A Toca do Lobo estava silenciosa, exceto pelo zumbido constante dos computadores e o tilintar das teclas que Harry digitava. Na sala subterrânea, as telas exibiam fotos borradas, vídeos de câmeras de segurança e mapas cheios de marcações.

Jacob, ainda com a expressão carregada pelo que vira na TV mais cedo, passava as mãos pelos cabelos enquanto observava os arquivos.

— Isso é tudo o que conseguimos do “Corvo”? — perguntou, sem tirar os olhos da tela principal.

Harry suspirou, girando a cadeira para encará-lo.

— Três semanas de vigilância, quatro confrontos diretos, e o máximo que temos são sombras, placas frias e um símbolo pintado em paredes. Eles não deixam rastros digitais, não compram armas no mercado comum e… — fez um gesto de frustração — … ninguém fala sobre eles.

Jacob apertou o maxilar.

— Sempre tem alguém que fala. A gente só não achou a boca certa pra abrir ainda.

Harry assentiu, mas não parecia otimista.

— O problema é que quanto mais procuramos, mais parece que eles querem ser encontrados. E isso não é bom. Pode ser uma armadilha.

Jacob não respondeu de imediato, analisando uma foto de um dos mascarados. Então Harry olhou para o relógio e soltou um leve pigarro.

— Senhor, eu sei que o senhor tá concentrado, mas… o Quil Alteara está chegando daqui a pouco.

Jacob piscou, como se só então lembrasse.

— Droga… tinha esquecido completamente.

Eles subiram as escadas até o escritório. Jacob sentou-se à mesa, abriu o notebook e começou a organizar documentos para a reunião, quando o celular vibrou. A tela acendeu com o contato salvo como “Minha Repórter”.

Ele atendeu com um sorriso na voz.

— Minha namorada lembrou do pobre namorado abandonado…

Do outro lado, a voz de Renesmee veio carregada de suavidade e um tom que denunciava um sorriso.

Só são dois dias que não nos vemos.

— E a senhorita acha pouco? — ele fingiu uma indignação leve. — Vai deixar o senhor Black mais um dia sem sua companhia depois de um dia inteiro caçando fantasmas?

Ela riu.

Eu posso pensar sobre isso.

Jacob baixou o tom, quase um sussurro.

— Estarei esperando … porque eu amo você.

Também te amo , prometo fugir dos compromissos politicos de Edward Cullen e ir te ver— ela respondeu, antes de desligar.

O sorriso dele ainda estava no rosto quando Harry entrou na sala.

— Senhor. O Senhor Alteara chegou.

Ele fechou o notebook e se levantou.

— Peça para ele entrar.



O som grave da porta do escritório se fechando ecoou pelo ambiente elegante. Quil Alteara entrou, com o semblante ainda carregado pela preocupação dos últimos dias. Jacob se levantou de trás da mesa e foi ao seu encontro, estendendo a mão.

— Senhor Black — disse Quil, apertando firmemente a mão dele. — Recebi sua ligação, mas… confesso que não entendi muito bem o motivo do convite.

Jacob fez sinal para que ele se sentasse.

— Soube do que aconteceu com o Verdade Urbana. — A voz dele era firme, mas carregada de propósito. — E também sei que o seguro não vai cobrir o prejuízo, já que o incêndio foi criminoso.

Quil respirou fundo e assentiu.

— É verdade… Mas o que eu ainda não entendo é o seu interesse no nosso jornal.

Jacob se inclinou levemente para frente, olhando-o nos olhos.

— Renesmee é minha namorada. E, futuramente, minha esposa. — A frase saiu carregada de convicção. — Eu vejo o quanto o Verdade Urbana é importante pra ela. Por isso, quero ajudar.

Quil arqueou as sobrancelhas, surpreso. Depois, um sorriso começou a se formar.

— Ajudar… quer dizer… financeiramente?

— Exatamente — confirmou Jacob. — Mas tem uma condição.

O sorriso de Quil diminuiu.

— Que condição?

Jacob apoiou os cotovelos na mesa.

— Ela não pode saber que essa ajuda veio de mim.

Por um momento, Quil ficou em silêncio, analisando.

— Isso é… incomum. Por que não contar a ela?

— Porque eu não quero que ela sinta que está me devendo algo. Essa é a luta dela. Eu só quero garantir que ela tenha as armas certas para lutar — explicou Jacob, com uma calma que carregava uma firmeza implícita. — Então… você aceita ou não?

Quil manteve o olhar sério por mais alguns segundos, até soltar um leve suspiro.

— Aceito.

Jacob se levantou e estendeu a mão novamente. Quil a apertou, desta vez com mais força, como quem selava um acordo que não poderia ser quebrado.



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O som do salto de Renesmee ecoava pelo corredor frio do Departamento de Polícia. O cheiro de café recém-passado e papel velho pairava no ar, misturado à movimentação apressada dos policiais.

Quando ela entrou na sala de Charlie Swan, ele ergueu os olhos do relatório que lia, e a surpresa estampou seu rosto.

— Nessie? — ele tirou os óculos e se levantou. — O que você está fazendo aqui?

Ela forçou um sorriso, mas seus olhos carregavam determinação.

— Preciso conversar com você, vovô. É importante… é sobre o incêndio no Verdade Urbana.

O sorriso de Charlie desapareceu. Ele se recostou na cadeira e cruzou os braços.

— Isso é sigiloso, Renesmee. Você não deveria se envolver.

— Eu trabalho lá, vovô… — ela rebateu, a voz firme. — E tenho amigos que dependem daquele jornal. Quero entender o que aconteceu.

Charlie suspirou e passou a mão pela barba rala, claramente desconfortável.

— Olha… não é simples. Isso pode ter gente grande envolvida, gente perigosa. — Ele inclinou a cabeça, encarando-a com aquele olhar protetor que sempre tivera. — Eu sei que você é curiosa, mas… por favor, não se meta nisso.

Renesmee o encarou em silêncio, controlando a vontade de insistir. No fundo, a reação dele já dizia tudo que ela precisava saber. Quando Charlie desviou o olhar para evitar mais perguntas, ela sentiu a confirmação silenciosa de suas suspeitas: Mike Newton e Mark Weber tinham, de alguma forma, suas mãos nesse crime.

Ela se levantou calmamente.

— Obrigada pelo café, vovô. — disse, mesmo sem ter tomado nenhum.

Charlie franziu a testa.

— Nessie…

Mas ela já estava na porta, o olhar carregado de propósito. Se Charlie queria que ela ficasse de fora, já era tarde demais.


O táxi arrancou devagar, misturando-se ao trânsito agitado de Seattle. As luzes da cidade refletiam no vidro enquanto Renesmee se acomodava no banco, o celular firme entre os dedos.

Ela respirou fundo, não via Jacob a dois dias e o coração bateu demonstrando a saudade, ela digitou rapidamente o contato com nome " Wolf" e apertou para ligar. A voz de Jacob atendeu quase de imediato, carregando aquele calor familiar que sempre a fazia sorrir.

Minha namorada lembrou do pobre namorado abandonado… — ele começou, com aquele tom provocador que só ele sabia usar.

Do outro lado, Renesmee deixou a suavidade invadir a voz, como se pudesse abraçá-lo através da ligação.

— Só são dois dias que não nos vemos.

— E a senhorita acha pouco? — Jacob fingiu indignação. — Vai deixar o senhor Black mais um dia sem sua companhia depois de um dia inteiro caçando fantasmas?

Ela não conteve a risada, imaginando a expressão dele enquanto dizia aquilo.

— Eu posso pensar sobre isso.

O tom de Jacob mudou, descendo para um quase sussurro.

Estarei esperando… porque eu amo você.

— Também te amo — ela respondeu, sentindo o coração apertar. — Prometo fugir dos compromissos políticos de Edward Cullen e ir te ver.

Ele soltou aquele riso breve, satisfeito, antes de ela desligar.

O táxi virou à esquerda, e as luzes do prédio imponente do Seattle Daily surgiram à frente. Renesmee guardou o celular, sentindo uma pontada de ansiedade no peito. Entre a ameaça do Corvo e a ruína do Verdade Urbana, a visita que faria agora poderia ser mais perigosa do que parecia.


Renesmee atravessou o saguão iluminado do Seattle Daily, o salto dos sapatos ecoando sobre o piso de mármore. O cheiro familiar de café fresco e papel impresso trouxe lembranças de outros tempos, quando ela corria entre aquelas mesas como repórter novata.

Atrás do balcão de recepção, Angela levantou o rosto e abriu um sorriso caloroso.

— Nessie! — ela se levantou, contornando a mesa para abraçá-la. — Que surpresa boa!

— Oi, Angela — Renesmee retribuiu o abraço, sorrindo de leve. — Mike Newton está?

— Já foi embora — respondeu Angela, voltando a se sentar. — Saiu mais cedo hoje.

Renesmee apoiou as mãos no balcão, inclinando-se um pouco.

— Você acha que… se eu quisesse voltar, Mike aceitaria?

Angela arqueou uma sobrancelha, divertida.

— Renesmee, além de ser uma Cullen, você namora Jacob Black. — Ela deu um sorriso enviesado. — Mike veria vantagem até onde não existe.

Nessie soltou um riso curto, mas não desviou o olhar.

— E… nas últimas semanas, você notou algo diferente? Alguma visita importante que o Mike tenha recebido?

Angela ficou pensativa por alguns segundos, olhando para cima como se vasculhasse a memória.

— Agora que você falou… sim. Lauren Weber esteve aqui.

Renesmee sentiu o estômago se contrair, mas manteve o rosto neutro.

— Lauren Weber? Tem certeza?

— Absoluta. Vi as duas vezes que ela veio. Parecia reunião de negócios… e Mike estava mais… sabe… nervoso do que o normal.

Renesmee agradeceu, escondendo a inquietação atrás de um sorriso calmo. Dentro dela, porém, as peças começavam a se encaixar de forma perigosa.