NIGHTWOLF- Blood & Roses
37 Término?
Renesmee deu um passo para trás, o eco das botas de Noah ainda ressoando no armazém vazio. O coração dela parecia martelar no peito, mas ela manteve o olhar fixo nele.
— O que você sabe sobre a morte do meu avô? — perguntou com firmeza, a voz embargada pela dor e pela raiva.
Noah suspirou, como se tivesse esperado muito por essa pergunta. Ele passou uma das mãos pelos cabelos, os olhos escuros cravados nos dela.
— Não foi o seu pai, Renesmee.
O coração dela disparou.
— Eu sei! — respondeu quase em um grito. — Eu tenho certeza que não foi o meu pai!
Ele assentiu, aproximando-se lentamente.
— Você está certa. Mas… você ainda não sabe toda a verdade.
Renesmee estreitou os olhos, confusa.
— Do que você está falando, Noah?
Um sorriso frio se abriu nos lábios dele.
— Eu sei quem matou o seu avô. Mas, para que você realmente compreenda, vai ter que colaborar comigo.
Ela deu outro passo para trás, o instinto de perigo gritando dentro dela.
— Colaborar? — repetiu, incrédula. — Eu não estou entendendo…
Os olhos de Noah cintilaram, e então ele parou, respirou fundo, como se fosse um alívio finalmente tirar aquilo de dentro de si. A confissão saiu como uma lâmina cortante no silêncio do armazém:
— Não foi o seu pai. Nem Alec. — ele inclinou levemente a cabeça, fixando nela um olhar quase doentio. — Fui eu, Renesmee. Eu matei Charlie Swan.
As palavras caíram pesadas, ecoando pelo espaço vazio.
Renesmee congelou, a respiração presa na garganta. O mundo pareceu girar em torno dela.
— O quê? — sua voz era apenas um sussurro, quase sem força. — Você… você matou o meu avô?
Noah a observava com uma calma perturbadora, como se confessar um assassinato fosse a coisa mais natural.
— Sim. — disse firme. — E agora é hora de dar o próximo passo e voce faz parte dele.
Renesmee sentiu o sangue gelar nas veias, os olhos marejados de fúria.
— Você é louco, Noah! — gritou, a voz firme apesar do tremor. — Eu vou denunciá-lo, todo mundo vai saber o que você fez!
Antes que conseguisse dar mais um passo, Noah agarrou seu braço com força. O aperto era doloroso, e Renesmee se debateu desesperada.
— Me solta! — ela gritou, a voz ecoando pelo armazém.
Noah a puxou sem piedade, arrastando-a até um dos containers enferrujados no canto do armazém. Em um movimento brusco, abriu a porta de metal e a empurrou para dentro. O impacto fez Renesmee cair no chão frio e áspero. Ela se arrastou para trás, tentando afastar-se dele, enquanto as lágrimas de medo e raiva escorriam por seu rosto.
— Seu monstro! — cuspiu entre soluços. — Você vai pagar por isso, Noah!
Ele entrou no container, fechando a porta atrás de si. O espaço ficou tomado pela sombra, apenas alguns feixes de luz atravessavam as frestas do metal. Noah se aproximou devagar, os olhos ardendo em uma mistura de loucura e prazer pelo controle que exercia.
— Não era para o seu pai pagar pelo crime… — ele disse, a voz baixa e cortante. — O alvo sempre foi Jacob Black. O “grande bem feitor ”, o “o cidadão Honório da cidade”. Mas ele é escorregadio demais. Difícil de pegar.
Renesmee, ofegante, firmou a voz mesmo tremendo:
— Jacob vai acabar com você. Você não tem ideia do que fez.
Noah sorriu, agachando-se à frente dela. Sua sombra a envolvia como uma ameaça sufocante.
— Não, Renesmee. — murmurou, quase em um sussurro venenoso. — Agora é você quem não tem ideia. Se quiser ver seu pai livre, vai ter que fazer exatamente o que eu mandar.
Renesmee o encarou, o coração acelerado. O medo queimava dentro dela, mas junto vinha uma centelha de determinação.
— Eu nunca vou ficar do seu lado — disse entre os dentes. — Nunca.
Noah inclinou a cabeça, o sorriso frio ainda nos lábios.
— Veremos… — respondeu, erguendo o queixo dela com a ponta dos dedos. — Porque, no fim das contas, todos têm um preço.
Na garagem subterrânea da mansão, Jacob caminhava em círculos, os olhos fixos no mapa aberto sobre a mesa metálica. Harry estava ao lado, apontando rotas de entrada e saída com um laser vermelho. Outro aliado – um ex-agente de segurança, leal a Harry – observava em silêncio, absorvendo cada detalhe do plano.
— A prefeitura é um ninho de cobras — disse Harry, sério. — Guardas em todos os andares, câmeras em todos os corredores. Se for de frente, vai ser suicídio.
Jacob respirou fundo. Seus punhos cerrados mostravam que o perigo não o intimidava, mas o fazia pensar ainda mais rápido.
— Por isso a gente não vai de frente — respondeu ele, a voz grave. — Vamos entrar pelo lado leste. A reforma deixou um ponto cego no monitoramento, e é por ali que vou passar.
Harry assentiu.
— E quanto ao livro que Edward mencionou?
Jacob olhou para o mapa, os olhos estreitando-se.
— Ele disse que está em seu gabinete, numa sala trancada. Eu entro, pego o que preciso e saio. Rápido.
O seguidor pigarreou, finalmente falando:
— Mas… e se o Corvo aparecer de novo?
O silêncio caiu pesado na sala. Jacob ergueu a cabeça devagar, e o olhar firme que lançou foi resposta suficiente.
— Se ele aparecer… — murmurou, apertando o capacete preto nas mãos — eu acabo com isso de uma vez por todas.
Minutos depois, o traje do Nightwolf cobria seu corpo como uma segunda pele. O couro negro e reforçado refletia apenas as luzes frias da garagem. A máscara, com as fendas estreitas e ameaçadoras, ocultava seu rosto, transformando-o na sombra que aterrorizava criminosos.
Harry lhe entregou uma pequena cápsula de comunicação.
— Vai me ouvir o tempo todo. Se a coisa ficar feia, recua. — fez uma pausa, os olhos carregados de preocupação. — Renesmee precisa de você inteiro.
Jacob ajustou a cápsula no ouvido, mas não respondeu. Apenas girou a chave da moto. O motor rugiu, preenchendo o ar com o som grave e selvagem da máquina.
Ele puxou a viseira, e a máscara do lobo da noite se fundiu com a escuridão.
— Ninguém pode me ver entrar — disse por fim. — E ninguém vai.
Com um movimento certeiro, acelerou. A moto saiu como uma bala, engolida pela noite chuvosa de Seattle.
O Nightwolf estava a caminho da prefeitura.
A noite envolvia o prédio da prefeitura como um manto silencioso. O Nightwolf avançava pelas sombras, cada passo calculado, cada respiração contida. Com os sensores que Harry havia liberado no circuito de câmeras, Jacob tinha uma janela curta, mas suficiente, para se mover sem ser detectado.
Ele deslizou por uma entrada lateral do prédio ainda em reforma, o ferro das grades retorcido dando passagem a um homem com força e precisão sobre-humanas. As botas mal faziam ruído contra o piso de mármore.
No segundo andar, o gabinete do prefeito. Jacob arrombou a fechadura com um movimento seco, entrando na sala escura. O cheiro de papel velho e madeira encerada impregnava o ar.
A luz da lua atravessava a vidraça e iluminava a estante de canto. Foi ali que seus olhos captaram o objeto descrito por Edward: um livro de capa azul.
Jacob o puxou com firmeza, o coração batendo mais rápido. Ao abri-lo, entre páginas ocas cuidadosamente recortadas, um pequeno pendrive preto repousava como um segredo pesado demais para ser revelado.
Ele o fechou e o guardou sob o uniforme.
— Encontrei— murmurou em voz baixa, quase para si mesmo.
— Tem 5 minutos senhor.
— Você é um cronômetro ambulante.
Segundos depois, já estava de volta pelos corredores silenciosos. Seu corpo se movia como um predador noturno, evitando guardas, saltando vãos, até finalmente desaparecer no escuro da cidade.
A moto rugiu novamente, levando o Nightwolf de volta ao esconderijo.
No meio do caminho, a voz de Harry estalou no comunicador:
— O senhor tem visita.
Houve uma breve pausa. Então, Harry respondeu com uma seriedade que fez o peito dele se apertar:
— A senhorita Cullen. Ela está à sua espera.
Jacob acelerou ainda mais. Ao chegar ao galpão, desceu da moto e retirou o capacete, os cabelos desgrenhados pela corrida. Com passos firmes entrou, o eco ressoando pela estrutura metálica.
— Onde está Nessie? — perguntou, a voz grave, carregada de urgência.
Harry apontou com o queixo em direção à sala iluminada ao fundo.
— Está na sala. Esperando pelo senhor.
Jacob respirou fundo, tentando controlar a ansiedade, e então seguiu para encontrá-la.
Jacob desceu os últimos degraus da escada, cada passo ecoando no silêncio pesado da noite. O coração acelerava como se antecipasse algo que sua mente ainda não entendia. Quando avistou Renesmee na sala, sentada no sofá, a silhueta dela iluminada pelo abajur parecia ao mesmo tempo familiar e distante.
Ele esboçou um tímido sorriso.
— Ness... — chamou, suave, como se tivesse encontrado um porto seguro depois da tempestade.
Mas o sorriso desapareceu no instante em que ela se levantou bruscamente e deu um passo para trás, como se precisasse de espaço entre eles.
— Aconteceu alguma coisa? — Jacob perguntou, a voz grave, confusa. — Você está bem?
Renesmee respirou fundo, as mãos trêmulas. Os olhos marejados não conseguiam sustentar os dele por muito tempo. Ainda assim, ela avançou apenas o suficiente para segurar a mão de Jacob. O toque estava frio, como despedida.
Em seguida, fechou a mão dele em torno de algo pequeno e metálico. Jacob baixou os olhos e viu a aliança de noivado repousando em sua palma. O mundo pareceu girar.
— Eu… estou terminando com você. — A voz dela saiu embargada, quase um sussurro, mas cada palavra pesava como uma lâmina atravessando o peito dele.
Jacob a encarou sem acreditar. — O quê? — a pergunta saiu num fio de voz, mais um pedido desesperado de explicação do que realmente uma dúvida.
Renesmee engoliu em seco, tentando ser firme, mas as lágrimas já escorriam. — É o melhor a fazer.
O silêncio que seguiu foi sufocante, só o som distante do vento atravessando as janelas da mansão. Jacob fechou a mão sobre a aliança com força, como se pudesse impedir que o fim fosse real.
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