Na manhã seguinte, Renesmee foi arrancada do sono pela voz suave, mas insistente, de Bella batendo à porta.

— Nessie, seu pai quer falar com você — disse, entrando no quarto com um ar sério.

Renesmee suspirou, pegou o robe e o vestiu sobre a camisola, arrumando rapidamente os cabelos com as mãos. Seguiu ao lado da mãe pelo corredor até a sala.

Edward estava de pé, com o semblante tenso, segurando um exemplar do Verdade Urbana aberto na primeira página. Ele a encarou e virou o jornal para ela. A manchete estampava em letras garrafais:

A verdade sobre os Weber.

— Eu não escrevi essa matéria — foi a primeira coisa que ela disse, antes que ele pudesse falar.

— Mas você trabalha nesse jornal, Renesmee. E os Weber vão cair sobre mim alegando armação política — respondeu Edward, a voz baixa, porém carregada de preocupação.

Ela cruzou os braços. — Pai, eu não mando no que vai para a capa.

O clima ficou pesado até que um dos assessores de Edward entrou apressado na sala, segurando um tablet.

— Senhor Cullen, encontrei uma forma de reverter isso a seu favor.

Edward arqueou a sobrancelha. — Que forma?

— Isso prova que a senhorita Cullen trabalha em um jornal idôneo. Mesmo sendo filha de um político influente, ela não usou o cargo para favorecer a família. Pelo contrário — explicou o assessor.

Edward suspirou, claramente aliviado, mas ainda desconfiado. — Espero que isso funcione.

Renesmee apenas o observou, ciente de que aquele jogo político era muito mais perigoso do que ele estava disposto a admitir.


Renesmee chegou ao prédio do Verdade Urbana sentindo o ar mais agitado do que o normal. Quil estava no centro da redação, sorrindo de orelha a orelha.

— Gente, as vendas dispararam de novo! — anunciou, erguendo um relatório. — A edição especial com a entrevista de Jacob Black já está nas bancas e, pelo ritmo, vai esgotar até o fim da tarde.

Claire, com o café na mão, riu. — Parece que o povo está mais interessado em Jacob Black do que em política.

Jessica, que estava a alguns metros, lançou um olhar carregado para Renesmee, como se cada palavra tivesse sido direcionada a ela. Depois, sem dizer nada, virou nos saltos e saiu da redação.

Embry se aproximou, apoiando-se na mesa de Nessie. — Ouvi dizer que no Seattle Daily as coisas não estão nada boas. As vendas caíram e Mike Newton está desesperado.

Renesmee não conseguiu conter um leve sorriso. — É… parece que o vento está soprando a nosso favor.

A conversa foi interrompida quando um grupo de homens de terno entrou no prédio, causando um silêncio repentino na redação. Três deles caminharam diretamente até Quil.

— Procuramos o senhor Quil Alteara — disse o homem à frente, com tom formal.

Quil se adiantou. — Sou eu. E vocês são...?

O homem abriu a pasta e tirou um cartão. — Advogados de Mark Weber.

A tensão caiu sobre a redação como um peso invisível, e Renesmee sentiu o estômago apertar.


Renesmee observava pela parede de vidro da sala de Quil, sentada à beira de sua mesa, o café esquecido na mão. Lá dentro, o clima parecia sufocante. Quil andava de um lado para o outro, os advogados falando de forma contida, mas com gestos duros e olhares frios.

Ela conseguia imaginar o tom de voz — formal, porém afiado como uma lâmina.

Minutos depois, Quil fez um gesto chamando Jessica, que entrou na sala sem hesitar. Renesmee apertou o copo de café, sentindo uma estranha mistura de curiosidade e preocupação.

Os advogados saíram logo depois, com expressões fechadas, e caminharam até a saída sem dirigir uma palavra a mais para ninguém. Pouco depois, Quil e Jessica deixaram a sala.

— Eles vão processar o jornal — disse Quil, com a voz grave, cruzando os braços. — Eu não cedi à pressão. Pediram para demitir a Jessica, tirar a matéria do ar e ainda publicar uma retratação com pedido de desculpas.

Renesmee arregalou os olhos. — Eu avisei que estávamos mexendo num vespeiro...

— E eu não vou entregar nenhum dos meus amigos aos leões — respondeu Quil, firme.

Jessica sorriu, os olhos brilhando como se aquele momento provasse algo que ela já sabia, e abraçou Quil de forma espontânea.

Renesmee, observando a cena, sentiu que aquela batalha estava apenas começando — e que o preço por lutar poderia ser mais alto do que todos imaginavam.



Na mansão Black, o silêncio do escritório de Jacob era quebrado apenas pelo som ritmado das teclas do computador e pelo leve tic-tac do relógio antigo na parede. Ele revisava documentos importantes quando a porta se abriu sem bater.

Leah entrou com passos firmes, o jornal dobrado na mão. Com um movimento rápido, jogou-o sobre a mesa dele. A capa, com Jacob em destaque, quase parecia brilhar sob a luz suave do ambiente.

— Desde quando você começou a gostar de aparecer? — perguntou ela, cruzando os braços, o tom carregado de ironia.

Jacob não tirou os olhos do jornal por muito tempo. — Foi necessário. Estratégico.

— Estratégico? — Leah ergueu uma sobrancelha. — Eu sei o que está acontecendo, Jacob. Essa tal de Renesmee Cullen… ela está te seduzindo pra conseguir vantagem.

Jacob deixou escapar um sorriso breve, mas não de deboche — um sorriso de quem sabe exatamente o que está ouvindo. — Leah… ela é uma Cullen. O sobrenome já é vantagem suficiente, não precisa de mais nada.

Leah se aproximou um passo. — Você está iludido.

Ele respirou fundo, fechando a pasta à sua frente. — Eu te amo como uma irmã, e isso não vai mudar. Mas a minha vida pessoal é minha. Não interfira.

O olhar de Leah endureceu. Sem dizer mais nada, ela girou nos calcanhares e saiu, a porta fechando com um estalo seco atrás dela.

Jacob ficou em silêncio por alguns segundos, depois pegou o telefone. Discou um número que já conhecia de cor.

Senhorita Cullen— sua voz suavizou de imediato. — agora sou seu quem preciso me desculpar por ontem à noite, aceitando almoçar comigo?




O restaurante era o tipo de lugar onde até o som das taças se encontrando parecia calculado para ser elegante. As paredes decoradas com painéis de madeira escura e obras modernas criavam um contraste aconchegante. Jacob e Renesmee foram conduzidos a uma mesa próxima à janela, de onde se via parte da baía cintilando sob o sol do meio-dia.

Mas, antes mesmo de se sentarem, ambos perceberam os olhares — discretos para alguns, indisfarçados para outros. Os cliques rápidos e quase imperceptíveis vinham de um canto distante, onde paparazzis tentavam se camuflar entre clientes e garçons.

— Engraçado… — Jacob comentou com um sorriso enviesado, ajeitando o guardanapo no colo. — Uma repórter tão talentosa deveria entender o trabalho dos seus colegas de profissão.

Renesmee deixou escapar um riso leve. — Talvez… mas eu nunca fui do tipo que caça a vida pessoal das pessoas.

Jacob se inclinou ligeiramente para frente, o olhar fixo no dela. — Ontem… ficou um assunto entre nós que não foi exatamente resolvido.

Ela sentiu o ar mudar ao redor. Lembrou do quase beijo dado na noite anterior, assentiu, e desviou o olhar por um segundo. — Eu estou confusa, Jacob.

— Confusa… porque existe outra pessoa? — perguntou ele, a voz baixa e firme.

Renesmee suspirou, como se cada palavra fosse um peso. — Existe. E… me desculpe.

Jacob ficou em silêncio por um instante, absorvendo a confissão. Então, sem hesitar, estendeu a mão e pousou-a sobre a dela, o toque quente e seguro. — Tudo bem. Eu espero.

Ela ergueu os olhos, encontrando os dele. Havia algo ali… não apenas paciência, mas uma certeza silenciosa. O coração dela bateu mais rápido, e uma sensação estranha — quase vertiginosa — percorreu seu corpo.

O garçom chegou com a primeira taça de vinho, mas ela nem percebeu.


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A redação do Seattle Daily estava um caos — e não pelo barulho de teclas ou pelo tilintar das máquinas de café, mas pela voz de Mike Newton ecoando como um trovão.

Ele caminhava de um lado para o outro, o rosto vermelho, as mãos segurando as últimas cinco edições do Verdade Urbana.

— Cinco! — ele gritou, levantando os jornais como provas de um crime. — Cinco edições seguidas com matérias exclusivas! O Lobo da Noite, Jacob Black… e o que é que nós temos? Receita de panqueca na coluna de domingo!

Ninguém ousou responder de imediato, até que um repórter mais ousado resmungou:

— Talvez porque a gente não tenha o sobrenome Cullen.

O silêncio que seguiu foi denso. Mike abriu a boca para retrucar… e não disse nada. Apenas fechou os jornais com força e jogou-os sobre a mesa.

— Então me demite — provocou uma repórter do fundo, cruzando os braços. — Assim você pode contratar algum primo de político.

Mike bufou, passou as mãos pelo rosto e, sem energia para outra discussão, fez um gesto com a mão. — Saiam. Todos. Agora.

A redação se esvaziou num murmúrio contido, deixando-o sozinho com seu ego ferido. Ele estava prestes a se jogar na cadeira quando a secretária apareceu à porta, hesitante.

— Senhor Newton… tem uma mulher querendo falar com o senhor.

— Quem? — ele perguntou, já irritado.

— Senhorita Weber.

O nome despertou algo. Ele se endireitou, curioso. — Mande entrar.

A porta se abriu, revelando Lauren Weber — impecável, com um vestido escuro que realçava sua postura segura. Ela entrou como quem não pedia permissão, apenas ocupava o espaço.

— Senhor Newton — disse, com um sorriso calculado. — Sou Lauren Weber.

— E o que a senhorita deseja? — perguntou, estudando-a com desconfiança.

Lauren inclinou-se levemente sobre a mesa, deixando sua voz cair para um tom conspiratório. — Tenho um furo de reportagem para você.

Mike arqueou a sobrancelha. — E qual seria?

Ela manteve o sorriso frio. — Verdade Urbana incendiado. Acidente… ou retaliação?