arda no inferno! Menos um crápula no mundo.

— Hades... Por favor... – sussurrou Pandora abraçando-o.

Hades fechou os olhos com força, buscando o autocontrole que lhe era característico. Devagar, deixou que suas mãos tocassem os ombros pequenos da irmã e então a abraçou. Deixou que chorasse, até que uma batida na porta os interrompeu.

— Trouxe o café. – disse June.

— Obrigado. – falou Hades.

Pandora afastou-se, limpando as lágrimas com as costas da mão.

— Posso ficar uns dias com você? – perguntou ela, aceitando a xícara fumegante que Hades lhe estendera.

A ideia não lhe agradou, mas Hades não conseguiu negar-lhe o pedido quando fitou aqueles olhos violáceos. Ela tinha razão, só tinham um ao outro. E mesmo que fosse um bastardo sem coração, como muitas vezes ela o acusara, o pouco que ainda sentia, devia a ela...

— Pode. – respondeu ele, lacônico.

Um sorriso distendeu os lábios finos de Pandora, enquanto uma sombra descia pelo semblante de Hades.

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A noite desceu sobre Tóquio destacando as luzes coloridas sob o negror do céu. O movimento incessante do dia transformava-se em burburinho festivo, principalmente em Roppongi onde os bares noturnos ficavam abarrotados de turistas.

Da janela do seu quarto, Minos observava o movimento, enquanto bebia uma lata de cerveja.

— Não vai sair hoje? – perguntou sua tia.

— Não. – respondeu Minos sem sequer virar a cabeça.

— O que houve, tá perdendo o jeito? – insistiu ela acendendo um cigarro.

Minos voltou-se para encará-la.

— Se eu fosse você nem brincaria com uma coisa dessas... Inútil e burra como é, você não iria sobreviver se eu perdesse o jeito. – disse o jovem.

A mulher empertigou-se e tragou para, em seguida, soltar a fumaça em espirais ondulantes.

— Você é igualzinho a sua mãe, sempre se achando acima dos outros. Cuidado, garoto, a queda pode ser feia quando se der conta que você é tão comum quanto os pobres mortais que despreza.

— Quanto aos outros, eu não sei. Mas, melhor que você e os amantes parasitas que arranja, ah, isso eu sou. E agora se me dá licença, mudei de ideia, vou sair! – disse Minos deixando a tia sozinha e pegando a jaqueta que deixara no encosto da cadeira.

A rua onde morava estava tomada de lanternas acesas e a mistura entre tradição e contemporaneidade se fazia presente nas mulheres usando kimonos floridos em tons fortes, assim como as Lolitas góticas em seus vestidos negros saídos diretamente de algum mangá ou anime. Uma delas olhou-o de cima a baixo e sorriu, cochichando algo ao ouvido da amiga. Minos sorriu de volta e, em seguida, seu celular tocou.

— Hã? Minha suspensão foi... suspensa? – falou o jovem revirando os olhos.

— Sim, venha logo! – a resposta foi dada em tom baixo.

Do outro lado da linha, Hilda olhava para o salão onde Hiroaki bebia com seus amigos. O yakuza exigira a presença de Minos e ela não ousava desagradá-lo. Embora estivesse no século vinte e um, a máfia ainda era um poder a ser temido. E, apesar do seu pequeno problema, Hiroaki era um dos melhores clientes e estar sob as graças dele era como ter uma apólice de seguro contra engraçadinhos ou maus pagadores.

— Ele já está vindo. – disse ela sorridente. – Enquanto ele não chega, por favor, beba mais um saquê por conta da casa.

Hiroaki sorriu e bebeu saquê no gargalo da garrafa. Nem bem ela gesticulara, outro cliente chegou e ela ficou de boca aberta, quando o reconheceu. Era ele, o homem com qual Minos tivera um desentendimento.

Tendo tempo para fazê-lo, esquadrinhou aquela perfeição de homem. Ele vestia um terno de linho marrom-claro e seu corpo possuía a altura e os músculos ideais. Seus ombros eram largos, sem exagero, e a forma como andava o fazia parecer um dos imperadores antigos. O detalhe da máscara era um plus que adicionava sensualidade e mistério.

No entanto, por experiência própria, Hilda sabia que homens assim sempre escondiam algo perigoso e ele não parecia ser uma exceção. A prova era que tinha voltado e isso a deixou de sobreaviso. Porém, ela também era uma mulher intuitiva e sua intuição dizia que tudo ficaria sob controle se Minos fizesse a sua parte.

Hades decidira ir ao Dark Sex com a intenção de encerrar de vez o assunto que lhe tomava a atenção. A visita surpresa de Pandora o deixara ainda mais tenso e necessitava extravazar. Ele a levara para a sua casa e após, jantarem juntos, ele a mandara descansar. Exausta, ela obedecera e, enquanto dormia, ele se permitia estar ali.

Olhou em volta, havia o grupo barulhento dos jovens tatuados que ele logo identificou como sendo da Yakuza. Sentou-se e pediu uma bebida, quando Hilda veio ao seu encontro.

— Boa noite, senhor. Não imagina a honra que me dá em voltar ao meu estabelecimento. Confesso que temi não vê-lo mais por conta daquele pequeno incidente.

— Sou um homem sem apegos ao passado, minha cara. Espero refazer minha impressão sobre este lugar, já que possui profissionais que me interessam.

— Fico muito feliz de tratar com alguém do seu nível. Como prova disso, tudo o que desejar, esta noite, será por conta da casa. Peça o que quiser e será atendido.

— Desejo a companhia de Griffon. – disse Hades num tom calmo.

— Griffon? Oh, sinto muito, mas ele já foi solicitado.

— Ah, é? Bem, então sua dívida comigo continua em aberto. – disse Hades fazendo menção de levantar-se.

— Hã... Bem, senhor, se não se importar, creio que Griffon estará disponível logo depois de atender o senhor Hiroaki. Eles não costumam demorar muito.

Hades sorriu, irônico.

— Não me conhece, senhora. Posso não ser um homem dado a rancores, mas decididamente, não serei a segunda opção. Bem, creio que nosso... relacionamento acaba aqui. Obrigado pela oferta. – disse Hades deixando uma nota de cem dólares pela bebida.

Hilda olhou o dinheiro e sua mente calculou o quanto aquele homem devia possuir e como seria rentável ter alguém como ele em sua lista de clientes.

— Espere, pegue seu dinheiro de volta. Eu sou uma mulher de palavra e a bebida é por conta da casa. Verei o que fazer quanto ao Griffon. Por favor, dê-me alguns minutos. – disse com um tom, fingidamente, ofendido.

Hades olhou-a com desconfiança, mas voltou a sentar-se. Sabia que não era o tipo de cliente a ser dispensado, nem mesmo por um mafioso. A ambição alheia sempre lhe abrira muitas portas, ali não seria diferente.

Ditas as palavras, Hilda foi imaginando o que fazer num impasse daqueles. Não queria desagradar um yakuza, mas também não queria perder um cliente do porte daquele homem. Foi até o vestiário e chamou Afrodite.

— Minos já chegou? – perguntou ela.

— Acabou de chegar.

— Bem, o negócio é o seguinte, quero que façam um pequeno show, esta noite. Você e Griffon.

— Um show?

— Sim, um show. Quero que vocês dois dancem para a plateia. Façam um número bem sensual, daqueles que deixem os clientes com a respiração alterada e as ereções em ponto de bala. Vou chamar Hideo para colocar o som e providenciar os efeitos. Rápido, vão se preparar!

Afrodite franziu o cenho, mas obedeceu. Foi até Minos e expôs a ideia que tivera.

— Por que ela inventou isso? – questionou Minos.

— Não sei, mas você sabe que ela não dá ponto sem nó. Vamos fazer aquela dança das marionetes!— falou Afrodite rindo.

Minos sorriu. Afrodite adorava ficar inventando danças e performances. Era da sua natureza seduzir como se fosse um personagem mágico dos contos de fada. Criava climas, roupas, tudo dentro de uma estética sensual e envolvente. Ele seria um excelente cenógrafo se tivesse a chance. Pensou Griffon.

O loiro olhou para o corpo do amigo, enquanto ele vestia a calça justa de couro preta que marcava as suas coxas e acentuava a bunda roliça. No torso nu, Minos transpassou duas tiras de couro em xis que eram presas às calças conferindo-lhe um ar dominante. Prendeu os cabelos num rabo de cavalo despojado, onde mechas de cabelo lhe caiam próximos aos olhos delineados à moda egípcia.

Com uma expressão de aprovação, Afrodite colocou uma coleira dourada, um corset de couro preto e um tapa- sexo, também de couro, que deixava as nádegas perfeitas e alvas expostas. Sorrindo malicioso, ele aproximou-se de Minos e lambeu-lhe os lábios de forma provocante.

— Vamos lá deixar esses caras de pau duro!— disse o loiro, rindo.

Minos deixou escapar uma gargalhada, enquanto dava uma palmada na bunda de Afrodite.

No grande salão, ao receber o okay do encarregado dos efeitos de luz e som, Hilda respirou fundo e falou ao microfone:

— Senhores! Em vista de estarmos recebendo clientes tão ilustres, o Dark Sex lhes oferece um espetáculo com os maravilhosos e sensuais, Griffon e Rose!

Houve um murmúrio entre os japoneses e um estreitar de olhos de Hades. O ambiente foi sendo inundado com fumaça de gelo seco e a música oriental começou lenta, permeada de acordes suaves que iam aumentando num crescendo...

Em meio à atmosfera esfumaçada, fachos de luzes avermelhadas revelavam uma silhueta que surgia do extremo do salão como se fosse uma visão fantástica e voluptuosa dos mitos do teatro kabuki.

Minos caminhava despojado, pés descalços... cada passo calculado para evidenciar o corpo perfeito e segregar erotismo dos fios de cabelo às pontas dos dedos dos pés...

Ele manteve o porte altivo até chegar ao centro do salão, que desembocava em um palco redondo e onde jazia Afrodite de joelhos em uma posição de devoção.

Quando Minos se aproximou dele, pétalas de rosa branca caíram do teto, contrastando com a luz vermelha e criando um efeito quase psicodélico de delicadeza e força.

Minos abriu os braços, como se tivesse segurando pequenos fios. Suas mãos moviam-se com graciosidade e, ao mesmo tempo o tornavam uma espécie de titereiro divino que movia o corpo sensualmente e de modo viril...

Afrodite movia-se como se estivesse sendo controlado, as ondulações de seu corpo, ao contrário de Minos, eram submissas e lânguidas.

Quando o olhar de Minos encontrou o de Afrodite, ambos pareceram conectados por um erotismo intenso e íntimo que fez a plateia vibrar em silêncio. O mestre e seu escravo em uma deliciosa coreografia de domínio e submissão.

Minos começou a puxar Afrodite em direção ao seu corpo e um murmúrio excitado escapou das bocas... E quando os lábios carnudos de Afrodite roçaram nos genitais de seu mestre, que estavam marcados pela roupa, o público delirou e entrou em uma catarse sensual que os levou a vivenciar o poder de Minos sobre todos, ali.

As mãos de Afrodite deslizaram nas laterais das coxas de Minos e ele puxou-o pelos cabelos, trazendo-o para junto da boca, roçando os lábios nos dele, sentindo o hálito quente, para em seguida empurrá-lo de volta aos seus pés.

A dança continuou até Afrodite deitar-se aos pés de Minos e ondular os quadris de forma convidativa. Então Minos moveu os dedos, como se soltasse os fios invisíveis e Afrodite ficou imóvel, os olhos abertos como se voltasse a ser um boneco sem vida... O mestre então se voltou para a plateia e abriu os braços como se acolhesse a todos e os olhares famintos percorreram cada parte de seu corpo esguio...

Hades sentiu seu apetite sexual rosnar como uma fera, tocado pela cena erótica. Já assistira a shows diversos, assim como representações de sexo explícito feitas para excitar. No entanto, Griffon tinha algo diferente em tudo o que fazia, era uma sensualidade natural, inerente não só ao corpo, mas presente na personalidade que pedia para ser dominada, mas não se deixava dominar. Era um antagonismo delicioso que o excitava de tal forma que seu corpo respondia com ferocidade.

Hiroaki olhou para as calças molhadas e tentou disfarçar o gozo. Não conseguira controlar-se ao ver Griffon dançar daquele jeito. Merda! Pensou, enquanto Hilda cuidava, atentamente, todas as reações.

Com um sorriso malicioso, ela enviou uma das garotas até a mesa do yakuza e sugeriu que ele desfrutasse de um banho de ofurô por conta da casa, enquanto misturava uma pequena quantidade de calmante à dose de saquê enviada a ele, para acompanhar. Ele relaxaria o tempo suficiente para que o homem misterioso pudesse ter Minos e assim render-lhe um promissor cliente. Tramou ela com um sorriso maquiavélico nos lábios.

A dança terminou sob aplausos entusiastas da plateia. Minos viu Hiroaki deixando o salão e franziu o cenho. Logo, seus olhos recaíram sobre a mesa onde Hades estava. Ele sustentou o olhar incisivo e sentiu as entranhas se moverem quando Hades bateu palmas e ficou de pé.

Então, Minos olhou na direção de Hilda que controlava a movimentação dos garçons e dos prostitutos que eram conduzidos pelos clientes. Ela fitou-o bem séria e moveu os lábios devagar para que ele pudesse entendê-la:

Satisfaça-o!

Notas finais
♥ AGRADECIMENTOS ESPECIAIS: Shyna, Sion Neblina, Ritsu, Angelique, Vanessa braga da Silva, Khaleesi, Dite Mask e quem mais chegar, assim como os silenciosos e quem comenta comigo pelo face, né Minos de Griffon? Enfim, eu sou grata a todos dentro da possibilidade de cada um!!! Bjs e feliz 2014. Próximo capítulo: Hades e Minos, frente à frente.... e as consequências deste...enfrentamento.