NIKUTAI NO YOUKUBÔ (desejos da carne)
19 Capítulo 19 FINS E RECOMEÇOS...
Notas iniciais

Seiko andou com a cabeça erguida pelos corredores. Estava vestida com um terninho cinza escuro e sapatos de salto alto. Os cabelos estavam envoltos por uma echarpe de seda azul escuro, ocultando a peruca platinada que usava. A informação do quarto fora dada pela recepcionista e ela pedira à Shizue para se certificar que o acompanhante do paciente não estivesse. Desejava conhecer aquele homem às sós...
Bem, é esse! Disse para si mesma ao chegar à porta que estava entreaberta.
Espiou vendo o paciente tentando se levantar da cama. Então entrou rapidamente, deixando cair a echarpe dos cabelos.
– Já pode fazer isso? – perguntou ela.
Minos franziu o cenho, interrompendo sua ação e olhou aquela mulher estranha com cabelos semelhantes aos seus. Mas quem diabos é essa mulher? Pensou enquanto perguntava:
– Eu a conheço?
– Oh, perdoe-me! Eu me chamo Seiko e sou a noiva... quer dizer, eu era a noiva de Hiroaki, um cliente seu.
– Ah! E... em que posso ajudar você?
– Bem, eu sei que ele o procurava regularmente e sempre tive curiosidade de saber o que você tinha de especial para atraí-lo. Eu vi uma foto sua, mas tenho que admitir que você é muito mais bonito pessoalmente. – respondeu Seiko um tanto nervosa.
Minos olhou-a, demoradamente, antes de falar. Ela era do tipo mignon e bonita. Tinha todos os traços delicados, seios muito pequenos, mas havia algo no olhar dela que exalava um tipo de sagacidade e força que não combinava com o restante do conjunto.
– Obrigado. Enquanto estive no Dark Sex Hiroaki foi um cliente assíduo. Mas... Porque não vão mais se casar?
– Ele não será mais o oyabun, então meu pai desfez o contrato. Mas eu o amo. Não me importa o poder ou até mesmo saber que ele gosta de homens. Sei que posso satisfazê-lo. – disse Seiko sorrindo.
Por respeito aos sentimentos de Seiko, Minos não riu daquela afirmação quase ingênua. Essa era uma característica feminina que ele não compreendia, a crença que se podia mudar tudo por amor, principalmente um homem que não se satisfazia com as mulheres.
– Olhe, eu não quero desapontá-la, mas um gay será sempre um gay. Se você o ama, vai ter que aceitar isso e também que... Bem, ele tem outros problemas.
– Outros problemas?
– Sim, ele é... um tanto rápido no ato, se é que você me entende.
Seiko ficou séria, depois tomou uma mecha de cabelos nas mãos e, em seguida, aproximou-se de Minos.
– Você toparia me mostrar como é? Quer dizer, você faria sexo com Hiroaki prá eu ver?
Desta vez Minos não prendeu o riso.
– Ia ser engraçado, mas... eu não exerço mais a função de prostituto.
– Não? E por quê?
– Mudei de vida.
– Você também se apaixonou, não é? – perguntou ela, quase que afirmando.
– Sim.
– Pelo homem que permanece aqui, ao seu lado, guardando você como se fosse um tesouro muito precioso... Entendo. – disse ela com um sorriso tímido.
Minos nunca tinha pensado daquela forma e o modo como àquelas palavras foram ditas o tocou e surpreendeu, deixando-o mudo.
Assim que Seiko concluiu a frase, Hades retornou, estranhando a visita. Mesmo que Minos estivesse visivelmente melhor, o executivo não deixava de fiscalizar tudo e ver o desenrolar do tratamento. Com um olhar seco e direto, ele perguntou:
– Não vai me apresentar, Minos?
– Ah, essa é Seiko ... uma velha amiga. – respondeu Minos.
Hades estreitou os olhos e em seguida estendeu a mão.
– Muito prazer. Hades.
– O prazer é todo meu, senhor Hades. Bem, obrigada, mais uma vez por tudo, senhor Griffon. Não vou mais tomar o tempo dos senhores. – disse Seiko deixando o quarto.
– Ela o chamou de Griffon. – notou Hades.
– Ela é a ex-noiva do Hiroaki. Apresentei-a como amiga prá não ficar estranho.
– E o que ela veio fazer aqui?
– Me conhecer. Ela soube que ele era meu cliente. Parece que ele não vai mais ser o oyabun da família e o noivado foi desfeito. Mas, ela o ama, mesmo sabendo que ele é gay e deseja ficar com ele.
– Qual a finalidade de conhecê-lo se ela já sabe as preferências do sujeito?
– Curiosidade e também... queria saber o que fazer prá...Bem, ela quer satisfazê-lo na cama.
Hades revirou os olhos.
– Não me diga que ela propôs algo envolvendo você.
Minos franziu o cenho e tentou não sorrir.
– Vidente, agora?
– Não cheguei onde estou sendo ingênuo. Ela não teria todo esse trabalho só para olhar o seu belo rosto e ir embora.
– Acho que ela está desesperada.
– Desesperada não é o termo apropriado. – falou Hades com sarcasmo.
– Você está sendo cruel.
– Ser realista é muito diferente de ser cruel. É óbvio que esta união sempre esteve fadada ao fracasso.
– Ela ama o Hiroaki e quer tentar tudo. Qual é o problema?
– O problema é que qualquer ser humano normal sabe quando insistir e quando desistir.
– Você podia ter desistido de mim. Sendo bem realista, um homem como você e um homem como eu não tem nada em comum. Não vejo muita diferença do que acontece entre ela e Hiroaki.
Hades não respondeu de imediato e, quando ia responder, seu celular tocou. Ele atendeu, desconhecendo aquele número.
– Sim?
– Sou eu. Preciso falar com você.
Ele reconheceu a voz enrouquecida de imediato e seu semblante fechou. Fazia muito tempo que não ouvia aquela voz e, mesmo assim, ainda estremecia de rancor e repulsa.
Minos percebeu a mudança súbita, já conhecia Hades o suficiente para perceber as sutilezas em seu comportamento. Porém, uma enfermeira entrou no quarto no exato instante, impedindo-os de continuar a conversa.
– Estamos gostando de ver, senhor Minos! Já está mais corado. Logo terá alta. – disse ela, verificando a temperatura dele, a medicação e o soro.
Minos sorriu agradecendo e, ao mesmo tempo, cuidando as ações de Hades. O executivo deixou o quarto e permaneceu no corredor, aumentando a curiosidade do jovem.
Fora do quarto, Hades inspirou fundo.
– Eu não tenho nada para conversar com você.
– Ah, sim, você tem! Eu sou sua mãe.
– Eu não tenho mãe.
– Hades...
– Adeus.
O executivo desligou o celular. Pandora o havia alertado e ele ignorara. Não acreditava que a mãe, ao sair da clínica psiquiátrica, iria procurá-los. Não depois de tudo que os fizera passar na infância e adolescência. Estava tão acostumado a ignorá-la que ouvi-la, após tanto tempo, era como assistir um filme de terror cuja trama traduzia a sua origem. Seu pai havia morrido e ele ignorara o destino de sua mãe. Ela os tinha abandonado mesmo sendo presente. Suas ações doentias haviam causado tanto estrago que ele não se sentia nem um pouco a fim de retomar aquela relação.
– Aconteceu alguma coisa? – perguntou Minos, assim que ele retornou.
– Não, está tudo bem. Vou ter que cuidar de alguns negócios, mas voltarei à noite. Descanse e logo poderá voltar para casa. – respondeu Hades.
– Halldora esteve aqui, hoje cedo. Disse que vocês dois conversaram e que você ofereceu um emprego a ela. – falou Minos mudando de assunto.
– Sim, ela manifestou o desejo de mudar e um emprego é o primeiro passo.
– Ela nunca trabalhou.
– Eu sei, mas nunca é tarde para aprender. A Fundação pode oportunizar um estágio e, se der certo, ela será efetivada. Bem, agora tenho mesmo que ir.
Minos tomou a mão de Hades na sua e a beijou.
– Te amo, sabia? Não sei como agradecer tudo o que fez e continua fazendo por mim. Se houver algo que eu possa fazer... Sabe que pode contar comigo também, não sabe?
– Não se preocupe, pensarei em muitas formas para que possa expressar a sua gratidão... – disse Hades com um sorriso malicioso.
Minos também sorriu, embora ainda sentisse que havia algo estranho no ar. Hades olhou-o, intensamente, antes de deixar o quarto. Quando a porta se fechou, Minos fechou os olhos, mas, diferente das outras vezes, não conseguiu dormir pensando em tudo o que estava acontecendo ao seu redor...
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Lune observava Aiacos levantar-se da cama com aquele sorriso. Acompanhou com os olhos a ida dele em direção ao banheiro com passos longos e flexíveis. Ele tinha uma bunda bem feita... Pensou enquanto olhava-o com visível desejo nos olhos.
Era apenas uma transa, disse a si mesmo, mas já se sentia envolvido pelo hacker e isso o incomodava. Porque tinha de ser sempre assim? Com Johann havia buscado unir sexo com segurança, até descobrir que a relação tinha sido um grande erro. Com Hades, bastara uma sessão de sexo para se entregar como se ele fosse o senhor do seu corpo e da sua alma! Por que se entregava tão facilmente? Carência? Falta de amor próprio?
Imerso em perguntas, Lune puxou o lençol e lembrou cada detalhe da sua relação com Hades...
Ele havia ido a um clube BDSM chamado Fetiche com amigos. Tinha sido por curiosidade, pois não sabia muito bem do que se tratava. Ao chegar, todos foram recepcionados por uma bela mulher e informados do “tom” do lugar. Naquela noite, especificamente, haveria uma “cerimônia de encoleiramento” onde o Dominador tornaria público a sua relação de domínio com o Submisso ou Escravo em questão.
Lembrou-se ter achado aquilo um absurdo até conhecer o tal Dominador. Quando o viu surgir impecável com uma calça preta e justa, tórax desnudo e olhar penetrante, tudo mudou. O Dominador era chamado de Dom Hades e o seu Submisso, um belo jovem cujo nome não fez questão de guardar, o aguardava algemado e suspendo por uma forte corrente presa ao teto.
Entre os presentes à cerimônia, havia aqueles que vestiam roupas justas de couro exaltando partes do corpo como glúteos e seios. Outros ostentavam roupas sofisticadas. No entanto, o clima de excitação e erotismo parecia envolver a todos, enquanto Dom Hades caminhava, lentamente em direção ao seu escravo com um chicote de tiras em sua mão.
O jovem ofegava e movia o corpo como se estivesse em transe e, quando o Dom tocou-o possessivamente no rosto e nos lábios, ele gemeu. A partir dali, as carícias alternavam com breves chicotadas nas nádegas, deixando pequenas marcas avermelhadas que arrancavam gemidos de dor e prazer do submisso.
O erotismo do açoite se mesclava ao modo como Hades sussurrava junto ao ouvido do jovem e a visível ereção que se avolumava nos dois. A calça justa revelava a virilidade presa, enquanto o falo do submisso já pulsava e gotejava, implorando para ser possuído.
“Me quer dentro de você, cadela?” A voz rouca conseguia imprimir sensualidade à expressão que, vinda de outro, pareceria ultrajante.
“Sim, meu senhor! Por favor, me fode...”
Nunca sentira tanto tesão com palavras como sentia agora. Havia um clima de tensão voluptuosa e Lune sentiu que seu corpo reagia a tudo aquilo sem que pudesse controlar.
“Faça comigo!” Se ouviu gritar, atraindo a atenção de Dom Hades. Por alguns segundos, um leve murmúrio preencheu o ar e então... Hades fitou-o e um sorriso lento e perigoso distendeu os lábios desenhados.
“Você terá a sua vez, mas... não agora.”
A resposta o fez estremecer e então a ação desesperada desencadeou algo inusitado.
“Me faça seu! Eu imploro...” Gritou mais uma vez, agora jogando-se aos pés do Dom.
Hades não sorriu, apenas olhou-o agarrado aos seus pés e, em seguida, puxou-o com força pelos cabelos fazendo-o gritar de dor.
“Você está interrompendo uma cerimônia. É óbvio que não sabe o que isso significa e que está agindo por impulso. Se fosse minha cadela, eu o castigaria sem piedade. Então, mantenha-se em seu lugar.”
A voz dele se mesclou à dor e Lune ficou confuso e envergonhado porque, ao invés de ceder, a excitação aumentou. Hades o soltou e continuou o que fazia como se nada houvesse acontecido. As mãos dele alisavam as nádegas marcadas do submisso e depois as beijava, antes de estapeá-las e arrancar gemidos extasiados.
Realmente, naquela noite, nada acontecera entre ele e Hades. Mas o fascínio por aquele homem o levara, novamente ao clube. E então, ele experimentara a submissão e as marcas que Hades lhe impingira no corpo e, além dele.
“Eu o marquei por fora... Agora, vou marcá-lo por dentro.” Sussurrara ele, para em seguida penetrá-lo em pé, no mesmo lugar onde antes, o outro submisso ficara suspenso.
A cada estocada, seu corpo reagia ao de Hades com um tesão imensurável. Sentia-o dentro de si de forma dolorosa e ardente e, dali em diante, fez coisas que jamais pensou ser capaz.
A cada sessão de sexo, desejava mais e mais, apesar das humilhações que um submisso devia aceitar como se fosse o mais valioso presente.
Seus sentimentos confundiam-se com o fetiche e logo descobrira que para Hades, era somente sexo e dominação. Não havia sentimento, muito menos ternura. Não importava se transavam no clube ou fora dele, era apenas foder e não amar.
– Aconteceu alguma coisa?
A pergunta de Aiacos fez Lune piscar. O hacker havia voltado e permanecia gloriosamente nu.
– Nada...
– É claro que houve algo. Você está com uma expressão distante...
Lune atirou-se nos braços de Aiacos. Havia cometido tantos erros e agora sentia medo. Medo de estragar tudo! Medo de achar que podia ser diferente de tudo que havia vivido.
– Não vamos falar, vamos transar mais uma vez. – disse com a voz trêmula.
Aiacos sentiu o estremecer de Lune e algo dentro de si remexeu-se inquieto. Achava-o atraente, tinha gostado de ir para a cama com ele, mas não era somente isso. Ele encarou Lune fixamente por longos momentos, antes de curvar os dedos na nuca e atraí-lo para si.
– Nós não vamos transar...
– Por quê? Você não gostou? – disse Lune com os nervos à flor da pele, o corpo rígido.
Foi a vez de Aiacos apertá-lo, ainda mais em seus braços.
– Eu amei fazer amor com você. Não considero o que aconteceu aqui como apenas uma transa. Eu nunca fui de muito agito e... bem, você é o primeiro que eu trago para casa e sinto vontade de mantê-lo aqui prá sempre.
Ao ouvir aquilo, Lune sorriu e cobriu os lábios de Aiacos com os seus. O hacker sentiu o sangue entrar em ebulição e seu corpo cobriu o do modelo. Tremendo de desejo, Lune queria mais contato e acesso ao corpo de Aiacos. As palavras que ele dissera funcionando como um afrodisíaco...
Excitado e impaciente, o hacker não precisou de muito encorajamento. Deslizou entre as coxas delgadas e penetrou-o num único movimento. Lune ofegou em reconhecimento da invasão. Em meio ao prazer, reconhecia que, embora fosse experiente, estava sendo muito diferente com Aiacos. O prazer crescia como se ele não pudesse suportar e então o orgasmo explodia por todo o corpo, deixando-o fora do ar e em paz. E Aiacos... Ah, ele era três em um: bonito, gostoso e... um homem que valia a pena!
– Maravilhoso... – murmurou o hacker, beijando-o com paixão.
– Maravilhoso é você... – falou Lune entre o beijo, enquanto sentia seu corpo aquecido e seu coração pleno.
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Hiroaki entrava no pequeno hotel pensando no que fazer. Sentia-se um tanto perdido e só, mas a perspectiva de gerenciar a própria vida não era ruim. Enfiou a mão no bolso da jaqueta para pegar a chave quando achou o cartão que aquela garota esquisita lhe havia entregado: 1-24 Yotusuya Hotel, suíte master. Por favor, bata três vezes, antes de entrar.
Com o cenho franzido, leu e releu o cartão, depois o enfiou, novamente, no bolso e decidiu dar uma chance ao destino...
O lugar era um hotel luxuoso, próximo dali, dava para ir caminhando sem problemas. Olhou para a rua, o que teria a perder? Pensou, enquanto via as pessoas caminharem apressadas.
Na suíte do hotel, Seiko esperava-o nervosa. Tinha preparado tudo, mas temia que Hiroaki a rejeitasse. Ao ouvir as três batidas na porta, seu coração acelerou.
– Entre! – disse ela, tentando manter a voz firme e forte.
Hiroaki entrou, os pés quase afundando no carpete branco felpudo. Ele olhou para todos os lados, até focar na cama king size. A colcha era dourada e realçada pelos travesseiros de seda vermelha. No centro dela, estava Seiko, algemada à cabeceira e completamente nua. Partes do seu corpo eram cobertas pela imensa cabeleira platinada e, em seus olhos, lentes de contato mostravam um reflexo violáceo. Ela sorriu, apesar de sentir os lábios trêmulos.
– O que significa isso? – perguntou o japonês.
Seiko não respondeu de imediato. Lembrou que uma característica do tal Minos era o olhar penetrante e sem medo. Tentou reproduzi-lo, antes de falar com voz baixa e profunda.
– Significa que nada, nem ninguém, me privará de servi-lo e amá-lo, meu senhor...
Um tanto confuso, Hiroaki não sabia o que fazer.
– Eu não serei mais um oyabun...
– Eu sei, meu senhor... Mas, isso não importa para mim.
– Olha, eu gosto de foder com homem.
– Também sei disso, meu senhor.
Hiroaki continuou fitando-a, sentindo uma espécie de excitação e estranhamento com aquela cena. Sabia que suas incursões com as mulheres nunca tinham sido prazerosas, no entanto, Seiko tinha algo de diferente nas ações e no olhar.
– Por favor, chegue mais perto... – sussurrou ela.
O japonês obedeceu e ela virou de costas para ele, exibindo as nádegas claras.
– Serei quem o senhor desejar. Meu nome é aquele que seus lábios pronunciarem. E o meu prazer, será servi-lo de corpo e alma... Imagine o que lhe dá prazer e eu personificarei este desejo.
Os cabelos platinados, o corpo alvo, a cor dos olhos... Tudo lembrava Griffon.
Poderia fechar os olhos e imaginar tê-lo, mais uma vez?
Movido pelo instinto, Hiroaki resolveu não pensar. Estava carente, excitado e curioso sobre as próprias reações. Tirou as roupas com pressa e agarrou com força os quadris de Seiko. Os dedos cravaram-se na carne macia, tão diferente da rigidez muscular do quadril de um homem. No entanto, nada disso importava. Hiroaki puxou-a para si, deixando-a de joelhos e com a cabeça entre as mãos presas pelas algemas.
Seiko moveu-se sinuosa, uma dor doce se construindo em seu baixo-ventre, enquanto seus músculos internos ficavam tensos. Ela o queria, mas teria de ter coragem para ousar, mesmo que sua experiência fosse, apenas, na teoria. Pesquisara bastante sobre sexo anal e assistira depoimentos de várias mulheres. Muitas delas afirmavam que era prazeroso se feito da maneira certa.
Enquanto lembrava tudo que havia visto sobre o assunto, Hiroaki se posicionava para penetrá-la quando ela murmurou:
– Sou sua... pode me foder como se eu fosse...ele. Pode até me chamar de Griffon.
A fala inesperada fez Hiroaki estancar os movimentos. Ela sabia? Por isso usava aquela peruca e se oferecia daquele modo?
– Como você...
Seiko não o deixou concluir. Esfregou-se no pênis ereto e gritou:
– Me fode agora! Por favor, me faça sua meu senhor...
Por um breve segundo, Hiroaki foi surpreendido pelas palavras e atitudes de Seiko. Ela baixou a cabeça e arqueou a coluna, dando livre acesso ao seu corpo. O japonês obedeceu à ordem disfarçada em pedido e a penetrou. Choque, dor e excitação envolveram a ambos numa onda gigantesca.
Hiroaki sentiu a pressão em seu falo, mas, diferente das outras vezes, não gozou de imediato. Fechou os olhos sentindo o calor úmido do corpo de Seiko, enquanto ela deslizava os dedos entre suas pernas delgadas, buscando o seu prazer. Ofegante, ela alinhou o ritmo da masturbação com as investidas poderosas de Hiroaki, sentindo o domínio viril e encorajando-o com gritos e gemidos.
A tensão crescente que Hiroaki, de forma inédita, agora controlava acabou explodindo num orgasmo intenso. Ele gozou e ela o seguiu, instantes depois. Sentir o clímax do homem que amava era glorioso e recompensador.
– Céus... – murmurou o japonês, ofegante e suado.
Seiko sorriu, embora dolorida.
– Eu sabia que seria assim... Seu corpo, meu senhor, é uma promessa de infinitas delícias...
Hiroaki retirou as algemas e puxou-a para junto de si. Era estranho, mas aquele orgasmo fora diferente de todos que já tinha tido.
– Você já tinha feito isso?
– Não, meu senhor... É a minha primeira vez.
– Você deu para um homem fracassado, Seiko, eu ...
Corajosa, Seiko tomou-lhe os lábios antes que completasse a frase e Hiroaki perdeu-se na boca delicada, entrelaçando as mãos nos cabelos platinados de forma rude, fazendo-a gemer dentro do beijo.
Os dois ficaram um tempo se tocando, até Hiroaki sentir a ereção volumar-se, novamente. Ele desconhecia aquela sensação de poder que sentia agora, assim como o desejo que jamais sentira pelas mulheres e agora insurgia como se fosse uma enxurrada.
O pênis ereto provocou a abertura úmida, fazendo Seiko arfar e estremecer. Ele tentou penetrá-la, mas por um instante, o corpo delicado resistiu a invasão. Com um gemido estrangulado, Hiroaki posicionou-se de joelhos a fim de facilitar sua entrada e, finalmente, foi acolhido no interior de Seiko.
Ela gritou com o súbito prazer da penetração e ele soube o que era ser o primeiro de uma mulher. Agora era diferente, Seiko sentia seu coração acelerar e seu corpo todo arder de forma enlouquecida.
Hiroaki gostou de vê-la assim, mostrando que sentia prazer com ele. Sendo sua por puro desejo e não pela posição que ele poderia ocupar. Usou a boca para provocar-lhe os mamilos e sugou os seios com voracidade...
Ela arqueou o corpo, levando os braços acima da cabeça, tocando os travesseiros e buscando algo debaixo deles. Depois buscou a boca de Hiroaki de forma selvagem, mordendo-a e sugando-a até sair sangue e olhou-o e forma tão ardente ao ponto da mordida no lábio transformar-se em puro deleite...
Ousada, ela inverteu a posição o fez deitar-se de costas, ainda escondendo o que tinha em mãos. Curioso, Hiroaki estreitou os olhos escuros, fazendo-a se arrepiar.
Sentindo o corpo em chamas, ela sentou-se sobre os quadris dele, colocando, novamente a ereção pulsante dentro de si. Os dedos de aço seguraram as coxas de Seiko, enquanto ela movia o corpo devagar, deixando escapar gemidos curtos e extasiados.
Hiroaki olhava-a, excitado e quando ela, enfim mostrou o que tinha em mãos, ele cessou os movimentos.
– O quê?
Seiko traçou-lhe os lábios com a língua, enquanto sussurrava:
– Meu prazer é o seu prazer...
Ao terminar sua fala, ela começou a cavalgá-lo, enquanto passava o plug pelos lábios, língua e seios...
Devagarinho, ela curvou o corpo para trás e levou o artefato à entrada de Hiroaki. Sentiu-o tenso, então contraiu a musculatura da vagina, fazendo-o sentir um aperto prazeroso em seu membro. Quando ele ofegou e ergueu os quadris, ela introduziu o plug dentro dele e passou a cavalgá-lo com força.
Hiroaki sentiu o estímulo dentro de si e seu falo endureceu, ainda mais. Seiko o mordia no pescoço, em meio às estocadas cada vez mais rápidas, sentia-o estremecer a cada investida e gemer de um jeito primitivo que a deixou feliz.
Ele podia ter parado, recusado aquela invasão, mas a curiosidade venceu, assim como o desejo voraz que lhe fora despertado. Ele ondulou e elevou os quadris, no mesmo ritmo que Seiko imprimia ao elevar e descer o corpo sobre o seu membro, quase em desespero.
E então a deliciosa agonia se desfez e ele sentiu o orgasmo varrê-lo da realidade, mais uma vez. Seiko também gritou, arranhando o peito tatuado do amante, chegando ao clímax assim que sentiu o sêmen quente inundá-la.
Hiroaki não compreendia o que acontecera e nem queria pensar no assunto. Tivera os dois melhores orgasmos de toda a sua vida com uma mulher e este fato consistia em um mistério que custaria a desvendar.
Aninhou a jovem em seu peito e fechou os olhos. Seiko tocou-lhe o rosto e também adormeceu, saciada e feliz. Tudo saíra como ela planejara, agora só faltava convencê-lo a passar a vida inteira ao lado dela...
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Halldora sentiu-se desconfortável ao ter Hades em seu apartamento. Assim que saíra do hospital, ela mandara consertar a porta e fechadura, mas o restante continuava igual, mobília antiga e maltratada, manchas no carpete, espaços mal aproveitados.
– Bem, aqui vivemos, eu e Minos. Sei que parece tudo meio bagunçado, mas...
– Vou mandar um arquiteto e um engenheiro para fazer o planejamento das reformas necessárias. Vocês precisam de um espaço melhor.
– Senhor Hades... Eu faço questão de arcar com as despesas se o senhor aceitar descontá-las parceladas do meu salário.
Hades olhou-a, analisando cada gesto e palavra.
– É muito digno da sua parte. Tratarei disso com o departamento pessoal e combinaremos um desconto que não comprometa muito o seu orçamento. Agora, posso conhecer o quarto de Minos?
Com a boca seca pelo nervosismo e felicidade, Halldora apressou-se em indicar o caminho.
– É claro! É por aqui.
O quarto de Minos era pequeno e estava arrumado. Halldora colocara todos os objetos no lugar, menos a flor seca que o sobrinho guardava. Deixara-a sobre o criado mudo e Hades fixara o olhar diretamente nela.
– Ah! Isso aí é uma lembrança da adolescência que Minos guardou. Uma bobagem, essas coisas de primeiro amor. – disse ela, notando a atenção do executivo sobre o objeto.
As feições bonitas de Hades experimentaram uma tensão sutil. Primeiro amor?
– Posso saber quem era? – perguntou o executivo com um tom de voz casual.
– Um garoto chamado Albafica. Ele veio ao Japão com o pai para um tratamento de saúde e ficou pouco tempo. Ele e Minos se conheceram e ficaram amigos. Eu não sei direito... Só sei que o garoto morreu, logo depois de deixar o Japão.
– Minos sofreu muito?
– Creio que sim, ele até ficou doente quando soube. O tal garoto era filho de um embaixador e quando faleceu, a notícia foi amplamente divulgada pela imprensa.
Hades nunca sentira ciúmes. Para ele, esse tipo de emoção irracional não cabia em sua forma de ver o mundo e os relacionamentos. No entanto, saber que Minos já sofrera por amor trouxe um questionamento sobre suas próprias emoções. O que sentia por Minos era único e a convivência com ele o tornara menos duro e cínico, assim como agora o fazia sentir um desconforto inexplicável porque, diferente do jovem, ele nunca tinha amado ninguém antes dele.
Em silêncio, Hades pegou seu celular e acessou a internet, buscando pelo nome Albafica. Quando as imagens foram aparecendo, o executivo empalideceu.
– Senhor Hades? O senhor está bem? – perguntou Halldora notando que havia algo estranho com o executivo.
“Diga que o ama... Diga e ele ouvirá. Ele precisa ouvir!” A voz do belo jovem ainda era vívida em sua mente. Hades olhou para a flor seca e tocou-a com as pontas dos dedos. O amor era mesmo um sentimento capaz de vencer a morte...
– Senhor Hades? – insistiu Halldora.
– Está tudo bem, eu estava, apenas, pensando. Tenho que ir.
Halldora percebeu que o executivo estava diferente, mas não ousava questionar. Hades era o tipo de homem que sabia manter o distanciamento.
Despediu-se dele e começou a pensar no quanto sua vida mudara.
Já era hora de crescer, Halldora! Disse a si mesma, enquanto via o seu reflexo no vidro da janela.
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Deitada nos lençóis em desalinho, Naoko olhou para Raiden. O corpo viril e tatuado do yakuza estava suado e ele a observava.
– O que foi? – questionou ela.
– Quero guardar essa imagem em meus olhos. – disse ele.
– Guardar minha imagem? Por quê? Nos vemos todos os dias.
– Porque estou deixando esta casa.
– O quê? – falou Naoko sentando na cama e batendo, sem querer, a testa no queixo de Raiden.
Imperturbável, Raiden deixou a cama e começou a juntar suas roupas.
– Já dei minha contribuição referendando seu poder como oyabun. Está na hora de ir ao encontro do meu destino.
Naoko não conseguia acreditar no que ouvia.
– Destino? Do que você está falando? Seu destino é ficar ao meu lado!
Geniosa e egoísta. Ele sempre soube como ela era e a amava, mesmo assim. No entanto, ao tornar-se líder da família, ela teria de fazer o que fosse necessário para permanecer no poder, ele o sabia. Mais cedo ou mais tarde, alianças seriam propostas e, mesmo tendo contrariado a tradição, um dia ela acabaria se casando com outro oyabun. Ele não suportaria vê-la nos braços de outro homem.
– Não sou seu cãozinho de estimação, embora me comporte como um. Você tem o que sempre desejou e está em seu lugar de direito. Vou cuidar da minha vida.
A apreensão brilhou nos olhos de Naoko. Jamais cogitara perder Raiden, ele era fiel, eficiente e... o homem que amava. Nunca dissera, nem demonstrara, mas precisava dele.
– Raiden... você não pode me deixar! Eu... Eu preciso de você!
– Não, você não precisa.
– E-Eu... amo você. – disse ela.
Raiden quase sorriu. Esperara tanto tempo para ouvi-la dizer aquelas palavras. Pena ser tarde demais...
– Você não é mais uma simples mulher. Você é líder da Gardênia. Amor é uma fraqueza da qual você deverá abrir mão. Não tardará muito para você ter de fazer o que se espera de um líder e não o que o seu coração deseja.
Naoko ficou cabisbaixa, calada, como se aquelas palavras a tivessem derrubado.
– O que você pretende fazer? – murmurou ela.
– Juntar-me à Hiroaki e ajudá-lo a construir sua facção.
– Aquele maldito! Por que todos o escolhem? Meu pai o ama, você me deixa para ficar ao lado dele! O que ele tem de tão especial assim? Porque todos o amam e não a mim? – gritou ela com os olhos cheios de lágrimas.
O japonês aproximou-se dela, o sofrimento expresso nos olhos negros.
– Eu amo você, Naoko. Sempre vou amar.
– Me ama e vai me abandonar! – disse ela com a voz embargada.
Raiden baixou os olhos para os lábios trêmulos dela. Com o indicador levantou seu queixo e ela perdeu-se no olhar amoroso que ele lhe deu.
– A vida é feita de escolhas e você escolheu aquilo que dá significado a sua vida. Seja a melhor e mais forte oyabun que a Gardênia já teve. Se um dia você precisar de mim, eu virei em seu auxílio. Mas, agora, trilharemos caminhos diferentes. Adeus, Naoko.
Quando a porta do quarto se fechou e Naoko viu-se sozinha, entre aquelas quatro paredes, as lágrimas irromperam sem controle. Ela caiu num pranto dolorido sentindo uma dor intensa e um vazio que nem o poder, tão sonhado, que conquistara podia preencher...
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Dois meses depois...
– Essa cicatriz ficou feia. – disse Minos olhando-se no espelho do banheiro luxuoso, enquanto passava a mão abaixo do mamilo esquerdo.
– Podemos ver um cirurgião plástico se isso o incomoda. – falou Hades se aproximando e abraçando Minos por trás, roçando os lábios no pescoço alvo...
Minos fechou os olhos por alguns segundos, se excitando com o calor da respiração de Hades e a forma como ele o abraçava, colando seu corpo ao dele.
– Você não acha broxante...? Eu pareço um Frankenstein. – falou quase num sussurro.
– Eu pareço me importar? – respondeu Hades puxando-o para mais perto, fazendo-o sentir a potente ereção em suas nádegas. – E auto-intitular-se Frankenstein é um exagero. — completou sugando, devagar, a pele que se arrepiava ao contato dos seus dentes.
Minos sorriu.
– Você é um pervertido...
– Eu? Pervertido? – falou Hades percorrendo as costelas de Minos com os dedos até encontrar e beliscar um dos mamilos.
Sorridente, Minos se contorceu junto ao amante.
– Vamos voltar prá cama... – disse ele, já excitado.
– Não, não vamos. Você não pode chegar atrasado à prova. – disse Hades interrompendo as carícias.
Minos gemeu e se virou com cara feia ao sentir uma palmada nas nádegas.
– Doeu.
– Na noite passada você não reclamou...
– Noite passada não foi a seco. – disse Minos emburrado.
Hades sorriu.
– Vem, vamos tomar um banho. – disse pegando-o pela mão.
Minos estava, apenas, com uma calça de moletom que vestira após levantar da cama. Essa era a nova rotina que enfrentava, após deixar o hospital. Sua vida mudara, radicalmente, depois que Hades o convencera a estudar para uma prova de proficiência de conteúdos básicos do ensino médio com a finalidade de verificar se ele estava apto a ingressar direto em uma universidade. Então, durante a semana ele ficava com Halldora e nos fins de semana, passava com o executivo em sua cobertura.
O dinheiro que Hilda transferira para ele estava depositado em um banco para pagar os estudos, enquanto Halldora trabalhava na Fundação e sustentava os dois.
– Ainda é cedo e você está sendo mau comigo... — gemeu Minos passando a língua nos lábios desenhados e levando a mão ao volume, considerável, entre as pernas do amante.
– Eu sou mau? Vem... vou te mostrar o que é ser mau. — falou Hades cheio de tesão, a respiração já alterada.
Com perícia, puxou a cordinha da calça de Minos, deixando-a cair e se desfez da calça de pijama. Levantou o jovem e o pôs sobre a imensa pia de mármore do banheiro, pondo-se entre as pernas abertas e beijando-o, lenta e suavemente, devolvendo a provocação do outro, sentindo-o avançar com a língua impaciente sobre a sua. Interrompeu o beijo, posicionando-se para penetrá-lo. Tomou-o num movimento vigoroso, depois outro e mais outro, até afundar-se, completamente no corpo receptivo.
O celular tocou, no instante exato, em que ele reduzia o ritmo, torturando Minos que gemia e pedia mais força e rapidez. No entanto, Hades ignorava qualquer interrupção quando estava com Minos.
Gostava de vê-lo gemer e ofegar, olhando-o com os olhos úmidos de desejo e nada, nem ninguém o privava deste instante. Voltou a estocá-lo, desprezando o som que insistia continuar tocando no celular, empurrando-se mais fundo, mostrando com atos o desejo explícito e apaixonado que somente Minos conseguia despertar em seu corpo e em seu coração.
Minos gemeu, de um jeito estrangulado e estremeceu, gozando em seu tórax. Em seguida, Hades também chegou ao orgasmo, tentando segurar o urro de prazer supremo que escapou da sua garganta, enquanto tremia esgotando-se nas profundezas do amante. Os dois ficaram um tempo abraçados e apoiados, um no outro, acalmando a respiração pesada e rápida.
Cinco minutos depois, a água do chuveiro escorria, pelos corpos, enquanto Minos tomava o membro duro do amante em sua boca e sugava com volúpia, vendo-o tentar controlar os gemidos involuntários que escapavam cada vez que a sua língua traçava caminhos tortuosos em toda a extensão, para depois fixar-se no pequeno orifício que gotejava, antevendo que Hades gozaria de novo e encheria sua boca com seu sêmen quente.
– Minos... — gemeu Hades ao sentir-se estremecer e o gozo chegar. Apoiando-se na parede do Box envidraçado para não cair.
– Agora sim...! Estou pronto para fazer qualquer prova! — disse Minos olhando-o vitorioso e passando os dedos nos lábios.
Hades sorriu e passou a língua no lábio inferior, puxando Minos pelos cabelos platinados e, mais uma vez, as bocas se encontraram num beijo lascivo, longo e ainda sedento...
– Quer que eu ajude a ensaboar as costas? – pergunta Minos olhando para Hades como quem não quer nada.
– Se você insiste... — respondeu ele.
Imediatamente, Minos pegou o sabonete líquido, fez espuma e deslizou as palmas das mãos sobre o falo de Hades que, imediatamente, endureceu. O executivo fechou os olhos e jogou a cabeça para trás sentindo uma tensão no pescoço e nos ombros.
– M-Minos! Não... nós vamos nos atra-....
O jovem fingiu não escutar e baixou os olhos para a ereção de Hades, tomando o falo nas mãos ensaboadas.
– Sim... E nós temos tempo... – disse com malícia nos olhos violáceos e, mantendo a conexão do olhar erótico, envolveu-lhe a coxa com uma das pernas e encaixou o falo em sua entrada.
Hades gemeu e trouxe Minos para si, batendo com as costas dele na parede, sentindo novamente aquele desejo insano de possuí-lo, de sentir-se engolfado por aquele corpo insaciável e quente.
Adentrou-o com um golpe longo e rascante, e Minos sorriu e arfou ao ser preenchido, novamente. Envolveu o pescoço de Hades com os braços e o cavalgou, sentindo-o gemer rente ao seu rosto e acolhendo os gemidos dele com a boca, mordiscando-o e lambendo-o com volúpia...
O jato de água quente os envolvia como uma forte chuva de verão, batendo em suas pernas, nas laterais, ardendo na pele...
O gosto molhado da pele de Hades, o movimento forte dos quadris, o falo poderoso dentro de si, tudo tão intenso e real... Tinha vencido a morte e agora queria aproveitar cada momento. Pensava Minos, embriagado de desejo e feliz por ser tomado daquela forma e ser amado por um homem como Hades.
Com investidas profundas e poderosas, Hades gozou, levando Minos ao clímax, mais uma vez. Foi como se um furacão tivesse passado e os arrebatado numa espiral que os deixou ofegantes e com o coração disparado.
– Céus, Minos...
– Eu precisava disso... – murmurou Minos, encostando a testa na de Hades.
Hades sorriu e apertou o lábio inferior com os dentes, puxando Minos pelos cabelos molhados e, mais uma vez, as bocas se encontraram num beijo demorado e terno.
– Temos que ir... não pode se atrasar. – falou Hades se recompondo e afastando os lábios dos de Minos.
O jovem abraçou-o com força e Hades sentiu aquela emoção diferente do desejo e da paixão. Amava Minos e protegê-lo se revelara em algo natural, sem excessos, sempre com o cuidado de permitir que ele pudesse fazer as próprias escolhas. Era esse sentimento que predominava agora, sentindo que seu jovem amante buscava em si coragem para seguir em frente.
– Não precisa se preocupar, é só ser você mesmo. – disse o executivo depositando outro beijo nos lábios de Minos.
– E se eu falhar e não for aquilo que você espera? – rebateu o jovem.
– Você é tudo e muito mais que eu esperava. E, aproveitando para responder aquela pergunta que me fez, meses atrás, eu jamais desistiria de você, porque conhecê-lo me tornou um homem melhor.
Minos sorriu, daquele jeito aberto e juvenil que o caracterizava.
– Bem, então vamos!
Hades deu outra palmada, desta vez, suave, nas nádegas roliças e molhadas.
– Vamos lá.
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Hilda olhou para as instalações do Dark Sex com certa melancolia. Ela esperava que o comprador do estabelecimento cuidasse bem do lugar e mantivesse o compromisso de zelar, também, pela saúde e bem-estar dos funcionários da casa.
Após a saída dos seus tesouros a casa nunca mais fora a mesma. Ou será que ela não era mais a mesma? Com um suspiro, ela passou os dedos na pintura erótica que emoldurava um dos biombos da casa e sorriu, relembrando cada caso pitoresco que havia acontecido ali.
– Está pronta? – a voz grave de Aldebaran rompeu seus pensamentos.
– Sim, vamos! Vamos antes que eu me arrependa.
O segurança sorriu.
– Você vai gostar do meu país. Lá tem muito sol, calor e o povo é alegre. Mas você vai ter de cuidar dessa sua pele clara.
Com um sorriso triste, Hilda tocou a mão grande e forte.
– Passar de dona de bordel a dona de uma pousada na praia vai ser uma mudança e tanto, mas... quer saber? Eu estou feliz em deixar essa vida. Creio que o destino, às vezes, dita as regras para melhor.
– Pode acreditar que sim. — falou Aldebaran puxando-a para um beijo apaixonado.
Os dois deixaram o Dark Sex, encerrando muitas histórias. Histórias que terminaram bem, outras que nem chegaram a acontecer. No entanto, a vida era uma incessante fonte de dores, prazeres, fins e recomeços...
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