NIGHTWOLF- Blood & Roses

5 Entre Linhas e Barreiras


Notas iniciais
Rolou um Cross over kkkkkkkkkk


A biblioteca dos Cullen estava silenciosa, iluminada apenas pela luz quente que caía sobre as prateleiras de mogno. O aroma de livros antigos misturava-se ao perfume discreto de Renesmee, que caminhava à frente com passos controlados.

Jacob manteve certa distância, observando-a com atenção. Quando ela se virou, encontrou o olhar dele fixo e sereno.

— Devo dizer, senhorita Cullen, que me impressiona vê-la tão composta depois do ocorrido na noite passada. — Sua voz era grave, sem traço de ironia.

Ela arqueou levemente uma sobrancelha.

— Odeio dramas, senhor Black.

Jacob manteve-se firme.

— Nem sempre dor é drama. — disse, como quem sabe mais do que está dizendo.

Houve um instante de silêncio. Então, Renesmee o encarou com franqueza.

— Posso perguntar algo?

— Claro.

— Qual é exatamente o seu interesse nessa aproximação? É como homem… ou como político? — A pergunta veio afiada, mas o tom se manteve educado. — Porque, convenhamos, o senhor tem uma péssima imagem quando o assunto é mulheres.

Ele não se alterou, o semblante permanecendo fechado.

— Nenhuma mulher conseguiu quebrar as barreiras, senhorita Cullen.

A troca de olhares durou mais alguns segundos, antes que Jacob desse um passo para trás.

— Foi um prazer vê-la novamente.

— O prazer foi meu. — respondeu ela, ainda que a tensão entre eles fosse palpável.

Jacob fez um leve aceno e saiu da biblioteca, deixando um silêncio cheio de perguntas não respondidas.

Do corredor, sua voz ecoou:

— Nos veremos no baile de outono.

Renesmee ficou imóvel por um instante, sentindo uma estranha mistura de irritação e curiosidade crescer dentro de si.



Renesmee ficou sozinha na biblioteca, o silêncio apenas quebrado pelo som distante do relógio antigo. Sobre a mesa, dois jornais repousavam lado a lado.

O primeiro, o de maior circulação em Seattle, trazia na manchete a já conhecida versão distorcida: Lobo da Noite Agride Herdeiro Volturi Sem Motivo. Ela sentiu o estômago revirar.

Ao lado, um exemplar de um jornal independente chamava sua atenção. "Verdade Urbana" — o título soava quase como um desafio à grande mídia. Na primeira página, as letras em negrito estampavam:

Herdeiro Volturi Envolvido em Tentativa de Abuso Sexual: Testemunhas Confirmam.

Renesmee passou os dedos pela borda do papel, sentindo um alívio amargo. Pelo menos alguém ainda tinha coragem de contar o que realmente aconteceu.

Seus pensamentos foram interrompidos pela voz grave e controlada de Edward Cullen, entrando na sala.

— Você está bem? — perguntou, observando-a com atenção.

Nessie ergueu os olhos, o semblante cansado.

— Pode comemorar, pai. Eu fui demitida.

Ele franziu o cenho.

— Jamais pedi isso, Renesmee. Eu vou resolver.

— Não. — a voz dela foi firme. — Pare de tentar controlar minha vida.

Edward respirou fundo, buscando paciência.

— Vamos fazer uma trégua. Tudo o que nossa família tem, todo o respeito, é graças à política. Você realmente quer ver sua mãe e seu irmão sem nada?

Renesmee hesitou, mas respondeu:

— Não.

Edward então a encarou com mais intensidade.

— E percebi que Jacob Black demonstrou interesse por você.

Ela estreitou os olhos.

— Eu não estou à venda.

— Não é disso que estou falando. — Edward se aproximou, apoiando as mãos sobre a mesa. — Se a imprensa vir você ao lado de Jacob Black, vai acreditar que Alec Volturi está mentindo.

Renesmee bufou, irritada.

— Você transforma tudo em jogo político.

— Eu penso em estratégia. — disse ele, impassível. — Pense sobre isso: se você se aproximar de Jacob Black, eu prometo não interferir mais no seu trabalho como repórter.

Renesmee ficou em silêncio, encarando o pai, tentando decidir se aquele era um acordo que valia o risco… ou se era apenas mais uma armadilha elegante.


Renesmee não respondeu ao pai. Apenas fechou o semblante, pegou o exemplar do Verdade Urbana e saiu da biblioteca com passos firmes.

Na sala, Bella estava sentada no sofá, revisando alguns papéis. Ao vê-la, levantou-se imediatamente.

— Nessie, eu queria conversar com você…

— Agora não, mãe. Estou com pressa. — cortou, sem diminuir o passo.

Bella suspirou, vendo a filha sair pela porta.

Lá fora, o motorista já aguardava. Renesmee entrou no veículo e fechou a porta.

— Por favor, me leve até a Avenida Rainier, no bairro Columbia City.

— Sim, senhorita Cullen. — respondeu o motorista, ligando o carro.

Enquanto o veículo se afastava da mansão, ela baixou o olhar para o jornal Verdade Urbana em suas mãos. Passou o polegar sobre o título em letras fortes, sentindo uma chama de determinação se acender.

É disso que eu preciso, pensou. Um jornal independente, sem amarras políticas, que não tenha medo de publicar a verdade.

Ela sabia que o próximo passo não seria fácil… mas também sabia que estava cansada de ser apenas uma peça no tabuleiro político do pai.


A sede do Verdade Urbana ficava em um prédio de tijolos antigos, com janelas largas e um letreiro gasto pelo tempo. Não era sofisticado como a redação do antigo jornal de Renesmee, mas tinha algo que ela não via há muito tempo: vida real.

Ao entrar, foi recebida por olhares curiosos. Uma jovem morena de sorriso aberto arregalou os olhos.

— Meu Deus… você é a Renesmee Cullen? — perguntou, quase sem fôlego. — Claire Alteara, prazer! Eu sempre quis conhecer você pessoalmente.

Renesmee sorriu educadamente.

— Prazer, Claire.

Perto dali, Jessica Stanley soltou um riso abafado.

— Olha, eu não quero cortar seu entusiasmo, Claire… mas ela trabalhar aqui é furada. — lançou, cruzando os braços. — Especialmente pra quem vem de um sobrenome como o dela.

Renesmee não respondeu, apenas a ignorou.

Foi então que três homens se aproximaram. Quil Alteara, o editor-chefe, um homem de presença calma e olhar atento, deu um aperto de mão firme.

— Seja bem-vinda, senhorita Cullen.

Atrás dele, dois repórteres ajudantes se apresentaram: Embry Call, alto e com um humor fácil estampado no rosto, e Jared Fuller, mais sério e observador. Ao lado deles, Paul Lahote apenas acenou com a cabeça, analisando-a com um ar desconfiado.

Quil fez um gesto para que ela o seguisse até uma sala envidraçada, afastada do burburinho da redação. Fechou a porta.

— Eu sei que você está acostumada com outra estrutura… e, francamente, no momento não posso pagar o salário que você merece.

Renesmee manteve a postura ereta.

— Não estou aqui pelo salário, senhor Alteara. Aceito o que puder pagar.

Quil arqueou uma sobrancelha.

— Está falando sério?

— Completamente.

Ele sorriu de lado.

— Então vou colocá-la no time… mas com uma condição.

— Qual?

Quil se inclinou levemente para frente.

— De todos aqui, você é a única que teve contato direto com o Nightwolf. Quero que consiga uma exclusiva com ele.

O olhar de Renesmee se firmou no dele.

— Isso não vai ser fácil.

— Aqui nada é fácil, senhorita Cullen. — respondeu Quil, abrindo um sorriso discreto. — Mas se conseguir, você não será apenas mais uma repórter. Vai mudar o jogo.

Renesmee respirou fundo. Sabia que aceitar significava mergulhar de cabeça em algo que poderia aproximá-la ainda mais do homem mascarado… e de tudo o que ele representava.




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Na sala subterrânea da mansão Black, o ar tinha cheiro de metal e eletrônica. Telas exibiam imagens de satélite, mapas interativos e fluxos de dados ao vivo. No centro, Jacob estava diante de um espelho blindado, ajustando o novo uniforme. O material negro e reforçado refletia apenas sombras, moldando-se perfeitamente ao corpo.

Harry, de pé ao lado, enumerava as vantagens com entusiasmo técnico:

— Tecido balístico de última geração, mais leve que o anterior e duas vezes mais resistente. Sensores de movimento integrados, visor com visão térmica, comunicação criptografada, e o novo sistema de microganchos para escalada rápida.

Jacob moveu os ombros, testando a flexibilidade.

— Só faltou poder voar.

Harry arqueou a sobrancelha.

— Isso você deixa para o Superman lá em Metrópolis. Aqui, você já é aterrorizante o suficiente.

Jacob soltou um breve sorriso, mas seu olhar foi atraído para a mesa de comando, onde repousava um envelope fechado com seu nome escrito à mão. Ele o pegou, rompeu o lacre e retirou uma folha de papel fino. As palavras eram curtas e precisas:

"Espero que as novas tecnologias o ajudem no seu propósito.

— T.S."

Jacob ficou em silêncio por alguns segundos, observando a assinatura.

— É seguro ele saber? — perguntou a Harry, sem tirar os olhos da folha.

Harry hesitou antes de responder:

— Vocês estão do mesmo lado.

Jacob dobrou a carta com cuidado e a colocou no bolso interno do uniforme. O tom de sua voz ficou mais firme.

— Então coloque os drones no ar e execute o plano.

Harry assentiu, já digitando comandos nos painéis.

— Algum alvo específico?

Jacob deu um passo em direção ao elevador de acesso.

— Hoje à noite… o Lobo da Noite vai visitar Alec Volturi.